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Shaun Of The Dead

Sofremos de um grande problema no Brasil – e acredito que não exclusivamente aqui -: a tradução de títulos. Tomo como exemplo o dia em que conversava com um amigo sobre um assalto na Itália, com Mark Whalberg. A questão é: como eu sou auto-didata em inglês, sem nunca ter frequentado aulas específicas (matava as aulas de inglês do colégio porque sabia mais que a professora), pratico a língua assistindo filmes sem legenda e lendo livros estrangeiros. Pra mim, esse sensacional filme (que terá, em breve, seu espaço no AC) era The Italian Job. Para o meu amigo, porém, o título era Uma Saída de Mestre. Depois de alguns minutos eu consegui conectar os dois títulos, e me decepcionar de novo. O filme é uma refilmagem de um título homônimo com Michael Caine, cujo título em português é Um Golpe à Italiana. Se o título fosse o mesmo, o constrangimento de ver mais uma alcunha cuja única palavra cabível pra definir é charlatã seria evitado. Acredito que você, leitor/leitora do Artilharia, sabe de cor uma série de exemplos péssimos para filmes traduzidos. E é com esse simples parágrafo que eu explico minha decisão de ter colocado, ali em cima, o título original do filme Todo Mundo Quase Morto (dói só de escrever).


Simon Pegg é o tipo de ator que você acha familiar, mas não lembra bem de onde. Ele teve um papel em Band of Brothers, em M.I: III, e em alguns shows de comédia britânicos. O que importa mesmo, aqui, é que o cara é bom. Isso é, se você gosta do senso de humor inglês. Não teria coragem de comparar nada no mundo com Monty Phyton, mas é interessante colocar o melhor programa de comédia de todo o mundo para bater de frente com Saturday Night Live. Eu nunca entraria em uma discussão para saber qual é melhor, pois são dois tipos diferentes de programa… Mas à título de humor inglês vs. humor norte-americano, colocar SNL ao lado de Phyton é cabível.

Shaun Of The Dead já começa com uma referência ao sensacional filme de zumbis Dawn Of The Dead (Despertar dos Mortos, no Brasil). O fato do trocadilho só ser possível na língua anglo-saxã, porém, não é justificativa para deixar um filme com o aspecto de imbecil. Se não fosse o Artilheiro Tauil e meu respeito com qualquer filme britânico de comédia, eu não assistiria Shaun. Mas assisti. E é impagável.

O protagonista, Shawn (Pegg) é um homem que tem uma rotina cravada: acorda, compra uma coca-cola light (depois de titubear e quase pegar uma normal), compra o jornal, vai para o trabalho que odeia (vendedor de uma loja de eletrodomésticos), enche a cara num pub e volta pra casa. Entre o pub e a casa, tem discussões com sua namorada, que não aguenta mais a rotina fracassada dele. Podemos compará-lo, então, com um zumbi. Shaun vive com mais dois amigos: Ed (Nick Frost), um fracassado que só fica em casa bebendo cerveja e jogando Playstation 2, e Pete (
Peter Serafinowicz), que também sai pra trabalhar como Shaun, mas odeia Ed. Uma epidemia que mata diversas pessoas em Londres e as transforma em zumbis dá o gás para o filme… Mas, até agora, tudo isso parece tornar o filme mais um, em meio de tantos outros… Certo? Sim. Isso porque não chegamos na melhor parte.

Shaun of The Dead é repleto de referências à cultura pop e infestado com tiradas típicas do humor britânico. Podemos começar por Shaun, que se arrasta feito um zumbi no começo de seu dia, e é “alheio” à tudo que ocorre em sua volta. É interessante observar que, no começo da epidemia zumbi, ele sequer percebe que as pessoas à sua volta estão desmaiando, e ele continua seguindo seu caminho. Avançando um pouco o filme, quando a TV está noticiando o possível “fim do mundo”, em uma rápida troca de canais, a música Panic, do grupo inglês The Smiths está sendo tocada na MTV, justamente no trecho “Panic in the streets of London” (Pânico nas ruas de Londres, numa tradução livre). Um outro programa de TV, provavelmente o National Geographic, exibe uma luta entre animais, enquanto o narrador vocifera: “(…) que são devorados vivos”.

Uma das cenas que merecem ser destacadas é a luta de Shaun, Ed e Liz (Kate Ashfield) contra um zumbi, dentro do pub Winchester: uma jukebox começa a tocar Don’t Stop Me Now, do Queen. Eles batem com tacos de sinuca no zumbi ao ritmo da música, o que cria um momento simplesmente épico do filme.

Shaun Of The Dead é o tipo de filme que você tem que assistir quando não tem nada pra fazer e quer se divertir bastante com piadas bobas, mas inteligentes ao mesmo tempo. Quando você quer sentir-se num apocalipse zumbi (quem nunca quis?). Quando tu quer rir um pouco, sem muito compromisso.

Shaun Of The Dead

Nota AC: 8,0

Direção: Edgar Wright

Elenco:  Simon Pegg, Nick Frost, Kate Ashfield, Lucy Davis, Dylan Moran, Nicola Cunningham

Duração: 99 min.

Ano: 2004

Bombardeio V – Zumbis

Zumbis estão por toda a parte. Têm representantes no campo do cinema, da literatura e dos games. Sempre são alvos de remakes que conseguem, de alguma forma, renovar a velha fórmula de Romero. Em função de algumas novidades, como a série The walking dead e o jogo Call of Duty: World at war (Nazi Zombies), resolvemos fazer um bombardeio voltado aos morto-vivos.

Marcel

Toda vez que eu ouço o termo zumbi lembro de meus 11 anos. O Dreamcast era o videogame da época, desbancava o Playstation (o que não aconteceu) e a série Resident Evil era a nova moda na pacata cidade que eu vivia, em Minas Gerais. O fato é que, por algumas horas aluguei o game e marquei ali meu primeiro contato com a criatura mágica; não deu outra: eu não pude dormir por muitas noites. Tive medo de verdade, como nunca tive sequer no cinema. A pena é que só alguns anos depois conheci a verdadeira fórmula dos zumbis de George Romero e seu Walking Dead (que foi tão copiada, e ainda é). Podia ter ficado mais abismado ainda se cruzasse com tal tipo de zumbi aos meus 11 anos. Contudo, acho que zumbis são criaturas insuperáveis num terror básico. Afinal de contas são monstros que, antes seres humanos,  agora trocam o consumismo por produtos pelo de carne da própria espécie.

Luke

Tá’í um fim do mundo que eu ia gostar: zumbis. Porque morrer assim é morrer do jeito tr00. Os zumbis podem até vencer, mas antes eu vou experimentar todas as armas que sempre quis utilizar. Imagina só que sensacional seria poder descer fogo naquela galera que, afinal de contas, já tá morta mesmo! Eu faria a festa, véi. Imaginaria minha professora de Metodologia, minhas ex-namoradas, meu primeiro chefe… Aliás, eu sou cinéfilo, mas a graça do universo zumbi tá fora dele. Em jogos, e toda a mítica criada em torno deles. Respeito Romero e suas obras (já citadas pelos Artilheiros), mas não poderia deixar de comentar a Zombie Walk, flashmob que reúne milhares de pessoas em todo o mundo com o único intuito de pintarem-se e vestirem-se de zumbis para andar por aí. Bem que eu queria participar de uma zombie walk… Com uma espingarda carregada.

Tauil

Não existe nenhum monstro ou criatura fantástica que consiga superar o zumbi. Talvez de tanto ver filmes sobre, considero os zumbis como um clássico do terror. Aparentemente, as releituras  mais atuais têm optado por uma horda hiperativa. Agora eles correm, pulam e em alguns casos até pensam. Verdade seja dita, esses remakes são até bacanas e divertidos, mas o zumbi que se preza é lerdo. Quem conseguiria correr com o corpo apodrecido? E outra, ele tem que emitir aqueles sons guturais – nada de gritos agudos, senhores produtores de Left4Dead. Se aceitam uma sugestão, procurem o filme Shaun of the Dead (Todo mundo quase morto), uma das melhores comédias britânicas que já vi. Não tem erro. Depois de ler esse bombardeio, eu espero que você concorde comigo: explosões nucleares e cometas é o caramba, a melhor forma de o mundo acabar é com um ataque zumbi.

Alice

Zumbi que é zumbi não tem motivo para ser zumbi. Basicamente, você acorda morto e sai à caça de cérebros frescos. De transformar vivos também, afinal, dar continuação à espécie é preciso, mesmo que morta. Filmes e livros sobre zumbis nunca me atraíram. Assisti clássicos esperando explicações plausíveis pelo massacre que fascinava a tantos e não encontrei nada além corpos putrefeitos vagantes, o que não me animou a continuar a busca. Há a parte divertida, claro, você sempre pode aceitar um joystick para decepar algumas cabeças, mas nada que realmente impressione.

Areia nos dentes

Artilheiro Colaborador: Anica

Desde agosto do ano passado, quando li uma resenha da Ágata no blog do Meia Palavra comentando esse livro, morro de vontade de ler. Este artigo foi originalmente publicado no .:Hellfire Club:., depois no Meia Palavra e agora no Artilharia Cultural.

O livro

Faroeste. Com zumbis. Eu sei, eu sei. Eu me vendo fácil para esse negócio de histórias de zumbis, mas no caso de Areia nos Dentes eu fico mais do que feliz por isso. Porque é um daqueles livros que eu colocaria fácil, fácil entre um dos melhores que li esse ano. E ó, nem tem tanto zumbi assim.

A narrativa mostra um sujeito tentando recuperar a história da família ao escrever um livro sobre os tempos em que viviam em um povoado no sul dos Estados Unidos. Aos poucos o narrador vai interrompendo a narrativa, seja por um problema com o computador, seja por embriaguez. E quando você já está afoito pensando: cadê os zumbis, cadê, cadêêê?, Já era. Xerxenesky já prendeu sua atenção e você quer saber dos dois Juans. Você já consegue sentir o calor e a poeira da Mavrak, cidade dos antepassados do narrador.

E o que é mais interessante é como ele vai alinhavando a história, com muita metalinguagem e ótimas referências. Não só isso, mas vários momentos que extrapolam o que esperamos de ‘normal’ em um romance. Por exemplo, a parte de Juan correndo atrás de Samuel com o cavalo é fantástica, por causa da solução do autor para esse momento: duas colunas, uma nomeada Juan, outra Samuel. Em cada uma temos um breve parágrafo mostrando o que cada um está pensando naquele momento. Eu me arrisco a dizer que nunca tinha visto algo igual em literatura, funcionando tão bem.

O mesmo vale para outras inovações, como a chegada dos zumbis, ou mesmo o momento que um vírus ataca o computador do narrador. Daqueles livros de autor-artesão, meio versão faroeste de Budapeste, eu arrisco dizer. O livro é tão bom que você devora e depois fica com aquele arrependimento de quem deveria ter “guardado um pouco para depois”. Os zumbis? Em certo momento o narrador diz:

Meu filho, Martín. Minha esposa, Maria. Não sei por onde eles andam, se há como reavê-los. Se estão vivos ou se estão mortos. Enquanto fico nessa dúvida, não estão vivos, nem mortos. São mortos-vivos. Andando em passo arrastado pelas ruas arenosas da minha memória.

Acho que isso já deixa bastante claro: Areia nos Dentes não é um livro de zumbis.

O autor

Antônio Xerxenesky (Porto Alegre, 1984) é ficcionista, autor do romance Areia nos dentes (Não Editora, 2008; Editora Rocco, 2010). Já publicou narrativas curtas em antologias como Ficção de Polpa e no momento finaliza o volume de contos A página assombrada por fantasmas, que será lançado pela Editora Rocco em 2011. Seu conto “O desvio” foi adaptado para a TV por Fernando Mantelli em 2007. Atua como editor na Não Editora, onde organiza a revista online de crítica literária Cadernos de Não-Ficção.

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Sobre o Artilheiro Colaborador

Escreve no .:Hellfire Club:. desde 2003, quando ele ainda era um querido diário lá no Blig. Está envolvida com a Valinor desde 2002  e desde 2007 é mamãe orgulhosa do Meia Palavra. Na vida real, é bacharel em Estudos Literários, professora de Língua Inglesa e campeã de dois ou um.

Colin

Artilheiro Colaborador: Rodrigo Kruppa

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Quando vi em alguns blogs materiais sobre o filme “Colin” e toda a história envolvendo o diretor Marc Price e seu investimento de míseros 70 dólares na produção, assim como o apoio que recebeu de diversos desconhecidos para que seu projeto de levar um filme a Cannes desse certo, fiquei extremamente interessado, pois sempre achei louvável o cinema independente, ainda mais que o mesmo se tratava de um filme de zumbis!

A proposta do filme é inovadora, pois é apresentado o holocausto zumbi pelo olhar de um dos mortos. Sim, o protagonista é um morto-vivo. A obra segue a clássica tendência de George A. Romero: zumbis lentos e a total falta de explicação sobre a origem do fenômeno apocalíptico, nada de teorias sobre vírus ou zumbis velocistas.

Logo de inicio, o protagonista adentra sua residência, com uma mordida agravada no braço. E assim, alguns minutos depois ele se junta às fileiras que perambulam em uma Londres tomada pelo caos.

A primeira coisa que chama a atenção é a semi-ausência de uma trilha sonora, apenas em alguns momentos específicos a música se faz aparente, o que torna a obra completamente claustrofóbica. Em segundo lugar, a câmera trepidante a acompanhar Colin se arrastando pelas ruas causa uma certa angústia – não algo comparável ao filme “Irreversivel”, mas é digna de nota.

Surge também no começo o primeiro indício de minha critica ao filme: Colin acha em meio a objetos perdidos alguns blocos de lego, e fica, como se fosse um bebê, analisando tal brinquedo, como se ainda lhe restasse algo de sua natureza humana.

O mesmo acontece diversas vezes durante o filme. Ou seja, Price “humaniza” os zumbis, o modo que Colin segura seu braço indica que o morto poderia estar deprimido ou mesmo sofrendo por sua condição, o que acaba sendo melodramático. As coisas melhoram um pouco quando, diante de sua irmã, o zumbi ainda se mantém selvagem, querendo devorá-la – juro que se fosse diferente, eu desligava o DVD e ia dormir, né.

Outra crítica pertinente pode se relacionar com a economia da obra (setenta dólares!!!). Não se vê armas no filme, afinal, festim deve ser caro, mas senhor diretor, matar zumbis com estilingue é uma afronta a tais seres!

Como um bom filme de zumbis, o gore mantém-se presente nas cenas de devoramento, que por sinal ficaram muito boas em questão da maquiagem, o que, juntamente com a adaptação de Madrugada dos Mortos, convenceu-me que a computação gráfica ainda não substitui um trabalho de maquiagem.

Mas por fim, acredito que Colin será lembrado por ser o “filme de setenta doláres” e não por seu roteiro, não por ser o filme do “zumbi contemplador”. Espero que fique a dica, caros fãs de zumbis, caso queiram um dia produzir algo dentro do cinema B independente: criem zumbis famintos e furiosos. Eles não precisam ser os mocinhos, o que eles precisam é causar o caos, para que possam ser destruídos com um tiro no crânio ou uma marretada, não importa. Eles não são nosso amigos.

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Nota AC: 7

Diretor: Marc Price

Elenco: Alastair Kirton, Daisy Aitkens, Leanne Pammen, Kate Alderman, Kerry Owen, Tat Whalley

Sobre o Artilheiro Colaborador

Rodrigo Kruppa Gomes é acadêmico de Letras da UFMS, fã de quadrinhos, Jogos violentos, e filmes gore. Escreve sobre música no C-Sides, e posta algumas coisas em seu blog pessoal. Acha discussões sobre música, literatura e vida de vital importância, seja em meios comunicativos providos pela internet, seja em uma mesa de bar suja de cerveja ou em um meio-fio descascado de um centro urbano.

Left 4 Dead 2

Um mundo dominado por zumbis. Quatro sobreviventes armados até os dentes. Um longo caminho a percorrer. Tem como dar errado?

O jogo começa no alto de um prédio com um helicóptero indo embora. Tudo indica que as forças armadas dos EUA evacuaram as pessoas para algum local seguro e esqueceram de você. Por sorte, você não está sozinho. Quatro cidadãos de personalidades diferentes que deverão ser superadas em nome da sobrevivência. São eles:

Nick é o malandro, apostador, beberrão. Quer sempre levar vantagem e pegar as melhores armas. Rochelle tem o perfil da típica mulher classe-média americana, batalhadora e independente – bem independente. Coach é o gordo da história e contraria a lei de que o gordinho sempre se dá mal: como técnico de futebol americano, é ele quem entende de violência mano a mano. E por fim, Ellis, um mecânico que, como todo adolescente, crê piamente em sua imortalidade.

Seu objetivo é muito simples: na pele de um dos sobreviventes, pegue as armas que aparecerem no caminho e abra caminho contra as hordas de zumbis sedentos por comida. Correr com uma frigideira na mão, embora seja divertido, certamente não é uma boa opção: sem uma estratégia traçada você dificilmente sobreviverá. Os zumbis realmente avançam em massa e contam com personagens especiais, como por exemplo o Charger, um bicho imenso de força sobrenatural ou o Hunter, um zumbi ágil que pulará em sua cabeça. O melhor do jogo é a equipe. Sem ela, nada feito. Por exemplo, uma vez incapacitado por esses zumbis modificados, você só poderá voltar ao jogo quando algum colega te ajudar a levantar. E, acredite, a I.A. desse jogo é boa! O computador, além de saber se curar, te poupa de muito esforço.

São cinco campanhas no total. Cada uma com cenários e zumbis muito diferentes. Por exemplo, na campanha do Parque de Diversões (a minha preferida, diga-se de passagem), no meio dos mortos-vivos despontam alguns palhaços. Essa variedade de, digamos, “figurino”, dificulta o cansaço pela mesmice. Afinal, o jogo é baseado em apenas uma fórmula: correr, atirar, correr, cortar, correr e sobreviver. No final de cada campanha há uma espécie de fase final, mais difícil e com algum outro objetivo que não seja simplesmente matar, como por exemplo encher o tanque de um carro com gasolina para sua fuga.

Além desse ponto negativo, tem uma coisa só a mais: as armas brotam do chão. Todo tipo de arma espalhadas por todo o mapa. “Sem elas não haveria graça”, diz você. Eu sei, meu bem. Mas ficou um pouco exagerado. O que eu estou dizendo é que, se por acaso você entrasse em uma padaria (o que não acontece), procurando entre os pãezinhos de sal você encontraria uma shotgun automática.

Altamente recomendável o jogo em multiplayer. Primeiro porque sozinho perde-se muita coisa, inclusive com quem compartilhar a graça dos diálogos irônicos dos personagens. Segundo porque os zumbis não são mais como antigamente. Não se rastejam pelas ruas dizendo “cérebro”. Agora eles pulam de prédios e correm mais que uma criança imperativa.

Mas se isso tudo ainda não te convenceu, veja o trailer ou arrume algum jeito de jogar. Ah, e, vai por mim: se você encontrar uma mulher chorando, desligue sua lanterna e não a perturbe jamais.

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Left 4 Dead 2

Nota AC: 9

Plataforma: X-BOX 360

Zombieland

Existem filmes de Zumbi que teimam em ser sérios. Em trazer muito suspense, muitos momentos tensos, terror e medo. Existem filmes de Zumbi que tentam ser sérios… E existem Zumbilândia e Planeta Terror. Hoje, crianças, falaremos apenas do primeiro (e mais recente) filme, que tira um glorioso 10 no conceito diversão, mesmo que a nota seja inversamente proporcional a qualquer sentido que o filme possa ter. E é isso que nos levará ao primeiro argumento de hoje: Se um filme é de zumbis, crianças, ele precisa ser o filme mais coerente da história? Você não foi ao cinema para assistir um drama. Não está, tampouco, assistindo um documentário fidedigno. Está lá para fugir do resto do mundo. Para esquecer que existe alguma coisa além daquele universo que você está experimentando no cinema. Daquela realidade alternativa da qual, durante algum tempo, você fará parte. Como um cinéfilo de carteirinha, eu criei o meu próprio conceito para saber se um filme é, de fato, bom. E esse conceito é: O filme é bom se ele cumprir o que propõe. Um filme de drama, para ser bom, precisa te emocionar. Te tocar, de alguma maneira. Um filme de comédia precisa te fazer rir – rir de verdade -. Um filme de ação precisa te grudar na cadeira, um filme de terror precisa te tirar o sono por uma noite ou duas… E um filme que fala de zumbis, meu amigo, precisa te fazer pensar “MEU DEUS, EU QUERIA VIVER ISSO!”. Porque, cá entre nós, você ta numa terra cheia de mortos-vivos, com uma quantidade de armas que só pode ser classificada como “algo muito errado” para se defender, não tem fila no supermercado e você pode fazer o que quiser. Me chame de louco, mas eu queria viver num lugar assim. E, sem sombra de dúvidas, escolheria Zombieland. Para os recrutas homens dessa Artilharia Cultural, eu nem precisaria escrever muito. Querem ver o filme se vender em uma imagem?

Vendeu.

Vocês sabem que a Emma Stone é argumento suficiente pra qualquer coisa, mas Zombieland é tão legal que nós precisamos falar mais dele. A história nos é mostrada pelos olhos de Columbus, personagem vivido por Jessen Eisenberg, uma versão pirateada do Michael Cera (que seria a melhor escolha para esse papel, se já não estivesse meio batido para o papel de nerd anti-social que todos nós adoramos, sempre), rapaz que consegue sobreviver ao apocalipse zumbi muito graças a seus talentos em simplesmente não ter amigos. Sozinho no meio do Inferno na Terra, Columbus cria uma série de regras para sobreviver em meio àquele caos. Coisas como Não Seja o Herói e a sensacional Double Tap, que consiste basicamente em dar o “tiro de segurança”, para assegurar que o zumbi está, mesmo, morto. Sempre se movendo, Columbus encontra, em uma estrada, Tallahassee, sem dúvidas o melhor personagem do filme. Por quê? Porque ele é vivido por Woody Harrelson. O quê? Você nunca ouviu falar dele? Talvez nunca tenha ouvido seu nome, mas esse rosto já esteve em muitos momentos cômicos do cinema. Seu papel mais recente foi em 2012, como o lunático que prevê o fim do mundo antes de todo mundo.Aqui, Harrelson não é nada mais, nada menos, que um caçador formidável de zumbis. Alguém que tem prazer em matar os mortos-vivos das maneiras mais inusitadas e curiosas. Para completar a gang, temos Witchita (Emma Stone) e Little Rock (Abigail Little-Miss-Sunshine Breslin), uma dupla de garotas cuja única regra é nunca confiar em ninguém. E, acreditem… Essa regra acaba causando mais “emoção” do que qualquer uma das 32 regras de Columbus.

O filme se desenvolve de uma maneira tão simples e divertida quanto a película em si: Little Rock, a mais nova, sonha em ir a um parque de diversões. E, considerando que não se tem mais nada para fazer no planeta, Witchita decide levá-la. E é no meio dessa empreitada que o destino delas cruza com o de Columbus e Tallahassee.

Para tentar ser o mais simples possível, cadetes e soldados, Zombieland não é um filme para ser levado a sério, e isso o torna um dos melhores “filmes de zumbi” de todos. Ele te arranca risadas, proporciona momentos que merecem ser vistos de novo, carregam cenas bem ao estilo videoclipe, com uma velocidade absurda e uma transição para câmera lenta logo em seguida, tem a participação especialíssima e ÉPICA de Bill Murray e conta com uma trilha sonora fantástica (que traz Metallica, Black Keys, Raconteurs e até Willie Nelson!). E se isso tudo não te conquistou, dá uma subidinha e olha a Emma Stone de novo.

Zombieland

Título Traduzido: Zumbilândia
Nota AC: 8,5
Duração: 88 min
Diretor: Ruben Fleischer
Elenco Principal: Jessen Eisenberg, Woody Harrelson, Emma Stone, Abigail Breslin