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20 duplas da música brasileira

Comecei tentando escalar dez duplas essenciais à música brasileira. Não consegui. Fui pra quinze. Não deu também. Fechei com vinte. Vinte parcerias bem sucedidas que não podem passar em branco para quem gosta de música. Tentei ser versátil, mas antes de mais nada gostaria de deixar claro alguns pontos: existe, além dessas vinte, inúmeras outras que eu gostaria de incluir aqui – quem sabe numa segunda postagem. Não está em ordem de preferência. E o intuito não é escolher os melhores compositores brasileiros, até porque não sou louco o suficiente para eleger alguns entre tantas feras.

Vou indicar alguns destaques entre as composições das duplas e, para não carregar muito a página, conto com sua astúcia para jogar os nomes que te despertarem curiosidade no YouTube. Vamos lá.

1. Tom Jobim e Vinicius de Moraes

A união entre Tom e Vinicius talvez seja um dos melhores casamentos da MPB. Lamento quando ouço que Tom Jobim e Vinicius de Moraes são compositores de Bossa Nova. Extremamente versáteis, compositores desse naipe não podem ser presos a um movimento musical.

Destaques: Se todos fossem iguais a você. Eu sei que vou te amar. Sem você. Modinha. Insensatez. Água de beber. Eu não existo sem você. Estrada branca. É preciso dizer adeus. A felicidade.

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2. Chico Buarque e Edu Lobo

Chico tem em Edu seu mais constante parceiro, e vice-versa. Juntos, têm mais ou menos quarenta parcerias, todas, com exceção de duas, feitas por encomenda para alguma peça teatral. “O grande circo místico“, “O corsário do rei” e “Cambaio” são algumas peças que levam a trilha sonora assinada pela dupla. É um desses encontros raros, de perfeita simetria entre letra e música. Edu diz que jamais teve que alterar uma de suas notas para que as palavras de Chico se encaixassem melhor.

Destaques: A história de Lily Braun. Choro Bandido. A moça do sonho. Beatriz. Cantiga de acordar. Ciranda da bailarina. Ode aos ratos. Sobre todas as coisas. Valsa brasileira. Veneta.

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3. Noel Rosa e Vadico

Noel Rosa, expoente máximo do samba, e Vadico, pianista, têm um trabalho interessante: juntos, fizeram poucas músicas. Mas extremamente preciosas. Não é por menos que são lembrados como uma das mais felizes parcerias da música brasileira.

Destaques: Conversa de botequim. Cem mil réis. Feitio de oração. Feitiço da Vila. Tarzan, o filho do alfaiate. Provei. Pra que mentir?.

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4. Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira

Luiz Gonzaga, o rei do baião, teve entre seus vários parceiros um que merece ocupar um degrau acima dos demais: Humberto Teixeira. Embora sejam lembrados somente por “Asa branca”, a parceria rendeu outros trabalhos louváveis que valem a pena ser escutados para quem gosta de um ritmo mais nordestino, mais animado.

Destaques: Asa branca. Assum preto. Baião. Baião de dois. Légua tirana. Qui nem jiló. Respeita Januário.

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5. Chico Buarque e Francis Hime

Francis (esquerda) e Chico (direita) se aproximaram muito durante a década de 70. Além de parceiros em composições, Francis atuou como arranjador dos discos de Chico dessa época. Alguns apontam os arranjos de Francis como os melhores da obra de Chico. Juntos, compuseram quase 20 músicas, entre elas estão alguns clássicos da MPB.

Destaques: Vai passar. Meu caro amigo. Pivete. Quadrilha. Trocando em miúdos. Atrás da porta. Passaredo.

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6. Caetano Veloso e Gilberto Gil

Para representar o Tropicalismo aqui na lista, nada mais justo que Caetano e Gil. No fatídico ano de 1968, revolucionaram o cenário cultural brasileiro incorporando elementos estrangeiros, como a guitarra, em suas composições.

Destaques: Divino maravilhoso. Haiti. Panis et circenses. Desde que o samba é samba. Cinema novo. Dada. Batmacumba.

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7. Raul Seixas e Paulo Coelho

Esqueça o que você ouviu falar por aí dos livros do Paulo Coelho. Estamos falando de um letrista que junto de Raul Seixas, compôs várias pérolas do rock brazuca. Muitos dizem que Paulo Coelho se aproveitava do talento e da fama de Raul, mas, independente do que cada um fazia nas composições, as que nasceram desse encontro merecem destaque em nosso cenário musical.

Destaques: Al Capone. As minas do Rei Salomão. Como vovó já dizia. Eu nasci há dez mil anos atrás. Gitá. Medo da chuva. Meu amigo Pedro. Não pare na pista. Rock do diabo. Sociedade alternativa.

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8. Rita Lee e Arnaldo Baptista

Rita e Arnaldo botaram no mundo alguns clássicos imortais. Juntos com Sérgio Dias, formavam os Mutantes, que se desfez, se refez e hoje já não sei mais a quantas anda.

Destaques: Balada do louco. Caminhante noturno. Amor branco e preto. Desculpe, babe. Quem tem medo de brincar de amor?. Sucesso, aqui vou eu. Don Quixote.

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9. Vinicius de Moraes e Baden Powell

Mais uma prova da versatilidade de Vinicius. Com Baden, fez os famosos afro-sambas, claro divisor de águas da MPB por mesclar elementos da música africana com o samba carioca.

Destaques: Além do amor. Apelo. Berimbau. Canto de Ossanha. Consolação. Deixa. Formosa. Samba da bênção. Samba em prelúdio. Tem dó. Velho amigo.

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10. Erasmo Carlos e Roberto Carlos

Tudo bem que o Roberto Carlos tem uma fase cafona e que muita gente tem aversão. Eu entendo. Mas e daí? É inegável que junto a Erasmo Carlos tenha composto músicas boas. E se você acha que o Erasmo é uma figura lado B que utilizou da fama do Roberto, sinto muito. É um excelente compositor que pretendo explorar mais em outro artigo. Caiamos no iêiêiê.

Destaques: A banda dos contentes. Além do horizonte. Amigo. Cama e mesa. Coqueiro verde. De tanto amor. Debaixo dos caracóis dos seus cabelos. Detalhes. É proibido fumar. Emoções. Eu sou terrível. Fera ferida. Festa de arromba. Ilegal, imoral ou engorda. Lady Laura. Minha fama de mau. Olha. Traumas.

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11. Moraes Moreira e Luiz Galvão

Luiz Galvão (esquerda) e Moraes Moreira (direita) são os responsáveis pelas melhores composições do finado grupo Novos Baianos. Se você nunca ouviu, vai por mim: surpreenda-se.

Destaques: A menina dança. Acabou chorare. Dê um rolê. Mistério do planeta. Preta pretinha. Três letrinhas. Um bilhete para Didi.

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12. Paulo César Pinheiro e João Nogueira

Vejo em Paulo César Pinheiro um dos três melhores compositores vivos do Brasil. Entre todos os seus parceiros, escolhi o trabalho com João Nogueira porque é louvável, representa para mim músicas importantes na formação da visão do mundo de uma pessoa.

Destaques: Espelho. Minha missão. Dora das 7 portas. O poder da criação. O homem dos quarenta. E lá vou eu. Batendo a porta. Mineira.

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13. João Bosco e Aldir Blanc

Um mestre do violão e um gênio das palavras. Juntos, só pode dar coisa boa. O trabalho de João Bosco com Aldir Blanc é vastíssimo e representou uma das principais vozes dos angustiados com a ditadura brasileira.

Destaques: Agnus sei. Bala com bala. Corsário. De frente pro crime. Dois pra lá, dois pra cá. Escadas da penha. Falso brilhante. Gênesis (parto). Incompatibilidade de gênios. O bêbado e a equilibrista. O ronco da cuíca. O mestre-sala dos mares. Preta-Porter De Tafetá. Tiro de misericórdia.

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14. Vinicius de Moraes e Toquinho

Talvez uma das duplas que mais geraram descendentes. Toquinho teve em Vinicius seu grande parceiro e mentor. Além das composições próprias, musicou inúmeros poemas de Vinicius. Entre todos os trabalhos que fizeram juntos,  merecem destaque, entre outros, as músicas infantis d”A Arca de Noé“, que embalaram várias gerações de brasileiros.

Destaques: A carta que não foi mandada. A tonga da mironga do kabuletê. Aquarela. As cores de Abril. Carta ao Tom 74. Como é duro trabalhar. Como dizia o poeta. Cotidiano n° 2. O canto de Oxum.  O filho que eu quero ter. O poeta aprendiz. Paiol de pólvora. Para viver um grande amor. São demais os perigos dessa vida. Se ela quisesse. Sei lá, a vida tem sempre razão. Sem medo. Tarde em Itapoã. Tudo na mais santa paz. Um homem chamado Alfredo.

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15. Ronaldo Bôscoli e Roberto Menescal


Dois dos mais ilustres filhos da Bossa Nova, é impossível deixá-los de lado. Não existe tributo à Bossa que não relembre alguns clássicos frutos de Ronaldo Bôscoli e Roberto Menescal.

Destaques: O barquinho. Carta ao mar. Copacabana de sempre. Errinho à toa. Nós e o mar. Por quem morreu de amor. Rio. Vê. Você.

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16. Milton Nascimento e Fernando Brant

Representando a turma do Clube da Esquina, Fernando Brant e Milton Nascimento criaram belíssimas composições profundas, com temáticas variadas: a vida, o artista, a reflexão, a preocupação com o social. Têm uma vasta lista de parcerias altamente recomendável.

Destaques: Canção da América. Canções e momentos. Comunhão. Encontros e despedidas. Maria Maria. Milagre dos peixes. Ponta de areia. San Vicente. Sentinela. Travessia.

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17. Cazuza e Frejat

Tá angustiado com o sistema e quer mandar tudo pros ares? Está aqui a dupla que te servirá de trilha sonora. As composições de Frejat e Cazuza são extremamente atuais, servindo ainda hoje como um grito de alerta. Quem acha que rebeldia não pode andar junto com o amor e a beleza, basta ouvir algumas músicas desses dois para ficar provado o contrário.

Destaques: Bete Balanço. Blues da piedade. Ideologia. Malandragem. Pro dia nascer feliz. Só as mães são felizes. Subproduto do rock. Todo amor que houver nessa vida.

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18. Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito

O fino do samba. Quer mais o quê? Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito compuseram verdadeiros hinos do samba, revisitados ainda hoje por intérpretes de altíssimo nível. Indispensáveis.

Destaques: Encontro marcado. Folhas secas. Me esquece. Meu caminho. Meu violão. Minha paz. O bem querer. O dia de amanhã. Palco vazio. Pranto de poeta. Tatuagem. Quando eu me chamar saudade.

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19. Chico Buarque e Tom Jobim

Chico é Chico e Tom é Tom. A parceria dos dois começou um pouco por acaso, quando foram apresentados por Aloísio de Oliveira. Chico ainda estava começando e Tom já era uma autoridade musical. Para uma análise mais delicada, é possível ver traços de maior maturidade nas letras de Chico depois que virou parceiro de Tom. Para mim, uma das melhores duplas.

Destaques: Anos dourados. Olha Maria. Retrato em branco e preto. Sabiá. Eu te amo. A violeira. Pois é. Piano na Mangueira. Imagina.

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20. Luiz Tatit e Zé Miguel Wisnik

Os novos expoentes da música urbana, Luiz Tatit e Zé Miguel Wisnik, que também é parceiro de Caetano e de Chico, oferecem composições com um traço modernista, o tempo todo brincando com as palavras e fazendo referências a outras composições.

Destaques: Baião de quatro toques. Mestres cantores. Para Elisa. Serra do mar. Trio de efeitos.

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Fonte: muito veio do Discos do Brasil.

Downloads: acredito que muito do que foi citado por ser encontrado no Umquetenha.

Creed – Full Circle




Creed é uma daquelas bandas que você muito provavelmente já cantarolou uma faixa, mesmo sem saber muito da autoria.

Enquanto continua lendo, veja só um exemplo disso:This video was embedded using the YouTuber plugin by Roy Tanck. Adobe Flash Player is required to view the video.

A banda foi fundada em 1995 pelos amigos Scott Stapp (vocal) e Mark Tremonti (guitarras) e até então, tinha seus três discos de estúdio convincentes: “My own prision” (97), “Human Clay” (99) e “Weathered” (2001); convencia e ensaiava boas posições nas paradas musicais.

Full Circle é o quarto disco da banda norte-americana, lançado após uma pausa de oito anos – desconsiderando o lançamento do “Greateast Hits” (04). O disco marca uma mudança drástica de postura dos roqueiros, que seguiam, até então, a linha do Rock clássico de “Weathered”. Full Circle tem uma sonoridade mais corajosa, que assume ora uma levada mais pesada, ora volta às origens dos trabalhos anteriores. Dessa maneira, o trabalho mais recente do Creed teve menor aceitação e propagação comum na mídia, se comparado ao ultimo disco de estúdio, lançado em 2001.

“Full Circle” foi lançado em 2009 e, embora o posicionamento na Billboard alcançar, no lançamento, os primeiros lugares de vendas, a aceitação foi medida na maneira como ele se tornou obsoleto em tão pouco tempo.

O Circulo está completo

O álbum começa com a insinuante “Overcome” que é logo uma das melhores faixas nesse acerto do antigo Creed com a postura da banda nesse novo trabalho. “Bread of Shame” passa absolutamente deconhecida como música da banda. Tem uma sonoridade densa como pouco visto; o que se faz muito necessário para os fins da faixa que tem uma evidente angulação à letra interessante e contestadora de Strapp.

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“Suddenly” mantém o disco pesado com um espírito de Heavy Metal. Mas não se engane, ou julgue pela capa: esse trio de faixas pesadas (Overcome, Bread of Shame e Suddenly) logo de cara torna-se contraditório ao longo do perfil do disco. “Rain” vem para personificar essa primeira mudança: dá-se uma impressão das canções que tocam nos rádios, o rock dentro dos moldes mais populares; sua letra chega a ser terna. Paralelamente comparadas, “Suddenly” e “Rain” tornam o disco, uma pequena confusão de emoções. Mas, principalmente, deixam uma boa impressão da competência dos músicos, produtores e demais profissionais que souberam andar bem nos dos ambientes.

O melhor feeling está em “Away in Silence”, a faixa é formidável, com repiques e violões solos. Sua musicalidade é toda moderna, e chega a se assemelhar aos trabalhos de Lifehouse, ou os tempos românticos do Pearl Jam.  A voz de Scott está menos histérica, mais pacificadora para dar ênfase a essência amena e o apelo de “segunda chance”. Acalme os ânimos garoto do rock: apesar da queda de b.p.m (de batidas por minuto, mesmo), o disco não passará a ser melodramático ou gospel depois da metade e “Fear” vem para justificar isso. A sétima faixa do disco tem letra interessante que fala da instigação ao protesto do cidadão para o mundo. E o som de “Fear” é como a letra, estupidamente áspero cuspindo a verdade sob uma ótica de desconforto.

“On my Sleeve” levanta um gancho interessante: A comparação do Creed, pela sonoridade dos primeiros trabalhos, e voz marcante e grave de Scott Strapp, com bandas da mesma época como supracitado Pearl Jam, Rise Against ou Nickelback, acaba caindo por terra. Isso por que, faixas como “On my Sleeve”, “Six foot to the edge” trazem a diferença, que é a abordagem. Embora o timbre vocal de Strapp e Eddie Vedder (Pearl Jam) serem por vezes tão comparados, dentro de uma ousadia que mistura o blues e o rock, as bandas seguem principalmente ideais diferentes.

“Full Circle” é o single que dá nome ao disco. Provavelmente explica a mudança de aspecto da banda nesse novo trabalho de 2009. A letra, pela importância no entendimento – individual – do disco é disponibilizada abaixo na íntegra.

Full Cicle (Strapp)

Tem a sua liberdade agora, garoto
A quem você serve?
Não deu valor ao que deveria ter preservado
Não sobrou tempo, não sobrou tempo
Para corrigir
Continue queimando pontes, enquanto você está comprando novos amigos
Um dia de reflexão atinge, você é uma casca, pele e ossos, calculando os custos
Será que isso vale a sua alma?
Um dia para refletir

É engraçado como o tempo pode mudar, reorganizar e a distância faz
A dor desaparecer
O que era importante então, não importa agora
Nós temos os dois pés no chão
Nós começamos tudo de novo

Sem permissão para você garoto, você foi negado
Pulou a cerca para ver o que está do outro lado
Você é procurado, você é procurado
A questão é, dar uma segunda chance pode significar outra impressão
Um dia de reflexão atinge, você você é uma casca, pele e ossos, calculando os custos
Sera que isso vale a sua alma?
Um dia para refletir

É engraçado como o tempo pode mudar, reorganizar e a distância faz
A dor desaparecer
O que era importante então, não importa agora
Nós temos os dois pés no chão
Nós começamos tudo de novo
Nós começamos tudo de novo

Eu tenho um pé preso no céu
Um pé preso no inferno
Eu olhei para Deus, ele me olhou
Eu mesmo fiz essa bagunça
Não fique surpreso e não negue
Ouça cada palavra que eu digo
Feche a porta e não olhe para trás ou você irá desaparecer
É engraçado como o tempo pode mudar, reorganizar e a distância faz
A dor desaparecer

É engraçado como o tempo pode mudar, reorganizar
E a distância faz, a dor desaparecer
O que era importante então, não importa agora
Nós temos os dois pés no chão
Nós começamos tudo de novo

enviada por Drakkhen, traduzida por Sharps via letras.terra.com.br

“A Thousand Faces” é uma das poderosas na mesma medida que bela entre faixas do rock contemporâneo. Adianto que o disco vale só por essa faixa, que corresponde a uma obra venerável. Os backvocais, as linhas de guitarras, a singeleza do teclado e a pegada forte na voz e nas percussões. A montagem da faixa é algo que supera até os melhores antigos trabalhos do Creed, como em “My Sacrifice” de Weathered, e é por essas razões que a faixa é maior e mais imperdível atração de Full Circle.

A fascinante apresentação da banda em Houston

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Depois de boas referências e boas canções, o disco termina ruim. Tudo que temos ao fim, para selar um trabalho que calaria um hiato de oito anos são: “Time”, uma faixa que tenta ser tocante sem sucesso e “Good Fight” que fala da briga dos diversos “eus”. Não se entende bem a intenção de tal canção ser uma das ultimas do disco, já que a letra tem uma fórmula muito passada além de ser rasa demais. Quanto à sonoridade elas não deixam a desejar, até por que são faixas comercias. O disco termina então com uma faixa cheia de bons solos de guitarra, mas pouca personalidade, “The Song you Sing” é a faixa de despedida.

A empreitada do Creed em 2009 é madura. Mas deixa a desejar para fãs, e para ouvintes que tem a banda no histórico por alguma daquelas faixas antigas. Isso por que começa por prometer uma nova postura, com uma menor produção e um peso que vem com “Bread of Shame” e principalmente com “Overcome”. Se essa nova “cara” da banda estimula ou desestimula o ouvinte, esse processo é revertido quando o disco segue com “Away in SIlence”. Entretanto, após essa primeira promessa mal interpretada o disco é bom. Tem faixas significativas e marcantes como é o caso de: “Suddenly”, “Fear” e, principalmente “A Thousand Faces“.

Nota AC: 7,0

Produtor: Howard Benson

Distribuído por: Wind-UP Records

Site oficial da banda.

Muse – The Resistance

Antes de mais nada, caros leitores, já lhes aviso: Meu conhecimento relacionado à música é similar ao de cinema: O adquiri apenas como consumidor. Ainda nesse tema, compartilho aqui de uma curiosidade: Até aproximadamente meus 12 anos, meu gosto musical era ínfimo. Graças principalmente ao meu pai, que me apresentou ao que eu gosto de chamar de “música que presta”, eu tive o imenso prazer de conhecer Led Zeppelin, Deep Purple, Black Sabbath, Pink Floyd e, a partir daí, uma infinidade de outras bandas.

Os anos passaram, infinitas coisas aconteceram, e chegamos ao dia de hoje. Chegamos à resenha do álbum The Resistance, da banda inglesa Muse – uma das favoritas do Artilheiro que vos escreve. À seguir, vocês encontrarão uma análise faixa-a-faixa do álbum lançado em setembro desse ano.

As músicas

1. Uprising

A música de abertura traz a marca registrada da banda: A voz estonteante de Bellamy, que consegue deslizar por graves e agudos em questão de segundos, como sempre nos traz um tema sombrio e misterioso (o refrão “Eles não vão nos forçar/Eles irão parar de nos humilhar/Eles não vão nos controlar/Nós seremos vitoriosos” sugere uma revolução, a fuga das autoridades e uma possível conspiração). As guitarras são gritantes, e o baixo – tocado por um dos melhores baixistas da atualidade, o fantástico Christopher Wolstenholme – aparece, assim como nos outros álbuns, como um dos elementos principais da canção.

2. Resistance

Ser a melhor música em um álbum como esse não é tarefa fácil. Resistance, porém, consegue fazer isso com louvor. A segunda música do álbum tem início com elementos eletrônicos, teclado e bateria. Depois do primeiro minuto, a voz de Bellamy nos é apresentada e, como de costume, causa calafrios. A letra mantém-se na paranóia (destaque aqui para os versos iniciais: “Será que nosso segredo está seguro esta noite?/Nós estamos fora de vista?/Ou será que nosso mundo está desmoronando?/Será que descobriram nosso esconderijo?”), mas, dessa vez, o tema principal foca-se no amor (“O amor é nossa resistência” é o verso que dá início ao refrão). A letra, porém, não é o que encanta na música. Primeiramente, a bateria está impecável. As batidas aceleram-se quando precisam, e nos momentos necessários ficam mais lentas, quase que acompanhando ao mesmo tempo o compasso do baixo. Vale destacar o trecho em que baixista e baterista fazem um backing vocal conjunto, enquanto Bellamy canta sempre quando a frase dos companheiros termina. Resistance tem tudo aquilo que uma música boa precisa: Sincronia, timing, uma letra bela, uma melodia viciante e a voz de um dos melhores vocalistas das bandas atuais.

3. Undisclosed Desires

Eis aqui uma inovação da banda britânica. A música é quase tão dançante como Supermassive Black Hole (um hit desgastado, graças à minha saga favorita (NOT!), Crepúsculo), mas dessa vez traz mais elementos R&B do que da música eletrônica vista em Supermassive. O baixo toma a frente, acompanhando singela, porém imponente, a bateria. Bellamy disse que a música trata de sua relação com sua namorada, o que foge bem do tema principal do álbum em si. Aqui, a letra é o que menos importa: A batida é deliciosa o suficiente pra te fazer fechar os olhos e simplesmente curtir o som.

4. United States of Eurasia

Eis a música que, junto com Resistance, figuram no topo do álbum. United States of Eurasia tem, de longe, a letra mais bonita e instigante de todo o CD (destaque, dessa vez, para os versos “Essas guerras, elas não podem ser vencidas(…)/Porque dividir esses territórios, quando deveria existir apenas um?/E essas guerras; elas não podem ser vencidas/Será que alguém sabe ou se importa em saber como elas começaram?). Novamente os backing vocals entram em ação; a sincronia dos integrantes e a produção é tão perfeita que os entusiastas lembrarão-se de Bohemian Rhapsody, do Queen. O que realmente chama a atenção aqui, porém, é a melodia. Em instantes, ela te faz querer levantar e começar uma nova revolução. Em instantes, porém, te dá vontade de recostar na cadeira e relaxar. No fundo, a letra refere-se ao megacontinente formado por Europa, África e Ásia, e todas as disputas (sejam essas políticas, sociais ou econômicas) que envolvem o conglomerado de países. Vale destacar que, quando a música aproxima-se do 4º minuto, inicia-se um solo de piano inspirado em uma composição de Chopin.

5. Guiding Light

Guiding Light, a 5ª faixa do álbum, tem uma melodia que te dá calafrios do começo ao fim. Apesar da letra melancólica, também ligada à amor e separação (mas não pense que isso é tratado de maneira melosa), a melodia te faz pensar que é uma música que trata de superação (quase como Invincible, do álbum Black Hole and Revelations). Dica do Artilheiro: Preste exímia atenção à partir do 2º minuto da música: O solo de guitarra executado por Matthew Bellamy é explicitamente parecido com os que Brian May, guitarrista do Queen, costumava fazer. Da primeira vez que ouvi este solo, fiquei paralizado com tamanha beleza.

6. Unnatural Selection

O início da música é ditado por um órgão, e pela voz de Bellamy. Mas não engane-se: Depois dos primeiros 30 segundos, a bateria e o baixo já dão as caras, mostrando que essa será mais uma balada dançante da banda inglesa. Como não podia deixar de ser, a letra fala de revolução, critica políticos e religião, e volta a frisar a importância de cada indivíduo – que, como a própria letra diz, não é só uma gota de água no oceano.

7. MK Ultra

A letra é pesada e vai totalmente de encontro à faixa anterior; enquanto Unnatural falava de vitória e superação, MK Ultra trata de mentiras, decepções e derrotas. A música alterna diversas vezes entre as batidas rápidas do baterista Dominic Howard, e a voz – desta vez, incrivelmente suave – de Bellamy. A música mais fraca do álbum é, ainda assim, uma bela canção.

8. I Belong to You (+Mon Cœur S’ouvre à Ta Voix)

A mais clássica das músicas do álbum, I Belong to You é guiada essencialmente pelo piano; tem a letra mais simplória, e a melodia também não é tão bem trabalhada; engana-se, porém, quem pensa que essa é a música mais simples de The Resistance. Ao aparente final da música, Bellamy começa a recitar um trecho de Mon Coeur S’ouvre à Ta Voix (Meu Coração se Abre ao Som da Sua Voz, uma famosa ária francesa)

9, 10, 11. Exogenesis: Symphony Part I (Overture), II (Cross Pollination) e III (Redemption)

O álbum se encerra com uma composição orquestral. Uma sinfonia. Exogenesis é uma obra-prima que ultrapassa os 12 minutos de duração, se somadas. Para fazerem o efeito necessário e mostrarem para que vieram ao fim do álbum, precisam ser ouvidas seguidamente, sem pausa alguma. A Parte I começa quase que inaudível, tímida. Bellamy, porém, nos instiga com seu timbre agudo e, acompanhado de seu impecável piano, nos faz viajar para muito longe nesta primeira parte que oscila entre o calmo e o desvairado. A Parte II é mais calma, tendo seu primeiro minuto todo sendo guiado pelo teclado; o resto da música, porém, é tão bem-produzida que nos faz esquecer que aquela é uma composição quase orquestral. A “metade” da música é tomada por uma saraivada de instrumentos, um mais potente que o outro, para chegar à seu fim da mesma maneira que havia começado: Com o piano.

É deste modo, aliás, que a Parte III tem início. Os vocais de Bellamy só chegam aos nossos ouvidos, aliás, depois dos dois primeiros minutos de música. Antes, o que temos é um show de piano naquela que é a melhor das três partes da canção.

Depois de dissecar The Resistance, não me resta muito a dizer: Eles conseguiram de novo. Conseguiram a superação de uma banda que já havia conquistado um mar de fãs com seus três primeiros álbuns. Conseguiram impressionar a crítica, que entitulou o CD de “clássico e ousado”. Se os músicos da banda britânica precisavam provar seu talento para mais alguém, não precisam mais.

O único conselho que o Artilheiro pode lhes fornecer? Dêem um jeito de ouvir The Resistance o mais rápido possível. Mas, tomem cuidado: Como tudo aquilo que é bom demais, vicia.

The Resistance (2009) – Muse

Nota AC: 9,5

Produtor: Muse

Distribuído por: Warner Bros, Helium 3