Posts Tagged ‘Poesia’
Lutar com palavras XIX – As linhas movem o mundo
Artilheiro Colaborador: Álvaro Albuquerque
Seja a do Equador fazendo a inevitável divisão de rico e pobre;
Sejam as linhas de força na física mostrando a complexidade de tudo ao nosso redor.
Seja a linha do horizonte que se perde próximo ao crepúsculo vermelho-alaranjado e ativa a nossa linha do raciocínio;
Seja esta que nos leva às reflexões inefáveis e aos devaneios simbólicos e filosóficos na busca de desvendar os mistérios do mundo.
Sejam as linhas telefônicas que trazem o longe para o perto e aliviam a saudade de quem não está presente ao seu lado;
Seja a linha do trem, que ultrapassa fronteiras com um único destino, assim como as linhas de Deus que, tortas ou não,descrevem a linha da vida, podendo ser esta curta ou longa, difícil ou não e, dentro dessa trajetória, nos guia à única certeza que temos:
O fim da linha.
Sobre o Artilheiro Colaborador
Álvaro é de Recife e tem 22 anos. Poeta e buarqueano, você pode segui-lo no twitter ou no seu blog, @alvinhow e http://alvaroalbuquerque.blogspot.com/, respectivamente.
Lutar com palavras XVII – Ao egoísmo
Artilheiro Colaborador: Gabriel de Souza
Vais mostrar-me o altruísmo sincero
que tu supões conter aquele que ama?
Hás de começar tua busca em Homero,
ler suas estórias, suas épicas tramas.
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De nada importa que exaltes o esmero
nas falácias de poesias, canções, dramas.
Afinal, há coisas que não tolero
como mentiras munidas de fama.
.
Expondo, então, um velho vaticínio
espero romper com vil fascínio
gerado em ti por tão cruel simulacro.
.
Às sombras há de se contrapor a luz.
E, enfim, enxergarás através da cruz
um sentimento de beleza real.
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Sobre o Artilheiro Colaborador
Gabriel do Amaral Castilho de Souza tem 20 anos, a maior parte deles vividos no mundo real, ou não se adotarmos a ótica de Berkeley. Fica difícil dizer. Considera-se naturalmente inclinado à literatura, entretanto, nas horas vagas, cursa Geografia na Universidade de São Paulo.
Após passar dois anos e meio na ilha da fantasia decidiu retornar ao continente para aventurar-se na intrépida jornada dos escritores ocasionais. Vocês conhecem o tipo: o saudoso Vinícius de Moraes, o velho Chico, Machado de Assis, entre outros. Atualmente mora em São Paulo, contudo periodicamente encontra-se em Taubaté, sua cidade natal.
Não almeja fama, contudo não a subestima. Espera conseguir com as palavras saciar os outros e satisfazer aos seus próprios devaneios. Você pode encontrá-lo no e-mail gabriel7sc@hotmail.com, no skoob ou no orkut.
Lutar com palavras XII – Minas
Artilheiro Colaborador: Davi Drummond
Minas (por Davi Drummond)
Era uma antiga estrada de terra
Por onde andava o carpinteiro
Vendendo tudo aquilo que produzia
Com suas mãos e a madeira
Retirada das terras de Minas Gerais
.
Era uma antiga venda de esquina
Por onde andava o fazendeiro
Vendendo tudo aquilo que produzia
Com suas mãos e o gado leiteiro
Criado nas terras de Minas Gerais
.
Era uma antiga estrada de ferro
Por onde andava o maquinista
Transportando toda a mercadoria
Com os vagões do grande trem
Construído nas terras de Minas Gerais
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Era uma antiga casa de barro
Por onde andava o velho artista
Pintando as paisagens que ele via
Com suas mãos e a aquarela
Comprada nas terras de Minas Gerais.
Sobre o Artilheiro Colaborador
Mineiro de Belo Horizonte, Davi é graduado em Geografia e Análise Ambiental. Embora esteja trilhando os passos acadêmicos, tem dois livros de poesia já publicados pela editora Pubblicati: “Pintassilgo“, de 2006, e “Colibri“, de 2007. Tem, ainda, um terceiro livro já pronto, intitulado “O carcará que não estava lá“. Parte de seu trabalho pode ser lido em seu blog, Rabiscos Inversos – que, apesar de não ser mais atualizado, disponibiliza vários de seus poemas.
Lutar com palavras X – Irregularidades gramaticais
Artilheiro Colaborador: Gustavo de Castro

Irregularidades gramaticais (por Gustavo de Castro)
Que eu vá
Que eu haja
Que eu seja
Que depois de cada pedra
Com pés maiores eu esteja
.
Que eu saiba
Que eu queira
Que eu dê
Que sob a dura concha
Exista mais do que se vê
.
Entre as regras da gramática
Esses são a exceção:
De desejos imperfeitos
É que nasce a perfeição
Sobre o Artilheiro Colaborador
Gustavo de Castro é um mineiro de 18 anos que já viveu nos mais diversos cantos do apís. Apaixonado por música, cinema e literatura, atualmente reside na cidade de São Carlos, onde cursa Engenharia da Produção na UFSCAR e escreve romances, crônicas e poesias nas horas vagas. Você pode encontrá-lo no orkut.
Lutar com palavras VIII – O cão
Artilheiro Colaborador: Arthur Attili
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O cão (por Arthur Attili)
Ai, que dó, ai ai, que dóFoi que vi o pobre animal.Revirando lixo, imitando bichoNas ruas amargas da capital..
Precisava de ajuda, estava só o póE tão só, que era – sim – de dar dó.Não era mau. Era acuado, judiado,O coração de dar nó e o corpo abafado..
Apanhei-no com cautela, tão lindoTão fofo e traquinas, dei-lhe banho,Casa e comida; e na porta ladravaQuando notava a minha saída..
Tão lindo era o cão que retireida perdição que nem lembrei-medo dono revirando o lixo com a mão.Era o dono que morria e o cão que—————————-[ficou são].
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Sobre o Artilheiro Colaborador
Arthur Attili é paulistano e faz Letras na USP. Gosta de MPB e a ela está fortemente ligado, seja compondo melodias, seja musicando alguns de seus poemas, que podem ser lidos em seu blog, o Ócio Oblíquo.
Lutar com palavras VI – Mito
Artilheiro Colaborador: Jurandir Rodrigues
O poema desta semana foi feito por Jurandir Rodrigues em 1999, em seu trabalho de conclusão de curso de Letras. O tema era a influência do mar na literatura. Inspirado, de início, em uma fala do livro “Jangada”, de José Saramago, deu no que deu:
Mito (por Jurandir Rodrigues)
Daqui já posso ver o mar
E o mar daqui não abriu
Nem Ulisses venceu
Já posso ver o mar
No mar daqui Pedro não lançou rede
Nem Cristo amansou
.
Posso ver o mar
Nesse mar Camões, Vasco nenhum
Nem outro Pedro se perdeu
.
Ver o mar
velho de Heminyway algum
nem outro velho chamado do mar
o mar
nem lágrimas
só Portugal.
Sobre o Artilheiro Colaborador
Jurandir Rodrigues é professor de Literatura e publicou seu primeiro livro de poesias recentemente, o “Acontecência“, pelo selo Vale em Poesia da editora Multifoco. Interessados em adquirir o livro devem falar diretamente com o autor, pelo e-mail jurandir.rodrigues@uol.com.br ou pelo Skoob.
Lutar com palavras IV – Poeira
Artilheiro Colaborador: Davi Drummond
Dando continuidade à coluna “Lutar com palavras”, para a segunda semana de poesia, contamos com um escrito de Davi Drummond. O poema, de 2007, foi selecionado e publicado na I Antologia Internacional de Poesia, a “Mares diversos, mar de versos“.
Poeira (por Davi Drummond)
A parede cada dia mais marcada.
A madeira cada dia mais manchada.
A poeira cada dia mais se alastra
Sobre o vidro embaçado do retrato.
.
O filho que ainda não tinha barba.
O pai que ainda não tinha bengala.
O avô que ainda não tinha partido.
Sob o vidro, inda estão todos eles.
.
Vão-se as vidas e os momentos.
Ficam os retratos guardados e
Eternizados em papel velho que
Não deixa a história envelhecer.
Sobre o Artilheiro Colaborador
Mineiro de Belo Horizonte, Davi é graduado em Geografia e Análise Ambiental. Embora esteja trilhando os passos acadêmicos, tem dois livros de poesia já publicados pela editora Pubblicati: “Pintassilgo“, de 2006, e “Colibri“, de 2007. Tem, ainda, um terceiro livro já pronto, intitulado “O carcará que não estava lá“. Parte de seu trabalho pode ser lido em seu blog, Rabiscos Inversos – que, apesar de não ser mais atualizado, disponibiliza vários de seus poemas.
A madeira cada dia mais manchada.
A poeira cada dia mais se alastra
Sobre o vidro embaçado do retrato.
O filho que ainda não tinha barba.
O pai que ainda não tinha bengala.
O avô que ainda não tinha partido.
Sob o vidro, inda estão todos eles.
Vão-se as vidas e os momentos.
Ficam os retratos guardados e
Eternizados em papel velho que
Não deixa a história envelhecer.
parede cada dia mais marcada.
A madeira cada dia mais manchada.
A poeira cada dia mais se alastra
Sobre o vidro embaçado do retrato.
O filho que ainda não tinha barba.
O pai que ainda não tinha bengala.
O avô que ainda não tinha partido.
Sob o vidro, inda estão todos eles.
Vão-se as vidas e os momentos.
Ficam os retratos guardados e
Eternizados em papel velho que
Não deixa a história envelhecer.
Lutar com palavras II – Ciúmes
Dando continuidade à coluna semanal “Lutar com palavras”, chegamos ao turno da poesia. O artilheiro Marcel selecionou uma das suas para brindar-nos nesta terça-feira.
O poema transcende uma mágoa infinita: o ciúmes. Muitas vezes inocente, entorpece desde os mais simples homens aos mais notáveis personagens da história humana. Quase toda a dor do amor advém deste sentimento ímpar que mais uma vez tenta-se sintetizar em forma de palavras (como fizeram Machado e tantos outros). A obra abaixo faz parte de uma coletânea a ser publicada no artilharia_pulmonar (blog pessoal do autor).
Ciúmes (por Marcel Scognamiglio)
Todos estes corações
sofrem das mesmas dores
que nos queimam a razão, a paz.
Se há universo e unidade no mundo
é a dor, a dor e nada maisCala-te desejo esquecido
a fantasia, o vivido
tudo vira cinza, áspero, rude
os lábios são rendidos por dentes
e as bocas só deleitam amargurasTomado de raiva pura
doença selvagem sem cura
o coração já cego mistura
tudo o que havia sentido
e despeja fora junto da juraA peste toma conta d’alma
e bota fogo na calma, na brisa noturna
cospe nas cartas de amor outras lamúrias
geme razões, grita sermões, faz o diabo
sem dizer uma palavra, permaneço calado.





