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Sandman na TV?
Sandman é uma das melhores graphic novels de toda a história desse tipo de arte. A narrativa e os diálogos são tão – ou mais complexos – do que muitos livros que se dizem cults por aí. A criação do gênio Neil Gaiman conseguiu, pelo mundo, uma legião de fãs – o Artilheiro que escreve, incluso.
Depois de muitas especulações sobre possíveis filmes e séries – o suficiente pra deixar muito fã com medo -, aparentemente – segundo o site gringo Heat Vision -, a Warner e a DC já estão em uma negociação avançada para adaptar Sandman para a TV. Uma outra tentativa, há um tempo, especulava uma série na HBO com direção de James Mangold (diretor de Garota Interrompida e Johnny&June). Dessa vez, a direção pode ficar na mão de Eric Kripke, a cabeça por trás do seriado Supernatural (que o Artilheiro em questão não suporta).
Minha opinião? Sandman tem a cara da HBO. A série é pesada, dark e nem um pouco comercial. A Warner sempre parece dar um jeito de estragar coisas boas (Smallville, estou olhando pra você). Resta torcer para, caso a parceria confirme-se, não estragarem uma das coisas mais legais que os quadrinhos já produziram.
Twitter literário – autores
Até pouco tempo atrás, quando a internet começou a se alastrar pelo país todo, muita gente dizia que ela iria alienar nossos jovens, acabar com o contato humano, que iria, em suma, destruir com a criatividade das crianças. Bem, essas crianças cresceram e parece que, pelo menos em parte, não seguiram as previsões alheias. O twitter, uma das ferramentas sociais mais utilizadas na atualidade, está repleto de arte e de criatividade. Resolvi listar alguns twitters que prestam homenagem à literatura – seja com frases dispersas ou até mesmo os próprios autores e poetas. Pretendo fazer disso uma subcategoria, quem sabe numa próxima postagem falar de editoras e tal. Espero receber críticas nos comentários, do tipo “faltou fulano” etc.
Carlos Drummond de Andrade – @drummondandrade – Drummond é essencial, seja para se ler em casa ou no twitter. Uma homenagem muito bem feita, bem dosada e bem administrada.
João Guimarães Rosa – @jguimaraesrosa – Pouquíssimo atualizado, mas Guimarães sempre, sempre vale a espera.
Paulo Leminski – @leminski – Leminski é genial e pouco conhecido. Espero, então, que seguindo essa conta, você tenha contato com a poesia de Paulo. Freqüentemente atualizado.
Nelson Rodrigues – @rodriguesnelson – Também não aparecerá muito na sua timeline, mas suas tiradas e dizeres são únicas.
José Saramago – @_saramago – Homenagem ao autor luso, muito bem administrada. Serve de exemplo para todos os outros que abrem contas para postar frases e simplesmente as abandonam ao relento.
Chico Buarque – @buarquices – Chega de frases de música mal diagramadas, o negócio aqui é literatura. Embora alguns ainda torçam o nariz para os romances de Chico Buarque, vale a pena conhecê-los, ainda que em mínimas amostras, através dessa conta. E não vou falar mais nada, afinal, essa conta é atualizada por este que vos escreve.
Fernando Sabino – @letrasdesabino – Não é muito assíduo nas timelines, mas cada linha desse gênio tão pouco discutido no Brasil é um presente. Às vezes, também, pinta uma notícia sobre algo relacionado ao Sabino.
Fernando Pessoa – @fernandopessoa – Muitíssimo bem atualizado, a responsável pela conta mantém uma interatividade com seus seguidores, dando RT, com créditos, para as frases do Pessoa que são enviadas a ela.
Antônio Xerxenesky – @xerxenesky – Conta do próprio Antônio, não se destina a frases de sua obra iniciante, mas é interessante acompanhar o autor de “Areia nos dentes”, um romance sobre zumbis no faroeste, que já está indo para a sua segunda edição.
Luis Fernando Verissimo – @luisfverissimo – Esta homenagem ao Verissimo chega a postar crônicas inteiras. Pode ser que alguns perfeccionistas achem que sua timeline fique bagunçada (mimimi), mas vale pela primazia dos escritos de Verissimo.
Fabricio Carpinejar - @carpinejar – Mais um autor contemporâneo. Pensamentos e frases soltas de Fabricio. Indico para quem gosta de uma poesia mais alternativa.
Paulo Coelho – @paulocoelho – Atualizado pelo próprio. Tem quem goste. Sem mais.
Millôr Fernandes – @millorfernandes – No comando do próprio Millôr. Frases que você já leu por aí e também muita coisa nova. O colunista da Veja, sempre bem antenadinho, garante algumas risadas com sua ironia sutil e também alguns momentos de reflexão.
Florbela Espanca – @almaespanca – Uma homenagem à poetisa, não muito atualizada e sem interatividade. Mas, pô, quando vem, é um verso da Florbela e isso basta.
Miguel de Cervantes – @soy_cervantes – O maior expoente da literatura espanhola. Nada melhor que aparecer em sua tela frases do genial Dom Quixote. Um must para todos os leitores.
Clarice Lispector – @clalispector – É a autora que mais tem contas em sua homenagem, o que me dificultou a escolha. Enfim, as frases e os poemas da Clarice são batidíssimos na internet, mas nem por isso perderam totalmente o seu brilho. Ainda não vi sendo postada nenhuma frase falsamente atribuída à autora, o que contou positivamente para minha escolha.
Luis Vaz de Camões – @luisvazcamoes – Clássicos poemas do Camões, aclamado por unanimidade como o maior poeta da língua portuguesa. É isso.
J.K. Rowling – @jk_rowling – A autora de Harry Potter não posta frases de seus livros, mas como a série do bruxo tem muitos fãs, talvez eles achem legal segui-la.
Augusto dos Anjos – @eueoutrospoemas – Poemas do maldito Augusto dos Anjos. O legal é que o responsável traz sempre o título do poema. É um negócio mais escatológico, mais underground, mas é um prato cheio pra quem gosta.
Caio Fernando Abreu – @cfernandoabreu – Detém, junto com Clarice Lispector, o maior número de homenagens no twitter – vai ter fã assim lá longe -, mas ainda assim de qualidade.
Neil Gaiman – @neilhimself – Assim como a Rowling, é uma conta pessoal. Sem trechos de suas obras. Mas é o Neil Gaiman.
Manoel de Barros – @poeta_manoeldb – Quem lê poesia e não lê Manoel de Barros, não tem moral. Cada verso é um facho de luz. Recomendo bastante.
Vinicius de Moraes – @vdemoraes – Homenagem ao poetinha visando mais seus poemas, embora também tenha frases de músicas. Saravá, Vininha!
Edit: mais autores, indicados nos comentários pelos leitores
Lucio Cardoso – @lucioclucio – Conta ainda fresca porém bem atualizada. Uma homenagem à paixão de Clarice Lispector e à inspiração de Caio Fernando Abreu
Mario Quintana – @maquintana – Falha minha ter deixado de fora essa homenagem ao Quintana, bem atualizada e bem diagramada.
Evelyn Evelyn
Eva e Lyn Neville nasceram em uma fazenda em Kansas, em 11 setembro de 1985. Órfãs, pouco se sabe sobre sua vida antes de começarem a trabalhar no Circo Viajante de Dillard e Fullerton, em 1996. Aos dezenove anos, cansadas do circo e apaixonadas pela música, decidem seguir carreira “solo”. Dividem “três pernas, dois braços, dois corações, três pulmões e um único fígado” – Eva e Lyn são gêmeas siamesas. Tocam cavaquinho, piano, acordeão e guitarra, consideram Gun ‘N Roses, Joy Division e Andrews Sisters suas principais influências e foram descobertas através do MySpace.
Foi assim que Evelyn Evelyn foi apresentado ao mundo, projeto concebido por Amanda Palmer e Jason Webley. Ela, pianista, vocalista e compositora, até há pouco tempo integrante da banda Dresden Dolls. Ele, músico que começou tocando acordeão nas ruas de Seattle. Usando um único vestido e fazendo alguns malabarismos para tocar os instrumentos, os dois passam de cantores a atores no palco antes que os espectadores possam perceber. O primeiro e até agora único álbum, com o mesmo nome da banda, foi lançado em março deste ano, com participações de Frances Bean Cobain, Weird Al Yankovic, Andrew W.K., Tegan and Sara Quin e Gerard Way. Entre as faixas, uma versão de Love Will Tear Us Apart, do Joy Divison. A capa doi desenhada por Neil Gaiman, noivo de Amanda Palmer.
Burlesco, Evelyn Evelyn não veio para ser levado a sério. Nas primeiras divulgações, Amanda e Jason falavam de si na terceira pessoa, fazendo todos acreditarem que se tratava, de fato, de uma banda bizarra de gêmeas xifópagas, o que gerou certa confusão antes mesmo de qualquer lançamento. Nos shows, após a apresentação como Lyn e Eva, ambos tiram a fantasia e tocam suas próprias músicas, aproveitando a atmosfera de divertimento inevitavelmente criada.
Mais sobre Evelyn Evelyn no Myspace e no site oficial.
Por que Sandman é tão importante?
Artilheiro Colaborador: Breno C.
Em Abril os leitores de quadrinhos ganharam um presente da Panini: a editora lançou Sandman Edição Definitiva e já colocou seu primeiro volume no mercado, deixando os fãs do Neil Gaiman loucos. O efeito desse lançamento me fez repensar na importância que a história do “João Pestana” tem sobre o mundo dos quadrinhos. Provavelmente não vou comprar esse relançamento de Sandman, porque a verba está baixa e não permite compras repetidas. E essa postagem também não será uma um review do compensado, até porque outros sites já estão cobrindo essas postagens. Então, numa tentativa pretensiosa, farei dessa postagem uma forma de explicar a importância de Sandman para o mundo dos quadrinhos e para a cultura jovem dos anos 80.
Antes de começarmos a falar da obra, seria legal deixar um pouco mais claro quem é o autor. Neil Gaiman é um escritor inglês que produz um tipo de literatura “fora do comum”. Seus livros e HQs costumam abordar temas “ocultistas” (não consegui achar palavra melhor), onde os personagens podem ser pessoas normais ou entidades cósmicas, etéreas e deuses que estão expostos a problemas que muitas vezes não significam nada isoladamente, mas no final compõem um cenário maior. Gaiman não é como o Moore (o autor de Watchmen), ele matém um contato amigável com outras formas de mídias e com os próprios fãs, dando espaço nítido para colaborações indiretas da opinião crítica de quem está lendo suas obras. O ponto legal é que ele não é marcado pelo comportamento “anormal”, o brilhoestá no que produz e não no seu estilo..
Sandman, na minha opinião, foi a obra mais importante que Gaiman já fez. Em termos de complexidade, as histórias dentro dos arcos, são exemplos de como um autor pode criar mundos e não ficar perdido em seus próprios labirintos. A HQ fala sobre um dos Perpétuos conhecido como Sonho, que é, oras responsável pelo mundo dos sonhos – território para onde a humanidade e mais outros seres são transportados quando dormem. Mas o que precisamente é um perpetuo? Entidades, mas não simples deuses ou espíritos. Os Perpétuos, assim como o nome já diz, são seres que duram eternamente, sendo que cada um deles representa um elemento comum da psique humana (e de alguns alienígenas). Destino, Morte, Sonho, Destruição, Desejo, Desespero e Delírio são os sete que formam esse panteão e são personagens de importâncias diferentes em cada um dos arcos da revista e com o tempo vão se mostrando mais complicados do que os leitores percebem inicialmente. Morpheus, ou Sonho, é o personagem principal de boa parte das histórias e de certa forma tudo o que é contado tem uma ligação com ele ou se torna parte de sua história com o passar das edições. É um personagem que tem uma forte carga dramática e se aproxima muito da condição autocontestadora que estava se desenvolvendo no final dos anos 80, quando a HQ começou a ser lançada. As situações e formas com que Morpheus tem de lidar com elas, sempre vivenciado uma indagação de seu comportamento e de suas emoções, são o grande diferencial, gerando uma profundidade e densidade ao personagem de forma tão clara que se torna anormal para os quadrinhos da época. E é justamente com esse posicionamento que vamos começar as comparações e validações da qualidade da obra.
Quando Sandman foi lançado, já existiam histórias em quadrinhos que tinham esses aspectos introspectivos. Os X-men, por exemplo, já faziam o trabalho de chocar os leitores com questões como racismo e políticas extremistas, assim como os Novos Titãs estavam presentes para aproximar o mundo “adolescente” e criar elos com a realidade do público alvo. Porém, foi com Sandman que os leitores, independentemente da idade, encontraram um ícone para desabar seus sentimentos emotivos. Morpheus, e quase todos os personagens dos arcos, são dotados de uma complexidade existencialista tão forte que é possível criar uma série para cada um, como aconteceu com sua irmã mais velha (Morte) e uma de suas namoradas (Tessália).
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O grande trunfo de Sandman no que diz respeito a manter seus leitores é a forma como as tramas são construídas. Quem está acompanhando um arco pode se identificar com algum personagem, se ligar a atmosfera de suspense ou estar interessada em todo o “mundo a parte” que é desenvolvido, porque existe um pouco de cada um desses elementos presentes na trama. Sandman é o tipo de leitura que pede um certo nível de dedicação e envolvimento, mas tudo isso é compensando pelo estímulo à mente e a recompensa de no final se emocionar com os desfechos. É literalmente um entretenimento com qualidade. Sandman criou um público fiel quando foi lançado pela primeira vez, então, nada mais natural que esteja sempre nas listas de leituras básicas de grandes nomes. Também está na minha lista, mas não por uma questão de ser o representativo de uma geração, acredito que o mais importante em Sandman é justamente o diferencial que ele ditou nos quadrinhos, exigindo que os posteriores fossem tão profundos e densos quanto. Fica como minha indicação pessoal a todos que querem começar a ler HQs.
Sobre o Artilheiro Colaborador
Breno é um ávido leitor de HQs e mantém um blog musical, o C-sides. Você pode segui-lo em seu twitter, o @brenocs









