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The Cure – 4:13 Dream
Em 1976, em algum lugar dos subúrbios londrinos de Crawley, surgiria mais que uma banda musical, nasceria um conceito.
Robert Smith, único integrante presente da banda desde sua formação original produziu, compôs e construiu por todos esses anos a alma de uma Londres nos anos 80 com sua guitarra melódica – e simplória – e sua voz absolutamente aveludada.
The Cure concebeu ao mundo naquela década dezenas de faixas inspiradas e inspiradoras que navegariam fortemente pela cultura do rock alternativo e melódico até os anos atuais. Dentre essas faixas estão: “Boys Don’t Cry”, “Lullaby”, “Close to me”, “Wrong Number”, “Facination Street” e “Letter to Elise”.
Passaram assim os anos e pelo The Cure diversos músicos – mantendo-se o formato de trio – que viram a banda entrar em declínio em 1994 e resurgir em 2000 com a mesma roupagem, as faixas clássicas em apresentações mais intimistas, tal como acústicos e shows pequenos. Os lançamentos continuaram acontecendo e, ao total, até o ano de 2008 o a banda inglesa havia produzido 12 álbuns de estúdio.
4:13 Dream
No dia 11 de outubro de 2008 apareceria o 13º álbum da banda britânica numa apresentação – dessa vez em mega produção oferecida pela MTV – com músicas inéditas e apresentadas ali, ao vivo e a cores. Para os fãs, que viram a inspiração de Smith murchar após os anos 80, instaurou-se por certo a conclusão de que seu talento ressurgia diante de seus olhos.
O álbum seria lançado apenas no dia 27 – do mesmo mês – pela Geffen Records e seria intitulado de 4:13 Dream. À primeira vista, temos um encarte totalmente abstrato. As cores e as formas parecem ter sido usadas de forma confusa, como uma ilustração infantil.
A primeira faixa do disco é “Underneath Stars”, que também abriu o show na apresentação ao vivo. Uma fantástica obra de arte, desde as primeiras marcações da bateria e as primeiras notas das guitarras limpas. A música começa com uma sensação de nevoeiro por todos os instrumentos quando só a bateria é evidente. A voz de Smith aqui continua perambulando pelos canais e com efeitos distintos até pousar no primeiro refrão, dando uma impressão magnífica de que ele está sussurrando enquanto canta. A faixa inaugural do disco 4:13 Dream é uma obra prima da banda inglesa.
Confira a apresentação ao vivo da faixa:
“The Perfect Boy” é uma faixa nostálgica, e, além disso, é uma prova para muitos que duvidavam que a voz de Smith continuava com o mesmo efeito dos anos 80. A letra é inocente como a maioria faixas dos anos dourados da banda.
Em meio ao disco está “The Hungry Ghost”, a menina dos olhos do disco. Sente-se uma energia que transborda, e por incrível que pareça, uma energia que não soa forçada quando interpretada pelo The Cure. No passado, as tentativas de músicas com tal sentimento sugeriam pouca satisfação aos fãs: “In Between Days”, “Fryday im love” e “Close to me” foram uma das pouquíssimas canções com essa temática sonora que realmente agradaram ao público e aos críticos entre dezenas outras.
Entre as notáveis parecerias de Smith nas décadas 90 e 2000 estão: um acústico MTV da banda Korn numa composição mista com em Jonathan Davis “Make me Bad/In Between Days”; e uma aparição quase que secreta na canção “All of This” do disco Blink 182 da banda americana de mesmo nome. Assim, “The Reasons Why” é constatar que, apesar das diversas parcerias e influências que o grupo de Smith sofreu, a essência de fazer música como no passado continua viva nas composições atuais. Até porque, as duas principais parcerias citadas aqui tinham mais essa essência sonora do The Cure do que da banda que gravava com a participação de Smith. “This. Here And Now. With You” tenta acertar sobre a fórmula energética, mas peca na sensação musical. A percussão é um pecado quando por vezes parece pertencer à outra dimensão, cruzando os agudos da caixa com a voz; quando a atenção devia ficar prioritariamente com e a letra de Robert Smith. Detalhes que não a tornam uma faixa ruim.
“The Only One” e “Real White Snow” tem os mesmos efeitos, mais faixas de letras fascinadas de Robert. Como é o caso de “Fascination Street” e “Letter to Elise” dos discos antigos.
“Sleep When I Dead” é abusada, lembra os tempos de “Tree Imaginary Boys”, com a guitarrada sem muito efeito e a batida bem marcada na percussão. A voz de Smith dá conta de todo resto para passar uma mensagem de “carpe diem” com atitude.
”It’s Over” e “Sirensong” são duas notórias faixas do disco que predominam pelo instrumental com a entrada tardia da voz. Ambas têm belas letras. Ao passo que “It’s Over” fala do fim das coisas belas, enquanto “Sirensong” fala do amor puro.
Faixas favoritas do Artilheiro:
- Underneath Stars
- Sirensong
- The Reasons Why
O “Freakshow” e o “Switch” de 4:13 Dream são grandes faixas, consideradas muito boas entre os ouvintes do disco. As duas têm ótima sensação sonora, fruto da experiência da formação atual do The Cure com músicos veteranos. Mas têm pouco a oferecer da atitude que fez do The Cure uma banda única nos anos 80 e 90, por isso deixam o pódio para outras mais características.
Robert Smith demonstrou em “4:13 Dream” mais que sua inspiração. O artista inglês, magicamente com a ajuda de músicos excelentes, capturou e aprisionou no disco sua alma de intérprete e compositor. A inconstância de seu humor, ora energético (Hungry Ghost), ora depressivo (The Scream), e a sua interpretação do mundo, ora fascinado (The Only One) e ora brilhante na fusão de tudo isso, como é o caso de “Underneath Stars”, num caldeirão de sabores, cores e mensagens que começa logo pelo encarte confuso ou de múltiplos sentidos.
4:13 Dream
Nota AC: 8,5
Artista: The Cure
Gravadora: Geffen Records
Legendários, a nova aposta da Record

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Foi ao ar o primeiro programa do “Legendários”, o novo programa humorístico da TV Record. Antes de mais nada, gostaria de dizer que essa crítica é extremamente pessoal e nada imparcial. Afinal de contas, eu não sou jornalista – deixo isso para o Lucas e para o Marcel.
O programa é apresentado por Marcos Mion e tem como elenco João Gordo, Felipe Solari, os ex-integrantes do Hermes e Renato, Jaque Khury (ex-bbb), Gui Pádua, Marcelo Marrom, Miá Mello, Mionzinho, Élcio Coronato e Nestor Neto (o “pedala Robinho” do Pânico). Além disso, conta com a narração do Frota e música do Charlie Brown Jr.
OK, chega de apresentação. Vamos à crítica. A Record não oferece o espaço necessário para que o talento do elenco (ou pelo menos parte dele) seja aproveitado ao máximo. Todos nós sabemos que a turma do Hermes e Renato e o João Gordo precisam de um palavrãozinho, uma violência. E esse não é exatamente o tipo de conteúdo da Record – percebe-se claramente que estão todos diferentes, contidos, engessados. Aliás, Record e humor não têm nada a ver – a coisa mais engraçada da grade talvez seja o Pica-pau.
Uma outra impressão que tive é que a produção do CQC foi demitida e arranjou emprego no Legendários, porque a edição é idêntica. Falando em demissões, parece que o programa virou um reduto de desempregados fazendo um bico. Não estou dizendo que eles não têm talento, pelo contrário, só que estão totalmente descaracterizados.
Os quadros são uma mistura interessante. Um pouco de conscientização social (flagrantes de preconceito, política, ecologia), paródias de clipes, gracinhas em público, entrevistas etc.
A proposta do programa, no entanto, parece ter um diferencial. Num discurso cuticuti, Mion, utilizando-se de palavras como “sonho”, “amor”, “um mundo melhor” e “gangue do bem”, diz que Legendários evitará ao máximo o humor tipo Pânico. Ou seja: mulher pelada, violência e depreciação alheia. É um ótimo posicionamento, mas vejamos até quando esses ideais resistirão.
Caetano fará Acústico MTV

A grande estrela da festa de 20 anos da emissora MTV será Caetano Veloso, que após muita negociação fechou acordo para fazer um “Acústico MTV”. O formato, até pouco tempo, era uma certeza de lucro para a gravadora. Houve época em que a rede produziu cinco discos por ano. Mas com a crise do mercado fonográfico, a MTV foi aposentando o Acústico aos poucos.
O primeiro Acústico aqui no Brasil saiu em 1990, com Marcelo Nova. O último, de 2007, com Paulinho da Viola. Entre Paulinho e Marcelo figuraram inúmeros artistas distintos, como por exemplo Rita Lee, Gal Costa, Lenine, Gilberto Gil, Lulu Santos, Cássia Eller, Roberto Carlos, João Bosco e Moraes Moreira. Fora conjuntos como Ira!, Legião Urbana, Paralamas do Sucesso, Ultraje a Rigor, Kid Abelha, Engenheiros do Hawaii e Barão Vermelho, entre outros.
O Acústico MTV acabou virando referência como um empurrãozinho para carreiras em decadência. Depois de gravar um CD e/ou um DVD nesse formato, o artista é catapultado de volta à mídia. Embora haja uma oposição ferrenha a essa suposição, parece que depois de experimentar o fracasso com “Zii e Zie” (2009), Caetano topou seguir essa fórmula de sucesso. Eu, como vejo em Caetano um dos alquimistas da MPB, penso que seu acústico tem tudo para da certo. Vamos aguardar para ouvir.


