Posts Tagged ‘Milton Nascimento’
Por trás da música – Chega de mágoa
Em 1985, enquanto a Ditadura Militar estava capengando, o Nordeste sofreu um grande problema em relação à chuva. Mas não porque faltou, pelo contrário: a região foi inundada, varrida por grandes enchentes que deixaram milhares de desabrigados. Uma turma musical, ainda muito unido pelo espírito da Diretas Já, juntou seus vocais para gravar um LP com duas músicas. De um lado, “Chega de mágoa”, e de outro, “Seca d’água”. Espelhados no “USA for Africa”, o projeto do We are the world, todo o dinheiro arrecadado com as vendas do compacto seria destinado às vítimas nordestinas.
Chega de mágoa
Compositores: Vários
Intérprete: Vários
Ano: 1985
Disco: Nordeste Já
A música, quem fez, foi Gilberto Gil. A letra teve participação do próprio Gil, do Chico Buarque, Milton Nascimento, Fagner e Erasmo Carlos, mas decidiram que seria divulgado como “criação coletiva”. Ao todo participaram 155 músicos, entre cantores e instrumentistas, em três sessões de gravação na Barra da Tijuca. Os arranjos e a regência ficaram por conta de Dori Caymmi, filho ilustre do mestre Dorival. A Caixa Econômica patrocinou a tiragem inicial de 500 discos.
Sem muitos problemas, pois todos decidiram que os destaques da gravação deveria ficar com os nomes mais populares do momento, foram escalados Tom Jobim, Rita Lee, Milton Nascimento, Gal Costa, Djavan, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Fagner, Elba Ramalho, Gonzaguinha, Caetano Veloso, Simone, Chico Buarque, Fafá de Belém, Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Elizeth Cardoso, Paula Toller do Kid Abelha, Roger do Ultraje a Rigor e Tim Maia.
Veja o clipe:
A introdução, feita por Milton e o piano do maestro soberano Tom Jobim, é, na verdade, palavras de Tancredo Neves, num discurso otimista que anunciava o fim da ditadura. Depois, entram o coro e os artistas já citados aqui. Interessante dizer que a Elizeth Cardoso foi escalada para representar a velha guarda, enquanto a dupla Paula & Roger representava a nova geração musical brazuca. Apesar de ser talvez o maior encontro da música popular brasileira, não deu muito certo. A crítica dizia que as vozes estavam muito desencontradas, o que dificultava no entendimento da letra. E também não pegou muito no povão, tanto é que uma música desse naipe não era para estar esquecida.
“Nós não vamos nos dispersar
Juntos, é tão bom saber
Que passado o tormento
Será nosso esse chão”
Água, dona da vida
Ouve essa prece tão comovida
Chega, brinca na fonte
Desce do monte, vem como amiga
Te quero água de beber
Um copo d’água
Marola mansa da maré
Mulher amada
Te quero orvalho toda manhã
Terra, olha essa terra
Raça valente, gente sofrida
Chama, tem que ter feira
Tem que ter festa, vamos pra vida
Te quero terra pra plantar
Te quero verde
Te quero casa pra morar
Te quero rede
Depois da chuva o Sol da manhã
Chega de mágoa
Chega de tanto penar
Canto e o nosso canto
Joga no tempo uma semente
Gente, olha essa gente
Olha essa gente, olha essa gente
Te quero água de beber
Um copo d’água
Marola mansa da maré
Mulher amada
Te quero terra pra plantar
Te quero verde, hum
Te quero casa pra morar
Te quero rede
Depois da chuva o Sol da manhã
Canto e o nosso canto
Joga no tempo uma semente
Gente (quero te ver crescer bonita)
Olha essa gente (quero te ver crescer feliz)
Olha essa gente (olha essa terra, olha essa gente)
Olha essa gente (Gente pra ser feliz, feliz)
Te quero água de beber
Um copo d’água
Marola mansa da maré
Mulher amada
Te quero terra pra plantar
Te quero verde
Te quero casa pra morar
Te quero rede
Depois da chuva o Sol da manhã
Chega de mágoa
Chega de tanto penar
Chega de mágoa
Chega de tanto penar
Nelson Motta conta em sua biografia do Tim Maia, que este ofereceu bebida e drogas pra turma no estúdio. Elizeth Cardoso ficou incomodada e recusou: “Tirem esse elefante daqui!”.
É interessante, pra quem gosta, assistir ao clipe e ir tentando reconhecer os artistas. No entanto, segue a lista completa de pessoas envolvidas no projeto e me diz se é pouca bosta:
Aizik, Alceu, Alceu Valença, Alcione, Alves, Amelinha, Antônio Carlos, Aquiles (MPB-4), Baby Consuelo, Bebeto, Belchior, Beth Carvalho, Bussler, Caetano Veloso, Camarão, Carlinhos Vergueiro, Carlão, Celso Fonseca, Charlot, Chico Buarque, Cláudio Nucci, Cristina, Cristovam Bastos, Dadi, Daltro de Almeida, Dinorah (as gatas), Dorinha Tapajós, Dori Caymmi, Ednardo, Edu, Edu Lobo, Eduardo Dusek, Elba Ramalho, Elifas Andreato, Elisete Cardoso, Elza Soares, Emilinha Borba, Eunydice, Erasmo Carlos, Fafá de Belém, Faini, Fátima Guedes, Fernando Brant, Gal Costa, George Israel, Geraldo Azevedo, Gereba, Gilberto Gil, Golden Boys, Gonzaguinha, Guilherme Arantes, Ivan Lins, Jamil, Jacques Morelembaum, Joana, João Mário Linhares, João do Vale, José Luiz, Joyce, Kleiton e Kledir, Kid Vinil, Lana, Leoni, Leo Jaime, Lúcio Alves, Luiz Avellar, Luiz Carlos, Luiz Carlos da Vila, Luiz Duarte, Luiz Gonzaga, Luiz Melodia, Lulu Santos, Magro (MPB-4), Malard, Manassés, Maria Bethânia, Marina, Marlene, Martinho da Vila, Marçal, Maurício Tapajós, Mauro Duarte, Mazola, Miguel Denilson, Mirabô, Miltinho (MPB-4), Milton Banana, Milton Nascimento, Milton Araújo, Miúcha, Moraes Moreira, Olívia Byington, Olívia Hime, O Quarteto, Paulinho da Viola, Patativa do Assaré, Paula Toller, Pareschi, Penteado, Perrotta, Perrottão, Pepeu Gomes, Raimundo Fagner, Rafael Rabello, Reinaldo Arias, Ricardo Magno, Rita Lee, Roberto de Carvalho, Roberto Carlos, Roberto Ribeiro, Roberto Teixeira, Rosane Guedes, Roger (Ultraje a Rigor), Rosemary, Rubão, Rui (MPB-4), Sandra de Sá, Sérgio Ricardo, Simone, Sílvio Cézar, Sueli Costa, Stephani, Tânia Alves, Tavito, Teo Lima, Telma, Telma Costa, Terezinha de Jesus, Tim Maia, Tom Jobim, Tunai, Verônica Sabino, Vilma Nascimento, Virgílio, Yura, Wagner Tiso, Walter, Zenilda, Zé da Flauta, Zé Ramalho, Zé Renato, Zizi Possi.
Ufa. Sentiu o time?
Fonte:
Vale tudo – o som e a fúria de Tim Maia (Nelson Motta)
20 duplas da música brasileira
Comecei tentando escalar dez duplas essenciais à música brasileira. Não consegui. Fui pra quinze. Não deu também. Fechei com vinte. Vinte parcerias bem sucedidas que não podem passar em branco para quem gosta de música. Tentei ser versátil, mas antes de mais nada gostaria de deixar claro alguns pontos: existe, além dessas vinte, inúmeras outras que eu gostaria de incluir aqui – quem sabe numa segunda postagem. Não está em ordem de preferência. E o intuito não é escolher os melhores compositores brasileiros, até porque não sou louco o suficiente para eleger alguns entre tantas feras.
Vou indicar alguns destaques entre as composições das duplas e, para não carregar muito a página, conto com sua astúcia para jogar os nomes que te despertarem curiosidade no YouTube. Vamos lá.
1. Tom Jobim e Vinicius de Moraes
A união entre Tom e Vinicius talvez seja um dos melhores casamentos da MPB. Lamento quando ouço que Tom Jobim e Vinicius de Moraes são compositores de Bossa Nova. Extremamente versáteis, compositores desse naipe não podem ser presos a um movimento musical.
Destaques: Se todos fossem iguais a você. Eu sei que vou te amar. Sem você. Modinha. Insensatez. Água de beber. Eu não existo sem você. Estrada branca. É preciso dizer adeus. A felicidade.
.
2. Chico Buarque e Edu Lobo
Chico tem em Edu seu mais constante parceiro, e vice-versa. Juntos, têm mais ou menos quarenta parcerias, todas, com exceção de duas, feitas por encomenda para alguma peça teatral. “O grande circo místico“, “O corsário do rei” e “Cambaio” são algumas peças que levam a trilha sonora assinada pela dupla. É um desses encontros raros, de perfeita simetria entre letra e música. Edu diz que jamais teve que alterar uma de suas notas para que as palavras de Chico se encaixassem melhor.
Destaques: A história de Lily Braun. Choro Bandido. A moça do sonho. Beatriz. Cantiga de acordar. Ciranda da bailarina. Ode aos ratos. Sobre todas as coisas. Valsa brasileira. Veneta.
.
3. Noel Rosa e Vadico
Noel Rosa, expoente máximo do samba, e Vadico, pianista, têm um trabalho interessante: juntos, fizeram poucas músicas. Mas extremamente preciosas. Não é por menos que são lembrados como uma das mais felizes parcerias da música brasileira.
Destaques: Conversa de botequim. Cem mil réis. Feitio de oração. Feitiço da Vila. Tarzan, o filho do alfaiate. Provei. Pra que mentir?.
.
4. Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira
Luiz Gonzaga, o rei do baião, teve entre seus vários parceiros um que merece ocupar um degrau acima dos demais: Humberto Teixeira. Embora sejam lembrados somente por “Asa branca”, a parceria rendeu outros trabalhos louváveis que valem a pena ser escutados para quem gosta de um ritmo mais nordestino, mais animado.
Destaques: Asa branca. Assum preto. Baião. Baião de dois. Légua tirana. Qui nem jiló. Respeita Januário.
.
5. Chico Buarque e Francis Hime
Francis (esquerda) e Chico (direita) se aproximaram muito durante a década de 70. Além de parceiros em composições, Francis atuou como arranjador dos discos de Chico dessa época. Alguns apontam os arranjos de Francis como os melhores da obra de Chico. Juntos, compuseram quase 20 músicas, entre elas estão alguns clássicos da MPB.
Destaques: Vai passar. Meu caro amigo. Pivete. Quadrilha. Trocando em miúdos. Atrás da porta. Passaredo.
.
6. Caetano Veloso e Gilberto Gil
Para representar o Tropicalismo aqui na lista, nada mais justo que Caetano e Gil. No fatídico ano de 1968, revolucionaram o cenário cultural brasileiro incorporando elementos estrangeiros, como a guitarra, em suas composições.
Destaques: Divino maravilhoso. Haiti. Panis et circenses. Desde que o samba é samba. Cinema novo. Dada. Batmacumba.
.
7. Raul Seixas e Paulo Coelho
Esqueça o que você ouviu falar por aí dos livros do Paulo Coelho. Estamos falando de um letrista que junto de Raul Seixas, compôs várias pérolas do rock brazuca. Muitos dizem que Paulo Coelho se aproveitava do talento e da fama de Raul, mas, independente do que cada um fazia nas composições, as que nasceram desse encontro merecem destaque em nosso cenário musical.
Destaques: Al Capone. As minas do Rei Salomão. Como vovó já dizia. Eu nasci há dez mil anos atrás. Gitá. Medo da chuva. Meu amigo Pedro. Não pare na pista. Rock do diabo. Sociedade alternativa.
.
8. Rita Lee e Arnaldo Baptista
Rita e Arnaldo botaram no mundo alguns clássicos imortais. Juntos com Sérgio Dias, formavam os Mutantes, que se desfez, se refez e hoje já não sei mais a quantas anda.
Destaques: Balada do louco. Caminhante noturno. Amor branco e preto. Desculpe, babe. Quem tem medo de brincar de amor?. Sucesso, aqui vou eu. Don Quixote.
.
9. Vinicius de Moraes e Baden Powell
Mais uma prova da versatilidade de Vinicius. Com Baden, fez os famosos afro-sambas, claro divisor de águas da MPB por mesclar elementos da música africana com o samba carioca.
Destaques: Além do amor. Apelo. Berimbau. Canto de Ossanha. Consolação. Deixa. Formosa. Samba da bênção. Samba em prelúdio. Tem dó. Velho amigo.
.
10. Erasmo Carlos e Roberto Carlos
Tudo bem que o Roberto Carlos tem uma fase cafona e que muita gente tem aversão. Eu entendo. Mas e daí? É inegável que junto a Erasmo Carlos tenha composto músicas boas. E se você acha que o Erasmo é uma figura lado B que utilizou da fama do Roberto, sinto muito. É um excelente compositor que pretendo explorar mais em outro artigo. Caiamos no iêiêiê.
Destaques: A banda dos contentes. Além do horizonte. Amigo. Cama e mesa. Coqueiro verde. De tanto amor. Debaixo dos caracóis dos seus cabelos. Detalhes. É proibido fumar. Emoções. Eu sou terrível. Fera ferida. Festa de arromba. Ilegal, imoral ou engorda. Lady Laura. Minha fama de mau. Olha. Traumas.
.
11. Moraes Moreira e Luiz Galvão
Luiz Galvão (esquerda) e Moraes Moreira (direita) são os responsáveis pelas melhores composições do finado grupo Novos Baianos. Se você nunca ouviu, vai por mim: surpreenda-se.
Destaques: A menina dança. Acabou chorare. Dê um rolê. Mistério do planeta. Preta pretinha. Três letrinhas. Um bilhete para Didi.
.
12. Paulo César Pinheiro e João Nogueira
Vejo em Paulo César Pinheiro um dos três melhores compositores vivos do Brasil. Entre todos os seus parceiros, escolhi o trabalho com João Nogueira porque é louvável, representa para mim músicas importantes na formação da visão do mundo de uma pessoa.
Destaques: Espelho. Minha missão. Dora das 7 portas. O poder da criação. O homem dos quarenta. E lá vou eu. Batendo a porta. Mineira.
.
13. João Bosco e Aldir Blanc
Um mestre do violão e um gênio das palavras. Juntos, só pode dar coisa boa. O trabalho de João Bosco com Aldir Blanc é vastíssimo e representou uma das principais vozes dos angustiados com a ditadura brasileira.
Destaques: Agnus sei. Bala com bala. Corsário. De frente pro crime. Dois pra lá, dois pra cá. Escadas da penha. Falso brilhante. Gênesis (parto). Incompatibilidade de gênios. O bêbado e a equilibrista. O ronco da cuíca. O mestre-sala dos mares. Preta-Porter De Tafetá. Tiro de misericórdia.
.
14. Vinicius de Moraes e Toquinho
Talvez uma das duplas que mais geraram descendentes. Toquinho teve em Vinicius seu grande parceiro e mentor. Além das composições próprias, musicou inúmeros poemas de Vinicius. Entre todos os trabalhos que fizeram juntos, merecem destaque, entre outros, as músicas infantis d”A Arca de Noé“, que embalaram várias gerações de brasileiros.
Destaques: A carta que não foi mandada. A tonga da mironga do kabuletê. Aquarela. As cores de Abril. Carta ao Tom 74. Como é duro trabalhar. Como dizia o poeta. Cotidiano n° 2. O canto de Oxum. O filho que eu quero ter. O poeta aprendiz. Paiol de pólvora. Para viver um grande amor. São demais os perigos dessa vida. Se ela quisesse. Sei lá, a vida tem sempre razão. Sem medo. Tarde em Itapoã. Tudo na mais santa paz. Um homem chamado Alfredo.
.
15. Ronaldo Bôscoli e Roberto Menescal
Dois dos mais ilustres filhos da Bossa Nova, é impossível deixá-los de lado. Não existe tributo à Bossa que não relembre alguns clássicos frutos de Ronaldo Bôscoli e Roberto Menescal.
Destaques: O barquinho. Carta ao mar. Copacabana de sempre. Errinho à toa. Nós e o mar. Por quem morreu de amor. Rio. Vê. Você.
.
16. Milton Nascimento e Fernando Brant
Representando a turma do Clube da Esquina, Fernando Brant e Milton Nascimento criaram belíssimas composições profundas, com temáticas variadas: a vida, o artista, a reflexão, a preocupação com o social. Têm uma vasta lista de parcerias altamente recomendável.
Destaques: Canção da América. Canções e momentos. Comunhão. Encontros e despedidas. Maria Maria. Milagre dos peixes. Ponta de areia. San Vicente. Sentinela. Travessia.
.
17. Cazuza e Frejat
Tá angustiado com o sistema e quer mandar tudo pros ares? Está aqui a dupla que te servirá de trilha sonora. As composições de Frejat e Cazuza são extremamente atuais, servindo ainda hoje como um grito de alerta. Quem acha que rebeldia não pode andar junto com o amor e a beleza, basta ouvir algumas músicas desses dois para ficar provado o contrário.
Destaques: Bete Balanço. Blues da piedade. Ideologia. Malandragem. Pro dia nascer feliz. Só as mães são felizes. Subproduto do rock. Todo amor que houver nessa vida.
.
18. Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito
O fino do samba. Quer mais o quê? Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito compuseram verdadeiros hinos do samba, revisitados ainda hoje por intérpretes de altíssimo nível. Indispensáveis.
Destaques: Encontro marcado. Folhas secas. Me esquece. Meu caminho. Meu violão. Minha paz. O bem querer. O dia de amanhã. Palco vazio. Pranto de poeta. Tatuagem. Quando eu me chamar saudade.
.
19. Chico Buarque e Tom Jobim
Chico é Chico e Tom é Tom. A parceria dos dois começou um pouco por acaso, quando foram apresentados por Aloísio de Oliveira. Chico ainda estava começando e Tom já era uma autoridade musical. Para uma análise mais delicada, é possível ver traços de maior maturidade nas letras de Chico depois que virou parceiro de Tom. Para mim, uma das melhores duplas.
Destaques: Anos dourados. Olha Maria. Retrato em branco e preto. Sabiá. Eu te amo. A violeira. Pois é. Piano na Mangueira. Imagina.
.
20. Luiz Tatit e Zé Miguel Wisnik
Os novos expoentes da música urbana, Luiz Tatit e Zé Miguel Wisnik, que também é parceiro de Caetano e de Chico, oferecem composições com um traço modernista, o tempo todo brincando com as palavras e fazendo referências a outras composições.
Destaques: Baião de quatro toques. Mestres cantores. Para Elisa. Serra do mar. Trio de efeitos.
.
• Fonte: muito veio do Discos do Brasil.
• Downloads: acredito que muito do que foi citado por ser encontrado no Umquetenha.
Com vocês II – Celso Adolfo
Para a segunda e última edição da coluna “Com vocês” de março, escolhi falar sobre Celso Adolfo. O motivo é simples: tem talento de sobra e reconhecimento de poucos.
O início da carreira de Celso profissionalmente se deu em 1983, quando seu padrinho cultural Milton Nascimento produziu seu primeiro disco, o “Coração brasileiro“. O apoio de Milton foi além: ele participou em uma das faixas do disco e também gravou em seu maravilhoso “Anima” uma canção de Celso. Isso fez com que Elba Ramalho também incorporasse a um disco seu a música “Coração brasileiro”.
A partir daí, Celso Adolfo inicia uma turnê de shows na Europa e recebe, em 1997, o prêmio “Canta Brazil Award”, de uma rádio norteamericana.
O que mais gosto na música de Celso é que ela é íntima de seu ouvinte. Leve, gostosa, muito ligada à natureza. Ela se aproxima aos poucos e diz “vim pra ficar”. Daí, depois de ouvir uma música, você corre atrás de mais projetos do compositor. Falando em projetos, tenho dois a destacar: “Brasil, nome de vegetal“, de 1995, produzido pelo grande Mazzola e com participações especialíssimas de João Bosco, Roupa Nova e Milton Nascimento. Este disco tem uma obra-prima de Celso, reproduzida logo abaixo. O segundo disco que merece destaque é o “Estrada Real de Villa Rica“, de 2008, baseado nos caminhos do ouro mineiro dos séculos XVIII e XIX. Participações de Renato Braz (já falado nessa coluna), Vander Lee, Fernanda Takai, Marina Machado e grande elenco.
“Nós dois“, a obra-prima citada, deve ser ouvida com muita atenção. Sugiro, também, que aproveite somente o áudio do vídeo: as imagens são bem cafonas.





















