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Por trás da música – O Mestre-sala dos Mares
Em 1910, o militar Hermes da Fonseca foi eleito para a presidência. Nessa época, o Brasil era a terceira maior potência naval do mundo. Embora a escravidão já tivesse terminado havia algumas décadas, os trabalhadores dos navios eram em sua maioria negros que recebiam constantemente punições corporais, como se as péssimas condições a que se submetiam já não fossem suficientes. O uso da chibata já fora proibida em um dos primeiros atos do regime republicano, mas continuava sendo usado ilegalmente pelos oficiais. O marinheiro João Cândido Felisberto, analfabeto e filho de escravos, organizava uma revolta que pusesse fim à humilhação quando uma seção de tortura particularmente cruel apressou seus planos. Oficiais e comandantes são mortos, seis navios estão tomados pelos marinheiros e cerca de oitenta canhões estão apontados para o Palácio do Governo no Rio de Janeiro, ameaçando a cidade e o poder do presidente recém eleito. O episódio ficou conhecido como a Revolta da Chibata, que até atingiu seus objetivos, mas recebeu a resposta do governo logo depois com a perseguição desenfreada aos marinheiros. Somente João Cândido e João Avelino sobreviveram à prisão. Cândido, o líder, acabou internado em um hospício e morreu de câncer, esquecido pelo mundo, em 1969.
E foi dessa história que surgiu a canção O Mestre-sala dos mares, inicialmente intitulada Almirante Negro.
O mestre-sala dos mares
Compositores: Aldir Blanc e João Bosco
Intérprete: João Bosco / Elis Regina
Ano: 1973
Disco: Caça à raposa / Elis 1974
A letra original foi censurada, como explica o próprio Aldir Blanc:
Almirante Negro
(Letra original)
Há muito tempo nas águas da Guanabara
O dragão do mar reapareceu
Na figura de um bravo marinheiro
A quem a história não esqueceu
Conhecido como o almirante negro
Tinha a dignidade de um mestre sala
E ao navegar pelo mar com seu bloco de fragatas
Foi saudado no porto pelas mocinhas francesas
Jovens polacas e por batalhões de mulatas
Rubras cascatas jorravam das costas
dos negros pelas pontas das chibatas
Inundando o coração de toda tripulação
Que a exemplo do marinheiro gritava então
Glória aos piratas, às mulatas, às sereias
Glória à farofa, à cachaça, às baleias
Glória a todas as lutas inglórias
Que através da nossa história
Não esquecemos jamais
Salve o almirante negro
Que tem por monumento
As pedras pisadas do cais
Mas faz muito tempo.
“Tivemos diversos problemas com a censura. Ouvimos ameaças veladas de que o CENIMAR não toleraria loas e um marinheiro que quebrou a hierarquia e matou oficiais, etc. Fomos várias vezes censurados, apesar das mudanças que fazíamos, tentando não mutilar o que considerávamos as idéias principais da letra. Minha última ida ao Departamento de Censura, então funcionando no Palácio do Catete, me marcou profundamente. Um sujeito, bancando o durão, ficou meio que dando esporro, mãos na cintura, eu sentado numa cadeira e ele de pé, com a coronha da arma no coldre há uns três centímetros do meu nariz. Aí, um outro, bancando o ‘bonzinho’, disse mais ou menos o seguinte: ‘Vocês não então entendendo… Estão trocando as palavras como revolta, sangue, etc. e não é aí que a coisa tá pegando…’ Eu, claro, perguntei educadamente se ele poderia me esclarecer melhor. E, como se tivesse levado um telefone nos tímpanos, ouvi, estarrecido a resposta, em voz mais baixa, gutural, cheia de mistério, como quem dá uma dica perigosa:
‘O problema é essa história de negro, negro, negro...‘
Eu havia sido atropelado, não pelas piadinhas tipo tiziu, pudim de asfalto etc, mas pelo panzer do racismo nazi-ideológico oficial. Decidimos dar uma espécie de saculejo surrealista na letra para confundir, metemos baleias, polacas, regatas e trocamos o título para o poético e resplandecente ‘O Mestre-Sala dos Mares’, saindo da insistência dos títulos com Almirante Negro, Navegante Negro, etc. O artifício funcionou bem e a música fez um grande sucesso nas vozes de Elis Regina e João Bosco. Tem até hoje dezenas de regravações e foi tema do enredo ‘Um herói, uma canção, um enredo – Noite do Navegante Negro’, da Escola de Samba União da Ilha, em 1985.
Orgulho-me de, por causa deste samba, ter recebido a Medalha Pedro Ernesto, com João Bosco e o próprio Edmar Morel – infelizmente também já falecido – na presença dos filhos de João Cândido.”
O mestre-sala dos mares
(Letra após a censura do regime militar)
Há muito tempo nas águas da Guanabara
O dragão do mar reapareceu
Na figura de um bravo feiticeiro
A quem a história não esqueceu
Conhecido como o navegante negro
Tinha a dignidade de um mestre sala
E ao acenar pelo mar na alegria das regatas
Foi saudado no porto pelas mocinhas francesas
Jovens polacas e por batalhões de mulatas
Rubras cascatas jorravam das costas
dos santos entre cantos e chibatas
Inundando o coração do pessoal do porão
Que a exemplo do feiticeiro gritava então
Glória aos piratas, às mulatas, às sereias
Glória à farofa, à cachaça, às baleias
Glória a todas as lutas inglórias
Que através da nossa história
Não esquecemos jamais
Salve o navegante negro
Que tem por monumento
As pedras pisadas do cais
Mas faz muito tempo
Por trás da música – O Bêbado e a Equilibrista
Mais uma que surgiu durante a ditadura. A repressão nos proporcionou uma riqueza cultural imensurável devido à atmosfera de tensão vivida pelo povo que, sem outra opção, precisava encontrar uma maneira de protestar através da arte. Dentre toda a produção musical do período ditatorial, “O Bêbado e A Equilibrista” é uma das canções mais conhecidas. Tornou-se símbolo da luta pela Anistia e um hino pela liberdade de expressão.
O Bêbado e a Equilibrista
Compositores: João Bosco e Aldir Blanc
Intérprete: Elis Regina
Ano: 1979
Disco: Essa Mulher
Fim da década de 70. A pressão para uma abertura democrática no Brasil vem de todas as formas, mas é duramente reprimida. Havia os exilados, os presos, os torturados e o resto, que não tinha armas com que lutar contra o governo, embora também não pudesse continuar como estava. Isso só acabaria com a Lei da Anistia, sancionada no mesmo ano de criação dessa música, depois da luta por liberdade que não parecia ter fim. O Bêbado e a Equilibrista – a utopia e a esperança – traz, em cada verso, um pequeno pedaço de cada batalha.
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A música
Caía a tarde feito um viaduto
“Cair a tarde” é mais do que um anoitecer – é algo forte, brutal, se a referência à escuridão já não for suficiente. Era quando as sessões de tortura do DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna) começavam. Refere-se à queda de uma parte do Viaduto Paulo Frontin (que, claro, era uma obra do governo), no Rio de Janeiro, em 1971, que deixou 48 mortos.
E um bêbado trajando luto
Me lembrou Carlitos
Carlitos era um dos personagens mais conhecidos de Charlie Chaplin. Um andarilho usando chapéu-coco, bigode e um paletó muito apertado que, apesar de pobre, age como um cavalheiro. Fica clara a contradição entre “bêbado” e “luto”: a alegria do vagabundo que tenta driblar a situação e o estado melancólico da sociedade brasileira.
A lua, tal qual a dona do bordel,
Pedia a cada estrela fria
Um brilho de aluguel
A Lua não tem brilho próprio, mas como proprietária do prostíbulo, rouba-o das suas empregadas; um brilho fosco e falso. Há quem defenda a teoria de que a Lua seria a Rede Globo, a dona do bordel da mídia e um dos maiores instrumentos de manipulação na época (não que já tenha perdido o título). Foi justamente durante a ditadura que a Globo se estruturou e ganhou a confiança dos telespectadores que tem hoje. Outros dizem que representa os políticos que se colocaram ao lado do regime militar em troca de benefícios pessoais, mas qualquer música está sujeita a interpretações e eu não estou aqui para decidir a melhor por vocês.
E nuvens, lá no mata-borrão do céu,
Chupavam manchas torturadas, que sufoco!
Louco, o bêbado com chapéu-coco
Fazia irreverências mil pra noite do Brasil
Para quem nasceu depois de a caneta esferográfica ter sido inventada, mata-borrão é um papel que absorve a tinta em excesso das canetas-tinteiro para evitar erros, representando alguém em um alto cargo. Como “céu” remete a religiosidade, a alusão é à Igreja Católica, que demorou até assumir uma posição no cenário político, mas acabou pendendo para a democratização do país. É evidente o protesto contra a violência que era usada, em uma noite em que só um bêbado poderia sentir-se alegre, a loucura alcoólica como única justificativa para a aceitação passiva do regime.
Meu Brasil
Que sonha com a volta do irmão do Henfil
Com tanta gente que partiu num rabo de foguete
Chora a nossa pátria mãe gentil,
Choram Marias e Clarisses no solo do Brasil
Henfil era na verdade o cartunista, jornalista e escritor Henrique Filho, e o irmão do Henfil, Herbert José de Souza, sociólogo e ativista dos direitos humanos. Herbert foi um dos exilados, como tantos outros que partiram. “[Pegar um] rabo de foguete” é uma expressão equivalente a “entrar numa fria”, algo feito às pressas e que obviamente vai dar errado.
Já Clarice era esposa do jornalista Vladimir Herzog, que fazia parte do movimento de resistência contra o regime e teve um suicídio por enforcamento muito mal forjado em uma cela do DOI-CODI. Maria, por sua vez, era esposa do metalúrgico Manuel Fiel Filho, torturado até a morte sob a acusação de fazer parte do Partido Comunista Brasileiro, embora seu real crime tenha sido ler o jornal A Voz Operária. No plural, “Marias e Clarisses” são todas as mulheres, sejam mães, filhas ou esposas, que sofreram por alguém que fora torturado ou exilado.
Mas sei que uma dor assim pungente
Não há de ser inutilmente, a esperança
Dança na corda bamba de sombrinha
E em cada passo dessa linha pode se machucar
Azar, a esperança equilibrista
Sabe que o show de todo artista
Tem que continuar
A expressão artística, única arma disponível para defender a democratização, seria usada exaustivamente pelos artistas que não se conformavam com a opressão. O comportamento da sociedade vivia na corda bamba, sempre por um triz de ser pego fora da linha estipulada pelos militares. Mas… Azar! O show tem de continuar.
20 duplas da música brasileira
Comecei tentando escalar dez duplas essenciais à música brasileira. Não consegui. Fui pra quinze. Não deu também. Fechei com vinte. Vinte parcerias bem sucedidas que não podem passar em branco para quem gosta de música. Tentei ser versátil, mas antes de mais nada gostaria de deixar claro alguns pontos: existe, além dessas vinte, inúmeras outras que eu gostaria de incluir aqui – quem sabe numa segunda postagem. Não está em ordem de preferência. E o intuito não é escolher os melhores compositores brasileiros, até porque não sou louco o suficiente para eleger alguns entre tantas feras.
Vou indicar alguns destaques entre as composições das duplas e, para não carregar muito a página, conto com sua astúcia para jogar os nomes que te despertarem curiosidade no YouTube. Vamos lá.
1. Tom Jobim e Vinicius de Moraes
A união entre Tom e Vinicius talvez seja um dos melhores casamentos da MPB. Lamento quando ouço que Tom Jobim e Vinicius de Moraes são compositores de Bossa Nova. Extremamente versáteis, compositores desse naipe não podem ser presos a um movimento musical.
Destaques: Se todos fossem iguais a você. Eu sei que vou te amar. Sem você. Modinha. Insensatez. Água de beber. Eu não existo sem você. Estrada branca. É preciso dizer adeus. A felicidade.
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2. Chico Buarque e Edu Lobo
Chico tem em Edu seu mais constante parceiro, e vice-versa. Juntos, têm mais ou menos quarenta parcerias, todas, com exceção de duas, feitas por encomenda para alguma peça teatral. “O grande circo místico“, “O corsário do rei” e “Cambaio” são algumas peças que levam a trilha sonora assinada pela dupla. É um desses encontros raros, de perfeita simetria entre letra e música. Edu diz que jamais teve que alterar uma de suas notas para que as palavras de Chico se encaixassem melhor.
Destaques: A história de Lily Braun. Choro Bandido. A moça do sonho. Beatriz. Cantiga de acordar. Ciranda da bailarina. Ode aos ratos. Sobre todas as coisas. Valsa brasileira. Veneta.
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3. Noel Rosa e Vadico
Noel Rosa, expoente máximo do samba, e Vadico, pianista, têm um trabalho interessante: juntos, fizeram poucas músicas. Mas extremamente preciosas. Não é por menos que são lembrados como uma das mais felizes parcerias da música brasileira.
Destaques: Conversa de botequim. Cem mil réis. Feitio de oração. Feitiço da Vila. Tarzan, o filho do alfaiate. Provei. Pra que mentir?.
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4. Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira
Luiz Gonzaga, o rei do baião, teve entre seus vários parceiros um que merece ocupar um degrau acima dos demais: Humberto Teixeira. Embora sejam lembrados somente por “Asa branca”, a parceria rendeu outros trabalhos louváveis que valem a pena ser escutados para quem gosta de um ritmo mais nordestino, mais animado.
Destaques: Asa branca. Assum preto. Baião. Baião de dois. Légua tirana. Qui nem jiló. Respeita Januário.
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5. Chico Buarque e Francis Hime
Francis (esquerda) e Chico (direita) se aproximaram muito durante a década de 70. Além de parceiros em composições, Francis atuou como arranjador dos discos de Chico dessa época. Alguns apontam os arranjos de Francis como os melhores da obra de Chico. Juntos, compuseram quase 20 músicas, entre elas estão alguns clássicos da MPB.
Destaques: Vai passar. Meu caro amigo. Pivete. Quadrilha. Trocando em miúdos. Atrás da porta. Passaredo.
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6. Caetano Veloso e Gilberto Gil
Para representar o Tropicalismo aqui na lista, nada mais justo que Caetano e Gil. No fatídico ano de 1968, revolucionaram o cenário cultural brasileiro incorporando elementos estrangeiros, como a guitarra, em suas composições.
Destaques: Divino maravilhoso. Haiti. Panis et circenses. Desde que o samba é samba. Cinema novo. Dada. Batmacumba.
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7. Raul Seixas e Paulo Coelho
Esqueça o que você ouviu falar por aí dos livros do Paulo Coelho. Estamos falando de um letrista que junto de Raul Seixas, compôs várias pérolas do rock brazuca. Muitos dizem que Paulo Coelho se aproveitava do talento e da fama de Raul, mas, independente do que cada um fazia nas composições, as que nasceram desse encontro merecem destaque em nosso cenário musical.
Destaques: Al Capone. As minas do Rei Salomão. Como vovó já dizia. Eu nasci há dez mil anos atrás. Gitá. Medo da chuva. Meu amigo Pedro. Não pare na pista. Rock do diabo. Sociedade alternativa.
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8. Rita Lee e Arnaldo Baptista
Rita e Arnaldo botaram no mundo alguns clássicos imortais. Juntos com Sérgio Dias, formavam os Mutantes, que se desfez, se refez e hoje já não sei mais a quantas anda.
Destaques: Balada do louco. Caminhante noturno. Amor branco e preto. Desculpe, babe. Quem tem medo de brincar de amor?. Sucesso, aqui vou eu. Don Quixote.
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9. Vinicius de Moraes e Baden Powell
Mais uma prova da versatilidade de Vinicius. Com Baden, fez os famosos afro-sambas, claro divisor de águas da MPB por mesclar elementos da música africana com o samba carioca.
Destaques: Além do amor. Apelo. Berimbau. Canto de Ossanha. Consolação. Deixa. Formosa. Samba da bênção. Samba em prelúdio. Tem dó. Velho amigo.
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10. Erasmo Carlos e Roberto Carlos
Tudo bem que o Roberto Carlos tem uma fase cafona e que muita gente tem aversão. Eu entendo. Mas e daí? É inegável que junto a Erasmo Carlos tenha composto músicas boas. E se você acha que o Erasmo é uma figura lado B que utilizou da fama do Roberto, sinto muito. É um excelente compositor que pretendo explorar mais em outro artigo. Caiamos no iêiêiê.
Destaques: A banda dos contentes. Além do horizonte. Amigo. Cama e mesa. Coqueiro verde. De tanto amor. Debaixo dos caracóis dos seus cabelos. Detalhes. É proibido fumar. Emoções. Eu sou terrível. Fera ferida. Festa de arromba. Ilegal, imoral ou engorda. Lady Laura. Minha fama de mau. Olha. Traumas.
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11. Moraes Moreira e Luiz Galvão
Luiz Galvão (esquerda) e Moraes Moreira (direita) são os responsáveis pelas melhores composições do finado grupo Novos Baianos. Se você nunca ouviu, vai por mim: surpreenda-se.
Destaques: A menina dança. Acabou chorare. Dê um rolê. Mistério do planeta. Preta pretinha. Três letrinhas. Um bilhete para Didi.
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12. Paulo César Pinheiro e João Nogueira
Vejo em Paulo César Pinheiro um dos três melhores compositores vivos do Brasil. Entre todos os seus parceiros, escolhi o trabalho com João Nogueira porque é louvável, representa para mim músicas importantes na formação da visão do mundo de uma pessoa.
Destaques: Espelho. Minha missão. Dora das 7 portas. O poder da criação. O homem dos quarenta. E lá vou eu. Batendo a porta. Mineira.
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13. João Bosco e Aldir Blanc
Um mestre do violão e um gênio das palavras. Juntos, só pode dar coisa boa. O trabalho de João Bosco com Aldir Blanc é vastíssimo e representou uma das principais vozes dos angustiados com a ditadura brasileira.
Destaques: Agnus sei. Bala com bala. Corsário. De frente pro crime. Dois pra lá, dois pra cá. Escadas da penha. Falso brilhante. Gênesis (parto). Incompatibilidade de gênios. O bêbado e a equilibrista. O ronco da cuíca. O mestre-sala dos mares. Preta-Porter De Tafetá. Tiro de misericórdia.
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14. Vinicius de Moraes e Toquinho
Talvez uma das duplas que mais geraram descendentes. Toquinho teve em Vinicius seu grande parceiro e mentor. Além das composições próprias, musicou inúmeros poemas de Vinicius. Entre todos os trabalhos que fizeram juntos, merecem destaque, entre outros, as músicas infantis d”A Arca de Noé“, que embalaram várias gerações de brasileiros.
Destaques: A carta que não foi mandada. A tonga da mironga do kabuletê. Aquarela. As cores de Abril. Carta ao Tom 74. Como é duro trabalhar. Como dizia o poeta. Cotidiano n° 2. O canto de Oxum. O filho que eu quero ter. O poeta aprendiz. Paiol de pólvora. Para viver um grande amor. São demais os perigos dessa vida. Se ela quisesse. Sei lá, a vida tem sempre razão. Sem medo. Tarde em Itapoã. Tudo na mais santa paz. Um homem chamado Alfredo.
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15. Ronaldo Bôscoli e Roberto Menescal
Dois dos mais ilustres filhos da Bossa Nova, é impossível deixá-los de lado. Não existe tributo à Bossa que não relembre alguns clássicos frutos de Ronaldo Bôscoli e Roberto Menescal.
Destaques: O barquinho. Carta ao mar. Copacabana de sempre. Errinho à toa. Nós e o mar. Por quem morreu de amor. Rio. Vê. Você.
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16. Milton Nascimento e Fernando Brant
Representando a turma do Clube da Esquina, Fernando Brant e Milton Nascimento criaram belíssimas composições profundas, com temáticas variadas: a vida, o artista, a reflexão, a preocupação com o social. Têm uma vasta lista de parcerias altamente recomendável.
Destaques: Canção da América. Canções e momentos. Comunhão. Encontros e despedidas. Maria Maria. Milagre dos peixes. Ponta de areia. San Vicente. Sentinela. Travessia.
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17. Cazuza e Frejat
Tá angustiado com o sistema e quer mandar tudo pros ares? Está aqui a dupla que te servirá de trilha sonora. As composições de Frejat e Cazuza são extremamente atuais, servindo ainda hoje como um grito de alerta. Quem acha que rebeldia não pode andar junto com o amor e a beleza, basta ouvir algumas músicas desses dois para ficar provado o contrário.
Destaques: Bete Balanço. Blues da piedade. Ideologia. Malandragem. Pro dia nascer feliz. Só as mães são felizes. Subproduto do rock. Todo amor que houver nessa vida.
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18. Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito
O fino do samba. Quer mais o quê? Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito compuseram verdadeiros hinos do samba, revisitados ainda hoje por intérpretes de altíssimo nível. Indispensáveis.
Destaques: Encontro marcado. Folhas secas. Me esquece. Meu caminho. Meu violão. Minha paz. O bem querer. O dia de amanhã. Palco vazio. Pranto de poeta. Tatuagem. Quando eu me chamar saudade.
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19. Chico Buarque e Tom Jobim
Chico é Chico e Tom é Tom. A parceria dos dois começou um pouco por acaso, quando foram apresentados por Aloísio de Oliveira. Chico ainda estava começando e Tom já era uma autoridade musical. Para uma análise mais delicada, é possível ver traços de maior maturidade nas letras de Chico depois que virou parceiro de Tom. Para mim, uma das melhores duplas.
Destaques: Anos dourados. Olha Maria. Retrato em branco e preto. Sabiá. Eu te amo. A violeira. Pois é. Piano na Mangueira. Imagina.
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20. Luiz Tatit e Zé Miguel Wisnik
Os novos expoentes da música urbana, Luiz Tatit e Zé Miguel Wisnik, que também é parceiro de Caetano e de Chico, oferecem composições com um traço modernista, o tempo todo brincando com as palavras e fazendo referências a outras composições.
Destaques: Baião de quatro toques. Mestres cantores. Para Elisa. Serra do mar. Trio de efeitos.
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• Fonte: muito veio do Discos do Brasil.
• Downloads: acredito que muito do que foi citado por ser encontrado no Umquetenha.
15 músicas Lado B de Chico Buarque
Estava eu lendo alguns blogues interessantes quando me deparo com uma postagem do Alessandro Martins, lá no Livros e Afins, escalando algumas músicas do Chico pouco conhecidas. Eu me senti na obrigação de fazer o mesmo. Se você acha que eu já escrevi muito sobre o Chico, rapaz, pode sentar e chorar. Você ainda vai ver muita coisa desse cara por aqui.
A lista não está em ordem de preferência, só pra esclarecer.
I. Mar e Lua
Preste atenção na letra. Você entenderá a temática: um amor lésbico. Interessante o homossexualismo escondido assim em metáforas tão bem feitas. Veja bem: não acho que aqui as metáforas existem por conta da Ditadura, e sim para embelezar a música. Não é a minha gravação preferida – quem estiver disposto, procure uma versão de Chico com o Trio Esperança.
II. Assentamento
Gosta de João Guimarães Rosa? Escute essa música, então, e ache as referências ao universo roseano. É fantástica. Indico pra quem gosta de literatura.
III. Meu caro barão
A gravação aí é meio precária, mas vale pelo humor da letra. Foi feita para o filme dos Trapalhões, que trabalhavam como faxineiros num circo. Se não me falha a memória, o barão, dono do negócio todo, um dia some com o dinheiro e deixa todo mundo na mão. Os pobres faxineiros resolvem, então, escrever uma carta ao barão com uma máquina de escrever que encontraram por lá. É a música. O divertido é a tônica das palavras que Chico altera propositalmente, primeiro porque os Trapalhões, no filme, eram analfas. Segundo para encaixar na melodia. Por exemplo, ridícula vira ridicúla e por aí vai.
IV. Mano a mano
Única parceria com João Bosco, gênio do violão. Retrata a história de dois caminhoneiros amigos disputando uma mesma mulher. Todas essas palavras soltas na música são cidades interioranas. O que, logicamente, nos passa a idéia do roteiro que os caminhoneiros fizeram. Coisa de louco.
V. Meia-noite
Ótima gravação do grupo Argonautas para uma canção de Chico e Edu Lobo. Bem profunda e densa. Lindíssima.
VI. Bem querer
Feita para gravar com Maria Bethânia. Gosto de como as palavras são dispostas nessa música. Apesar dessa fase da Bethânia não me agradar muito (pelos berros e pelo sotaque forçado), acho a melhor gravação da música. Recomendo.
VII. De volta ao samba
Composta para abrir os shows da turnê “Paratodos”, de 1993. Reparem em como a morte e a efemeridade da vida são retratadas. Além do conteúdo, tem uma batida bem gostosinha, também.
VIII. Romance
Do CD Paratodos, que embora não seja um sucesso de público, traz umas canções extremamente maduras sobre o tempo e a vida. Romance é uma delas. De início, não gostava muito, achava a melodia chata. Fui ouvi-la alguns anos mais tarde e me surpreendi. Fica a dica.
IX. Injuriado
Sambinha maroto e muito simples. Aquela levada que gruda e você se pega cantarolando enquanto atravessa a rua. O vídeo é ao vivo, embora eu prefira a gravação com sua irmã Cristina Buarque, no disco “As cidades”. À época, disseram que era uma mensagem para o Fernando Henrique Cardoso. Fala sério, gentalha da mídia impressa.
X. Cecília
Parceria com Luiz Cláudio Ramos. A mais bonita das canções com nome de mulher. Cecília pra mim é sublime. O nome é extremamente musical, quase um sussuro, um sopro, e Chico soube aproveitar isso muito bem. Se eu fosse mulher, iria querer me chamar Cecília só por causa dessa música. Falei mesmo.
XI. Caçada
Caçada eu acho demais. Foi feita para o filme do Cacá Diegues “Quando o Carnaval chegar”. Rodava em uma cena de amor adolescente entre o casal principal da trama (o homem, por sinal, era comicamente interpretado pelo próprio Chico). Por causa do erotismo explícito, a música chegou a ser censurada e proibida de ser tocada em rádios.
XII. Como um samba de adeus
Embora as pessoas sempre liguem o Chico ao Caetano Veloso, eles só possuem duas parcerias. Uma é a animada “Vai levando”, e a outra é esta, melancólica. Eu explico: é uma homenagem póstuma a Tom Jobim. Tom morreu em 1994, e no ano seguinte Chico e Caetano fizeram essa belíssima canção para Gal Costa gravar em seu disco só com músicas da dupla. Prestem atenção nas referências ao Tom. Como não achei a gravação da Gal no YouTube, vai essa mesmo. É amadora, mas o cara mandou muito bem.
XIII. Essa passou
Parceria do Chico com um dos bossa novistas mais ilustres: Carlos Lyra. O dueto saiu no disco “E no entanto é preciso cantar”, do Lyra, e não saiu no “Construção” do Chico por motivos até hoje desconhecidos por mim. Nem o próprio Carlos, em entrevista, soube me dizer.
XIV. Um tempo que passou
Única parceria de Chico com Sérgio Godinho, cantor e compositor português. O sotaque luso encaixou-se perfeitamente. Acho que essa música transcende nossos ouvidos, gosto de tudo que é ligado ao tempo.
XV. Fantasia
Essa gravação foi feita para o CD “Terra”, que era vendido junto com um livro sobre o Movimento Sem Terra com fotos do Sebastião Salgado e texto do José Saramago. Ei, garoto, atenção: essa música não foi feita para o MST. O disco “Terra” trazia quatro canções ligadas à pobreza, à miséria: Fantasia, Brejo da Cruz, Levantados do Chão e Assentamento, já mostrada aqui.
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Sentiu falta de alguma? Grita aí nos comentários que, de repente, posso fazer um volume dois.






















