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Posts Tagged ‘Guerra ao Terror’

Fanboys (2009)


Muitas pessoas acham que nós, escritores desconhecidos do público geral, estudantes de jornalismo, pessoas que não trabalham em veículos de grande circulação e, enfim, blogueiros, não são grande coisa. Afirmam que a informação que você, leitor, está tendo acesso, é totalmente irrelevante. Um professor meu de Sociologia afirma indiretamente que o jornal é o único veículo confiável. Se gaba de ler, por dia, uns 4 jornais diferentes. Quando questionado acerca da internet, ergue a sobrancelha. Diz não ter muita informação sobre e deixa passar batido. Acho particularmente engraçado que professores não interajam e não dialoguem com a web, considerando que a tendência do jornalismo é migrar justamente pra cá.

Cada palavra que escrevo aqui não me volta em forma de dinheiro. O tempo que passo para publicar artigos e resenhas no Artilharia Cultural não é remunerado, assim como o esforço e a atenção com cada linha, cada parágrafo, não é paga de volta. Escrevo aqui porque tenho opinião demais sobre tudo, e não consigo me contentar em ler a dos outros. Passei anos lendo o Judão, o JovemNerd e o NerdsSomosNozes, entre outros sites de cinema… E admiro muito a ascenção que os dois primeiros tiveram, e já fico feliz por saber que o NSN está trilhando um caminho similar. Esquecendo por agora o JN, que se resume mais na parte do NerdCast, o Judão e o NSN tem uma coisa em comum: as resenhas de filmes. Não sei se o primeiro continua a fazer isso, pois há um tempo atrás minha freqüência no site diminuiu, mas eu adorava ler as resenhas de lá e até hoje leio as do NSN por um motivo: a sinceridade e desenvoltura com que seus colunistas conseguem expressar tudo aquilo que o filme quer passar. Até hoje me lembro da resenha impactante que o Borbs fez sobre The Dark Knight, e me arrepio ao ler o post que o Filipe (editor-chefe do NSN) publicou aqui no Artilharia, sobre Guerra ao Terror.

Se eu fosse um escritor de um veículo sério e respeitável, talvez não pudesse falar de Fanboys. Talvez eu não conseguisse publicar uma resenha desse filme, e fosse obrigado a deixá-la para outra pessoa. O motivo, novamente, é simples: eu não controlaria meus sentimentos e precisaria me restringir a conceitos técnicos… Algo que você nem repara nesse filme. Antes que vocês se perguntem o porquê disso tudo, vou explicar da maneira mais breve possível.

Conheci Star Wars antes dos 10 anos. A culpa é toda do meu pai, que foi nas estréias dos 3 filmes da trilogia clássica. Grande parte do meu vício em cinema, aliás, é culpa dele (que também me apresentou ao Poderoso Chefão e enlouqueceu comigo vendo Matrix pela primeira vez). Da primeira cena do Episódio IV até a última do Episódio VI, eu descobri um novo universo. Descobri um mundo de aventuras, de desafios. Uma extinta legião de Jedi cujo único objetivo era proteger as galáxias do Lado Negro da Força. Um vilão que me deixava com muito medo, e um herói que – até hoje – é o meu favorito.

O tempo passou, eu cresci, e a paixão só aumentou. Sempre ostentei – sem vergonha alguma – a minha paixão por Star Wars e por mais uma infinidade de séries e adventos nerds. Essa, aliás, foi uma alcunha que me acompanhou desde sempre. Sempre fui o cara nerd com as camisetas nerds e os assuntos nerds. Lembro-me de um dos valentões do Ensino Fundamental que espalhava na escola que eu chegava na “balada” falando de Star Wars pras meninas. Para não entrar em maiores detalhes, hoje ele é pai e encontra-se sendo sustentado pela mamãe.

Momento de reflexão. Quem se deu melhor?

Depois desse momento zen (num oferecimento Artilharia Cultural), vamos falar do que realmente interessa: o filme.

Fanboys é o tipo de filme onde – repetindo o que foi dito há pouco – não se deve analisar conceitos e aspectos técnicos, porque ele simplesmente não foi feito para isso. Sabe o típico filme da Sessão da Tarde que fica eternizado na tua cabeça? Um filme que não tem objetivo algum e não é ganacioso: ele só quer divertir. Pois então, caros leitores: Isso é Fanboys, película que carrega um único diferencial; ela foi feita para um gênero especial. Os fãs da saga mais tradicional e conhecida do público nerd: Star Wars.

A história é simples (e quase foi modificada, por uma imbecil ideia dos produtores): Um grupo de amigos decide se unir para invadir o rancho Skywalker e roubar uma versão do ainda não lançado Episódio I (o filme se passa em 1999). O motivo dessa invasão? Linus (interpretado por Chris Marquette), um dos quatro rapazes, tem câncer e está com seus dias contados. O tempo não é suficiente para assistir o Episódio I, o que torna a viagem uma questão de honra. Uma questão de amizade, depois de Eric Bottler (Sam Huntington) ter abandonado o colega por três anos, para dedicar-se a uma vida “adulta”, trabalhando na empresa de carros do pai. Os dois remanescentes do grupo são Hutch (Dan Fogler), o gordo que mora na garagem da mãe (lugar cujo nerd refere-se como “casa de carruagens”) e Windows (Jay Baruchel), o nerd clássico que acaba envolvendo-se virtualmente com outra fã de Star Wars. Completando o elenco principal encontra-se Zoe (a linda Kristen Bell), aparente único contato dos quatro com o universo feminino.

Temos aqui um road-movie que não tem medo de errar e de arrancar boas gargalhadas sem se preocupar em amarrar o roteiro ou algo do tipo. Ir para a cidade de nascimento do Capitão Kirk (de Star Trek, a saga rival e que – opinião nada imparcial do Artilheiro – é um saco) apenas para humilhar e arrumar briga com Trekkers é um desses momentos (que conta, obviamente, com um dos melhores atores de comédia da atualidade, o incrível Seth Rogen, que também faz o papel de um cafetão de Las Vegas (numa das cenas mais sensacionais de todo o filme) e de um alienígena segurança de um encontro de Star Trek fans). Aliás, o número de participações especiais em Fanboys só torna tudo mais divertido para os fãs (Princesa Léia, Lando Carlrissian e Darth Maul estão lá, os dois primeiros dezenas de anos mais velhos), que perdem a conta no número de referências e piadas envolvendo a saga.

Quando você para pra analisar o filme, percebe que ele é inocente. Que é um projeto que, como dito, não tem ganância alguma… Ele só quer atingir os fãs. Uma legião de pessoas que dedicou um bom período da sua vida a conhecer e amar essa série de filmes. Nerds, como eu, que sabem citar 10 planetas do Universo SW sem dificuldade nenhuma, mas encontra dificuldade na hora de lembrar daquela droga de Urano (e que minha namorada viciada em astronomia não leia isso). Fanboys existe pra te fazer dar muita risada e ter mais orgulho ainda em gostar da série de filmes que não passou do primeiro – e mais importante passo – para esse Universo Nerd que move montanhas (e que um dia irá dominar o mundo!). E sabem por que Fanboys é um filme tão incrível? Porque ele segue a premissa da trilogia antiga (citada por Linus em uma cena tão bela e acompanhada por uma música tão envolvente que te deixa com os olhos marejados): ele mantém as falhas. Bonecos de verdade, nada de efeitos especiais caros, mas entediantes. A trilogia clássica é puro coração, assim como esse filme. Os dois são sinceros, puros e só querem te divertir. Seja a história de um garoto do “interior” que descobre que tem o poder de acabar com o Império, ou a história de alguém que sabe que está com os dias contados, e portanto quer aproveitá-los da melhor maneira possível… É preciso manter as falhas, e saber admirá-las. Quem dera mais filmes como esse fossem feitos, apenas para nos divertir. Não precisa revolucionar a maneira de fazer cinema, ou render milhões nas bilheterias… Eu só quero me emocionar. Só quero sorrir, ter orgulho do que está acontecendo na telona. Só quero dar risada de verdade, e não aqueles sorrisos de canto. Fanboys consegue isso, e muito mais. E se você é fã de Star Wars, não espere mais um segundo para assistir.

OBS.: Fanboys nunca foi lançado no Brasil, nem em DVD. O Artilheiro em questão, então, sugere que o amigo leitor dê um jeito de assisti-lo, sem peso nenhum na consciência.

Bombardeio II – Oscar 2010

O Oscar é aquela coisa irritante. Milhares de comerciais, traduções instantâneas péssimas e para terminar de complicar, você é obrigado a escolher entre o Rubens Ewald Filho na TNT e o José Wilker na Globo. Novesfora esses probleminhas, os Artilheiros prepararam um Bombardeio em edição especial. A coluna, que deveria ser sobre uma obra, vai falar sobre um evento.

Lucas

Entre “Guerra ao Terror” e Pocahontas feat. Smurfs (a.k.a “Avatar“), eu prefiro “Bastardos Inglórios”. Já imaginava que os Bastardos não levariam o Oscar de melhor filme, mas em meu inocente e esperançoso coração, algo me dizia que Quentin Tarantino seria prestigiado com a estatueta de melhor diretor. O prêmio, porém foi para Kathryn Bigelow e sua majestosa “Guerra ao Terror”. Claro que muitos criticaram (cheguei a ouvir um intelectualóide da minha faculdade vociferar que só deram o prêmio pra ela porque o dia seguinte foi o Dia Internacional da Mulher. Gênio!) a derrota de James Cameron, mas isso já era esperado: “Avatar” é uma experiência única quando assistida em IMAX + 3D. Fora isso, porém, é só um filme. E um filme de roteiro fraco e atuações mais fracas ainda. O trunfo de “Guera ao Terror”, ironicamente, é sua simplicidade. É o roteiro original (que só peca no final) e a ótica inovadora com que a guerra é retratada. Fora isso, me contenho a comentar que o prêmio de melhor ator para Jeff Bridges foi merecidíssimo, e que não digo o mesmo de Sandra Bullock, uma atriz que nunca me convenceu. Os Bastardos da Academia não premiaram os Inglórios como eles mereciam, Bigelow arrebatou o dobro de Oscars de seu ex-marido que, por sua vez, vai lamentar nadando na sua pilha de dinheiro arrecadada com as duas maiores bilheterias da história do cinema. E é assim que esperamos o próximo Oscar. Com, quem sabe, uma cobertura em tempo real do Artilharia Cultural?

Marcel

O Oscar de 2010 foi justo. Quem dirá que Kathryn Bigelow mereceu menos que seu ex-maridão Cameron? Ok, o diretor de “Titanic” (lendário vencedor do prêmio) roteirizou Avatar criando o mundo de Pandora. Tudo bem, sua história estará em nossos corações por muitos e muitos anos. Mas “Guerra ao Terror” tem mais que história para contar. Falando em história, a década que termina não pode simplesmente eleger um filme de fantasia para contar a sua. A Academia parece ter entrado nesse consenso. Somando as técnicas de Bigelow que agradaram mais (vide os prêmios técnicos)  o filme de maior ”realismo” levou seis estatuetas pela produção. Sandra Bullock merecidamente foi vencedora da categoria que emocionou todos que viram “Um sonho possível” interpretando uma mãezona no papel principal. E “UP! Altas aventuras” acariciou os olhos e ouvidos de todos, levando os prêmios de animação e  som. Trilha sonora primorosamente composta por Michael Giacchino. Merecido!

Tauil

Pra mim, de longe, o prêmio de melhor filme iria para “Bastardos Inglórios“. Já o de melhor direção foi merecido, Kathryn Bigelow fez um ótimo trabalho em “Guerra ao Terror“. O pianista Vitor Araújo disse em seu twitter que um dos indícios de que o mundo realmente vai acabar em 2012 é Sandra Bullock ter recebido o prêmio de melhor atriz. Torci muito para a Gabourey Sidibe dar uma lavada na cara de todo mundo que acha que precisa ser branquinha e magrinha em Hollywood. Agora, para melhor ator, fiquei um pouco desapontado, apostei todas as fichas que Morgan Freeman iria ganhar a estatueta por seu Mandela perfeito. Para direção de arte e efeitos visuais, não tinha pra nenhum outro: só podia dar “Avatar“. Apesar de não ter visto muita coisa em “Sherlock Holmes“, sua trilha sonora, para mim, era a favorita – Hans Zimmer bota os outros concorrentes no chinelo, pô. Pra fechar minha participação neste Bombardeio, preciso comentar dois pontos altos da noite: o prêmio de melhor ator coadjuvante para Cristoph Waltz ( atuação impecável em “Bastardos Inglórios“) e a derrota do “Avatar“. Achei lindo!

Carolina (Artilheira Colaboradora)

Eu confesso que fiquei aliviada de ver James Cameron, o tão bem falado James Cameron, não receber o Oscar de melhor filme por “Avatar“. Por que? Porque eu sinceramente, não vi nada de novo lá. Claro, o povo é azul e fala uma língua diferente, além de ter sido em 3D, mas fora isso, nada me pareceu realmente novo. Me lembro filmes sobre pessoas “normais” querendo conquistar um novo mundo pra ficar famoso, rico ou simplesmente porque quer, mas acaba não dando muito certo porque os protagonistas se ‘engraçam’ ou eles acabam se apegando aos “selvagens” ou seja, Pocahontas e/ou Atlantis. Mas os efeitos foram muito bons mesmo, admito. Gostei muito de ver “Up! Altas Aventuras” ganhar. Há tempos não via uma animação (me fazer chorar feito a menininha que eu sou) ser tão tocante, até tocante demais para crianças nos primeiros minutos. O que mais me surpreendeu mesmo foi a estatueta para a Sandra Bullock. Depois de anos vendo ela fazendo comédias românticas ao lado de outros atores de comédias românticas (como o Hugh Grant), ela aparece e rouba a estatueta da Gabourey Sidibe (minha aposta) e de Meryl Streep. Jeff Bridges (THE DUDE!) mereceu o Oscar porque ele é o Jeff Bridges. Brincadeira, Crazy Heart foi incrível! E meus finais e, em minha opinião, merecidos “Parabéns, foi f*da mesmo!” para Guerra ao Terror, Kathryn Bigelow, Christoph Waltz (that’s a bingo!) e Michael Giacchino, que mereceram e eu não creio precisar falar o porquê.

Cameron, alegre, felicitando sua ex por ter sido o destaque da festa

Guerra ao Terror

Artilheiro Colaborador: Voz do Além

Antes de O Resgate do Soldado Ryan, os filmes de guerra seguiam uma estética bastante definida: começavam com o treinamento dos soldados que estariam à frente da linha narrativa do filme, e depois rolava a guerra propriamente dita. Os caras que formavam o grupo principal também tinham personalidades bem clichês: o bad ass, o filosófico, o beberrão… e assim por diante. Poucos fugiram desse lugar-comum, como é o caso de Apocalypse Now, o melhor-filme-de-guerra-que-não-é-de-guerra. Outros mergulharam nesses conceitos de tal forma que conseguiram ir além, se tornando obras de arte de primeiro escalão, como  Nascido para Matar e a série Band of Brothers.

Após aquela cena da invasão da Normandia – que teria muito mais impacto se fosse colocada logo nos primeiros segundos de filme, sem aquele discurso chato do Ryan velho e deprê – o distanciamento que existia entre espectadores e personagens desapareceu. A nova estética, com câmera na mão e tremulante, explosões na nossa cara, e um banho de violência sangrenta e mais realista, passou a ser o principal foco dos filmes de guerra. Após Soldado Ryan, veio Falcão Negro em Perigo, que basicamente serviu para ser um representante moderno dos ironicamente modernos filmes de guerra.

Falcão Negro foi ainda mais longe nesse lance de nos lançar no meio da guerra cruamente… e praticamente nos tornou um desesperado combatente buscando salvar as tripas das balas de AK-47 disparados pelos somalis. O filme não buscava estudar ou refletir sobre causas e consequências dos combates, nem mesmo aprofundava personagens – ter Eric Bana e Josh Hartnett como atores principais deve ter ajudado – sendo unicamente uma janela dos momentos desesperadores do conflito.

Esse delineamento de filmes de guerra mudou um pouco com Soldado Anônimo, que buscou explorar mais quem participava da guerra (ou queria participar) e de como ela os influenciava, do que necessariamente gente morrendo. E nesse quadro surge Guerra ao Terror, uma fusão balanceada dessas duas vertentes, e por isso mesmo um filme tão bom.

A Guerra ainda está lá,  no Iraque, uma das guerras imperialistas do maior idiota que o século XXI nos presenteou até agora – George Bush. Mas, junto com a guerra, voltam os personagens para o centro da trama. Somos guiados pelos soldados no meio das batalhas, ao invés de ficarmos vagando por diferentes grupamentos no meio do conflito. É como se efetivamente fôssemos companheiros de conflito dos caras que estão lá.

No centro da narrativa temos um grupamento anti-bombas que acaba de perder seu principal combatente, Matt Thompson, no meio da Guerra do Iraque, após um ataque terrorista. Após alguns dias chega o substituto. Logo em suas primeiras missões, William James, o substituto, se mostra um tremendo maluco: dispensa o uso do robô usando pelo grupo anti-bombas, e não tá nem aí para regras de segurança básicas…

E o filme é basicamente isso, uma jornada que foca a participação do trio de protagonistas principais no meio das loucuras da guerra, sem necessariamente ter um roteiro centrado em uma grande ação no final. Não há um grande plano, o velho esquema da narrativa montanha-russa para deixar todo o mundo ligado, nem mesmo mulheres envolvidas para se criar paixonites inúteis. Até o final é anti-climático, o que definitivamente o diferencia da vasta maioria dos filmes lançados em solo americano.

Porém, se utilizasse somente essa estrutura narrativa em forma de diário de guerra, focando somente o grupamento anti-bombas, Guerra ao Terror seria uma pequena pérola beirando a perfeição e exalando simplicidade. O problema começa quando fica patente que o foco do meio do filme pra frente será justamente William James, e ele sozinho está longe de ser interessante como é o caso do grupamento inteiro. É o mesmo problema que esteve patente em um bom pedaço de Distrito 9. A diferença é que Distrito 9 não se apoiava somente no seu estilo jornalístico – que foi abandonado após Wikus entrar em foco, mas também na sua temática sci-fi com contexto social. A proposta de Guerra ao Terror é mostrar a guerra numa perspectiva não-ideológica, humanista, e focada num dos grupos de combate com maior carga de tensão que existem… e fugir dessa proposta e frisar os distúrbios causados pelo vício em guerra num desarmador de bombas malucão, acabou por amaciar o impacto que o filme poderia causar. É só assistir a cena em que James dá a doida e vai caçar o assassino de Beckham para entender do que estou falando.

A Tensão do filme é quase um personagem palpável. Saber que um módico e simples erro pode mandar tudo pelos ares, realmente deixa qualquer um de cabelo em pé, e isso fica patente na cena inicial, que te pega pelos cabelos e te joga no Iraque, sem querer saber se você está pronto. A técnica utilizada em Guerra ao Terror vai além dos filmes de ação modorrentos do mercado. As bombas aqui não têm contadores com gigantescos números vermelhos, como em produções ridículas, a exemplo de Velocidade Máxima – estamos numa guerra, e esse circo hollywoodiano não está presente. As explosões soam secas, sem pirotecnia. Estão mais para os flagras de ataques terroristas que vemos na TV, do que para os filmes que tentam emular isso, como é o caso de um Braddock da vida.

Mas nem só de gente desarmando bombas vive o filme. A cena em que eles encontram soldados das forças especiais no meio do deserto, e enfrentam snipers numa distância absurdamente grande é outra mostra que não são necessários tanques e aviões despejando centenas de bombas por segundo para se fazer uma cena de guerra estupenda. E justamente conseguir juntar com sucesso momentos que realmente mostram um lado pouco conhecido das batalhas, aliado ao desenvolvimento psicológico dos soldados e seus traços de personalidades cinzentos e bem definidos ao mesmo tempo, é o que coloca Guerra ao Terror num patamar tão alto. Mesmo que no final você não consiga dizer exatamente o porquê do filme ser tão bom, além de pronunciar as palavras tensão máxima.

O fato é que Guerra ao Terror está num patamar acima da maioria dos filmes de guerra modernos. E o irônico é que ele não acrescenta nada no modelo estabelecido nos filmes do gênero. Muito pelo contrário, ele tira! Ele tira os vilões idiotas, as operações mirabolantes, os fortões que destroem meio mundo com os dentes, as bandeiras americanas, a ideologia barata. E o resultado é um filme de guerra autêntico, que no final ainda encontra espaço para se conectar com a frase inicial do filme, que fiz que a guerra é uma droga viciante.

Assista, ou então baixe Generation Kill para ter uma experiência mais intensa sobre a Guerra do Iraque.

Hurt Locker (EUA, 2009)

Diretora: Kathryn Bigelow

Duração: 131 min

Nota do Colaborador: 8,5

Sobre o Artilheiro Colaborador

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