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Especial Anjos da Noite – Underworld
por Marcel
Final de férias e a necessidade de se lançar a algum afazer banal, para acabar com o tédio da sua rotina – se você tem, é quase indispensável. A vontade de fazer algo de útil do tempo de ócio pode ser facilmente saciada quando se encontra uma série que te envolve, um game que lhe interessa ou ainda um filme que o emocione.
Vou mostrar-lhe, soldado, uma forma interessante, assustadora e violenta – claro que tudo isso passara dentro do DVD – de aproveitar este tempo. Serão de longe, a maior dose de Vampiros, Lobisomens, tiroteios, história e Kate Beckinsale numa roupa de couro que poderá encontrar. E se gosta pelo menos de um destes elementos, estaremos falando na mesma língua.
O Vampiro
Ouvi dizer que o personagem do vampiro voltou ao cenário popular. Eu discordo. Entre minhas listas de melhores filmes de terror e suspense que tratam da figura, não existem menção alguma de um bom filme do tipo depois de 2003. Nem ao menos o último fervor causado pelos Best-sellers da Saga Crepúsculo onde a figura mítica do vampiro é completamente desfigurada por uma história de amor puritano, purpurina e Volvos.
Na humilde concepção do artilheiro que vos escreve, o ano de 2003 guardaria então o último bom título que trata da figura. Um filme que merecia continuação – e teve. Underworld, ou Anjos da Noite aqui no Brasil, foi um filme que me pegou desprevenido aos 13 anos. Não vi ali, nada mais que um filme de ação, algum suspense, bestas, armas e ação desenfreada. E como o filme havia sido lançado no circuito nacional poucos anos após ao Matrix (1999), muito se comparou, erroneamente. Sinceramente, meu desconhecimento sobre o roteiro permaneceu até o ano de 2009 quando tive a oportunidade de ver o terceiro filme de série. Só então neste ano, numa proposta indecente de uma fã , aceitei ver todos os três, e na seqüência cronológica. Depois de terminada, a experiência deu origem a este apanhado, que adotei como homenagem ao filme. Uma obra que, se não é algo épico, fez e fará despertar o interesse de uma nova geração as figuras do vampiro e lobisomem. Este especial nasceu com o intuito de comentar, opinar, mas, principalmente, sugerir que o soldado caia de cabeça no enredo, livre das tendências – que julgam o filme como ação e aventura – e ceda o pescoço aos Anjos da Noite.

O filme é escuro…
É importante o alerta: o filme é essencialmente escuro. A fotografia torna-se muito caricata por isso. O bom grado que há em ver as cenas num tom de penumbra é bem explorado. Com exceção de alguns momentos em que a vista se farta de tal falta de iluminação, o filme caminha bem e até consegue pontos ao ser a marca registrada da série.
e anacrônico
Uma dica de quem já viu: A produção dos filmes foi feitas na ordem de lançamento, não na linha cronológica. Isso causou certos transtornos à produção dos filmes seguintes da série, e é possível observar alguns erros de seqüência causados por isso. A jogada foi totalmente mercadológica visando continuar a série caso fosse lucrativa. Em outras palavras, se o soldado puder, mude a seqüência que vai vê-los. Comece por ver Anjos da Noite III como um prelúdio – pois a história do terceiro filme da série se passa antes do primeiro; e só depois veja os dois primeiros filmes na ordem exata.
Ordem sugerida:
- Anjos da Noite – A rebelião III;
- Anjos da Noite – Underworld I;
- Anjos da Noite – A revolução II.
Curiosidade
Kate Beckinsale, musa do artilheiro, é casada com um dos maiores nomes por detrás da produção da franquia. Len Wiseman: e como o próprio sobrenome soa, foi um homem sábio em agarrar a morena.
Anjos da Noite I – Underworld
Atenção: esse artigo pode conter spoilers.
O primeiro filme da série começa na clássica cena de uma mulher em roupa de couro agachada num beiral. O ano é um aparente pós-século 21. Tempo atual. Selene (Kate Beckinsale) é uma matadora de lobisomens (que são tratados no filme e por todo este post de “Lycans”) e encontra-se cercada por eles numa estação de trem. O fato é que, do lado oposto de seu modo de vida – escondendo-se durante o dia, caçando monstros durante a noite, existe uma tribo de lobisomens devidamente organizada e pronta para virar a guerra contra os vampiros. Guerra que acontece há milênios.
Na verdade, os lobisomens – figuras selvagens, logo, ignorantes – parecem estar mais organizados do que nunca. No ataque aos vampiros na estação de trem só Selene, em um grupo de vampiros, sobra para contar o massacre. A guerreira foge com muita astúcia já que o duelo frente a um Lycan é quase que morte certa. Quando volta a mansão dos Anjos da Noite, a caçadora percebe que há algo de covarde no reinado de Kraven (Shane Brolly) que assumiu o o trono depois que Viktor (o excelente Bill Nighy) tirou seu século de férias e está dormindo. As respostas que Selene busca sobre os Lycans e a morte de seu lendário líder Lucian (o carismático Micheal Sheen) vão esbarrar em mais segredos podres sobre a sociedade vampiresca. Ela descobrirá que os Lycans tem um plano e ele envolve Michael Corvin (Scott Speedman), um sujeito aparentemente comum, mas que carrega em seu corpo um sangue de uma linhagem rara. O conflito passa então acontecer acerca do único humano da trama. Selene rebela-se contra Kraven e os vampiros e figura-se como aliada ao humano, mesmo sabendo quanta luta e perseguição isso causará.
Elementos
Wiseman, e a dulpa que o deu uma mãozinha no roteiro trataram de ler e aprender muito sobre a figura clássica das bestas medievais. O vampiro e o lobisomen são muito bem caracterizados. O filme ainda tem muitos elementos, como Sci-fi nos aparatos, armas e equipamentos dos caçadores de Lobisomen, além dos efeitos especiais. O filme é banhado de ação, que dá conta de travar qualquer soldado sedento por sangue na cadeira. E por fim, a película trata da mitologia com pouco suspense. Não há um vampiro que se esconde nas cortinas para atacar a moça virgem, o que existe uma forte inversão desses valores: o vampiro é o foco, o coadjuvante, o herói e o vilão.
Mesmo que seja difícil de eleger um herói na obra. Alguns se identificam mais com o personagem de Lucian – um Lycan, outros torcem pelo triunfo dos Anjos da Noite, mas a maioria fica do lado de Selene e seu affair Micheal Corvin que passam o primeiro filme revelando segredos e matando todo mundo pelo caminho.
Portanto, leitor, se você procura um bom filme de ação com uma seqüência decente, comece quanto antes a ver Anjos da Noite. Não verá um clássico do gênero do terror ou do suspense, nem lhe prometem isso. Mesmo assim, a obra de Wiseman encherá seus olhos por uma boa hora. O filme corre eletrizante, com belíssimos efeitos especiais e atuações dignas de atores pouco conhecidos. Além do que, se você gostou, anime-se, esse é o pior filme da série.
Vá em frente, pegue Anjos da Noite e veja a maneira a qual se é original no roteiro e ao mesmo tempo se respeita a figura que Bram Stoker, autor do primeiro romance a tratar do vampiro que conhecemos, criou em 1897.
A Saga Crepúsculo: Eclipse
Artilheiro Colaborador: Thiago Ghizellini
Atenção: este artigo contém spoilers
No primeiro filme, Crepúsculo (Twilight, 2008, Catherine Hardwicke), a jovem Isabella Swan (Kristen Stewart) deixa a casa da mãe Renée (Sarah Clarke), em Phoenix, e vai viver com o pai Charlie (Billy Burke) em Forks. Essa mudança faz com que ela reencontre o velho conhecido de infância Jacob Black (Taylor Lautner) e conheça aquele que será seu grande amor, Edward Cullen (Robert Pattinson).
Num segundo momento, ela descobre que o cara bonitão por quem se apaixonou é, na verdade, um vampiro bonzinho, que por um código de ética de seu clã, só bebe sangue de animais. No segundo filme, Lua Nova (New Moon, 2009, Chris Weitz), Bella já está com uma relação “estável” com o vampiro.
Depois te der seu dedo cortado por acidente em sua festa de aniversário, e de quase ser atacada e morta pelo irmão de Edward, a garota se vê abandonada por aquele que prometeu ficar ao seu lado por toda a vida (hã?). Ele some, ela se aproxima de Jacob, que se mostra mais que um amigo, mas um possível pretendente, e descobre que ele também não é o que parece: ele é um garoto bombado que, em alguns momentos, se transforma em lobo. Depois de idas e vindas, tudo acaba bem nesse filme. Tão bem que termina com um pedido de casamento entre o vampiro (sim, ele volta para ela) e a mortal.
Bem, estamos já no terceiro filme, Eclipse (Eclipse, 2010, David Slade). Tudo está lá, a menina, o vampiro e o lobo. Afinal, não esperávamos nada diferente. Acho que você e eu concordamos que esse filme não foi feito para ser levado a sério. Ele só serve para passar na Sessão da Tarde e nos animar quando já rodamos na internet e visitamos todos os blogs possíveis e imagináveis. Esse, e os outros dois filmes anteriores, cumprem bem esse papel.
Sim, é bom que se diga que Crepúsculo (a saga completa) tem três tipos de fãs: aqueles que gostam dos livros, aqueles que gostam dos filmes e aqueles que gostam de ambos. Não podemos deixar de falar daqueles que odeiam a saga e que nem podem ouvir falar no seu nome. Ok, espaço respeitado para todos, assiste ao filme quem quer.
Em Eclipse, tudo começa com uma pequena cena de ação, e já somos jogados para presenciar momentos de amor entre os protagonistas, num belo jardim florido. Da mesma forma com que termina Lua Nova, Eclipse se inicia com um pedido de casamento de Edward para Bella. Ela já está de saco cheio dessa ladainha toda e só quer dar pro cara e virar vampira o mais rápido possível.
O filme, em comparação com os outros, tem uma linha visível de maturidade, tanto por parte dos atores, que estão melhores, acredite, quanto por parte da direção que decidiu injetar um pouco de hormônios na história toda. A fotografia é bem agradável. Como mencionado antes, Bella quer “consumar o ato” com Edward que, mesmo depois de pensarmos que dessa vez ele vai concretizar a coisa, na hora H ele desiste de tudo e para no meio.
Quem leu o livro sabe que isso só vai acontecer depois, bem depois. Uma coisa que se mantém intacta no meio disso tudo, são as fãs que gritam de forma enlouquecida a cada aparição do lobo sarado sem camisa na telona. Pura inocência achar que as jovenzinhas fazem isso. São as mães e as avós delas que suspiram pelo menino selvagem. Se bem que não quero te decepcionar, mas ele aparece sem camisa bem menos que no filme anterior. Melhor para nós, meninos.

Falando nisso, é inegável que o carisma de Taylor Lautner é bem maior que o de Robert Pattinson quando os dois estão em cena. Comparações à parte, o beijo tão esperado entre Jacob e Bella finalmente acontece (ih, não podia contar?). O filme mantém a expectativa de mostrar ao espectador o que vai acontecer depois. O exército de recém-criados (novos vampiros) está lá a serviço de Victoria (Bryce Dallas Howard, no filme em substituição a Rachelle Lefèvre, que não renovou o contrato com a Summit, produtora do longa) que quer matar a Bella, vingando-se da morte do seu parceiro que aconteceu dois filmes antes. Sabe-se que a tarefa é malsucedida e quem acaba batendo as botas é ela mesma, pobre ruivinha. Só para registro, a mudança das atrizes é nítida e a anterior desempenhava o papel muito melhor.
Com conhecimento de causa, posso afirmar que o livro é melhor que o filme. Sempre é. Falando agora da coleção impressa, na minha humilde opinião, Eclipse é o livro mais chatinho de todos. A coleção é formada por quatro títulos. O primeiro tem aquela surpresa inicial, o segundo é ótimo, o terceiro é arrastado e cansativo (assim como o filme, mas é suportável e agradável de ver) e o quarto e último é o melhor de todos, sem dúvida. Afinal, é aquele que dá as respostas para todas as nossas perguntas.
O próximo filme será dividido em duas partes. Sim, é para aproveitar a boa fase dessa onda vampiresca. Mas é também para dar conta de colocar tudo que consta no livro. Um filme só não seria o suficiente. Até onde se sabe, a primeira parte do desfecho chega aos cinemas ainda esse ano, em novembro.
Sendo assim, se você não tiver nada melhor para fazer, se não tiver filme nenhum que valha o seu ingresso, te digo que sim, assista ao filme desarmado de preconceitos. Aquilo foi feito para te divertir, oferecer entretenimento. Se não for esse, será outro qualquer do chato do Brendan Fraser. Caso contrário, assista a algo que você realmente goste.
Não tem nada pior do que sair do cinema com aquele pensamento de eu deveria ter visto o último da Julia Roberts. O sucesso do longa é inegável: o filme estreou em 4.416 salas nos Estados Unidos e em 780 no Brasil. Em 24 horas, o filme já arrecadou 30 milhões de dólares em território americano e, só aqui em solo tupiniquim, foram comercializados 320 mil ingressos em pré-venda. Nenhum desses números pode assegurar se o filme é bom ou não.
Cada um tem um gosto, uma opinião. Mas, como disse Nelson Rodrigues, “Toda unanimidade é burra”. Será que isso tá certo mesmo? Seria burrice se todos nós obedecessemos cegamente a uma ordem que vem não se sabe de onde com finalidades obscuras ou inconfessáveis. Seria burrice, por exemplo, comprarmos o livro da saga pelo único fato de ele constar na lista dos mais vendidos ou ver ao filme porque todo mundo vê.
Unanimidade rima com individualidade. Isso sim é inteligência. Devemos travar uma luta pessoal contra as nossas intolerâncias, contra essa tendência a só sentir as próprias dores e de observar o mundo pelo buraco de um canudinho. E você, enxerga sua vida através de onde?
Sobre o Artilheiro Colaborador
Paulistano, universitário, Social Media Analyst, taurino, corintiano, tem uma namorada linda e é apaixonado pelos amigos, cinema e música. @ghizellini
Veneno com sabor
Artilheiro Colaborador: JLM
Volta e meia uma velha discussão ressuscita quando esqueço os que me rodeiam e acabo soltando que os programas de televisão com maior audiência e os livros mais lidos (os best-sellers) são puro lixo. E, como castigo pela minha falta de comedimento, acabo tendo de ouvir desde os xingamentos pessoais mais impagáveis – o principal argumento dos sem-argumento é xingar os que pensam diferente, nessa hora ninguém lembra da frase do Voltaire – até as velhas desculpas ouvidas e repetidas por papagaios que não tomam tempo para avaliá-las no mínimo racionalmente. Tudo me fez chegar à conclusão que, por mais que se argumente a favor, os livros e programas de tevê populares vão continuar sendo lixos. Lixos cada vez piores.
Na linha da leitura, o principal argumento de defesa é que o leitor dos mais vendidos, com o tempo, vai evoluir para leituras mais densas e essenciais. Confesso que até cheguei a defender esta idéia no passado, mas a abandonei quando constatei que na prática não é bem assim. São pouquíssimos (não conheço nenhum) os leitores de Bruna Surfistinha que evoluíram para Nietzsche. Ou leitoras de Crepúsculo para Orgulho e Preconceito. Os fãs de Paulo Coelho, livros de auto-ajuda e best-sellers, além de não evoluirem, viverão em um eterno conto de fadas no qual o suprassumo das letras é o escritor que gostam de ler e atacarão como fanáticos religiosos os que ousarem falar contra. Quem estes hereges pensam que são! Claro que lerão outras coisas sim, mas a propensão será procurarem autores similares aos seus favoritos, e nunca um Machado de Assis, um Érico Verissimo, um Shakespeare chegarão aos pés da banalidade e superficialidade exigidas cada vez mais como requisitos essenciais para agradar as massas.
Alguns perguntam retoricamente, tentando me colocar em contradição: “mas se você leu um livro pra dizer que ele é ruim, você se inclui aos leitores que critica, e se não leu, não pode falar mal daquilo que desconhece”. Para estes digo que não é preciso comer um prato de comida estragada para somente no final descobrir que ela vai fazer mal. Percebe-se isso muito antes, pelo cheiro. E qual seria o aroma dos livros e programas estragados? Fácil, o seu público! Se o diga-me o que lês ou o diga-me o que assistes que te direi quem és funciona, o inverso também vai funcionar. Diga-me que tipo de pessoas leem esse tipo de livro ou veem esse tipo de novela que te direi como são estes livros e novelas. É uma espécie de análise psicológica da obra através de seus leitores. Não que os leitores sejam pessoas ruins, mas você consegue ver qual foi o público-alvo explorado pelo autor. Leitores de Crepúsculo, Paulo Coelho e outros possuem características comuns que os diferenciam dos demais. É claro que há um ou outro leitor-exceção, mas são exceções, não a regra.
Outra linha de argumentação fraca é virem com acusações do tipo “quem é você para criticar o autor fulano, que está ganhando zilhões com os livros dele?” e “você tem é inveja do sucesso dele”. Se fosse assim, ninguém poderia criticar um político ruim a não ser quem já fora político antes. Nem um médico. Nem qualquer outro profissional. Note que não é requisito ser um profissional da área para saber quando algo está errado. Mesmo para os mais leigos conseguem descobrir usando o método da comparação. Compare o best-seller com um livro que já resiste a 50, 100, 300 anos ou mais nas livrarias. São conhecidos como clássicos. Note as diferenças de escrita, de estilo, de preocupação não só em contar uma história ou passar uma emoção, mas em trabalhar a própria língua. É claro que não só escritoes antigos fazem isso, mas muitos contemporâneos. O professor Affonso Romano Sant’anna diz que estes são os escritores, os profissionais da palavra, enquanto todo o resto é simplesmente autor. Um médico pode ser autor, um publicitário, um ex-presidente e até uma prostituta. Mas escritor de verdade, é aquele que trabalha a língua, que forma hai-kais no prato quando toma sopa de letrinhas, que lê uma quantidade de livros que pra ele é normal, mas pra maioria ao seu redor é algo espantoso.
Com os programas de televisão é a mesma coisa. Novelas, séries, filmes ou programas de auditório que não te fazem melhorar como pessoa, que não plantam uma dúvida na sua cabecinha, que não tocam o seu eu interior e já são esquecidos logo que sobem os créditos, entram na lista dos “só vejo para relaxar, por diversão, lazer”. Só que enquanto você relaxa e se diverte, sem perceber está bebendo algo que envenena a sua inteligência, mas que a mídia preparou tão bem que geralmente vem camuflado sob o seu sabor preferido. Novela sabor romance? Pois não. Filme sabor adrenalina? Pois não. Musical sabor erotismo? Pois não.
Há duas teses diferentes que tentam explicar porque tantos vem gostando cada vez mais do vulgar e imbecil. A primeira, levantada pelo Betinho no documentário A Revolução dos Idiotas (1992), é que existe um plano global para imbecilizar as pessoas. Desta forma, os principais programas em horários nobre e finais de semana e os livros mais vendidos são elaborados para fazerem as pessoas não pensarem ou para pensarem coisas idiotas. Tendo o tempo de lazer tomado por novelas, filmes e livros superficiais e imbecis, as pessoas não teriam tempo de buscarem conteúdos inteligentes ou de cultura. A teoria do sociólogo faz sentido se levarmos em conta que quanto mais ignorante o povo, mais fácil de enganá-lo. Seja o povo-eleitor, o povo-contribuinte ou povo-com-direitos. Enquanto os políticos fingem que fornecem boa educação pública, matriculam os seus filhos nos melhores colégios particulares que o povo nem sonha ter acesso. Enquanto as concessões de rádio e tevê não saem das mãos de poucos, os herdeiros das famílias detentoras são educados no exterior. Assim, a imbecilização das massas é uma estratégia política mundial de controle. Teoria da conspiração? Garanto que quem diz isso é justamente algum político ou graduado em Harvard.
A outra teoria veio do filme Idiocracy (2006), que mostra como as espécies mais aptas evoluíram até chegar ao homem. E daí começou uma desenvolução, pois como o homem não tinha mais predadores que ameaçassem a sua sobrevivência, não seria mais necessário ser o mais apto. Passaram a apostar as fichas no multiplicar-se cada vez mais para ganhar terreno os que mais procriam, isto é, os menos inteligentes. Enquanto casais inteligentes refletem sobre controle familiar e populacional e tem em média um ou dois filhos, os menos inteligentes tem seis, dez, vinte e três filhos. Em um simples cálculo exponencial, é fácil dizer quem vai dominar a terra no futuro, numericamente falando: os idiotas.
Se você teve a paciência de ler até aqui, quero que saiba que não pretendo mudar a cabeça dos que curtem Faustão, Gugu e Caminho das Índias. Nem que não leiam Harry Potter ou Os Diários de uma Princesa. Apenas quero deixar claro que a vida traz muito mais que isso. Vai além. E quem descobrir vai ver que cultura e inteligência ultrapassam o gosto pessoal. Pois, apesar de cada um ser livre para ver o que quiser, ler o que quiser, beber o que quiser, inclusive veneno com sabor, todos somos obrigados a evoluirmos como espécie, sob o risco de amanhã não sabermos como reverter os problemas que causamos ao nosso planeta que poderiam ser resolvidos porque esquecermos de nos preocupar. Se nos importássemos com eles o mesmo tanto que nos importamos com novelas, Big Brother’s e Içami Tiba, já seria um bom começo.
Sobre o Artilheiro Colaborador
Jefferson Luiz Maleski, ou JLM, é leitor compulsivo. Talvez por considerar a leitura uma forma de diversão melhor que a TV, a Internet e as conversas de boteco. Ou por causa dos seus cursos de Direito e Filosofia. Com um pouco mais de 30 anos, mora atualmente em Anápolis, Goiás, e escreve resenhas e minicontos em vários sites da internet e/ou no Libru Lumen, seu blog pessoal.
Bombardeio I – Crepúsculo
Antes de mais nada, vamos a uma breve explicação dessa coluna: o Bombardeio consiste na opinião de cada artilheiro sobre alguma obra. Ela pode ser cinematográfica, literária ou musical. Alguém pode entender uma conotação negativa quando falarmos que tal obra será “bombardeada”, mas não. É só uma expressão bonitinha e carinhosa que nós da Artilharia Cultural escolhemos usar quando formos tecer críticas.

O assunto da semana a receber bombas dos quatro cantos é a obra cinematográfica “Twilight” (Crepúsculo) dirigido por Catherine Hardwicke, baseada na obra homônima de Stephenie Meyer. Vamos ver o que cada artilheiro tem a dizer.
Marcel
Bella e Edward vivem rodeados por uma mitologia mágica personificada no cinema por Catherine Hardwicke (ela gosta de causar polêmica, diretora de “Aos Treze”) diretamente do romance de Stephenie Meyer (nem os manuscritos originais da autora prendem a minha leitura, ô textinho fraco!). Na mitologia de Meyer o vampiro, um dos maiores temores do homem da Idade média, é retratado no papel de um herói politicamente correto (que brilha!) vivendo numa casa arejada e tranquila. Veja você que destruição! E em meio aos escombros o roteiro consegue piorar e decretar a falência (dois coelhos numa cajadada só!) na desprezível relação entre o casal protagonista. Destrói-se em “Crepúsculo” o amor comum quando se apresenta ao leitor um amor utópico, daqueles que fariam Platão vomitar e o que é pior: faz nossas crianças adorarem a obsessão desequilibrada da tal Bella (ou seria propositalmente a história amorosa frustrada de Meyer?) ao invés do sentimento respeitoso e liberal. Mas o roteiro é só mais uma outra tentativa da autora e da diretora (ambas fraquíssimas) de construir uma boa obra na carreira, mas é claro que, do ponto de vista cultural torna-se um fiasco (deletério às crianças).
Tauil
Antes de mais nada, quero me explicar: assisti ao filme porque estava passando na TV. Eu não paguei cinema ou locação. OK, dito isso, vamos às impressões: filminho fraco. Falta coisa para ser só mais um romance adolescente. Fala-se muito na comparação entre Crepúsculo e a saga Harry Potter, mas eu discordo. Tenho o maior respeito pelo Harry – embora não seja fã – porque J.K. Rowling, autora de Harry Potter, criou um universo novo e o explorou ao máximo. Stephenie Meyer não. Utilizou-se de um mito já existente – o que, veja bem, não tem problema algum – com uma roupagem totalmente diferente. É a descaracterização do vampiro, e também do lobisomem. O sucesso do filme se explica porque foi baseado numa fórmula muito simples: que garota não gostaria de ser galanteada por um bonitão que “voa”? Ora, eu, sem medo de errar, gostaria de estar no lugar do Edward Cullen, o protagonista. Calma, ainda não mencionei algumas coisas estranhas no filme. Em uma cena de fuga os vampiros pisam fundo no acelerador do carro, sendo que em algumas cenas antes é revelado o dom de saltar e correr muito mais que o normal. E além disso, mulher, tem outra coisa: se o Edward é centenário, por que diabos estudar num colégio com adolescentes? Porra, eu com mais de cem anos e com a força da juventude estaria devorando uma biblioteca ou viajando o mundo, não perdendo tempo com uma menininha melosa.
Luke
A saga Crepúsculo serve de exemplo. De exemplo pra coisas ruins. “O Twilight das comédias”, “o filme é quase um Twilight”, “essa sopa tá com gosto de Twilight”. Brincadeiras à parte, Crepúsculo é o tipo de saga que me deixa triste com a juventude, especialmente com as garotas. Correlacionando a crítica do Artilheiro anterior, na qual muitos fãs travam o épico combate Harry Potter vs. Crepúsculo, meu argumento é um só: Harry Potter vendeu (e ainda vende) sem apelar. Consiste na história de três jovens amigos que lutam contra o mal – encarnado na pele de Lord Voldemort. Nada mais. Se existe romance na história, ele só aparece por volta do 5º livro. Twilight, pelo contrário, existe em função de um amor impossível. Um amor fútil. Essa futilidade pode ser observada na fragilidade do próprio casal. E não, senhoras e senhores: Isso não é descobrir o amor. É tratá-lo de uma maneira débil. Mas chega de bater em cachorro morto: o que eu realmente não tolero na saga é a maneira como a mitologia acerca de vampiros é totalmente ignorada, para a criação de um outro universo. Inovações são bem-vindas a todos os universos já criados, este não é o problema. O que realmente pisses me off é criar um universo que não pode ser descrito em outra palavra além de imbecil. Eu podia (e ainda irei, um dia) dissertar sobre o que acabei de falar, mas deixarei vocês apenas com dois exemplos: a criação de vampiros vegan (que não matam humanos e tampouco animaizinhos), o que ignora totalmente o princípio da coisa toda, e um último comentário:
Se voa e brilha, não é vampiro. É vagalume.
Carol
Como o Baranyi sabiamente disse, quando eu vi Twilight (os 4 reais mais mal gastos da minha vida e minutos que eu não conseguirei de volta), meu primeiro pensamento – okay, segundo, logo depois de “alguém me diz que isso não é sério” – foi “alguma menina realmente gosta disso?!” Não preciso dizer que foi só olhar para os lados e ver garotas quase tendo ataques para ver que, sim, gostam. Como mulher, não entendi o que as garotas viram num homem que te faz não existir longe dele, não ter uma opinião e ficar toda “Ai, mas o Edward, mimimi“. Se isso for amor, eu prefiro não amar, sinceramente. E como a Meyer ficou famosa? Fórmula simples: pegue uma geração de garotas inseguras, faça com que a protagonista se sinta como elas se sentem e pronto, você terá identificação. Depois coloque um bonitão qualquer com um topete de 3,8 metros e terá uma fortuna. E como quem faz um cesto faz um cento, é só fazer uma “saga” (palavra muito banalizada atualmente) de um romance chove-e-não-molha que você será conhecida entre todas as mulherzinhas (expressão horrível) inseguras de si que farão votos de só se entregar para homens como o Edward SE decidirem fazer isso porque só o Edward é o Edward. Pense pelo lado positivo, se o livro dela conseguiu ser um sucesso, o seu, caro leitor, pode ser também.
B, c,se Tenholla e Edward vivem rodeados por uma mitologia mágica personificada no cinema por Catherine Hardwicke (ela gosta de causar polemica, dirigiu “Aos Treze”) diretamente do romance de Stephenie Meyer (nem os manuscritos originais da autora prendem a minha leitura, ô textinho bobo!). Na mitologia de Meyer o vampiro, um dos maiores temores do homem da Idade média, é retratado no papel de um herói politicamente correto (que brilha!) vivendo numa casa arejada e tranqüila. Veja você que destruição! E em meio aos escombros o roteiro consegue piorar e decretar a falência (dois coelhos numa cajadada só!) na desprezível relação entre o casal protagonista. Destrói-se em “O Crepúsculo” de Stephenie Meyer, o amor comum quando se apresenta ao leitor um amor utópico, daqueles que fariam Platão vomitar e o que é pior: faz nossas crianças adorarem a obsessão desequilibrada da tal Bella (ou seria propositalmente a história amorosa frustrada de Meyer?) ao invés do sentimento respeitoso e liberal. Mas o roteiro é só mais uma outra tentativa da autora e da diretora (ambas fracas) de construir uma boa obra na carreira, mas é claro que, do ponto de vista cultural torna-se um fiasco (perigoso às crianças).




![michael-sheen_6[1]](http://www.artilhariacultural.com/wp-content/uploads/2010/08/michael-sheen_61.jpg)



