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Posts Tagged ‘Chico Buarque’

Descontaço na compra da coleção Chico Buarque da Abril!

Os leitores do Artilharia Cultural foram contemplados com um presentaço da Editora Abril! Fechamos uma parceria e, em função disso, quem comprar o box completo pelo AC receberá 20% de desconto (no site, eles oferecem 15%), o que totaliza quase 60 reais a mais no seu bolso. Estive pessoalmente no prédio da Abril, vi cada CD e cada encarte para falar para vocês que realmente vale o preço. É uma coleção digna de se deixar à mostra na estante para causar invejinha. Abaixo, as informações do release da Abril:

A Abril Coleções apresenta a Coleção Chico Buarque, que reúne os 20 CDs mais representativos de sua carreira. Cada disco vem acompanhado de um livreto que reconta a vida e obra de um dos maiores compositores da MPB. Todos os livros-CD trazem as reproduções das capas originais dos LPs. E, nas 44 páginas do livreto, o leitor fica sabendo da história por trás de cada faixa, entende o contexto histórico em que o disco foi composto e descobre detalhes  saborosos da vida de Chico Buarque. Além disso, intérpretes, músicos e parceiros, como Caetano, Toquinho, Francis Hime e Miúcha relatam, com exclusividade, episódios de sua convivência com o compositor.

A importância da coleção, um documento histórico imperdível para quem aprecia a boa música, justifica sua qualidade e seu acabamento. Todos os livros-CD têm capa dura e papel nobre. E um lindo box exclusivo pode ser comprado nas bancas para guardar a coleção. Para o assinante, a caixa vai grátis com o volume 1.

Os CDs

1 Chico Buarque | 1978
2 Construção | 1971
3 Meus caros amigos | 1976
4 Chico Buarque de Hollanda | 1966
5 Chico Buarque de Hollanda vol. 2 | 1967
6 Chico Buarque de Hollanda vol. 3 | 1968
7 Paratodos | 1993
8 Sinal fechado | 1974
9 Vida | 1980
10 Almanaque | 1981
11 Chico Buarque | 1984
12 Calabar | 1973
13 Chico Buarque | 1989
14 Ao vivo Paris – Le Zenith | 1990
15 Uma palavra | 1995
16 As cidades | 1998
17 Chico Buarque da Mangueira | 1997
18 Carioca | 2006
19 Francisco | 1987
20 Per un pugno di samba | 1970

Se ainda assim você não ficou feliz em pagar R$232 (em até 5x) por todos os CDs e mais a caixa, sugiro que você participe do concurso cultural: você grava um vídeo de até um minuto relatando uma experiência de sua vida que possa ser conectada às músicas do Chico. Dois felizardos serão presenteados com a CAIXA INTEIRA. Pra comprar, clica ali no banner. Fácil fácil.

Mais informações: www.colecaochico.com.br e @abrilcolecoes

Coleção Chico Buarque nas bancas em agosto!

Compre a coleção pelo site com 20% de desconto!

Nos mesmos moldes da coleção de Bossa Nova e de Raízes da MPB, a Abril lançará dia 27 de agosto uma coleção do Chico Buarque, um dos patronos do Artilharia. Serão 20 livros-CD, que reproduzirão os encartes originais dos LPs. Ao que parece, alguns volumes trarão o conteúdo integral do disco (como é o caso do primeiro volume,  retratando o álbum de 1978) e outros serão coletâneas.

Para o consumidor não ficar em clima de “quero comprar mas é só mais do mesmo”, os livretos trarão histórias inéditas contadas por Miúcha, Caetano, Francis Hime e Toquinho, entre outros parceiros musicais.

Preparem os bolsos, porque o projeto está bonito. O primeiro volume sai por R$7,90, mas vai passando a vaselina que os próximos serão vendidos a R$14,90. Comprando semanalmente nas bancas, você gastará um total de R$291 – ouch! -, mas se comprar a coleção completa pelo site, você gastará algo em torno de R$247.

E fiquem atentos porque está rolando, também, uma promoção. Vejam: www.colecaochico.com.br

Já está anunciada, também, uma coleção do Tim Maia. É você, ouvinte da MPB, ficando pobre em prol da boa música.

Destruindo 10 mentiras sobre Chico Buarque

Aqui estou de novo para falar novamente sobre Chico Buarque – eu avisei, eu avisei. Como estou à frente de sua maior comunidade no orkut há alguns anos, vejo por lá muita gente falando besteira, passando adiante informações falsas tidas como verdadeiras, e poucas coisas me irritam tanto quanto o trânsito livre das mentiras. Algumas pérolas foram criadas por ignorância, falta de informação. Outras, no entanto, foram tiradas não sei de qual buraco para difamar. O que quero fazer aqui, então, é simples: mostrar dez mentiras que circulam pelo universo buarqueano e logo em seguida jogá-las nos confins de onde saíram para que você não pense, nem por um momento, que são verídicas. Vamos lá.

1. Chico Buarque não é tímido

Por começar muito sem jeito, com aquela imagem de bom moço, criou-se esse mito de que ele é tímido. Chico é uma pessoa extremamente humorada e vive fazendo traquinagens e malandragens – essas brincadeirinhas que não prejudicam ninguém. Por exemplo, no exterior, aproveitava-se de seu anonimato para apresentar-se sempre como jogador da seleção brasileira. Num hotel do interior paulista, decidiu registrar-se como sul-africano. A moça da recepção não acreditou, e para convencê-la, ele começou a falar um dialeto exótico inventado na hora. Uma vez, disfarçou-se de motoboy para entregar flores a uma amiga aniversariante. Não foi descoberto e recebeu gorjeta. Em 1967, Chico aproveitou uma temporada que Caetano Veloso passou fora para espalhar o boato de que ele havia ficado doido. Quase chorando, repetiu a Toquinho as palavras que o amigo teria dito à irmã Maria Bethânia quando esta fora o vistar no hospício: “sai, carcará!”. E em 1985, uma comitiva de 80 brasileiros ficaria hospedada aos pares num hotel de Cuba. Chico disse que se chamava Nélida Piñon, escritora que desistiu da viagem junto com seu par, e assim conseguiu um quarto só para ele.

Enfim, falei bastante sobre esse fato porque é a mentira mais dita por aí. Essa imagem de tímido convém ao Chico: assim ele consegue se esquivar de inúmeros convites indesejáveis, por exemplo. E só para ilustrar melhor, um vídeo de 30 segund0s:

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2. A inspiração de Chico Buarque não acabou com o fim da ditadura militar

É um erro gravíssimo dizer que a inspiração de Chico acabou junto com a ditadura. Seus discos mais recentes, como “As Cidades” e “Paratodos” estão marcados por canções lindíssimas, muito bem trabalhadas. As pessoas costumam dizer que os clássicos de Chico são quase todos da época da ditadura, e, bem, isso é verdade. Mas vamos considerar que ele era mais novo, a música fervilhava mais em seu corpo e ao seu redor, pois ver gente compondo é um grande estímulo para compor também. As pessoas não entendem que ao longo do tempo é natural e saudável que se mudem as temáticas das músicas, e tudo influencia nesse processo: experiência de vida, ambiente, sociedade. Pense por exemplo, que se você acaba de ter um filho, sua criação pode girar ao redor disso, mas depois o filho cresce e você procura outra coisa. É ridículo cobrar de alguém que se estanque no tempo e que escreva sobre as mesmas coisas que todo mundo já escreveu.

Nem tinha pensado nisso...

3. Chico Buarque não é autor de “Solidão”

Este poema que circula pela internet porcamente digitado no paint com a foto do Chico tomando um cafezinho, saiba, não é do Chico. Se você é um admirador de sua obra, imagino que dentro de você deva ter nascido a chama da dúvida ao ler “Solidão”. Se você achou que realmente era dele e encaminhou a corrente para mais uma caralhada de e-mails, pode ir trocar seus discos num sebo (quem sabe por uma Barsa), porque você ouviu todas essas músicas mas não entendeu ainda como o jogo funciona. Chico não faz poemas, ele faz música (fez um, em 1966, para não mentir). Chico jamais usaria esta construção de palavras e nem soaria tão cafona assim. O poema, na verdade, é de Fátima Irene Pinto. Veja:

Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo… Isto é carência!

Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar… Isto é saudade!

Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes para realinhar os pensamentos… Isto é equilíbrio!

Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente… Isto é um princípio da natureza!

Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado… Isto e circunstância!

Solidão é muito mais do que isto…

Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma.

4. Chico Buarque nunca foi exilado

Existe um mito que diz que Chico foi um dos artistas que mais sofreu durante a ditadura militar brasileira. Eu não concordo, e combato essa idéia sempre que tenho a oportunidade. Por exemplo, Chico nunca foi exilado. O que ele viveu na Itália foi um auto-exílio: em 1969 já tinha eventos marcados pela Europa e vendo que a situação no Brasil não ia nada bem, resolveu ficar. Já foi ameaçado e intimado a prestar depoimentos, sim, mas jamais foi torturado, nunca apanhou e nota-se que também não sumiu, como muitos outros artistas. Não estou dizendo que Chico não merece essa medalha, mas com certeza ele não seria o patrono do clube da resistência. Ao estudar a música de protesto nessa época ficamos muito presos aos mesmos autores, mas se formos mais afundo conheceremos gente como Geraldo Vandré, Taiguara, Sérgio Sampaio, Torquato Neto etc., esse sim, talvez tenham sofrido um tiquim mais.

Tô chocado

5. Chico Buarque não é autor de tudo que canta

Uma vez, li alguém dizendo que o Chico não cantava música dos outros. Achei aquilo uma besteira, fui pesquisar e encontrei mais ou menos 100 registros de interpretações de Chico para músicas de outros compositores. É verdade que ele não as canta muito por aí, mas ele é também um intérprete. Seu disco de 1974, o “Sinal Fechado”, é composto só de músicas que não são suas – devido à perseguição da Censura. Algumas confusões comuns:

- “Sem compromisso”, que ele sempre junta com “Deixa a menina”, é de Nelson Trigueiro e Geraldo Pereira.

- “Sinal fechado” é do Paulinho da Viola.

- “Copo vazio” é do Gilberto Gil.

- “Festa imodesta” é do Caetano Veloso.

- “Lígia”, embora ele tenha feito alguns versos e aparado alguns parafusos, é do Tom Jobim.

6. Chico Buarque não é filho do Aurélio

Todo mundo já ouviu falar em Aurélio Buarque de Holanda, é só olhar para sua estante de livros que você verá o dicionário que levou seu nome. No entanto, nem todo mundo conseguiu entender que Chico Buarque não é filho nem sobrinho nem neto do Aurélio. Eles são remotamente aparentados, como explica Humberto Werneck em sua reportagem biográfica “Tantas Palavras”, e até que ponto esse parentesco se faz, ainda não consegui descobrir. Já vi fontes dizerem que na verdade o Aurélio casou-se com uma Buarque de Holanda e tomou o sobrenome para si, para embarcar na fama do historiador Sérgio Buarque de Holanda (esse sim, pai do Chico). Não sei se isso procede, nem se cronologicamente faz sentido, mas é uma explicação curiosa.

7. Chico Buarque não tem orkut, twitter, myspace etc.

Já falei que é tudo fake, porra!

Essa mentira seria fácil de ser quebrada não fosse o homem tão amigo assim da ignorância e da inocência. Eu sei que a mulherada gostaria muito de ter o Chico no orkut, mas, gente, ele não tem orkut. Nem twitter, nem myspace. Em suma, ele não participa de nenhuma rede social e por isso não se engane achando que o Chico Buarque te respondeu no twitter, porque não é ele e nem sua equipe. Na verdade, ele mal sabe mexer no computador. Eis a prova:

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8. Chico Buarque não é parente de Eduardo Campos

Essa é mais para os nordestinos. Mais especificamente ainda para os pernambucanos. O atual governador de Pernambuco, Eduardo Campos, não tem nenhum parentesco com o Chico, apesar de dezenas de pessoas dizerem que ele é filho do compositor – talvez pela semelhança da cor dos olhos. O mito está tão difundido que eu já ouvi várias versões que explicam o filho perdido de Chico. A mais interessante é a que durante a ditadura, ele foi se refugiar em Recife, pulou a cerca e nasceu o dito cujo. Seja lá qual for a versão que um dia aparecer em sua frente, chute-a sem dó porque é mentira – melhor seria chutar a pessoa quem falou uma merda dessas, mas evite confusões.

9. Chico Buarque não é deus. Ele tem parceiros – e muitos!

De todos os problemas aqui listados, o que mais me irrita é o fato de que as pessoas supervalorizam Chico e simplesmente excluem seus parceiros. A letra de Beatriz, por exemplo, é sim lindíssima, mas é necessário entender que aquelas palavras que estão ali são submissas aos acordes que o Edu Lobo fez. A letra é como se fosse água, ela irá se adaptar conforme o recipiente – no caso, a música. Sendo a melodia o guia das palavras, é de me contorcer o intestino quando vejo mestres como Edu, Francis Hime, Tom Jobim, Toquinho etc. serem jogados fora. E ainda poderia abordar parceiros de texto, como Augusto Boal, Ruy Guerra e Paulo Pontes, mas não vou aumentar ainda mais esse desabafo, uma vez que a idéia de que seus parceiros são fundamentais já está clara. E se quiserem uma dica, pesquisem sobre esses parceiros, porque se é parceiro do Chico, é bom – faria uma exceção pessoal ao Ivan Lins, mas deixa pra lá.

10. É de Hollanda, com l duplo

Chico Buarque de Hollanda, com dois Ls. Essa, na verdade, foi só pra fazer a lista ficar com dez porque gosto de números redondos, mas não deixa de ser um erro comum propagado por aí.

VALEU! Tô até aliviado.

Espero ter conseguido algum progresso com esse post. Bota aí nos comentários suas sugestões e suas críticas, se ainda assim você achar que uma dessas informações contestadas são realmente verídicas – vai saber, né, tem cada louco por aí. E Chico, depois você deposita na minha conta, conforme o combinado.

Por trás da música – Sabiá

O ano era o emblemático 1968. O Brasil vivia a parte mais darkside e underground de sua ditadura militar. A música popular, a chamada MPB, estava em alta, e os seus festivais eram a grande atração geral. Seus festivais eram disputadíssimos, e justamente num deles é que se passa a história dessa música – a minha preferida entre todas desse mundo, diga-se de passagem.

Sabiá

Compositores: Chico Buarque e Tom Jobim

Intérprete: Chico Buarque

Ano: 1968

Disco: Coletânea Não vai passar vol. 4

Sabiá, na verdade, já existia fazia um tempo. Tom Jobim a tinha composto no piano, instrumental mesmo, e num primeiro momento foi batizada de “Gávea”. Depois, foi conhecer Chico Buarque quando seu amigo Aloísio de Oliveira os apresentou, num encontro do apartamento do maestro. Chico, ainda tímido, mostrou o seu “Pedro pedreiro”, e Tom gostou. Os dois se aproximaram e assim começou a parceria. Primeiro com “Retrato em branco e preto”, depois com “Pois é”, e, finalmente, “Sabiá”. Inscreveram a canção no III Festival Internacional da Canção, promovido pela ainda novata Rede Globo. Chico, descrente de uma possível aprovação, até porque a música realmente não tem clima de festival, foi viajar para o exterior.

Foram defender a música as meninas Cynara e Cybele, ambas do Quarteto em Cy. Como o festival era internacional, primeiro havia uma etapa de classificação entre as músicas brasileiras, e daí, as selecionadas iriam concorrer em outra noite com as músicas dos outros países. Essa primeira eliminatória, no Maracanãzinho, Tom enfrentou sozinho, pois Chico ainda estava em Veneza. A rival de “Sabiá” era “Pra não dizer que não falei das flores”, ou simplesmente “Caminhando” (mais fácil, né), de Geraldo Vandré. Sua letra era totalmente panfletária, de rimas fáceis pela pretensão de se tornar um hino de resistência aos militares. E realmente se tornou – era a preferida pelo público, que a entoava a plenos pulmões desafiando os milicos.

Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Para o meu lugar
Foi lá e é ainda lá
Que eu hei de ouvir cantar
Uma sabiá
Cantar uma sabiá

Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Vou deitar à sombra
De uma palmeira
Que já não há
Colher a flor
Que já não dá
E algum amor
Talvez possa espantar
As noites que eu não queria
E anunciar o dia

Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Não vai ser em vão
Que fiz tantos planos
De me enganar
Como fiz enganos
De me encontrar
Como fiz estradas
De me perder
Fiz de tudo e nada
De te esquecer

Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Para o meu lugar
Foi lá e é ainda lá
Que eu hei de ouvir cantar
Uma sabiá
Cantar uma sabiá

Debaixo de uma sonoríssima onda de vaias, foi anunciado que “Sabiá” havia vencido a etapa nacional, e, portanto, seria a representante brasileira na outra fase do festival. Há quem diga que os militares não permitiram que a música de Vandré vencesse, prevendo uma possível euforia entre a oposição. Não se sabe se é verdade, mas de um jeito ou do outro, Tom Jobim, enquanto dirigia de volta para sua casa, chegou a encostar o carro para chorar. A vaia tinha sido mais forte que a que soterrou Caetano Veloso com a sua “É proibido proibir”, algumas semanas antes. Depois, Tom enviou a Chico um telegrama, que foi interpretado como uma brincadeira – típica do parceiro.

(clique para ampliar)

Chico regressou a tempo de pegar a finalíssima do FIC, e os dois autores foram representar sua música, dando uma força para Cynara e Cybele. Esta última etapa, “Sabiá” também venceu – mas não mais abafada por tantas vaias, mas ainda assim por diversas críticas. Alegavam que era uma composição fora do contexto social da época, até alienada. Poucas pessoas viram beleza e, inclusive, crítica ao exílio na música. Ao longo do tempo, ela foi interpretada por diversos artistas, como Elis Regina, Clara Nunes, MPB-4 e até Frank Sinatra, em uma versão em inglês feita por Tom.

Escolhi dois vídeos para ilustrar a postagem. O primeiro foi gravado para um especial da Band, na casa de Tom, com o coro dos parentes e amigos. O segundo é um “antes e depois”, com imagens do festival de 1968 mescladas ao programa “Chico & Caetano”. Gosto mais do primeiro.

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Wilson das Neves está de disco novo

O baterista Wilson das Neves tem uma novidade: aos 74 anos, lança pela MP,B mais um disco, o “Pra gente fazer mais um samba“. É o seu terceiro disco como cantor e compositor. Depois de “O som sagrado de Wilson das Neves” e “Brasão de Orfeu“, este terceiro disco é um selo que confirma que o samba é de fato o seu dom. No repertório, parcerias com Paulo César Pinheiro, Nei Lopes, Arlindo Cruz, entre outros bambas.

Além de seu trabalho solo, ele é integrante da Orquestra Imperial, juntamente com Rodrigo Amarante, Thalma de Freitas e outros jovens músicos. E, é claro, só pra fazer sua cabeça um pouquinho mais, não poderia deixar de falar que ele já tocou com mais de 600 artistas, entre eles, Tom Jobim, Elis Regina, Roberto Carlos, Wilson Simonal, Elza Soares, e, atualmente, Chico Buarque. Pode procurar nos vinis que você tem aí, seu nome estará com certeza em alguns créditos.

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Leia o encarte escrito pelo amigo e parceiro Chico Buarque:

“São vinte e cinco anos de amizade, depois de outros tantos de admiração à distância. Eu conhecia Wilson das Neves dos discos, reconhecia de cara a sua batida, vez por outra o peruava através do vidro dos estúdios de gravação. Hoje não subo ao palco sem ele. Camarim dos músicos, sem o Das Neves, não é camarim. Ele é o pulso da banda, termômetro, técnico do time, rei da anedota e pajé.

Este disco nos traz de volta o grande melodista que é Wilson das Neves. Escutei-o seguidamente com deleite, com um sorriso, com um ciúme danado dos seus parceiros. Aí está ele com sua graça, com a ginga que é só dele, com essa voz que deve ser a voz rouca das ruas, eis aí Wilson das Neves cantando versos prenhes de sabedoria popular.

A bênção, Das Neves. Ô sorte!”

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Pra gente fazer mais um samba

Artista: Wilson das Neves

Ano: 2010

Gravadora: MP,B / Universal Music

Por trás da música – Chega de mágoa

Em 1985, enquanto a Ditadura Militar estava capengando, o Nordeste sofreu um grande problema em relação à chuva. Mas não porque faltou, pelo contrário: a região foi inundada, varrida por grandes enchentes que deixaram milhares de desabrigados. Uma turma musical, ainda muito unido pelo espírito da Diretas Já, juntou seus vocais para gravar um LP com duas músicas. De um lado, “Chega de mágoa”, e de outro, “Seca d’água”. Espelhados no “USA for Africa”, o projeto do We are the world, todo o dinheiro arrecadado com as vendas do compacto seria destinado às vítimas nordestinas.

Chega de mágoa

Compositores: Vários

Intérprete: Vários

Ano: 1985

Disco: Nordeste Já

A música, quem fez, foi Gilberto Gil. A letra teve participação do próprio Gil, do Chico Buarque, Milton Nascimento, Fagner e Erasmo Carlos, mas decidiram que seria divulgado como “criação coletiva”. Ao todo participaram 155 músicos, entre cantores e instrumentistas, em três sessões de gravação na Barra da Tijuca. Os arranjos e a regência ficaram por conta de Dori Caymmi, filho ilustre do mestre Dorival. A Caixa Econômica patrocinou a tiragem inicial de 500 discos.

Sem muitos problemas, pois todos decidiram que os destaques da gravação deveria ficar com os nomes mais populares do momento, foram escalados Tom Jobim, Rita Lee, Milton Nascimento, Gal Costa, Djavan, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Fagner, Elba Ramalho, Gonzaguinha, Caetano Veloso, Simone, Chico Buarque, Fafá de Belém, Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Elizeth Cardoso, Paula Toller do Kid Abelha, Roger do Ultraje a Rigor e Tim Maia.

Veja o clipe:

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A introdução, feita por Milton e o piano do maestro soberano Tom Jobim, é, na verdade, palavras de Tancredo Neves, num discurso otimista que anunciava o fim da ditadura. Depois, entram o coro e os artistas já citados aqui. Interessante dizer que a Elizeth Cardoso foi escalada para representar a velha guarda, enquanto a dupla Paula & Roger representava a nova geração musical brazuca. Apesar de ser talvez o maior encontro da música popular brasileira, não deu muito certo. A crítica dizia que as vozes estavam muito desencontradas, o que dificultava no entendimento da letra. E também não pegou muito no povão, tanto é que uma música desse naipe não era para estar esquecida.

“Nós não vamos nos dispersar
Juntos, é tão bom saber
Que passado o tormento
Será nosso esse chão”
Água, dona da vida
Ouve essa prece tão comovida
Chega, brinca na fonte
Desce do monte, vem como amiga
Te quero água de beber
Um copo d’água
Marola mansa da maré
Mulher amada
Te quero orvalho toda manhã
Terra, olha essa terra
Raça valente, gente sofrida
Chama, tem que ter feira
Tem que ter festa, vamos pra vida
Te quero terra pra plantar
Te quero verde
Te quero casa pra morar
Te quero rede
Depois da chuva o Sol da manhã
Chega de mágoa
Chega de tanto penar
Canto e o nosso canto
Joga no tempo uma semente
Gente, olha essa gente
Olha essa gente, olha essa gente
Te quero água de beber
Um copo d’água
Marola mansa da maré
Mulher amada
Te quero terra pra plantar
Te quero verde, hum
Te quero casa pra morar
Te quero rede
Depois da chuva o Sol da manhã
Canto e o nosso canto
Joga no tempo uma semente
Gente (quero te ver crescer bonita)
Olha essa gente (quero te ver crescer feliz)
Olha essa gente (olha essa terra, olha essa gente)
Olha essa gente (Gente pra ser feliz, feliz)
Te quero água de beber
Um copo d’água
Marola mansa da maré
Mulher amada
Te quero terra pra plantar
Te quero verde
Te quero casa pra morar
Te quero rede
Depois da chuva o Sol da manhã
Chega de mágoa
Chega de tanto penar
Chega de mágoa
Chega de tanto penar

Nelson Motta conta em sua biografia do Tim Maia, que este ofereceu bebida e drogas pra turma no estúdio. Elizeth Cardoso ficou incomodada e recusou: “Tirem esse elefante daqui!”.

É interessante, pra quem gosta, assistir ao clipe e ir tentando reconhecer os artistas. No entanto, segue a lista completa de pessoas envolvidas no projeto e me diz se é pouca bosta:

Aizik, Alceu, Alceu Valença, Alcione, Alves, Amelinha, Antônio Carlos, Aquiles (MPB-4), Baby Consuelo, Bebeto, Belchior, Beth Carvalho, Bussler, Caetano Veloso, Camarão, Carlinhos Vergueiro, Carlão, Celso Fonseca, Charlot, Chico Buarque, Cláudio Nucci, Cristina, Cristovam Bastos, Dadi, Daltro de Almeida, Dinorah (as gatas), Dorinha Tapajós, Dori Caymmi, Ednardo, Edu, Edu Lobo, Eduardo Dusek, Elba Ramalho, Elifas Andreato, Elisete Cardoso, Elza Soares, Emilinha Borba, Eunydice, Erasmo Carlos, Fafá de Belém, Faini, Fátima Guedes, Fernando Brant, Gal Costa, George Israel, Geraldo Azevedo, Gereba, Gilberto Gil, Golden Boys, Gonzaguinha, Guilherme Arantes, Ivan Lins, Jamil, Jacques Morelembaum, Joana, João Mário Linhares, João do Vale, José Luiz, Joyce, Kleiton e Kledir, Kid Vinil, Lana, Leoni, Leo Jaime, Lúcio Alves, Luiz Avellar, Luiz Carlos, Luiz Carlos da Vila, Luiz Duarte, Luiz Gonzaga, Luiz Melodia, Lulu Santos, Magro (MPB-4), Malard, Manassés, Maria Bethânia, Marina, Marlene, Martinho da Vila, Marçal, Maurício Tapajós, Mauro Duarte, Mazola, Miguel Denilson, Mirabô, Miltinho (MPB-4), Milton Banana, Milton Nascimento, Milton Araújo, Miúcha, Moraes Moreira, Olívia Byington, Olívia Hime, O Quarteto, Paulinho da Viola, Patativa do Assaré, Paula Toller, Pareschi, Penteado, Perrotta, Perrottão, Pepeu Gomes, Raimundo Fagner, Rafael Rabello, Reinaldo Arias, Ricardo Magno, Rita Lee, Roberto de Carvalho, Roberto Carlos, Roberto Ribeiro, Roberto Teixeira, Rosane Guedes, Roger (Ultraje a Rigor), Rosemary, Rubão, Rui (MPB-4), Sandra de Sá, Sérgio Ricardo, Simone, Sílvio Cézar, Sueli Costa, Stephani, Tânia Alves, Tavito, Teo Lima, Telma, Telma Costa, Terezinha de Jesus, Tim Maia, Tom Jobim, Tunai, Verônica Sabino, Vilma Nascimento, Virgílio, Yura, Wagner Tiso, Walter, Zenilda, Zé da Flauta, Zé Ramalho, Zé Renato, Zizi Possi.

Ufa. Sentiu o time?

Fonte:

Vale tudo – o som e a fúria de Tim Maia (Nelson Motta)

“Essa história está diferente”, contos inspirados em Chico Buarque

Os convidados: dez autores latino-americanos. O desafio: escrever um conto baseado em uma canção de Chico Buarque. O resultado: “Essa história está diferente“, lançamento da Cia. das Letras. Comprei o livro um pouco contrariado, pensando que seria algo puramente comercial. Afinal, Chico está muito na moda, cheio de coletâneas por aí.

Mas antes de mais nada, eu preciso fazer um desabafo. Olha pra essa capa. Olha de novo. Eu fico puto com esses estagiários que querem pagar de moderninhos. Que bosta de capa é essa, meu deus? Pra que cortar as palavras assim no meio, pra que deixar só metade do nome do autor? É o típico cara que usa relógios sem ponteiros, só pode. A diagramação do livro também é péssima, eles usam talvez só 70% da folha, o que implica em um número maior de páginas, o que aumenta o preço final do livro. Mas, deixa pra lá, sigamos em frente.

Agora, sim, vamos aos contos.

Legenda: Autor – Título do conto – Música em que se inspirou (linkada pro YouTube)

Alan Pauls – O direito de ler enquanto se janta sozinho – Ela faz cinema

Conto longo mas bem dinâmico. Não entendi a ligação com a música, mas valeu a leitura. Homem confuso com a adolescência de sua única filha.

André Sant’anna – Lodaçal – Brejo da cruz

Achei interessante a forma que o autor quis narrar o conto, informal e com erros de português, assim como os moleques de rua. Mas abandonei no meio por um excesso de repetição, que olha, vou te contar, cansa. Se fosse há um ano ou dois, eu não abandonaria a leitura, mas já aprendi que há pouco tempo para muitos livros, por isso não tenha medo de pular uma leitura se ela não estiver te agradando – a não ser que você tenha que passar no vestibular.

Cadão Volpato – Carioca – Carioca

Achei muito clichê. Pelo que eu entendi, um homem recebe uma hóspede em sua casa e vai, aos poucos, se interessando por ela. Se não for isso, me perdoem, mas não vale uma releitura para eu entender melhor. Vale dizer que o Cadão é membro daquela banda paulista Fellini. Lembra?

Carola Saavedra – Entrelaces – Mil perdões

Desconhecia a escrita de Carola, me surpreendi com sua técnica para diálogos informais. É um dos destaques do livro. A versão do homem e da mulher para as mesmas cenas, em uma discussão de relacionamento amoroso.

João Gilberto Noll – A calça branca – As vitrines

Li com muita má vontade, porque tenho implicância com o autor. Não gosto. Pra economizar meu tempo de escrita e o seu de leitura, vou resumir: é um conto erótico gay. Tire suas conclusões a partir disso. Se o senhor João Gilberto Noll lesse seus contos em voz alta, talvez evitaria cacofonias-monstro, como essa: “se ele quisesse me ter ao lado do pai para sempre, não se arrependeria”. Falha no engano.

Luis Fernando Verissimo – Feijoada completa – Feijoada completa

O Verissimo é um craque, isso todo mundo sabe. Raríssimas foram as vezes que eu terminei de ler algo do LFV e tenha ficado com cara de putz. Conto ótimo e breve – duas características intrínsecas ao LFV. Uma mulher decide se separar do marido justamente no sábado do futebol e da feijoada.

Mario Bellatin – Os fantasmas do massagista – Construção

Vou tentar te explicar a relação que o conto tem com a música. Vai ser complicado, por isso preste atenção: um homem está numa clínica para pessoas que tiveram algum membro amputado e seu massagista, depois de ser indagado o porquê de ter emagrecido tanto, começa a falar de sua mãe. Ela era uma declamadora (?) que teve sua brilhante carreira encerrada porque não conseguiu declamar Construção. A idéia do conto é ótima: ele joga com as frases assim como a música, que vai alterando as palavras finais de cada verso. Mas é extremamente mal aproveitada numa história horrível. Como disse o Murilo Andrade, quando a gente sente que poderia ter escrito melhor, a história é ruim.

Mia Couto – Olhos nus: olhos – Olhos nos olhos

Pode ter certeza de uma coisa: Mia Couto é um dos maiores nomes da literatura contemporânea mundial. Seu conto revela a insegurança e o medo de um homem que, já num outro relacionamento, precisa ir à casa de sua antiga namorada para buscar suas roupas e seus livros. Mais do que isso, Mia discorre sua abençoada pena sobre o amor romântico. Sensacional.

Rodrigo Fresán – A mulher dos meus sonhos e outros sonhos – Outros sonhos

Também foi meu primeiro contato com o autor. Tem em comum com a música só o tema, o que me pareceu ótimo. Um ensaio poético sobre os sonhos e o sonhar em geral. Definitivamente um dos destaques da coletânea.

Xico Sá – Um corte de cetim – Folhetim

Nada me tira da cabeça que Xico Sá foi o moleque mais punheteiro do Ceará. Como sempre, sua escrita vem acompanhada de termos como “paudurescência”, “rebuceteio”, “sexo”, “sexo”, “sexo” etc. Conto interessante, especialmente se lido em voz alta, muito visual. Um homem zé-mané em conflitos sexuais com uma meretriz.

Músicas de Chico Buarque podem virar série na Globo

Iiiih, não sei não...

De acordo com a coluna da Mônica Bergamo, na Folha, as músicas do Chico Buarque vão servir de base para roteiro de uma série da TV Globo. Pouco se sabe, porque pouco se tem, mas parece que serão quatro músicas utilizadas, a começar por Construção. Manoel Martins é o diretor-geral do projeto. Vamos ver no que vai dar.

Eu, pessoalmente, fico meio cabreiro com essas adaptações. Falando em Chico, e falando em adaptações, em breve devo postar aqui no AC sobre aquele Essa história está diferente, um livro de dez contos baseados em dez músicas do homem – aí vocês vão entender o porquê d’eu ficar meio assim com essas adaptações.

Suprimento Semanal I

Começa hoje mais uma coluna do Artilharia que deve ir ao ar às sextas, o Suprimento Semanal. Como o nome indica, o intuito da coluna é indicar ao leitor um livro, um filme e um disco. A coluna será assinada cada semana por um artilheiro, assim, você poderá ter contato com as obras favoritas dos quatro membros do site. Quatro visões diferentes. Hoje, sobrou pra mim. Vamos lá.

O livro

Budapeste (Chico Buarque)

Eu sei que sou suspeito para falar de Chico Buarque, mas Budapeste é um livro que precisa ser divulgado. O terceiro romance do compositor, lançado em 2004 pela Cia. das Letras, tem como núcleo da trama um ghost-writter. José Costa escreve desde biografias para famosos até discursos para políticos. Por um imprevisto num vôo, acaba parando em Budapeste. Ali, em contato com o idioma húngaro, a mente confusa de José acaba construindo uma vida dupla. Apaixonado pelas palavras e pelos idiomas, a mente confusa de José estabelece uma vida dupla, Brasil-Hungria. Tenho um pouco de vergonha por não conseguir falar muito sobre o livro, mas Budapeste é ímpar para todos que tendem à literatura, seja pela leitura ou pela escrita. Veja um trecho declamado pelo próprio Chico.

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O filme

Os fantasmas se divertem (Tim Burton)

Barbara e Adam estão mortos. No entanto, continuam a habitar sua velha casa, como fantasmas. A vida depois da morte, não se engane, não tem nada de sossego. Há ainda muita burocracia a ser cumprida. O casal, ainda inexperiente na arte de assustar, não consegue expulsar os novos moradores de sua nova casa. Por isso, vão contar com a ajuda de Beetlejuice, um ”bio-exorcista” free-lancer que oferece seus serviços para os recém desencarnados. Para mim, um clássico. Apesar de ser de 1988 e eu já ter assistido dezenas de vezes, ainda rio toda vez que vejo. Com Alec Baldwin, Michael Keaton e Geena Davis.

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O disco

Rock ‘n’ roll (Erasmo Carlos)

Sei que alguns de vocês estão torcendo o nariz: “Erasmo Carlos? Aquele velhote da Jovem Guarda?” Sim, ele mesmo. Alguns artistas passam a vida inteira fazendo a mesma coisa, mas com Erasmo é diferente. Se você foi um dos que pensou que Erasmo ainda é puro iê-iê-iê, reveja seus conceitos. Diferente do Roberto, que estancou no tempo e está há 20 anos fazendo os mesmos shows, com as mesmas músicas e o mesmo terno, o sessentão Erasmo continua produzindo músicas de qualidade, e Rock ‘n’ roll, de 2009, é uma prova disso: um disco formado apenas por inéditas do Tremendão. No repertório, é claro, alguns rocks, odes às mulheres e a participação especialíssima de Leonardo da Vinci (han?). Destaque para: Encontro às escuras, A guitarra é uma mulher, Noite perfeita, Jogo Sujo, Olhar de mangá e Mar Vermelho.

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20 duplas da música brasileira

Comecei tentando escalar dez duplas essenciais à música brasileira. Não consegui. Fui pra quinze. Não deu também. Fechei com vinte. Vinte parcerias bem sucedidas que não podem passar em branco para quem gosta de música. Tentei ser versátil, mas antes de mais nada gostaria de deixar claro alguns pontos: existe, além dessas vinte, inúmeras outras que eu gostaria de incluir aqui – quem sabe numa segunda postagem. Não está em ordem de preferência. E o intuito não é escolher os melhores compositores brasileiros, até porque não sou louco o suficiente para eleger alguns entre tantas feras.

Vou indicar alguns destaques entre as composições das duplas e, para não carregar muito a página, conto com sua astúcia para jogar os nomes que te despertarem curiosidade no YouTube. Vamos lá.

1. Tom Jobim e Vinicius de Moraes

A união entre Tom e Vinicius talvez seja um dos melhores casamentos da MPB. Lamento quando ouço que Tom Jobim e Vinicius de Moraes são compositores de Bossa Nova. Extremamente versáteis, compositores desse naipe não podem ser presos a um movimento musical.

Destaques: Se todos fossem iguais a você. Eu sei que vou te amar. Sem você. Modinha. Insensatez. Água de beber. Eu não existo sem você. Estrada branca. É preciso dizer adeus. A felicidade.

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2. Chico Buarque e Edu Lobo

Chico tem em Edu seu mais constante parceiro, e vice-versa. Juntos, têm mais ou menos quarenta parcerias, todas, com exceção de duas, feitas por encomenda para alguma peça teatral. “O grande circo místico“, “O corsário do rei” e “Cambaio” são algumas peças que levam a trilha sonora assinada pela dupla. É um desses encontros raros, de perfeita simetria entre letra e música. Edu diz que jamais teve que alterar uma de suas notas para que as palavras de Chico se encaixassem melhor.

Destaques: A história de Lily Braun. Choro Bandido. A moça do sonho. Beatriz. Cantiga de acordar. Ciranda da bailarina. Ode aos ratos. Sobre todas as coisas. Valsa brasileira. Veneta.

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3. Noel Rosa e Vadico

Noel Rosa, expoente máximo do samba, e Vadico, pianista, têm um trabalho interessante: juntos, fizeram poucas músicas. Mas extremamente preciosas. Não é por menos que são lembrados como uma das mais felizes parcerias da música brasileira.

Destaques: Conversa de botequim. Cem mil réis. Feitio de oração. Feitiço da Vila. Tarzan, o filho do alfaiate. Provei. Pra que mentir?.

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4. Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira

Luiz Gonzaga, o rei do baião, teve entre seus vários parceiros um que merece ocupar um degrau acima dos demais: Humberto Teixeira. Embora sejam lembrados somente por “Asa branca”, a parceria rendeu outros trabalhos louváveis que valem a pena ser escutados para quem gosta de um ritmo mais nordestino, mais animado.

Destaques: Asa branca. Assum preto. Baião. Baião de dois. Légua tirana. Qui nem jiló. Respeita Januário.

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5. Chico Buarque e Francis Hime

Francis (esquerda) e Chico (direita) se aproximaram muito durante a década de 70. Além de parceiros em composições, Francis atuou como arranjador dos discos de Chico dessa época. Alguns apontam os arranjos de Francis como os melhores da obra de Chico. Juntos, compuseram quase 20 músicas, entre elas estão alguns clássicos da MPB.

Destaques: Vai passar. Meu caro amigo. Pivete. Quadrilha. Trocando em miúdos. Atrás da porta. Passaredo.

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6. Caetano Veloso e Gilberto Gil

Para representar o Tropicalismo aqui na lista, nada mais justo que Caetano e Gil. No fatídico ano de 1968, revolucionaram o cenário cultural brasileiro incorporando elementos estrangeiros, como a guitarra, em suas composições.

Destaques: Divino maravilhoso. Haiti. Panis et circenses. Desde que o samba é samba. Cinema novo. Dada. Batmacumba.

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7. Raul Seixas e Paulo Coelho

Esqueça o que você ouviu falar por aí dos livros do Paulo Coelho. Estamos falando de um letrista que junto de Raul Seixas, compôs várias pérolas do rock brazuca. Muitos dizem que Paulo Coelho se aproveitava do talento e da fama de Raul, mas, independente do que cada um fazia nas composições, as que nasceram desse encontro merecem destaque em nosso cenário musical.

Destaques: Al Capone. As minas do Rei Salomão. Como vovó já dizia. Eu nasci há dez mil anos atrás. Gitá. Medo da chuva. Meu amigo Pedro. Não pare na pista. Rock do diabo. Sociedade alternativa.

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8. Rita Lee e Arnaldo Baptista

Rita e Arnaldo botaram no mundo alguns clássicos imortais. Juntos com Sérgio Dias, formavam os Mutantes, que se desfez, se refez e hoje já não sei mais a quantas anda.

Destaques: Balada do louco. Caminhante noturno. Amor branco e preto. Desculpe, babe. Quem tem medo de brincar de amor?. Sucesso, aqui vou eu. Don Quixote.

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9. Vinicius de Moraes e Baden Powell

Mais uma prova da versatilidade de Vinicius. Com Baden, fez os famosos afro-sambas, claro divisor de águas da MPB por mesclar elementos da música africana com o samba carioca.

Destaques: Além do amor. Apelo. Berimbau. Canto de Ossanha. Consolação. Deixa. Formosa. Samba da bênção. Samba em prelúdio. Tem dó. Velho amigo.

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10. Erasmo Carlos e Roberto Carlos

Tudo bem que o Roberto Carlos tem uma fase cafona e que muita gente tem aversão. Eu entendo. Mas e daí? É inegável que junto a Erasmo Carlos tenha composto músicas boas. E se você acha que o Erasmo é uma figura lado B que utilizou da fama do Roberto, sinto muito. É um excelente compositor que pretendo explorar mais em outro artigo. Caiamos no iêiêiê.

Destaques: A banda dos contentes. Além do horizonte. Amigo. Cama e mesa. Coqueiro verde. De tanto amor. Debaixo dos caracóis dos seus cabelos. Detalhes. É proibido fumar. Emoções. Eu sou terrível. Fera ferida. Festa de arromba. Ilegal, imoral ou engorda. Lady Laura. Minha fama de mau. Olha. Traumas.

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11. Moraes Moreira e Luiz Galvão

Luiz Galvão (esquerda) e Moraes Moreira (direita) são os responsáveis pelas melhores composições do finado grupo Novos Baianos. Se você nunca ouviu, vai por mim: surpreenda-se.

Destaques: A menina dança. Acabou chorare. Dê um rolê. Mistério do planeta. Preta pretinha. Três letrinhas. Um bilhete para Didi.

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12. Paulo César Pinheiro e João Nogueira

Vejo em Paulo César Pinheiro um dos três melhores compositores vivos do Brasil. Entre todos os seus parceiros, escolhi o trabalho com João Nogueira porque é louvável, representa para mim músicas importantes na formação da visão do mundo de uma pessoa.

Destaques: Espelho. Minha missão. Dora das 7 portas. O poder da criação. O homem dos quarenta. E lá vou eu. Batendo a porta. Mineira.

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13. João Bosco e Aldir Blanc

Um mestre do violão e um gênio das palavras. Juntos, só pode dar coisa boa. O trabalho de João Bosco com Aldir Blanc é vastíssimo e representou uma das principais vozes dos angustiados com a ditadura brasileira.

Destaques: Agnus sei. Bala com bala. Corsário. De frente pro crime. Dois pra lá, dois pra cá. Escadas da penha. Falso brilhante. Gênesis (parto). Incompatibilidade de gênios. O bêbado e a equilibrista. O ronco da cuíca. O mestre-sala dos mares. Preta-Porter De Tafetá. Tiro de misericórdia.

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14. Vinicius de Moraes e Toquinho

Talvez uma das duplas que mais geraram descendentes. Toquinho teve em Vinicius seu grande parceiro e mentor. Além das composições próprias, musicou inúmeros poemas de Vinicius. Entre todos os trabalhos que fizeram juntos,  merecem destaque, entre outros, as músicas infantis d”A Arca de Noé“, que embalaram várias gerações de brasileiros.

Destaques: A carta que não foi mandada. A tonga da mironga do kabuletê. Aquarela. As cores de Abril. Carta ao Tom 74. Como é duro trabalhar. Como dizia o poeta. Cotidiano n° 2. O canto de Oxum.  O filho que eu quero ter. O poeta aprendiz. Paiol de pólvora. Para viver um grande amor. São demais os perigos dessa vida. Se ela quisesse. Sei lá, a vida tem sempre razão. Sem medo. Tarde em Itapoã. Tudo na mais santa paz. Um homem chamado Alfredo.

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15. Ronaldo Bôscoli e Roberto Menescal


Dois dos mais ilustres filhos da Bossa Nova, é impossível deixá-los de lado. Não existe tributo à Bossa que não relembre alguns clássicos frutos de Ronaldo Bôscoli e Roberto Menescal.

Destaques: O barquinho. Carta ao mar. Copacabana de sempre. Errinho à toa. Nós e o mar. Por quem morreu de amor. Rio. Vê. Você.

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16. Milton Nascimento e Fernando Brant

Representando a turma do Clube da Esquina, Fernando Brant e Milton Nascimento criaram belíssimas composições profundas, com temáticas variadas: a vida, o artista, a reflexão, a preocupação com o social. Têm uma vasta lista de parcerias altamente recomendável.

Destaques: Canção da América. Canções e momentos. Comunhão. Encontros e despedidas. Maria Maria. Milagre dos peixes. Ponta de areia. San Vicente. Sentinela. Travessia.

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17. Cazuza e Frejat

Tá angustiado com o sistema e quer mandar tudo pros ares? Está aqui a dupla que te servirá de trilha sonora. As composições de Frejat e Cazuza são extremamente atuais, servindo ainda hoje como um grito de alerta. Quem acha que rebeldia não pode andar junto com o amor e a beleza, basta ouvir algumas músicas desses dois para ficar provado o contrário.

Destaques: Bete Balanço. Blues da piedade. Ideologia. Malandragem. Pro dia nascer feliz. Só as mães são felizes. Subproduto do rock. Todo amor que houver nessa vida.

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18. Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito

O fino do samba. Quer mais o quê? Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito compuseram verdadeiros hinos do samba, revisitados ainda hoje por intérpretes de altíssimo nível. Indispensáveis.

Destaques: Encontro marcado. Folhas secas. Me esquece. Meu caminho. Meu violão. Minha paz. O bem querer. O dia de amanhã. Palco vazio. Pranto de poeta. Tatuagem. Quando eu me chamar saudade.

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19. Chico Buarque e Tom Jobim

Chico é Chico e Tom é Tom. A parceria dos dois começou um pouco por acaso, quando foram apresentados por Aloísio de Oliveira. Chico ainda estava começando e Tom já era uma autoridade musical. Para uma análise mais delicada, é possível ver traços de maior maturidade nas letras de Chico depois que virou parceiro de Tom. Para mim, uma das melhores duplas.

Destaques: Anos dourados. Olha Maria. Retrato em branco e preto. Sabiá. Eu te amo. A violeira. Pois é. Piano na Mangueira. Imagina.

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20. Luiz Tatit e Zé Miguel Wisnik

Os novos expoentes da música urbana, Luiz Tatit e Zé Miguel Wisnik, que também é parceiro de Caetano e de Chico, oferecem composições com um traço modernista, o tempo todo brincando com as palavras e fazendo referências a outras composições.

Destaques: Baião de quatro toques. Mestres cantores. Para Elisa. Serra do mar. Trio de efeitos.

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Fonte: muito veio do Discos do Brasil.

Downloads: acredito que muito do que foi citado por ser encontrado no Umquetenha.