Especial Quentin Tarantino – Pulp Fiction
ATENÇÃO:
Se você nunca assistiu Pulp Fiction, eu aviso: essa resenha contém spoilers e está mais confusa do que ano eleitoral. Se, ainda assim, você optar por ler, sugiro que siga a ordem numérica estipulada abaixo. Isso também serve pra quem não quiser arriscar ler na ordem estipulada no post. Hoje, às 19h00, ocorrerá o sorteio dos dois ingressos para Death Proof. O resultado sairá no twitter do AC.

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O plot? A gente pode resumir isso, né? Afinal de contas, somos todos íntimos de Pulp Fiction. Essa, vale comentar, é a primeira resenha que eu faço sem senso nenhum de ridículo e/ou estética. Estou me imaginando em uma mesa de bar, conversando sobre um dos meus filmes favoritos. E o quão sensacional é pensar que a maleta que rende 2/3 das desgraças que acontecem no filme saiu de Cães de Aluguel? E, melhor ainda… Nós não sabemos o que tem nela. Pessoas especulam que é a alma de Marsellus (o band-aid na nuca dele, um dos pontos mais importantes do corpo, poderiam confirmar isso), enquanto outros, mais céticos, dizem ser apenas diamantes (isso explicaria o reflexo que ela causa, quando aberta).O que importa é que você não vê isso em outro filme. Tá, a Marvel Studios ta fazendo crossovers entre os filmes, mas o ano era 1994, cara. É quase a continuação do filme. E vale lembrar que não é só isso que acontece. Paralelamente, temos a história de Butch (Bruce Willis), boxeador que tinha um acordo com Marsellus, ferra tudo e depois tem que tentar consertar a besteira (com uma Hattori Hanzo) pra não perder a vida. E no meio de tiroteios, diálogos ácidos e inteligentíssimos, nós só teremos uma conexão entre tudo isso perto do fim do filme. Que, na verdade, não é o fim e… ah, dane-se. Vocês entenderam.
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Tarantino tem um talento que poucos diretores tem: ressuscitar atores. John Travolta era o cara do Grease e d’Os Embalos de Sábado à Noite, até aparecer em Pulp Fiction. Samuel L. Jackson não era ninguém. Falem o que falar, pra mim o melhor papel da carreira desses dois é Pulp Fiction. Jackson pode vencer qualquer discussão com aquela barba, e se começar a citar a Bíblia, é porque você perdeu feio. Travolta, então, não precisa fazer muito. Se dançar um pouco e enfiar uma injeção de adrenalina no peito de alguém, já ta de bom tamanho.
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O que dizer de um filme que não tem começo, nem meio, nem fim? Ele não é dividido cronologicamente, como Bastardos Inglórios. Ele também não é “meio bagunçadinho”, como Reservoir Dogs. Pulp Fiction começa pela mesma cena que vai dar o fim ao filme, tem duzentas reviravoltas que não fazem sentido nenhum, e cenas antológicas o suficiente para quebrarem as pernas de qualquer filme que vocês colocarem na roda. Qualquer um. Sério. Eu conheço uma pessoa que não gosta de Tarantino, e a sorte dela é que ela é bonita, porque é meio complicado manter uma amizade com alguém desse tipo.

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Por tudo isso que eu disse e por uma infinidade de motivos, Pulp Fiction pode ser considerado o filme de uma geração. O filme que representou os anos 90, e, principalmente, a grande obra-prima de Quentin Tarantino, que – com esse filme – conseguiu consolidar um estilo de filmagem, de diálogos, de roteirização… Seu próprio estilo, que é impossível de se copiar. Nenhum outro diretor teve tanto carinho com suas influências à ponto de homenageá-las em todos os filmes que realiza. Nenhum diretor teve tanta ousadia em misturar ultraviolência com roteiros inteligentes, não ao dosar as duas, mas criando uma overdose de todas as características que seus filmes carregam. Pulp Fiction é uma injeção de adrenalina direto no seu peito, fazendo efeito por 2 horas e 28 minutos. E, até hoje, é um dos melhores filmes já feitos.
4-6
Referências Tarantinescas. Você não tava esperando que isso fosse organizado como foi em Bastardos Inglórios, né? Estávamos na disciplina militar, lá. Aqui é terra de ninguém. Se você já assistiu Cães de Aluguel, deve ter percebido que Vic Vega, é irmão do personagem de John Travolta (Vincent Vega). E se você acha que Tarantino só deixou essa pista, olhe atentamente a cena em que o porta-malas do carro em que Jules e Vincent levantam o capô do carro, com o morto dentro. Ao lado dele, está o mesmo galão de gasolina usado por Blonde para colocar o policial de Reservoir Dogs em chamas. A ligação com Cães de Aluguel vai mais longe: Steve Buscemi é o garçom fantasiado de Buddy Holly que, quando interpretando Mr. Pink, recusava-se à dar gorjetas para garçonetes. Harvey Keitel tem sua participação em Pulp Fiction, como um enviado de Marsellus Wallace (o chefão da parada toda), para tentar dar um jeito no carro que Vega, ahm… Danificou.
Tá faltando referência, né? Vou fazer melhor do que deixar aqui. Nesse link você vai encontrar uma bíblia sobre Tarantino. Todas as referências legais, as curiosidades… Tudo bacana mesmo sobre o diretor e seus filmes encontra-se aí. Então eu não vou encher esse post com informaçõe sque você mesmo pode buscar; to aqui pra falar do que me dá tesão nesse filme.
E venhamos e convenhamos, algumas cenas são psicologicamente afrodisíacas. Sabe quando você tem um orgasmo mental? Foi isso que eu senti com o diálogo entre Travolta e Thurman na lanchonete.
Mia Wallace: Você não odeia isso?
Vincent: Odeio o que?
Mia: Silêncios desconfortáveis. Por que sentimos que é sempre necessário falar sobre qualquer merda para que possamos nos sentir confortáveis?
Vincent: Não sei. É uma boa pergunta.
Mia: É nessa hora que você sabe que encontrou alguém realmente especial: quando você pode simplesmente fechar a droga da boca por um minuto e, confortavelmente, compartilhar do silêncio.
Ou então a participação de Tarantino, como Jimmie, tendo que ajudar Jules e Vincent a darem um jeito no carro todo manchado de sangue e cérebro. Falando nisso, o quão genial é a cena de Travolta simplesmente explodindo os miolos do cara do banco de trás? Não faz sentido algum, e ao mesmo tempo, é de – com o perdão do trocadilho – explodir cabeças. E, se tudo isso ainda não mexeu com você, eu duvido que você não ficou tenso com a agulhada no peito de Thurman quando ela tem uma overdose de pó.

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Entrar para a história é para poucos. Se você ver um imbecil andando com um capacete do Darth Vader por aí, como se não houvesse amanhã, você reconhecerá o personagem. Saberá, ao menos, de onde ele veio.
E agora eu tomo alguns segundos do caro leitor para perguntar: você sabia que na França, o Quarteirão com Queijo não é chamado assim? Porque lá eles não usam o sistema métrico, e tal. O lanche é entitulado Royale with Cheese. Cara, você pode pedir uma cerveja em um Mc Donalds na França. Já o Big Mac é simplesmente Le Big Mac.
É referência o suficiente pra você? E se eu citar Ezekiel 25:17? Ou, talvez, a música You Never Can Tell, de Chuck Berry? Talvez se eu dançar um pouco de twist?
Eu já discuti com vários de fãs de Tarantino sobre minha preferência por Cães de Aluguel… Mas, quando você assiste com atenção o suficiente, quando você para pra olhar… Pulp Fiction é uma obra prima. Pulp Fiction é o tipo de filme que tem seu próprio gênero. E esse gênero é bad motherfucker.

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Como eu havia dito alguns posts atrás, aliás, Tarantino é mestre em matar personagens badass da maneira mais caricata possível. E como você já assistiu o filme – se não tivesse assistido, não chegaria até aqui -, você deve se lembrar da morte de Vincent. Pô, cara, o Butch mata o cara porque se assustou com uma torradeira. Ele descarrega uma sub-metralhadora num cara que acabou de sair do banheiro. E quando você pensa que o cara da loja de armas vai ligar pra polícia, o desgraçado é um maníaco sexual que decide estuprar Marsellus.


acredito que não devo ser eu, mas alguém me chamou de bonito no meio do texto. tb te acho um gato ;)
Tarantino simplesmente rocks. Nem tem o que falar. Mas.. ver esse post me fez lembrar de outro cara que arrebentou.. em Pulp Fiction.. que foi o Travolta! Putz.. A cena dele atirando e estourando a cabeça de um maluco sem querer, dentro de um carro, por causa de um solavanco, foi muito engraçada! Inesquecível.. haha.
Cara, esse formato de resenha, para quem viu o filme, tá genial. E você falou que eu não ia gostar.
Caramba Lucas, esse texto tá muito lindo. Eu sou fanático por Tarantino (o Lucas sabe disso) e Pulp Fiction é um dos melhores filmes que eu já vi na vida. Tenho que confessar que sempre rio (sempre é sempre mesmo, não é exagero) na cena que o Vincent explode a cabeça do cara no carro. Só acho que você esqueceu de falar de um dos personagens mais badass do filme que não é um dos principais, o Wolf (o cara que ajuda a consertar toda a besteira que o Travolta e o Samuel fazem).
Epico! Esse e um dos filmes mais fodas feitos por maos humanas. Vale citar o curta do Selton Melo e do Seu Jorge, o Tarantino’s Mind, que fala sobre a ligacao dos filmes do Tarantino. É so procurar no Youtube :P