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Let’s Dance to Joy Division

Artilheiro Colaborador: Matt Idioteque

Sufocante.  Se o Joy Division precisasse ser definido em uma única palavra, certamente seria essa (favor ignorar o trocadilho com a morte do vocalista Ian Curtis, que se enforcou).

Com forte influência do punk rock (Ian Curtis conheceu os membros da banda em um show dos Sex Pistols) e da corrente do rock britânico no final dos anos 70, o Joy Division surgiu de um encontro entre os talentosos (há quem discorde disso) Bernard Sumner, Peter Hook, Stephen Morris e o louco e problemático Ian Curtis, formando assim a maior banda proveniente de Manchester (palavras de um fã de Oasis e Smiths).

Ian Curtis

Falar de Ian Curtis em um parágrafo seria praticamente impossível e um texto seria pouco para descrever seu estilo. Sombrio, depressivo e com uma doença que marcaria especialmente a sua carreira (a epilepsia), Curtis, que tinha 20 anos no inicio da banda, deixou seu nome na história da música com suas canções que abordavam temas decorrentes em sua vida, como o sofrimento, as dores emocionais e a epilepsia.

No palco, desenvolveu seu próprio modo de se apresentar quase que involuntariamente: as fortes luzes sempre presentes nos shows e a música provocavam ataques de epilepsia enquanto ele cantava, provocando um efeito hipnotizador nele e em seu público.

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Após 4 anos de banda, com o fim de seu casamento e sem suportar mais sua doença, Ian cometeu suicídio, no dia 18 de maio de 1980, deixando assim um legado que durou (e ainda dura) décadas.

A música

Devido à morte precoce de seu vocalista, o Joy Division só teve 2 álbuns oficiais lançados:  Unknown Pleasure (de 1979), e Closer (álbum póstumo, de 1980). Mais algumas compilações com músicas inéditas em seus álbuns, incluindo Love Will Tear Us Apart, seu maior sucesso, foram lançadas após o fim da banda.

Unknown Pleasures

Em 1979, a banda lançou seu primeiro álbum, Unknown Pleasures, onde a banda mostrou todo seu potencial, com suas letras angustiantes e seu ritmo . Até hoje, ele é considerado um dos melhores álbuns de estreia.

O lado A começa com Disorder, uma música que, nos primeiros segundos, marca a batida que consagrou a banda. Logo depois vem Days of the Lords, canção que carrega um peso maior e que causa uma sensação de angústia típica do Joy Division.
O disco continua nesse ritmo, até chegar o lado B onde, a meu ver, estão 2 das melhores músicas da banda: She’s Lost Control e I Remember Nothing.
A primeira, que fala sobre a epilepsia, é a minha preferida da banda, onde tudo parece estar perfeitamente arrumado com a voz de Curtis; já I Remember Nothing, com um ar sombrio, que chega a provocar um certo medo em quem a ouve, perfeito para terminar o disco, é uma canção que soa diferente do que o Joy Division fazia, e por isso é uma das músicas que mais gosto deles.

Closer

Closer, segundo e último álbum da banda, foi lançado como álbum póstumo, já que Curtis se suicidou dois meses antes do lançamento do mesmo.
Mais animado que o primeiro disco, ele mostra uma evolução musical muito grande dos membros da banda, ao mesmo tempo que as letras e os vocais mostravam um Ian Curtis mais depressivo, condição que acabaria levando-o ao, já citado, suicídio.

Esse disco tem músicas menos expressivas do que seu antecessor, mas entre as que se destacam posso citar: Twenty Four Hours, Isolation e The Eternal.

Singles e Compilações

Muitas músicas do Joy Division não foram lançadas em álbum, mas em singles e em algumas compilações.

Love Will Tear Us Apart, o hit mais conhecido, é a obra máxima da banda, onde Curtis deixa uma mensagem curta e verdadeira, que foi gravada em sua lápide.

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Transmission e Atmosphere, duas músicas que não estão em nenhum disco mas foram single, também merecem uma atenção especial.

O fim da banda e a influência

Após o fim da banda, Sumner, Hook e Morris se juntaram à Phil Cunningham e Gillian Gilbert e criaram o grupo de música eletrônica New Order, que está ativo até hoje.
O Joy Division foi, e é, influência para grandes bandas do cenário alternativo, como Interpol, The Editors, Franz Ferdinand e The Killers (que gravaram um cover de Shadowplay para um de seus álbuns).

Ian Curtis e cia., mesmo com o pouco tempo que tiveram para isso, marcaram seu nome na história por serem como a vida: sombria e depressiva mas ao mesmo tempo alegre. Complexa. Intrigante.
Sufocante.

Para ver: Control, 2007 – Cinebiografia sobre a vida do Ian Curtis
24h Party People, 2002 – Filme que mescla elementos reais e fictícios sobre a Factory Records, gravadora do Joy Division.

Sobre o Artilheiro Colaborador

Mateus Alves é estudante, tem 15 anos (sim, 15!) e é um apaixonado por Radiohead, Elliott Smith e Tarantino. Carioca, futuro estudante de jornalismo e em busca de qualquer coisa que se pareça com música, ele pode sempre ser encontrado no @mattidioteque.

13 Responses to “Let’s Dance to Joy Division”

  • Acho que vale falar também que o Joy Division criou praticamente uma trilogia musical de novas influencias. Depois que banda acabou nasceram o New Order (como está na postagem) e dela proveio o Monaco, todas foram importantes para a criação de um cenário musical mais “eletrônico”, até chegar ao ponto de transformar o pós punk do Joy no Acid House do Monaco.

  • Matt:

    Bem, valeu a todos, e principalmente a Ana, acho que o que mais me ajuda a melhorar escrevendo são as criticas. Sobre a falta das informações que você citou: eu não queria transformar o post numa wikipedia, queria mais passar a minha opinião sobre a banda.

  • ana:

    Texto bom. Porém muito iniciante, você falou muito superficialmente sobre o Joy Division, não falou nada de influências, origem do nome, etc. Que são aspectos interessantes da banda, pra quem realmente conhece e gosta. Aprenda mais coisas sobre a banda e continue escrevendo, assim certamente irá melhorar, até sobre outras coisas da música.

  • Manô:

    Desculpa, eu não consigo demostrar o orgulho que sinto sendo sua namorada, Matt.

  • Chiriko:

    Mió que a wikipedia

  • Leonardo:

    gosto muito de bandas com duração curta, mas intensa. ótimo texto.

  • marcelo (@marcelograva):

    Repetirei aqui o que já falei pro Matt no twitter. A princípio, parabéns! Assim como o Joy Division (segundo o autor do post), cê já tá arrebentando na estreia.

    Em segundo lugar, vou dar uma olhada nessa banda, que antes de hoje eu só ouvia falar no twitter…

    No mais, estamos no aguardo de mais posts! Sucesso para todos :D

  • Texto genial e bem mais interessante que muitos relacionados ao Joy Division por aí.

  • Matt:

    Só uma coisa que eu acabei esquecendo aqui: o video da “epilepsy dance” não é do Curtis, e sim do filme Control.

  • Gosto mais de Beatles. Que, by the way, é melhor que Oasis.

  • Larissa Gould:

    Foda, a escolha da banda e a resenha! 15 anos?!

    Parabens!

  • Kiih:

    caralho, o texto tá bom pra caramba!
    nunca ouvi Joy Division mas pelo que já tinham me falado, tinha essa vibe meio depressiva mesmo. vou baixar algumas músicas depois desse post (e gente, que loucura esses ataques epiléticos no meio do show o_o)

  • @nayaranacks:

    YEEES! vsf Matt, genial esse post. JD (L)!!!

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