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Archive for the ‘Suprimento Semanal’ Category

Suprimento Semanal IX

Cheguei à conclusão, nesta manhã, junto com o Artilheiro Marcel, que o #SS é uma das colunas mais gostosas de fazer. Recebemos alguns elogios de leitores, apreciando as dicas aqui dadas, e é isso que nos dá mais tesão pra continuar escrevendo pra vocês.

Sem enrolar, ‘vambora’!

O livro

Obrigado por Fumar (Christopher Buckley)

Uma das maiores dádivas do cinema é adaptar bons livros. Um dos maiores problemas é descobrirmos só depois de um bom tempo que ótimos filmes são, na verdade, livros melhores ainda.

Até um tempo atrás, não sabia que Obrigado por Fumar era baseado em uma obra homônima da literatura. Depois de garimpar por um sebo virtual, consegui encontrar uma edição (por um preço muito mais baixo do que você vai encontrar em livrarias normais). Ainda não terminei o livro, mas é inevitável citar seu aspecto tão viciante quanto a nicotina o é. Obrigado por Fumar conta a história de Nick Naylor, representante da indústria do tabaco, e tem como missão defender as empresas. Sua maior arma são sua oratória rápida e sua dialética perpiscaz. Várias situações são parecidas com as do filme (como assim você ainda não assistiu?), como a que Nick está num programa de TV ao lado de um menino com câncer, e reverte toda uma situação à seu favor de modo explêndido. A leitura é obrigatória.

O filme

Full Metal Jacket (Stanley Kubrick)

Agora que eu percebi: como cacete eu nunca fiz uma resenha sobre um dos meus filmes de guerra favoritos? Full Metal Jacket (Nascido para Matar no Brasil, graças à inscrição no capacete do personagem principal) retrata o treinamento e a ida de jovens norte-americanos ao Vietnã, na guerra ocorrida no final da década de 50 e que teve fim no meio dos anos 70. Vemos a história pelos olhos de Joker (indiretamente, já que o filme não é narrado por ele), soldado que vai para a guerra como um jornalista-fotógrafo. Dentre as cenas memoráeis na história do cinema (como o suicídio de um dos soldados) e a participação de Lee Ermey (o militar que apresenta aquele famoso programa de armas no History Channel), muitos outros fatores fazem dessa, uma das obras primas de Stanley Kubrick.

O disco

Lullabies to Paralyze (Queens of the Stone Age)

O penúltimo álbum da banda americana, lançado em 2005, seria o meu favorito se todos os álbuns da banda norte-americana não fossem simplesmente deliciosos de ouvir.

Foi com esse álbum que, segundo muitos críticos especializados, a banda conseguiu amadurecer de fato. Algumas canções mais pesadas, e aqui eu abro espaço para recomendar a minha favorita do álbum, I Never Came, carregam uma letra e melodia consideravelmente pesadas. O baixo é quem guia, de forma sombria, a canção. Aliás, apenas pela capa você já consegue perceber o que vem pela frente, né? Menininha sombria do cacete, cara.

Minha dica é: ouça o álbum inteiro, em sua sequência, como deve ser feito. Aposto que não vai se arrepender. O Artilheiro fica por aqui, torcendo para que possa comparecer ao SWU e ver o show ao-vivo da banda.

Suprimento Semanal VIII

Só para que conste, para o artilheiro que vos escreve, este é o dia mais feliz da semana. E o Suprimento Semanal (#SS) é tão precioso para eu que escrevo quanto é pra você que acaba de constar que hoje é sexta-feira.

Larguemos de papo furado e vamos desplugar um pouco dessa máquina chamada semana. Abaixo, um livro, um filme e um disco que vão lhe ocupar e ensinar muito mais que aquele relatório de 234 páginas que você fez.

O livro

A metamorfose – Franz Kafka

Incentivar a leitura é a missão de vida de muitas pessoas. Eu sempre achei que literatura era algo totalmente desvendado depois de ler algumas grandes peças de romance, mas nunca é tarde para virarmos nossa percepção de cabeça para baixo. Até ler Kafta, sabia muito, realmente muito pouco sobre a literatura mundial. O autor alemão é um dos grandes magos da escrita. A Metamorfose, se não é a maior obra do autor, é a que envolve mais elementos da filosofia e de reflexões sobre as concepções profundas do ser. O livro, como todos os grandes romances, pode ter centenas de leituras diferentes pelo seu alto grau metafórico. A história agonizante do caixeiro-viajante que acorda de sonhos intranqüilos na forma de um inseto gigante em sua cama é uma dos maiores clássicos da literatura mundial, e o soldado que não conhece, deveria descobrir o porquê.

O filme

O Labirinto do Fauno

Guillermo Del Toro disseca muitos costumes numa fábula que é, em mesma medida, sombria, enigmática e metafórica. O filme lançado no ano de 2006 conta a história de Ofélia, menina que viaja com sua mãe para a casa de seu padrasto. A partir deste dia, a cada momento, ela se descobre mais e mais envolvida pela fantasia do local. Entre as referências que o longa faz a outras obras cinematográficas estão “A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça”, “O Mágico de Oz” e, obviamente “Alice no País das Maravilhas”. Adianto que o filme é muito mais que um simples entretenimento, se assim for tratado. Del Toro dá vida, de forma muito rica, a todo um mundo de fantasia. Só para lembrar, o filme ainda contou com a participação do talentosíssimo Iñárritu entre os produtores.

O disco

Phoenix – Wolfgang Amadeus Phoenix

Lançado em 2009, o quarto disco da banda francesa Phoenix mistura  synthpop com  rock inglês e é uma ótima pedida para quem gosta do gênero. O soldado ainda vai encontrar letras incomuns onde fica o evidente bom trato que o vocalista Thomas Mars tem para com a poesia. Apesar da naturalidade dos integrantes, as letras são em inglês. Entre as dez canções do disco, as mais notáveis são “Lasso”, “1901″, “Love Like Sunset” (trilha do novo filme dirigido pela namorada de Mars, Sophia Coppola, “Somewhere”) e é claro, o grande sucesso da banda “Lisztomania”.

Veja o trailer de lançamento do filme sob a trilha da banda francesa.

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Suprimento Semanal VII

Para combater o tédio do fim da semana, indicamos um livro, um filme e um disco para você não ter desculpa de que não tem nada para fazer quando estiver passando Faustão. Simbora.

O livro

O avesso das coisas (Carlos Drummond de Andrade)

Esqueça as crônicas de Luis Fernando Verissimo, ideal mesmo para se ler na escola e nas filas é esse livro do Drummond. Que ele é gênio, ninguém tem coragem de negar, mas existe alguns fachos de luz divina compiladas no meio dessas frases. Explico: “O avesso das coisas”, publicado pela Record, é um livro só de frases, sobre os mais diversos assuntos. Ele muito humildemente explica no prefácio que não tratam-se de máximas, e sim de mínimas. Que não tem a pretensão de soar sábio, mas que aqueles dizeres são fruto da experiência de vida. E são mesmo. Algumas frases são impagáveis, a ponto de você querer roubá-las e dizer que foi você quem as fez. É o meu atual livro de cabeceira e estou lendo muito aos poucos, para não acabar o encanto muito rápido, pois trata-se de, infelizmente, um livro curto.

O disco

Jobim Sinfônico (OSESP)

Para amantes de música instrumental e de Antonio Carlos Jobim, taí um pote de ouro. Esse disco da Biscoito Fino, além de ser lindo, é um tapa na cara de quem diz que Tom Jobim só fazia Bossa Nova. O repertório vai da Bossa aos seus trabalhos sinfônicos pouquíssimos conhecidos, como por exemplo, as músicas da Alvorada, que fez quando Brasília estava sendo construída. Guiada pela batuta do maestro Roberto Minczuk e pela direção de Mario Adnet e Paulo Jobim, o filho do homem, a OSESP – Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo - dá um show nas 23 faixas desse CD duplo. Trazem, como participação especial em algumas faixas, a voz de Milton Nascimento, Maucha Adnet e Muiza Adnet. Sabe aquela pergunta idiota, aquela que se você só pudesse levar cinco discos para uma ilha deserta? Esse, certamente, seria um dos meus cinco.

Veja abaixa a minha faixa preferida, a “Quebra Pedra”, que fecha a “Gabriela”:

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O filme

Nuovo Cinema Paradiso (Giuseppe Tornatore)

Um dos maiores expoentes do cinema italiano, “Nuovo Cinema Paradiso” é um filme que precisa ser visto por todos os amantes da arte. Até porque funciona como uma espécie de ode ao cinema. A história se passa em Sicília, e seu protagonista é o molequinho Totó, que encontra no pequenino cinema local uma enorme paixão. E assim começa a se aproximar de Alfredo, o irritado mas amável projecionista, a fim de aprender a arte de ser projetor. Toda essa história vem em formato de lembrança quando Totó, já adulto e cineasta de sucesso, recebe a notícia de morte de Alfredo. A partir disso ele se lembra da infância, do primeiro amor, de suas amizades, das pessoas caricatas daquela cidadezinha. Fico até um pouco encabulado de falar desse filme e não conseguir passar ao leitor o quão grande e emocionante ele é. Isso tudo sem contar que a trilha sonora é do (g)Ennio Morricone. Assista, e se você não gostar, eu te devolvo o dinheiro da locação (gente pelo amor de deus foi só um modo de falar).

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Suprimento Semanal VI

Boa tarde, soldados. Estamos aqui para mais um #SS. E, se você é como eu, que às vezes prefere um bom livro ou um bom filme à uma festa com gente chata e bêbada, o seu lugar é esse. Se você curte as festas mas adora tirar um tempo para ouvir uma boa música, também está no lugar certo. Sem mais enrolação, um livro, um filme e um álbum pra você curtir nesse final de semana, sem moderação.

O livro

O Retrato de Dorian Gray (Oscar Wilde)

Esse é o tipo de livro que, se você não leu, deveria desligar o computador nesse exato instante e arrumar uma edição para se deliciar com o livro mais conhecido de Oscar Wilde, escritor inglês que retrata, aqui, uma crítica carregada de cinismo e maquiada ao extremo à beleza. No livro, Dorian Gray, um jovem, torna-se modelo para um quadro pintado por Basil Hallward, que acaba nutrindo uma paixão platônica pelo rapaz, que lhe serve de inspiração para outras pinturas. Um amigo próximo do pintor, Lord Henry, faz Gray crer – através de sua dialética completamente cínica – que o rumo mais adequado para a vida é uma exasperada em prazer. Que a beleza física justifica tudo, e o prazer é a única resposta e objetivo. O hedonismo de Henry é colocado de maneira tão forte e característica na obra de Wilde, que fica impossível não se divertir em algumas passagens do livro.

O Retrato de Dorian Gray é uma leitura recomendadíssima, ao menos que você tenha uma namorada que identifique-se demais com personagens literários. Nesse caso, é melhor dar outro livro pra ela, ou você correrá o risco de enfrentar uma garota mais cínica do que o normal. A mesma coisa para garotas que enfrentam Lord Henrys por aí.

O filme

Obrigado por Fumar (Jason Reitman)

Só por ver “Jason Reitman” aqui em cima, você já deveria dar um jeito de assistir esse filme. O cara  Mas como eu sei que vocês são difíceis, vamos lá: esse filme está no meu Top 10 de favoritos. Não, não ganhou Oscars, não foi um sucesso estrondoso nas bilheterias… Mas é o tipo de filme que qualquer pessoa inteligente o suficiente para apreciar uma boa discussão precisa assistir. Nick Naylor (o sensacional Aaron Eckhart) é um lobbysta que trabalha para a companhia de cigarros. Seu papel é o de advogado do diabo: ele precisa convencer as pessoas que o cigarro não faz mal. Como um legítimo Relações Públicas, Naylor tem o dom da palavra, da argumentação. O filme conta com diálogos impressionantes, ácidos e inteligentíssimos, que te fazem gargalhar e, ao mesmo tempo, pensar duas vezes sobre tudo o que está à sua volta. O filme também conta com Robert Duvall, Adam Brody e Katie Holmes, que pela primeira (e única) vez na vida atua bem.

O álbum

Indiana (Jon McLaughlin)

JM são duas iniciais que frequentam muito meu iPod. Jason Mraz, James Morrison, John Mayer e, last but not less important, Jon McLaughlin. O norte-americano é, sem sombra de dúvidas, o menos conhecido dentre estes quatro, mas é – sem sombra de dúvidas – tão talentoso quanto eles. Indiana é seu primeiro álbum, e leva esse título em homenagem ao estado homônimo no qual ele nasceu. Você pode conhecê-lo pelo single Beautiful Disaster, mas essa música não representa nem 1/10 de seu talento. Talvez pelo fato do único instrumento com o qual nutro alguma intimidade ser justamente um piano, Jon – que tem um talento sobrenatural ao tocar – seja o meu favorito entre todos os JMs. Suas composições passam por músicas rápidas – como Industry, que tem uma introdução que eu julgo impossível de se tocar em piano – e algumas lentas, como a que leva como título o mesmo nome do álbum. E é essa música que eu deixo de souvenir para vocês.

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Suprimento Semanal V

Finalmente chegou sexta-feira, o que significa que é dia de Suprimento Semanal. E aí está a munição contra o tédio de final de semana. Vamos? Vamos.

O livro

Poesia Completa (Manoel de Barros)

Até há pouco tempo, quando eu indicava Manoel de Barros a alguém, sofria com a tarefa quase impossível de escolher um único livro para recomendar. Esse pequeno problema foi resolvido em março deste ano, com o lançamento de Poesia Completa. O livro reúne todas as publicações do autor desde 1937 – a série Memórias Inventadas não foi incluída, mas podemos discutir sobre ela assim que você terminar as quase quinhentas páginas da compilação. O estilo de pantaneiro simples e atento ao mundo que os leitores já conhecem, para ser provado de uma vez só. Dizem que desaprender Manoel oito horas por dia ensina os princípios.

O filme

Dogville (Lars von Trier)

Um narrador, um cachorro (invisível), quinze habitantes e uma fugitiva e isso é tudo o que você terá para prestar atenção nas quase três horas de duração do filme. O cenário é composto por mesas e alguns poucos objetos e riscos no chão que delimitam uma única rua e as portas e paredes de cada casa. A monotonia de uma pequena cidade entre as montanhas do oeste dos Estados Unidos, onde todos conhecem a todos e mantêm o mesmo ritmo simplesmente por não haver necessidade de mudá-lo. Tom Edison (Paul Bettany) quer mostrar aos outros moradores que eles têm dificuldade em aceitar mudanças, mas precisa de um exemplo prático para que eles entendam. A oportunidade perfeita chega na forma da fugitiva Grace (Kicole Kidman), que se oferece para ajudar a todos em tarefas desnecessárias em troca de um esconderijo. A estória toda é na verdade uma grande parábola sobre o comportamento humano, onde cada personagem assume um grave defeito característico à espécie para mostrar, de forma quase agressiva, a que ponto somos capazes de chegar – nem o próprio espectador escapa da crítica. Esqueça o que eu contei no começo, vale a pena assisir.

O disco

Laced/Unlaced (Emilie Autumn)

Emilie Autumn é uma cantora, escritora, compositora e violinista californiana tão excêntrica quanto talentosa, e que não raramente é criticada por sua voz. Mas não se preocupe, você não terá de julgar suas qualidades vocais neste aqui: é puramente instrumental. Os dois discos em que o álbum foi dividido têm diferenças notáveis. O primeiro, Laced, traz interpretações de compositores como Bach e Leclair e, das faixas escritas pela própria intérprete, cinco tocadas ao vivo. Unlaced só foi gravado dez anos depois, com a substituição do violino barroco pelo eletrônico. Todos os instrumentos que o acompanham são tocados por Emilie. A teatralidade enérgica toma o lugar do tom obscuro da música clássica, resultando em oito faixas executadas impecavelmente, com destaque para Face The Wall. Recomendadíssimo.

Suprimento Semanal IV

Boa noite, Artilheiros. Em dia de #FF no twitter (aliás, já me segue? Sou o @lucasbaranyi!), chegou a vez do #SS no AC. Um livro, um filme, um álbum, pra que você não tenha desculpa na hora de falar que não tem “nada pra fazer” no final de semana. Bora?

O livro

Assombro (Chuck Palahniuk)

É através de Guts, conto que já fez pelo menos 73 pessoas desmaiarem, ao ser lido em uma exibição pública, que a maioria das pessoas conhecem esse livro. Algumas também acabam conhecendo, dessa forma, Chuck Palahniuk, responsável por Clube da Luta e muitos outros sucessos. A história? 18 escritores recebem a proposta de escreverem seus “melhores livros”. Conseguirão isso ao se isolarem da sociedade por três meses. O que eles não sabiam, é que o local cujo isolamento ocorreria seria um teatro abandonado. Ali, presos e alvos de uma macabra “experiência”, eles acabam por escrever contos e poemas, no mínimo, perturbadores. O livro carrega a linguagem ácida e inteligentíssima de Chuck, e o conto supracitado é um dos pontos altos da obra. Você pode lê-lo (e ter uma base do que te espera) clicando aqui.

O filme

Código de Conduta (F. Gary Gray)

Eu tinha uma porrada de filmes pra indicar pra vocês, como devem imaginar… Mas Código de Conduta foi o filme que prendeu minha atenção por seu roteiro interessante: um homem (Gerard Butler) perde sua esposa e sua filha, assassinadas em um assalto à sua casa. Seu advogado (Jamie Foxx, a cada filme mais sensacional), para evitar que seu nível de condenações abaixe, decide optar por uma estratégia mais segura no julgamento e faz um acordo com o assassino. Toda a história, então, gira no quão longe pode ir um homem que não tem absolutamente nada a perder.

Com boas cenas de ação e diálogos interessantes, Código de Conduta é o tipo de filme para se assistir em um final de semana, com muita coisa pra beliscar ao lado.

O disco

The Resistance (Muse)

Já resenhado no AC, um dos melhores álbuns de 2009 é o conjunto de gravações mais contraditórios da banda européia, por fugir de suas origens pesadas para mergulhar de cabeça em um rock com influências clássicas e, por que não, melódicas?

The Resistance é o meu álbum favorito da banda e, em muitas faixas, me faz lembrar de Queen. As faixas recomendadas pelo Artilheiro que vos escreve para ouvir primeiro são Uprising, The Resistance e Guiding Light (esta última, com um solo que lembra de maneira assustadora Brian May, guitarrista do Queen).

Suprimento Semanal III

A idéia é simples e comum: indico um livro, um filme e um disco para você experimentá-los, se achar interessante.

O livro

A face horrível (Ivan Ângelo)

Escolhi esse livro para indicar porque sei que muitos dos leitores do Artilharia Cultural têm pretensões literárias. Se você gosta de escrever, e pretende levar a sério isso, “A face horrível”, de Ivan Ângelo, tem uma preciosidade escondida em suas páginas. Trata-se do conto “Dénouement” – dividido em três partes, é quase uma aula de escrita. A primeira parte é o conto original, na íntegra. Na segunda, o autor lê e critica o seu texto escrito há uns anos, tornando-se um personagem na história. E na terceira, é o conto reescrito, já passado pelas peneiras de um velho escritor. O restante do livro também é interessante, com destaque para os contos “Bar”, “Moça amando” e “Castigo”.

O filme

You don’t know Jack (Barry Levinson)

O melhor filme que vi nesse ano. “You don’t know Jack” retrata a história do médico Jack Kevorkian, que deu assistência a mais de 100 suicídios. Acalme-se, pois Al Pacino não interpreta um sádico ou um homem mau, Jack acredita (pois ainda está vivo) que as pessoas devem morrer da maneira que elas quiserem, no momento em que decidirem. Com o apoio de sua irmã e um amigo, ele faz entrevistas com as pessoas que desejam morrer, na maioria das vezes em função de uma doença degenerativa, e as fornece uma morte rápida através de uma dose de cloreto de potássio. Obviamente, quando Jack se toca que existem mais pessoas querendo morrer do que ele imaginava, começa a enfrentar problemas com religiosos e conservadores, o que o leva às cortes do tribunal. Sua luta é retratada em duas horas de filme, com ótimas interpretações e com o poder de instigar reflexões sobre a eutanásia. Ótimo para quem gosta de pensar, melhor ainda para quem gosta de discutir os filmes em alguma espécie de clube.

O disco

Mar de algodão (Olivia Hime)

Olivia, esposa do já citado Francis Hime, é uma das melhores cantoras brasileiras atualmente. E, nesse disco da Biscoito Fino, a cuidadosa voz de Olivia vai de encontro às canções do mestre Dorival Caymmi. Algodão era o apelido de Dorival, com quem Olivia conviveu bastante durante a gestação do projeto – a foto da capa, aliás, foi ela mesma quem tirou. O repertório é impecável, com arranjos leves, até sublimes – perdoem a melação -, e não pode ser fragmentado em faixas. As músicas estão ligadas: o fim de uma anunciando o início da outra, os arranjos vão se mesclando numa harmonia simples, praieira como as músicas de Caymmi. Mar de algodão é isso: um mergulho no universo de Dorival Caymmi guiado pela voz delicada de Olivia Hime.

Suprimento Semanal II

Salve, bravo soldado.

Vamos ao que interessa, Suprimento Semanal, resumidamente falando: três palpites culturais para conhecer neste fim de semana.

O livro

O Talismã (Stephen King e Peter Straub)

É impossível falar da minha infância sem falar de Stephen King. Por mais que já fosse apaixonado pelos romances de Machado de Assis, as palavras do autor estadunidense chegaram até mim de forma fantástica. Foi ele o autor do meu primeiro livro novo ganhado de presente – isto é: que não ganhei da biblioteca mágica da Prof. Celma, senhora minha mãezinha. Escolher uma das obras foi deveras complicado, visto que li mais de 20 títulos do mestre do horror. Mas acho que se for para usar a expressão imprescindível – descartando os contos para os mais preguiçosos, eu aconselho sempre O Talismã - que escreveu com ajuda de Peter Straub. O livro conta a história do jovem Jack Sawyer (nome que o autor homenageou evidentemente o personagem Tom Sawyer de Mark Twain, seu ídolo) e sua trajetória corajosa pelos Estados Unidos da América e em paralelo com um mundo de fantasia. King surpreendeu, pois que além de dominar com perícia o terror de seus famosos A coisa e Carrie, a Estranha ele pôde criar um mundo paralelo de fantasia ao lado de uma América imensa e descrita em detalhes. Detalhes e proporções que tornam esse romance um dos mais cotados de minha – ainda humilde – prateleira.

O filme

Into the Wild (Sean Penn)

Fora do circuito comercial? Não diria. Mas por uma pesquisa boca-a-boca percebi que poucos dos meus amigos e conhecidos viram Into the wild. O longa-metragem tem a assinatura de um veterano do cinema americano e até concorreu a duas estatuetas no Oscar. Falando no diretor, apesar de ter começado sua carreira com a comédia das Picardias Estudantis, Sean Penn amadureceu muito com os anos em seus papéis até começar a arriscar seu nome como produtor até chegar a direção. Na natureza selvagem é estrelado por Emile Hirsch, o garotinho com cara de corajoso de Show de Vizinha. Mas não é o diretor, nem o ator que roubam a cena na obra. A história de Christopher McCandless ou Alexander Supertramp (tramp é vagabundo em inglês) sim é de arrepiar. O longa então conta a história absloutamente realista de toda a trajetória libertária de um jovem que abandona todos os bens para viver com a natureza. Veja, e se gostar, recomende. O filme deve ser visto.

O disco

Undertow (Tool)

Não sei se consigo aconselhar música ao soldado que me lê. Acho que essa é a arte que mais erra-se nos palpites. Música é muito pessoal. Mas acho que o exemplo que eu darei, além do som que a banda faz, vale como dica para aguçar sua interpretação.

Em 1990, a sonoridade suja do grunge fez alguns personagens caricatos boiarem nas superfícies do rock que se afundava em contradições: Glam e Punks. Tool surgiria com seu primeiro trabalho de estúdio, a banda é uma das favoritas do artilheiro pelo fato de estar entre os grupos que mais evoluiram em termos técnicos sem nunca deixar sua essência contestadora dos 90. Tool revelaria, nos vocais poderosos Maynard James Keenan, hoje, um dos maiores ícones do rock mundial. Undertow, com suas faixas gritantes e explícitas é o começo dessa história. Baixe ou compre, mas não deixe de ouvir esse registro eufórico dos anos 90. Gostou? Vá além do primeiro disco, Tool é muito mais que isso.

Suprimento Semanal I

Começa hoje mais uma coluna do Artilharia que deve ir ao ar às sextas, o Suprimento Semanal. Como o nome indica, o intuito da coluna é indicar ao leitor um livro, um filme e um disco. A coluna será assinada cada semana por um artilheiro, assim, você poderá ter contato com as obras favoritas dos quatro membros do site. Quatro visões diferentes. Hoje, sobrou pra mim. Vamos lá.

O livro

Budapeste (Chico Buarque)

Eu sei que sou suspeito para falar de Chico Buarque, mas Budapeste é um livro que precisa ser divulgado. O terceiro romance do compositor, lançado em 2004 pela Cia. das Letras, tem como núcleo da trama um ghost-writter. José Costa escreve desde biografias para famosos até discursos para políticos. Por um imprevisto num vôo, acaba parando em Budapeste. Ali, em contato com o idioma húngaro, a mente confusa de José acaba construindo uma vida dupla. Apaixonado pelas palavras e pelos idiomas, a mente confusa de José estabelece uma vida dupla, Brasil-Hungria. Tenho um pouco de vergonha por não conseguir falar muito sobre o livro, mas Budapeste é ímpar para todos que tendem à literatura, seja pela leitura ou pela escrita. Veja um trecho declamado pelo próprio Chico.

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O filme

Os fantasmas se divertem (Tim Burton)

Barbara e Adam estão mortos. No entanto, continuam a habitar sua velha casa, como fantasmas. A vida depois da morte, não se engane, não tem nada de sossego. Há ainda muita burocracia a ser cumprida. O casal, ainda inexperiente na arte de assustar, não consegue expulsar os novos moradores de sua nova casa. Por isso, vão contar com a ajuda de Beetlejuice, um ”bio-exorcista” free-lancer que oferece seus serviços para os recém desencarnados. Para mim, um clássico. Apesar de ser de 1988 e eu já ter assistido dezenas de vezes, ainda rio toda vez que vejo. Com Alec Baldwin, Michael Keaton e Geena Davis.

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O disco

Rock ‘n’ roll (Erasmo Carlos)

Sei que alguns de vocês estão torcendo o nariz: “Erasmo Carlos? Aquele velhote da Jovem Guarda?” Sim, ele mesmo. Alguns artistas passam a vida inteira fazendo a mesma coisa, mas com Erasmo é diferente. Se você foi um dos que pensou que Erasmo ainda é puro iê-iê-iê, reveja seus conceitos. Diferente do Roberto, que estancou no tempo e está há 20 anos fazendo os mesmos shows, com as mesmas músicas e o mesmo terno, o sessentão Erasmo continua produzindo músicas de qualidade, e Rock ‘n’ roll, de 2009, é uma prova disso: um disco formado apenas por inéditas do Tremendão. No repertório, é claro, alguns rocks, odes às mulheres e a participação especialíssima de Leonardo da Vinci (han?). Destaque para: Encontro às escuras, A guitarra é uma mulher, Noite perfeita, Jogo Sujo, Olhar de mangá e Mar Vermelho.

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