Archive for the ‘Com vocês’ Category
Com vocês IX – Tebe Interesno
Artilheiro Colaborador: Carolina Türck
Pela primeira vez a coluna Com vocês expande seus horizontes e sai da zona da música para cair no tema da fotografia.
Todo fotógrafo é inegavelmente apaixonado por cinema (em algum momento da vida até confuso entre essas duas opções) e a prova disso é a frase “cinema é a fotografia em movimento”.
Mas Tebe Interesno vai além. O russo cria imagens incríveis misturando nossa realidade com a sua fantasia. O trabalho dele é baseado em fotografia, ilustração e edição. De uma forma sem frescuras ele desenha e cria outro sentido para as imagens, num surrealismo mais urbano.
O site/portfólio (na verdade ele usa um livejournal pra isso) é totalmente em russo, o que dificultou minhas busca por mais informações e ao mesmo tempo facilitou admirar apenas o trabalho. Vejam algumas imagens de Tebe:
Sobre o Artilheiro Colaborador
Carol é de Porto Alegre, é fotógrafa e fundadora do Garotas Nerds, nosso parceiro. No twitter, ela é @carolt.
ps: esse post foi originalmente publicado no Garotas Nerds
Com vocês VIII – Marina Machado
Marina Machado não é nenhuma estreante, e você provavelmente já ouviu falar dela. A mineira começou trabalhando em musicais, até fundar a Companhia Burlantins, onde criava e atuava. Saiu em turnê com Milton Nascimento, participou da gravação de um CD em hebraico e iídiche, e conseguiu lançar seu primeiro CD, lá em 1999, o “Baile das Pulgas”, que recebeu o Troféu Pró-Música como melhor do ano. Gravou com Skank, Telo Borges, Tavinho Moura, cantou em um CD do Milton, produziu o demo “Candombe da Serra do Cipó”, com músicas de raízes afro-brasileiras e ganhou o título de melhor cantora de Minas Gerais. É pouco?
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Seu terceiro álbum saiu em 2008, “Tempo Quente”, pela gravadora do próprio Milton Nascimento, com suas interpretações de canções de artistas como Marcos Valle, a dupla Roberto e Erasmo Carlos e Vinícius de Moraes. Com uma bela voz, apoio em nomes tão grandes e tamanha diversidade musical, Marina garante que ainda vai aparecer muito por aí. Nas palavras de Lô Borges, “Marina Machado é uma das maiores cantoras surgidas nos últimos anos na MPB. Mais cedo ou mais tarde o Brasil todo vai saber disso.”
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Com vocês VII – Filipe Catto
Filipe Catto é assim: um pouco de tango, um pouco de samba e quanta poesia couber. Apaixonado por música latina e com influências que vão de Chico Buarque e Édith Piaf até PJ Harvey e Elis Regina, Filipe tem 22 anos (recuso-me a dizer apenas, como tem sido dito por aí; idade nunca foi desculpa para talento), é gaúcho de Porto Alegre e já veio com histórico musical na família. Um resumo rápido para um cantor emergente que consegue cantar Garçom em uma de suas apresentações sem ninguém achar engraçado – pelo contrário, a interpretação dramática de suas canções tem admirado cada vez mais ouvintes. A teatralidade somada às composições fortes, com letras sobre vícios, amores exagerados, traição e vingança poderia chegar a ser piegas, mas passa longe disso graças a uma intensidade vocal que surpreende os desavisados.
Estreou em 2005, e de lá pra cá teve bandas, tocou em saraus, morou no Brooklyn e resolveu gravar um cover de Glory Box, do Portishead, enviada para uns poucos amigos e conhecidos mas que acabou caindo na rede e chamando atenção, o que o incentivou a fazer o mesmo com as próprias criações. Lançou então no ano passado o EP SAGA, sete faixas que merecem ser ouvidas de uma vez só para se absorver completamente a mistura de música e literatura de Filipe.
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O universo do SAGA é o inconfessável, eu acho. É aquele lugar até meio desconfortável, que vem de sentimentos que eu não sei lidar direito. É um universo meu, sim, mas todo mundo tem isso. Então eu tentei ilustrar isso no conceito de cabaret, desse lugar viciado, carnívoro, luxurioso e falar da dor de uma forma vibrante, vitoriosa, até meio debochada. Eu gosto do lado sombrio do amor, das coisas que as pessoas não falam, dos pecados e, principalmente, das fantasias. Aquela coisa que passa pela tua cabeça, mas que não se fala sobre. Acho fascinante.
Pra quem ainda duvida da capacidade do cara, tente ouvi-lo cantando Non, Je Ne Regrette Rien:
SAGA está disponível para download gratuito neste link, direto do site do cantor.
Com vocês VI – Jovanotti
Confesso que semana passada eu dei um furo em vocês. Essa coluna, tão difícil de sair e tão pouco comentada, tem me escapado da cabeça. Vou tentar não falhar mais, porque todos sabem que a “Com vocês” só tem o intuito de mostrar que nem tudo está perdido, e eu gosto muito de anunciar isso. Para comprovar essa minha tese, escalo mais um para o meu time: Lorenzo Jovanotti.
Italiano, Jovanotti tem suas raízes musicais no hip hop, e foi no rap que começou a sua carreira artística quando lançou, em 1988, seu primeiro CD, “Jovanotti for president”. De lá pra cá, mais 16 discos foram lançados, e a cada lançamento nota-se claramente um artista em busca de novas veredas (sempre quis usar essa palavra), novos ritmos. Ele flerta com o rock, com o pop e experimenta temas políticos. Trabalhou com Laura Pausini, com Pavarotti, com Claudio Baglioni e participou de diversos projetos sociais, como correntes pacifistas e um movimento para o perdão da dívida externa dos países do terceiro mundo. Vale dizer, também, que Jovanotti já publicou quatro livros sem interromper seus projetos de música.
A canção que eu separei para vocês é marcada pelo lirismo pop de Lorenzo, lançada em seu último disco, Safari, de 2008. Para quem parla italiano, vai ficar fácil sacar a letra que ele fez em homenagem a sua filha. Pra quem não entende nada, está aí uma ótima oportunidade de aprender essa língua maravilhosa.
Com vocês V – Marina de la Riva
Calma. Se você está nervoso porque já conhece Marina de la Riva e perdeu seu tempo abrindo essa coluna que deveria apresentar gente pouco conhecida, deixe-me explicar: embora Marina já tenha um certo público, tem muita gente que ainda não está familiarizada com a cantora.
Marina de la Riva é brasileira mas tem sangue cubano, o que se nota facilmente ouvindo suas músicas. Com uma mistura de ritmos e sonoridades, Marina lançou seu primeiro disco em 2007 e foi muito bem recebida pelo público e pela crítica. Não é por menos: o repertório vai do baião ao latino, do samba ao romântico e traz releituras de clássicos, fora a participação especialíssima de Chico Buarque, que canta em espanhol.
Está há algum tempo fazendo shows nas noites e em eventos especiais, como o Power to the peaceful. Já tocou com gente grande, como Andreas Kisser, Tom Zé, Maria Rita, Orquestra Imperial, Flávio Venturini, Davi Moraes, Frank Sinatra Jr., Nelson Ayres etc.
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La caminadora, o lado latino de seu disco.
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Meu mundo caiu, que não foi incluída no CD.
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Sintonize-se com a cantora: site oficial, twitter, myspace, coluna no Yahoo!
Com vocês IV – Fred Martins
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Não estranhe se você nunca ouviu falar em Fred Martins. A verdade é que Fred nunca fez questão de ser notado. Incluo seu nome sem medo de errar nessa chamada “nova boa safra da MPB”. Se surgiram boas cantoras recentemente, é necessário que despontem bons compositores para que as parcerias sejam feitas. Do contrário, teremos intérpretes mais-do-mesmo, somente relendo clássicos – o que não é errado e nem mesmo ruim, mas é necessário que haja um algo a mais. Fred é um desses novos compositores.
Começou a compor aos 14, assim, de brincadeira. Pouco mais tarde, decidiu encarar isso de frente e começou a estudar harmonia, contraponto e arranjos. Se você conhece o trabalho de Almir Chediak com seus excelentes songbooks, Fred trabalhou com ele na transcrição de partituras para os livros de Noel Rosa, Chico Buarque, Tom Jobim, Gilberto Gil, João Bosco, Rita Lee, Dorival Caymmi etc.
Tem três CDs lançados e, por vencer o 9° prêmio Visa de Música Brasileira, lança em 2006 também um DVD. Fora isso, saiu há algum tempinho um quarto disco, o “Guanabara”, que ainda não tive a oportunidade de escutar, portanto, não posso opinar.
Suas composições são leves, abordam um universo particular e poético. Já foi gravado por Ney Matogrosso, Zélia Duncan e Maria Rita, além de já ter tocado com gente fera, como por exemplo, Guinga,um dos maiores expoentes do violão brasileiro.
Se aceita um palpite, você ainda vai ouvir falar de Fred Martins. E se quiser estar preparado para quando isso acontecer, sugiro dar uma procuradinha lá no Umquetenha. Mas não conta pra ninguém que você viu esse link aqui, ok?
Com vocês III – Argonautas
Se você gosta de música brasileira, já deve ter lamentadado o cenário musical do país. Mas acalme-se, nem tudo está perdido. Argonautas é um grupo de Fortaleza fundado em 1997 empenhadíssimo em executar e difundir a música brasileira. Resolvi escrever sobre eles porque recentemente lançaram seu primeiro disco, o “Interiores“. Falo dele logo mais.
Embora tenham como principal objeto de trabalho as canções de autoria própria, os Argonautas escalam para seu time de compositores tipos como Edu Lobo, Chico Buarque, Elomar, Tom Jobim, Luiz Gonzaga e outros expoentes do xote, samba, bossa, baião, marchinhas etc. Nota-se nos arranjos e nas harmonias a formação erudita dos membros. São eles: Rafael Torres, Ayrton Pessoa, Germano Lima e Ronaldo Lage.
Tive a oportunidade de ouvir o disco “Interiores”. É um trabalho primoroso, traz um som elegante, gostoso. Nota-se um grande empenho na produção, seja nas composições próprias ou nas releituras. O poeta Alan Mendonça, presente na maioria das letras, dá ao grupo uma estética característica. Para quem se interessar em comprar o disco, deve entrar contato através do site oficial. Eles disponibilizam, além de cifras e partituras, algumas músicas para download. Das listadas, destaco “Carolina”, “Cataventos”, “Interiores” e “Interiores n°2″.
Ao vivo, os Argonautas mesclam duas composições de Chico e Tom com uma pitada de tango: Retrato em branco e preto e Eu te amo.
Com vocês II – Celso Adolfo
Para a segunda e última edição da coluna “Com vocês” de março, escolhi falar sobre Celso Adolfo. O motivo é simples: tem talento de sobra e reconhecimento de poucos.
O início da carreira de Celso profissionalmente se deu em 1983, quando seu padrinho cultural Milton Nascimento produziu seu primeiro disco, o “Coração brasileiro“. O apoio de Milton foi além: ele participou em uma das faixas do disco e também gravou em seu maravilhoso “Anima” uma canção de Celso. Isso fez com que Elba Ramalho também incorporasse a um disco seu a música “Coração brasileiro”.
A partir daí, Celso Adolfo inicia uma turnê de shows na Europa e recebe, em 1997, o prêmio “Canta Brazil Award”, de uma rádio norteamericana.
O que mais gosto na música de Celso é que ela é íntima de seu ouvinte. Leve, gostosa, muito ligada à natureza. Ela se aproxima aos poucos e diz “vim pra ficar”. Daí, depois de ouvir uma música, você corre atrás de mais projetos do compositor. Falando em projetos, tenho dois a destacar: “Brasil, nome de vegetal“, de 1995, produzido pelo grande Mazzola e com participações especialíssimas de João Bosco, Roupa Nova e Milton Nascimento. Este disco tem uma obra-prima de Celso, reproduzida logo abaixo. O segundo disco que merece destaque é o “Estrada Real de Villa Rica“, de 2008, baseado nos caminhos do ouro mineiro dos séculos XVIII e XIX. Participações de Renato Braz (já falado nessa coluna), Vander Lee, Fernanda Takai, Marina Machado e grande elenco.
“Nós dois“, a obra-prima citada, deve ser ouvida com muita atenção. Sugiro, também, que aproveite somente o áudio do vídeo: as imagens são bem cafonas.
Com vocês I – Renato Braz
Antes de dar início à coluna quinzenal “Com vocês”, vamos a uma explicação do que se trata: o objetivo é divulgar talentos novos ou pouco conhecidos. É uma tentativa de melhorar o cenário musical brasileiro da atualidade.
Com vocês, para estrear este espaço: Renato Braz!
Esqueça tudo aquilo que você conhece sobre voz. Ao ouvir Renato Braz, você vai com certeza rever os seus conceitos. Alguns de seus cantores preferidos irão se recolher, cabisbaixos, frente a esta potência vocal. Potência que nunca deixou de lado a humildade e o respeito com seu público.
Paulistano, cresceu em um ambiente muito musical. Aos quinze, iniciou-se na percussão e começou a tocar nas noites como baterista. Aos poucos foi desenvolvendo-se como cantor e, assim, iniciou sua carreira em festivais. Seu primeiro disco foi gravado em 1996 e de cara foi indicado para o Prêmio Sharp de Música Brasileira. Os outros, “História antiga” (1998), “Outros quilombos” (2002), “Quixote” (2002) e “Por toda a vida” (2006), foram muitíssimo bem recebidos pela crítica e lhe garantiram alguns prêmios, mas não é exatamente este o ponto que quero tocar. Quem me conhece sabe que eu evito os clichês ao máximo, mas, neste caso, não posso escapar: ouvir Renato Braz preenche seu corpo de harmonia e paz. Não tem erro.
Com repertório de primeira, suas canções não são presas a um estilo: seus compositores vão de Dori Caymmi e Tom Jobim a Jararaca e Geraldo Vandré, por exemplo, passando por Villa-Lobos, Chico Buarque e Paulo César Pinheiro. Isso sem citar Caetano, Gilberto Gil, Edu Lobo, Mário Gil e outras feras.
Como o artista é a favor de disponibilizar seus discos para download, deixo aqui um link do magnífico blog Um que tenha para você baixar todos os discos do Tetéu, apelido carinhoso do Renato. É só clicar ali no azulzinho e botar no MP3 pra ir escutando com calma ao longo do dia.
Tiro certeiro: repare na delicadeza do arranjo de “O Trenzinho do Caipira” que aos poucos vai virando “Desenredo”.










