Archive for the ‘Cinema’ Category
A Vida Até Parece uma Festa
Legião Urbana, Barão Vermelho e Paralamas do Sucesso são bandas aclamadas por muitos como indispensáveis no cenário musical nacional. E eu respeito a opinião dessas pessoas, apesar de discordar enormemente. Concordo que há poesia nas letras de Renato Russo, e nunca duvidei da qualidade musical das músicas do Barão ou dos Paralamas. Meu veredito, porém, nunca irá mudar: pra mim, a melhor banda de rock nacional é – e sempre será – Titãs.
A Vida Até Parece uma Festa, documentário de 2008, traz 90 minutos que tentam contar, através de gravações de Branco Mello (um dos vocalistas) e arquivos de vídeo, toda a história da banda que tem quase 30 anos de existência.
Começamos a trajetória a partir do álbum Cabeça Dinossauro, provavelmente o melhor da banda – e o preferido da grande maioria dos fãs que conhecem a discografia do grupo -; os trechos da câmera de Branco gravam, em sua maior parte, a convivência do que é, sem sombra de dúvidas, a união de um grande grupo de amigos que tocam música pra viver. Eles não parecem ter a pretensão de ser a melhor banda de todos os tempos da última semana, apesar do nome pretensioso (Titãs, porra. Já parou pra pensar?). Eles só fazem música… E fazem música muito bem.
Na hora de editar o documentário (que reuniu mais de 300 horas de filmagem, antes da edição), nada foi escondido. Podemos assistir a participação da banda no Programa do Gugu, participando de uma brincadeira para salvar uma fã de uma “aranha assassina” (um pobre estagiário numa roupa imbecil de aranha, no alto de um guindaste), tanto quanto assistimos um comentário do Faustão sobre os “problemas judiciais” que Tony Belotto e Arnaldo Antunes encontravam-se. Esses problemas? Posse de heroína. Da mesma maneira que os Titãs nunca tiveram freios sociais para fazer música, e sempre se destacaram por isso, A Vida Até Parece uma Festa se destaca por sua extrema sinceridade para com o espectador. Mais que um documentário, o filme mais parece uma reunião de gravações de amigos que se encontram já com a vida feita, muitos anos depois de tudo o que foi vivido, para lembrarem do passado. É esse o próprio tom ditado pela película: uma diversidade magnânima de situações, sempre levadas por grandes sucessos da banda.
Momentos tristes não foram deixados de fora: a morte de Marcelo Fromer, integrante da banda, é mostrada através de trechos de declarações dos próprios integrantes. Vídeo em que Branco Mello lê uma declaração do grupo, no hospital onde Fromer havia falecido, é provavelmente o momento mais tocante de todo o documentário. Em seguida, podemos ver a gravação da música Epitáfio, que rendeu mais um estopim para os Titãs. Concomitantemente, trechos do clipe são exibidos, para depois os Titãs se despedirem de outro membro: Nando Reis. Em sua homenagem, foi composta a canção Isso, outra música belíssima.
Se você gosta de Titãs, gosta de música nacional ou simplesmente gosta de um documentário bem feito, A Vida Até Parece uma Festa é, provavelmente, a melhor indicação que eu posso te dar.
A Vida Até Parece uma Festa
Nota AC: 9,5
Direção: Branco Mello e Oscar Rodrigues Alves
Elenco: Arnaldo Antunes, Branco Mello, Paulo Miklos, Nando Reis, Marcelo Fromer, Charles Gavin, Sérgio Britto, Tony Belotto
Duração: 90 min
Ano: 2008
Os Mercenários

Existe um tipo de filme que faz todo homem (ou ao menos todo homem que tem meu respeito) ficar muito empolgado pra ver: filmes testosterona. Quer dizer, eu adoro filmes sentimentais; dois dos filmes que eu mais gosto são Antes do Amanhecer e Antes do Pôr do Sol… Mas existem certos momentos que, pelo bem do nosso cromossomo Y, precisamos nos distrair com explosões, tiros e frases sem sentido. Meu pai me ensinou a gostar de filmes como Rocky, Rambo e Duro de Matar. Quando Sylvester Stallone, aliás, fez aquela piada envolvendo o Brasil e macacos, ele nem se abalou muito. “É o Stallone! Deixa ele”, vociferou meu velho, como se o bom e velho Balboa tivesse reputação o suficiente para falar o que quiser. Mas, no fim das contas, quem nunca se divertiu com aqueles diálogos sem-sentido do Stallone Cobra, ou de cenas impossíveis em Duro de Matar? Se eu estou indo muito longe, vamos nos fixar nos últimos anos: você já assistiu Adrenalina ou Carga Explosiva? Os filmes, protagonizados por Jason Statham, são uma coqueluche de tudo o que um filme testosterona precisa: mulheres, explosões e armas. Quando fiquei sabendo da existência de Os Mercenários (The Expendables, 2010, EUA), não pude evitar um sorriso de canto nos lábios. Será que algum estúdio teria realmente coragem de juntar todos os brutamontes do cinema e colocá-los para atirar em tudo que se mover? A resposta óbvia (claro!) me fez perceber que essa, no fim das contas, seria uma ótima ideia.
Além de Stallone e Statham, temos Jet Li (que eu sempre enxerguei como um Jackie Chan, só que mais porradeiro e menos engraçado), Dolph Lundgren (ou Ivan Drago, se você preferir), Randy Couture (superstar do UFC, maior campeonato de luta-livre do mundo), Steve Austin (ex-astro do WWE, mesmo campeonato de lutas ensaiadas de onde The Rock saiu), Terry Crews (pai do Chris em Todo Mundo Odeia o Chris e brutamontes de carteirinha), Mickey Rourke, Arnold Schwarzenegger e Bruce Willis (esses três últimos dispensam apresentações). Pronto, já temos o primeiro passo: brutamontes e atores canastrões, clássicos para os papéis designados. Próximo passo: o roteiro.
Como nós já passamos da época da Guerra Fria (onde os vilões clássicos eram os russos, vide Duro de Matar (o primeiro) e Rocky (os primeiros)), e mexer com árabes não dá muito certo – a não ser que o filme se passe no Oriente Médio -, restou para nossos camaradas partir para um dos clichês mais legais dos filmes de ação: uma nação sulamericana com um ditador comunista barão das drogas. E, para permitir que os personagens matem à torto e direito, nada de policiais ou investigadores: como o próprio título diz, eles são Mercenários. Matam qualquer um e destroem qualquer coisa por dinheiro. No título em inglês, The Expendables significa Os Descartáveis, ou seja: são utilizados para algo e depois podem ser abandonados, tomados como “inexistentes”.
A História
A equipe é agenciada por Tool (Rourke), que arruma os trabalhos para a equipe de Mercenários formada por Barney Ross (Stallone), Lee Christmas (Statham), Ying Yang (Li), Hale Caesar (Crews), Toll Road (Couture) e Gunner Jensen (Lundgren).
Depois de uma primeira missão repleta de cenas forçadas e diálogos clichês (como nós adoramos), o filme engrena de verdade, com a missão derradeira da película: viajar até uma ilha chamada Vilena para assassinar o ditador vigente do local. O que os Mercenários não sabem, porém, é que mais um clichê foi inserido: o verdadeiro alvo não é o ditador, e sim um ex-agente da CIA (interpretado por Eric Roberts) que saiu da agência para juntar-se ao ditador num esquema de drogas. Ao chegar na ilha, Ross e Christmas conhecem Sandra (Gisele Itié, que, falando inglês, faz Rodrigo Santoro parecer fluente), o contato deles na ilha e detentora do mais sensacional dos clichês, que eu não terei coragem de contar para não estragar a “surpresa”.
Se você leu esse texto até aqui e achou que eu estou detonando o filme, engana-se: estou apenas comprovando que ele é um clássico. Ele não se propõe a ser sério desde o começo, e não é até o fim. Quem viu o trailer pode assistir Jason Statham atirando com uma metralhadora montado no bico de um avião, e a coisa fica mais sensacional ainda. Acredito, aliás, que o momento que mais me deixou surpreso, foi a cena que envolveu Bruce Willis, Stallone e Schwarzenegger. Eu pensei que a câmera ia explodir, com tantos atores sensacionais – no que se diz ao cinema de macho – no mesmo lugar. Cara, John McClane encontra O Exterminador que encontra Rambo. Não tem como ficar melhor que isso.
Os Mercenários é o tipo de filme que todo cara vai gostar de assistir, e muitas garotas – pelo menos aquelas que sabem que é tudo uma grande besteira – também. A vibe pra esse filme é curtir as explosões, dar risada dos diálogos forçados e simplesmente se divertir. É cinema e ficção, caramba, não um documentário. Mais que isso, é o filme que realizou o sonho de muito marmanjo: juntar todos os atores de filmes testosterona em apenas um filme, para matar o máximo possível de “caras-maus”. E eles conseguem cumprir aquilo à que se propõem, como só eles sabem fazer.
The Expendables
Nota AC:
Se você gosta de filmes do gênero: 10
Se você não suporta filmes assim: 4,5
Direção: Sylvester Stallone
Elenco: Sylvester Stallone, Jason Statham, Jet Li, Mickey Rourke, Eric Roberts, Steve Austin, Dolph Lundgren, Randy Coulture, Gisele Itié, Terry Crews
Duração: 103 min
Ano: 2010
O Último Mestre do Ar
Meu primeiro contato com O Último Mestre do Ar deu-se quando fui assistir, pela segunda vez, Homem de Ferro 2 nos cinemas. Foi a primeira vez que vi o trailer e, no meio de minha inocência – e da infância perdida -, acreditei que fosse uma história original. Corta a cena para algumas semanas atrás, e eu comento com duas amigas sobre a existência desse filme. No mesmo instante, elas comentam que pode se tratar da adaptação de um desenho incrível, na opinião das duas. Ao mostrar o trailer para elas, a confirmação: era a adaptação de “Avatar: A Lenda de Aang”.
Assisti no máximo metade de um episódio que passou na TV, naquele mesmo dia, e nada mais. Posso dizer, então, que conheci a obra ontem, no cinema. E estou aqui para compartilhar o que vi com vocês.
O Filme
Li críticas em alguns sites especializados que M. Night Shyamalan, o diretor do longa – conhecido pelo sucesso em O Sexto Sentido e o fracasso em A Dama na Água -, falhou miseravelmente na adaptação. A crítica especializada dos Estados Unidos apontou o filme como um fiasco… Mas não é bem assim. A primeira regra básica de toda adaptação de livros/desenhos para o cinema é: detalhes serão perdidos. Explicações serão abreviadas. Cenas serão ignoradas. Se você deseja retratar um filme com 200% de fidelidade, tem uma única opção: fique trilhonário, compre um estúdio de cinema e gaste todo seu dinheiro fazendo um filme que tornar-se-á um fiasco, por ser “complicado demais para o cinema” e “não condizer com o que a mídia pede”. Se você continua achando que adaptações nunca são boas, faça igual Alan Moore e vá viver numa caverna. Ultimamente, grandes sucessos da literatura aparecem na sétima arte (Crepúsculo, eu não estou olhando para você), e – na simples opinião desse artilheiro – com uma fidelidade cada vez maior. Não posso afirmar se nesse caso a fidelidade foi, de fato, retratada, mas essas minhas duas amigas me disseram que sim.
Em O Último Mestre do Ar (The Last Airbender, 2010), um universo fantasioso em que quatro grandes nações – nomeadas com os quatro elementos: Água, Ar, Terra e Fogo – vivem em harmonia e paz entre si e com o mundo espiritual. A Nação do Fogo, porém, inicia uma guerra com as outras, para sobrepujar-se. Aang (Noah Ringer) é o Avatar, único ser do universo que pode controlar os quatro elementos e a única esperança para levar as outras nações à vitória. Depois de fugir de seu treinamento, porém, Aang cai no mar e fica congelado por 100 anos, tempo suficiente para a Nação do Fogo obter grandes vitórias em todas as nações e firmar-se como a mais poderosa delas. É aí que aparecem Katara (Nicola Peltz) e Sokka (Jackson Rathbone), irmãos pertencentes à Nação da Àgua, que encontram o menino dentro de um gigantesco Iceberg, e iniciam com ele uma longa jornada. O Príncipe Zuko (Dev Patel) aparece, na película, como o anti-herói que precisa capturar o Avatar para poder voltar ao Reino do Fogo e reinvidicar o trono, que lhe foi negado pelo pai após falhar em uma missão.
O elenco é mediano. Dado o roteiro da história, sabemos que as atuações não precisam ser estupefatas, repletas de qualidade… Mas ao colocar um ator péssimo (Rathbone) apenas porque ele é boa-publicidade (o ator interpreta um personagem na saga Crepúsculo) e bonitinho é simplesmente um tiro no pé. Esse foi, talvez, o único erro de M. Night, no que se diz ao filme como um todo. E se eles erram na escolha de Sokka, acertam na escolha de Aang: seria praticamente impossível encontrar um ator mais parecido com o menino do que Noah Ringer.
A promessa é que mais filmes sejam feitos, dando continuidade à saga contada em forma de literatura e série para a TV. O que nós podemos fazer é aguardar e torcer para que a nova saga infanto-juvenil alcance um público cada vez maior e trabalhe o potencial visto no primeiro filme – que, apesar de bom, pode ficar muito melhor.
The Last Airbender
Nota AC: 6,5
Direção: M. Night Shyamalan
Elenco: Noah Ringer, Nicola Peltz, Jackson Rathbone, Dev Patel, Shaun Toub, Aasif Mandvi
Duração: 103 min.
Ano: 2010
Observação do Artilheiro: Assisti o filme em 3D, e este tornou-se imensamente desnecessário. Salvo uma ou duas cenas, o atrativo chega a ficar cansativo e forçado. Os estúdios ainda não saíram do efeito Avatar, que aparentemente fez com que todos os filmes subsequentes ao longa de James Cameron, obrigatoriamente, precisassem ter sua exibição possibilitada em salas 3D. Aliás, só assisti à sessão especial porque era a única na qual o filme teria seu áudio original.
Qual o personagem preferido de Star Wars dos famosos?
Uma pergunta recorrente entre os fãs da saga Star Wars é: qual seu personagem favorito? As trilogias que levaram milhões de fãs aos cinemas são um fenômeno fora do comum. Respeito a série e os filmes de Star Trek, mas na hora de brigar com Star Wars, a coisa fica meio difícil: personagens como Chewbacca, Han Solo e Darth Vader carregam um carisma que pode ser considerado inalcancável.
Se a discussão é legal entre amigos, o que dizer de perguntar para 100 celebridades de Hollywood quais são os personagens favoritos deles? Os créditos são do pessoal da IGN que, além do vídeo, prepararam um infográfico.
Algumas respostas são sensacionais. Paul Rudd (um dos atores mais legais da nova geração da comédia, encabeçada por Seth Rogen) diz ser fã do robô IG-88, que nem aparece na saga. Seth, por sua vez, nem pensa duas vezes: elege Boba Fett como seu preferido, assim como Terry Crews (o pai do Chris em Everybody Hates Chris). Tina Fey (atriz e roteirista de uma das melhores séries da atualidade, 30 Rock) escolheu o Almirante Ackbar como seu favorito. A lista só aumenta, e é claro que os personagens mais conhecidos da saga aparecem em número maior. Quer saber quem venceu? Veja o infográfico (clique para ampliar):
Agora fica a pergunta: qual é o seu personagem favorito de Star Wars?
Bombardeio XIII – Sessão da tarde
A Sessão da Tarde é praticamente um ícone cult entre os jovens que viveram nos anos 80 e 90. O programa da TV Globo é exibido, até hoje, após o Vale a Pena Ver de Novo e sempre trazia altas confusões, com uma turminha da pesada. Pois hoje foi a vez dos artilheiros Tauil, Lucas e Marcel mais os nossos convidados Alex e Matt embarcarem num papo do barulho sobre um dos programas mais marcantes de suas vidas. É diversão pra ninguém botar defeito!
Alex (Artilheiro Colaborador)
Olá turminha do barulho, estou aqui para aprontar altas confusões e…
Opa, acho que me empolguei. Mas é uma boa empolgação, porque tenho certeza que frases como essa marcaram cada fase do crescimento de quem aqui lê.
Para nós, cinéfilos, ou até mesmo quem não é, a vida foi bela e doce em frente à TV. As tardes sempre foram recheadas de filmes que nos fizeram, rir, emocionar e sonhar.
Acredito que falo por mim e por uma grande quantidade de gente, quando confesso que após chegar da escola, almoçar uma comidinha deliciosa e assistir a um clássico na telinha da Globo, eu ficava me sentindo o protagonista do filme, e passava o restinho da tarde brincando de sonhar. Já fui o Dragão Branco, já fui um Exterminador, já nadei na Lagoa Azul, já pude voar e dançar, já fui fantasma, fui bandido… bandido legal, aquele que se redime. Já fui um Goonie, já tive mãos de tesoura. Hoje sou adulto, tenho obrigações e compromissos maiores, que não me permitem sentar e apreciar uma bela e antiga obra de arte, mas conheço minhas origens e sei exatamente o que meus filhos vão assistir quando chegarem cansados da aula.
Tauil
Minha infância teve muitos pilares. Um dos mais sólidos, sem sombra de dúvida, foi a Sessão da Tarde. Eu me lembro com saudades do tempo que eu voltava da escola a pé, almoçava e ia fazer a minha árdua tarefa, para depois ficar com a tarde livre. A tarefa geralmente era ligar os pontos de um coelho ou representar as barras de chocolate em fração, o que me tomava muito tempo e energia de raciocínio. Para compensar esse gasto, quase que num ritual, findas as lições eu sempre embalava num filme. E aí não tem Cinema em casa que aguente: é Sessão da Tarde na cabeça. E eu não estava nem aí se a programação era fraca ou repetitiva - aliás, eu até gostava de assistir um mesmo filme várias vezes -, eu só queria ver o meu filme em paz. E se o filme fosse ruim, eu simplesmente tirava um cochilo, de modo que não havia nunca uma possibilidade negativa para as minhas tardes. Dentre os meus clássicos favoritos da Sessão da Tarde estão Um passe de mágica (aquele que a menininha recebe como fada madrinha um atrapalhado inexperiente), Guerreiros da virtude (o dos cangurus lutadores!) e Matilda (bruce!, bruce!, bruce!).
Lucas
Os jovens de hoje reclamam que não tem nada pra fazer, que estão entediados, que a tarde tá um saco. Pois eu concluo: quanto mais opções você tem, mais entediado você fica. Na minha época – puta que pariu, eu sempre quis falar isso -, quando a internet só podia ser usada sábado, depois das 14h00, e domingo até 00h00, a semana pós-aula não exibia muitas opções. Era a TV ou alguns jogos imbecis de computador. Na maioria das vezes, eu escolhi a TV. Não cheguei a pegar a fase gloriosa d’A Lagoa Azul, mas Curtindo a Vida Adoidado e Os Caça Fantasmas com certeza foram filmes que fizeram a minha tarde. Se hoje em dia o espírito nostálgico fosse resgatado pelos responsáveis da Sessão, voltaria a dedicar parte da minha tarde recordando traços da minha infância, sem sombra de dúvida.
Matt Idioteque (Artilheiro Colaborador)
Uma das coisas que mais me incomoda em ter 15 anos é não poder ser nostálgico sem soar idiota, mas é inevitável essa associação da Sessão da Tarde com a infância. E eu falo de filmes que até hoje estão na minha lista de favoritos. Pensar em Sessão da Tarde é pensar em Ferris Bueller, Cameron, McFly, Doc e outros personagens sensacionais. Ok, também é pensar na Brooke Shields sem roupa. Várias vezes. E em meninos reunidos em clubes onde meninas não entram. E no primeiro amor. E em filmes de macacos jogando hóquei. E em uma rainha das trevas que alimenta a imaginação de todo adolescente. E em filmes de bebês inteligentes lutando contra o crime. Tudo com uma narração clichê. Mas sinceramente, tudo isso era MUITO divertido quando se tinha 7 anos e as únicas preocupações com o mundo eram ver um filme legal e fazer a lição de casa, não?
Marcel
Você, com certeza se recorda de “A Lagoa Azul”, “Curtindo a vida adoidado”, “De volta para o futuro”, não é? E “Os Trapalhões”, “Xuxa e…”,“A Lagoa Azul 2 – a volta”, “Menino Maluquinho”, “Os caça fantasmas”, “Esqueceram de mim” (e quase que eu esqueço de novo), “O Máscara”, “Ace Ventura”, “A Família Adams”, “Flinstones”, “Um amigo da pesada”, “Uma turma da Pesada”, “Família Buscapé”, “Os Batutinhas”, “Um doutor Aloprado”, “Querida, encolhi as crianças”, “K-12”, “Uma babá quase perfeita”, “Duas babás quase perfeitas”, “Junior”, “Edward Mãos de Tesoura”, “O Mentiroso”, “Beethoven”, “Dr. Dolittle”? Pronto, fechamos um mês de nostalgia. E pode apostar que, qualquer palavra que eu escrevesse aqui não daria conta de elucidar tanto a sua juventude ociosa da qual você sente tanta saudade. Então minha missão já foi cumprida.
Kick-Ass: O Filme e a HQ
Eu queria fazer três posts sobre Kick-Ass: um a HQ, outra sobre o filme e um terceiro sobre as mudanças que ocorreram na adaptação das mídias. Depois de tentar algumas (várias) vezes, porém, percebi o quão difícil é amarrar as pontas em três posts separados… E isso já me deu uma certa ideia de como deve ser mais difícil ainda conseguir pegar uma história que foi escrita para um tipo de veículo e colocá-la no cinema. Há pouco, conversava com uma amiga que cursa Audiovisual, e confessei algo que arrancou umas boas risadas dela: eu nunca faria um curso assim pois gosto de sentir-me “ignorante” quando o assunto são técnicas para produzir filmes. Sabe aquela coisa de filmar uma cena de 4 ângulos diferentes, repeti-la diversas vezes, usar truques de iluminação, fazer diversos cortes e edições? Eu acho tudo muito interessante, mas tenho certeza que se soubesse como tudo funciona minuciosamente, o cinema perderia um pouco da graça pra mim. Posso resumir esse meu medo em uma criança que não quer descobrir a inexistência do Papai Noel.
Minhas introduções tão ficando cada vez mais poéticas. Daqui a pouco eu viro o artilheiro Marcel. Sem mais delongas, let’s kick some ass!
PS: esse post tem spoiler do começo ao fim. Se você não assistiu ou não leu a HQ, continue por sua própria responsabilidade. Apesar de que eu acho gente que não gosta de spoiler bem fresca. Falo mesmo.
PS2: o post divide-se em 2 partes: na primeira, “A História”, tentarei analisar a história de Kick-Ass como um todo e, para isso, tentarei passar por cima dos momentos em que há diferenciação de mídias. Na segunda parte, tentarei falar da produção do filme, da HQ e de suas diferenças.
PS3: eu tinha um, mas vendi.
A História
Atenção: este artigo contém spoilers
Lembro-me de ficar rindo de algumas cenas do filme horas depois de ter saído do cinema… Não só porque elas eram, de fato, engraçadas, mas por minha identificação com elas. Não, eu nunca me vesti com uma roupa de mergulho, saí por aí combatendo o crime, apanhei e fiquei nu no meio da rua (pelo menos não no mesmo dia). A questão é: que garoto nunca sentiu vontade de ser algo a mais? As pessoas têm uma tendência imbecil de criticar garotos que lêem revistas em quadrinhos sobre a ficcionalidade ali contida… Mas e quanto aos garotos que sonham em serem jogadores de futebol? 90% deles não terão seu sonho concretizado. Pro meu azar, eu sempre quis ser um super-herói OU um jogador de futebol. E tô aqui, fazendo jornalismo.
Kick-Ass conta, basicamente, a história de um garoto que vai mais longe do que eu, meus amigos e você jamais foram: ele alcança seu sonho. Mesmo que através de meios bizarros. Um cara que vai atrás daquilo que quer, simplesmente porque ninguém nunca tentou antes. E, cá entre nós… Por que não? Afinal de contas, se você estivesse na situação de Dave Lizewski, o menino por trás do herói, o que faria? Continuaria sem ser notado pela garota por quem você é apaixonado, sendo ridicularizado no colégio ou partiria para as ruas, combatendo o mal e sendo fucking awesome? Venhamos e convenhamos: são poucas as garotas que te acham legal por, sei lá, ler histórias em quadrinho e/ou saber de cor mais de 10 planetas do Universo Star Wars (Coruscant, Dantooine, Tatooine, Dagobah, Yavin IV (estou esperando o Tauil comentar que Yavin IV é Lua, e não vale), Korriban, Naboo, Hoth, Geonosis, Kamino, Alderaan, Kashyyyk e etc).
Por que diabos Kick-Ass é tão legal?
Venhamos e convenhamos, Mark Millar não é o cara mais polido desse mundo na hora de escrever algo. Se você já leu ou assistiu O Procurado, sabe do que eu estou falando. Então encontrar uma alusão ao uso de cocaína por uma menina de 10 anos, tantas menções de fuck/fucking quanto em Pulp Fiction e diálogos carregados de humor negro não é nada assustador quando trata-se de algo feito pelo escocês.
Kick-Ass é tão awesome porque trata da nossa realidade. Não se passa em um mundo diferente, com pessoas diferentes ou cidades que não existem. Dave pode ser eu, você ou aquele teu amigo que sofre bullying todo dia e gosta da menina popular que só sai com atletas ou com aquele cara que toca baixo e parece o Jim Morrison. Dave é caricato o suficiente para se fingir de gay apenas para aproximar-se da garota. A história é verossímil o suficiente para explicar por que diabos ele apanha tanto e consegue ficar de pé. Dave é tão perdedor e é tão legal que nós sofremos com cada uma das suas derrotas, e ficamos felicíssimos com cada vitória alcançada.
O Filme e a HQ
O universo de Kick-Ass me foi apresentado, pela primeira vez, pelo diretor Matthew Vaughn (que também tem em mãos X-Men: First Class). E foi impossível não gostar desse filme. Sabe quando, antes mesmo de ler a HQ, você já sabe que vai ser épico? Foi assim que eu concebi Kick-Ass, da mesma maneira que concebi Watchmen. Sem preconceitos, sem “esperar muito”. Quando fui assistir a adaptação da história de Alan Moore, aliás (com a mesma amiga que faz Audiovisual), lembro-me de dois amigos dela que simplesmente odiaram o filme. Diziam que não tinha nada a ver com a história, que haviam mudado tudo… E eu não entendi direito. Quer dizer que a HQ era tão melhor assim? Comprei ela um mês depois, a Edição Definitiva. Li assiduamente, e terminei praticamente em 3 dias. Até hoje, é minha graphic novel favorita… Mas não posso dizer que o filme – dirigido por Zack Snyder, que também nos trouxe 300 – é ruim. As poucas adaptações feitas – como o modo com que o mundo é “destruído parcialmente” – foram, ao meu ver, necessárias para enquadrar-se no estilo cinematográfico. Se Watchmen por si só, com todas as mudanças, já cansou e desagradou muita gente que o assistiu, talvez o fracasso fosse maior ainda se a adaptação fosse mais fidedigna ainda. E eu digo mais: mesmo com TODAS as mudanças, ainda acho que foi a melhor adaptação já feita na história do cinema sobre uma graphic novel. Haters gonna hate.
Aí você que viu o filme e não leu a HQ me pergunta: o que tem de diferente? Citarei 3 elementos que, pra mim, são os mais “gritantes”.
- Dave não fica com a garota. Ele chega até a janela dela e grita que “não é gay”, mas antes que ela possa vê-lo, foge.
- Acreditamos durante todo o tempo que Big Daddy, de fato, perdeu sua esposa para a Máfia. Ele, na verdade, era só um bancário com uma vida fracassada que, cansado de tudo aquilo, foge com a filha para tentar dar, para os dois, uma vida “agitada”. Ele não é queimado: morre logo depois que Hit Girl é alvejada e cai pela janela. Tinha tantas armas não por ser um ex-policial, mas por ter uma coleção inigualável de HQs valiosas.
- Só descobrimos que Red Mist é filho do chefe da máfia quando ele e Dave chegam à emboscada preparada para Big Daddy e Hit Girl. Antes disso, a HQ propõe que ele é, de fato, um herói que se inspirou em Kick-Ass.
Um dia desses, conversando com outro amigo – que me emprestou as HQs do Batman e a própria história do Kick-Ass, em inglês -, chegamos à uma óbvia conclusão (que desagrada todo e qualquer fã xiita): essas adaptações são, de certa forma, necessárias. O cinema está acostumado a produzir histórias assim; uma motivação “nobre” para um pai, que deseja vingar sua amada. Algo no estilo de Frank Castle (Punisher/Justiceiro), que chega a ser citado por Dave ao conhecer o passado falso do herói. Se Kick-Ass não ficasse com a garota, não ia parecer tão legal para o público em geral. E o terceiro ponto, sobre Red Mist, traria uma reviravolta complicada ao roteiro: como não mostrar o desenvolvimento do personagem (no caso, interpretado pelo prodígio Christopher Mintz-Plasse, o McLovin de Superbad) que precisa provar algo para o pai? Como não mostrá-lo na cena inicial, na loja de quadrinhos?
Eu tenho um conselho para todos os fãs que odeiam adaptações para o cinema por causa dessas mudanças: parem com isso. Vocês sempre imaginaram como seria maneiro ver seu herói favorito em uma telona. Interpretado por atores de verdade. Deem uma chance para os estúdios, para os diretores, para os atores. Alguns deles – e cito aqui Ryan Reynolds – podem ser tão fãs quanto vocês. E, leiam de novo: adaptações são necessárias.
Guardei o último parágrafo para citar a atuação de Aaron Johnson, que interpreta Dave/Kick-Ass. Acharam estranho eu não tê-lo citado até agora, certo? A questão é simples: o garoto vai longe. Antes mesmo de ver Kick-Ass, eu assisti Nowhere Boy (em breve no AC), filme que conta a adolescência de John Lennon. Ao assisti-lo, você consegue enxergar nitidamente o talento do inglês de olhos azuis que só tem um caminho, tratando-se de cinema: pra cima. Vale o comentário também que Chloe Moretz pode seguir na mesma direção. A intérprete da Hit-Girl já havia roubado a cena interpretando a irmã caçula de Tom em 500 Dias Com Ela. Em Kick-Ass, sempre que aparece, torna-se o centro das atenções… E pode seguir um caminho brilhante em alguns anos. Resta esperar pra ver.
Leia a HQ, assista o filme, compare os dois com seus amigos… Faça disso tudo a mesma coisa que Kick-Ass desejava desde o começo: se divertir. É pra isso que histórias em quadrinhos são escritas e filmes são feitos (sim, estou sendo idealista por um segundo e esquecendo os milhões de dólares).
Meu nome é Lucas Baranyi, e um dia eu ainda vou me vestir de Capitão América. E você?
Shaun Of The Dead

Sofremos de um grande problema no Brasil – e acredito que não exclusivamente aqui -: a tradução de títulos. Tomo como exemplo o dia em que conversava com um amigo sobre um assalto na Itália, com Mark Whalberg. A questão é: como eu sou auto-didata em inglês, sem nunca ter frequentado aulas específicas (matava as aulas de inglês do colégio porque sabia mais que a professora), pratico a língua assistindo filmes sem legenda e lendo livros estrangeiros. Pra mim, esse sensacional filme (que terá, em breve, seu espaço no AC) era The Italian Job. Para o meu amigo, porém, o título era Uma Saída de Mestre. Depois de alguns minutos eu consegui conectar os dois títulos, e me decepcionar de novo. O filme é uma refilmagem de um título homônimo com Michael Caine, cujo título em português é Um Golpe à Italiana. Se o título fosse o mesmo, o constrangimento de ver mais uma alcunha cuja única palavra cabível pra definir é charlatã seria evitado. Acredito que você, leitor/leitora do Artilharia, sabe de cor uma série de exemplos péssimos para filmes traduzidos. E é com esse simples parágrafo que eu explico minha decisão de ter colocado, ali em cima, o título original do filme Todo Mundo Quase Morto (dói só de escrever).

Simon Pegg é o tipo de ator que você acha familiar, mas não lembra bem de onde. Ele teve um papel em Band of Brothers, em M.I: III, e em alguns shows de comédia britânicos. O que importa mesmo, aqui, é que o cara é bom. Isso é, se você gosta do senso de humor inglês. Não teria coragem de comparar nada no mundo com Monty Phyton, mas é interessante colocar o melhor programa de comédia de todo o mundo para bater de frente com Saturday Night Live. Eu nunca entraria em uma discussão para saber qual é melhor, pois são dois tipos diferentes de programa… Mas à título de humor inglês vs. humor norte-americano, colocar SNL ao lado de Phyton é cabível.
Shaun Of The Dead já começa com uma referência ao sensacional filme de zumbis Dawn Of The Dead (Despertar dos Mortos, no Brasil). O fato do trocadilho só ser possível na língua anglo-saxã, porém, não é justificativa para deixar um filme com o aspecto de imbecil. Se não fosse o Artilheiro Tauil e meu respeito com qualquer filme britânico de comédia, eu não assistiria Shaun. Mas assisti. E é impagável.
O protagonista, Shawn (Pegg) é um homem que tem uma rotina cravada: acorda, compra uma coca-cola light (depois de titubear e quase pegar uma normal), compra o jornal, vai para o trabalho que odeia (vendedor de uma loja de eletrodomésticos), enche a cara num pub e volta pra casa. Entre o pub e a casa, tem discussões com sua namorada, que não aguenta mais a rotina fracassada dele. Podemos compará-lo, então, com um zumbi. Shaun vive com mais dois amigos: Ed (Nick Frost), um fracassado que só fica em casa bebendo cerveja e jogando Playstation 2, e Pete (
Peter Serafinowicz), que também sai pra trabalhar como Shaun, mas odeia Ed. Uma epidemia que mata diversas pessoas em Londres e as transforma em zumbis dá o gás para o filme… Mas, até agora, tudo isso parece tornar o filme mais um, em meio de tantos outros… Certo? Sim. Isso porque não chegamos na melhor parte.

Shaun of The Dead é repleto de referências à cultura pop e infestado com tiradas típicas do humor britânico. Podemos começar por Shaun, que se arrasta feito um zumbi no começo de seu dia, e é “alheio” à tudo que ocorre em sua volta. É interessante observar que, no começo da epidemia zumbi, ele sequer percebe que as pessoas à sua volta estão desmaiando, e ele continua seguindo seu caminho. Avançando um pouco o filme, quando a TV está noticiando o possível “fim do mundo”, em uma rápida troca de canais, a música Panic, do grupo inglês The Smiths está sendo tocada na MTV, justamente no trecho “Panic in the streets of London” (Pânico nas ruas de Londres, numa tradução livre). Um outro programa de TV, provavelmente o National Geographic, exibe uma luta entre animais, enquanto o narrador vocifera: “(…) que são devorados vivos”.
Uma das cenas que merecem ser destacadas é a luta de Shaun, Ed e Liz (Kate Ashfield) contra um zumbi, dentro do pub Winchester: uma jukebox começa a tocar Don’t Stop Me Now, do Queen. Eles batem com tacos de sinuca no zumbi ao ritmo da música, o que cria um momento simplesmente épico do filme.
Shaun Of The Dead é o tipo de filme que você tem que assistir quando não tem nada pra fazer e quer se divertir bastante com piadas bobas, mas inteligentes ao mesmo tempo. Quando você quer sentir-se num apocalipse zumbi (quem nunca quis?). Quando tu quer rir um pouco, sem muito compromisso.
Shaun Of The Dead
Nota AC: 8,0
Direção: Edgar Wright
Elenco: Simon Pegg, Nick Frost, Kate Ashfield, Lucy Davis, Dylan Moran, Nicola Cunningham
Duração: 99 min.
Ano: 2004
Especial Anjos da Noite – Underworld
por Marcel
Final de férias e a necessidade de se lançar a algum afazer banal, para acabar com o tédio da sua rotina – se você tem, é quase indispensável. A vontade de fazer algo de útil do tempo de ócio pode ser facilmente saciada quando se encontra uma série que te envolve, um game que lhe interessa ou ainda um filme que o emocione.
Vou mostrar-lhe, soldado, uma forma interessante, assustadora e violenta – claro que tudo isso passara dentro do DVD – de aproveitar este tempo. Serão de longe, a maior dose de Vampiros, Lobisomens, tiroteios, história e Kate Beckinsale numa roupa de couro que poderá encontrar. E se gosta pelo menos de um destes elementos, estaremos falando na mesma língua.
O Vampiro
Ouvi dizer que o personagem do vampiro voltou ao cenário popular. Eu discordo. Entre minhas listas de melhores filmes de terror e suspense que tratam da figura, não existem menção alguma de um bom filme do tipo depois de 2003. Nem ao menos o último fervor causado pelos Best-sellers da Saga Crepúsculo onde a figura mítica do vampiro é completamente desfigurada por uma história de amor puritano, purpurina e Volvos.
Na humilde concepção do artilheiro que vos escreve, o ano de 2003 guardaria então o último bom título que trata da figura. Um filme que merecia continuação – e teve. Underworld, ou Anjos da Noite aqui no Brasil, foi um filme que me pegou desprevenido aos 13 anos. Não vi ali, nada mais que um filme de ação, algum suspense, bestas, armas e ação desenfreada. E como o filme havia sido lançado no circuito nacional poucos anos após ao Matrix (1999), muito se comparou, erroneamente. Sinceramente, meu desconhecimento sobre o roteiro permaneceu até o ano de 2009 quando tive a oportunidade de ver o terceiro filme de série. Só então neste ano, numa proposta indecente de uma fã , aceitei ver todos os três, e na seqüência cronológica. Depois de terminada, a experiência deu origem a este apanhado, que adotei como homenagem ao filme. Uma obra que, se não é algo épico, fez e fará despertar o interesse de uma nova geração as figuras do vampiro e lobisomem. Este especial nasceu com o intuito de comentar, opinar, mas, principalmente, sugerir que o soldado caia de cabeça no enredo, livre das tendências – que julgam o filme como ação e aventura – e ceda o pescoço aos Anjos da Noite.

O filme é escuro…
É importante o alerta: o filme é essencialmente escuro. A fotografia torna-se muito caricata por isso. O bom grado que há em ver as cenas num tom de penumbra é bem explorado. Com exceção de alguns momentos em que a vista se farta de tal falta de iluminação, o filme caminha bem e até consegue pontos ao ser a marca registrada da série.
e anacrônico
Uma dica de quem já viu: A produção dos filmes foi feitas na ordem de lançamento, não na linha cronológica. Isso causou certos transtornos à produção dos filmes seguintes da série, e é possível observar alguns erros de seqüência causados por isso. A jogada foi totalmente mercadológica visando continuar a série caso fosse lucrativa. Em outras palavras, se o soldado puder, mude a seqüência que vai vê-los. Comece por ver Anjos da Noite III como um prelúdio – pois a história do terceiro filme da série se passa antes do primeiro; e só depois veja os dois primeiros filmes na ordem exata.
Ordem sugerida:
- Anjos da Noite – A rebelião III;
- Anjos da Noite – Underworld I;
- Anjos da Noite – A revolução II.
Curiosidade
Kate Beckinsale, musa do artilheiro, é casada com um dos maiores nomes por detrás da produção da franquia. Len Wiseman: e como o próprio sobrenome soa, foi um homem sábio em agarrar a morena.
Anjos da Noite I – Underworld
Atenção: esse artigo pode conter spoilers.
O primeiro filme da série começa na clássica cena de uma mulher em roupa de couro agachada num beiral. O ano é um aparente pós-século 21. Tempo atual. Selene (Kate Beckinsale) é uma matadora de lobisomens (que são tratados no filme e por todo este post de “Lycans”) e encontra-se cercada por eles numa estação de trem. O fato é que, do lado oposto de seu modo de vida – escondendo-se durante o dia, caçando monstros durante a noite, existe uma tribo de lobisomens devidamente organizada e pronta para virar a guerra contra os vampiros. Guerra que acontece há milênios.
Na verdade, os lobisomens – figuras selvagens, logo, ignorantes – parecem estar mais organizados do que nunca. No ataque aos vampiros na estação de trem só Selene, em um grupo de vampiros, sobra para contar o massacre. A guerreira foge com muita astúcia já que o duelo frente a um Lycan é quase que morte certa. Quando volta a mansão dos Anjos da Noite, a caçadora percebe que há algo de covarde no reinado de Kraven (Shane Brolly) que assumiu o o trono depois que Viktor (o excelente Bill Nighy) tirou seu século de férias e está dormindo. As respostas que Selene busca sobre os Lycans e a morte de seu lendário líder Lucian (o carismático Micheal Sheen) vão esbarrar em mais segredos podres sobre a sociedade vampiresca. Ela descobrirá que os Lycans tem um plano e ele envolve Michael Corvin (Scott Speedman), um sujeito aparentemente comum, mas que carrega em seu corpo um sangue de uma linhagem rara. O conflito passa então acontecer acerca do único humano da trama. Selene rebela-se contra Kraven e os vampiros e figura-se como aliada ao humano, mesmo sabendo quanta luta e perseguição isso causará.
Elementos
Wiseman, e a dulpa que o deu uma mãozinha no roteiro trataram de ler e aprender muito sobre a figura clássica das bestas medievais. O vampiro e o lobisomen são muito bem caracterizados. O filme ainda tem muitos elementos, como Sci-fi nos aparatos, armas e equipamentos dos caçadores de Lobisomen, além dos efeitos especiais. O filme é banhado de ação, que dá conta de travar qualquer soldado sedento por sangue na cadeira. E por fim, a película trata da mitologia com pouco suspense. Não há um vampiro que se esconde nas cortinas para atacar a moça virgem, o que existe uma forte inversão desses valores: o vampiro é o foco, o coadjuvante, o herói e o vilão.
Mesmo que seja difícil de eleger um herói na obra. Alguns se identificam mais com o personagem de Lucian – um Lycan, outros torcem pelo triunfo dos Anjos da Noite, mas a maioria fica do lado de Selene e seu affair Micheal Corvin que passam o primeiro filme revelando segredos e matando todo mundo pelo caminho.
Portanto, leitor, se você procura um bom filme de ação com uma seqüência decente, comece quanto antes a ver Anjos da Noite. Não verá um clássico do gênero do terror ou do suspense, nem lhe prometem isso. Mesmo assim, a obra de Wiseman encherá seus olhos por uma boa hora. O filme corre eletrizante, com belíssimos efeitos especiais e atuações dignas de atores pouco conhecidos. Além do que, se você gostou, anime-se, esse é o pior filme da série.
Vá em frente, pegue Anjos da Noite e veja a maneira a qual se é original no roteiro e ao mesmo tempo se respeita a figura que Bram Stoker, autor do primeiro romance a tratar do vampiro que conhecemos, criou em 1897.
Le petit Nicolas
Eu sei que falei na resenha de O pequeno traidor que fazia tempo que um filme não me descia tão bem. A verdade é que eu ainda não tinha assistido Le petit Nicolas (ou O pequeno Nicolau, no Brasil – não entendi porque traduziram Nicolas para Nicolau… enfim).
Nicolas é um jovem que estuda num colégio conservador, só de meninos. Sua vida é como de qualquer outro menino de classe média. Seus colegas de sala são personagens caricatos: Alceste, o gordinho; Geoffroy, o riquinho; Agnan, o queridinho da professora; Eudes, o menino que quer ser ladrão; Rufus, o menino que quer ser policial; Clotaire, o burro e Joaquim, que já falo dele já já. Embora seja o ambiente perfeito, eles não estão unidos como Os batutinhas, que faziam clubes fechados para mulheres – aliás, mulher definitivamente não é a preocupação desses meninos -, eles estão unidos por um ideal diferente: Joaquim, um dia, revelou a todos no intervalo o quanto estava bravo porque seu irmãozinho acabara de nascer. Os meninos foram unânimes em dizer que Joaquim, em breve, seria substituído e teria que ir dormir no jardim com o cachorro. Coincidentemente, assim que voltaram à aula, a professora trabalhou com eles o conto dO pequeno polegar, no qual, vocês sabem, o personagem é abandonado pelos pais na floresta.
Em casa, Nicolas se lembra da descrição que Joaquim fez do fato: tudo começou com seu pai ficando excessivamente carinhoso com sua mãe. Não preciso dizer que uma série de situações parecidas surgem para Nicolas, que entra em estado de pânico, pensando que também vai ter um irmãozinho. Aí entra os amigos já apresentados, que se unem para impedir que Nicolas seja abandonado. Embora sejam personagens caricatos, posso garantir que conseguiram escapar de alguns clichês iminentes, como por exemplo o gordinho estragar tudo por comida ou o burro fazer caretas do tipo Kiko em “não deu”. Os planos dos moleques são bem flexíveis, e vão de comprar rosas para a mãe de Nicolas (para que ela seja piedosa e resolva mantê-lo) até contratar um gângster para dar um sumiço no bebê.
Acreditem em mim quando eu digo que Le petit Nicolas é um filme bom: é leve, engraçado, colorido e curto. E o melhor é que não há nada dispensável no filme: em 90 minutos ele consegue conduzir muito bem mais de um foco de história, pois o pai de Nicolas também tem um destaque ao tentar ser promovido em seu emprego. E não se engane: embora sutil, Le petit Nicolas não é um filme para a sessão da tarde, não acho que seja infantil. Mas ainda assim é impossível não rir ao se lembrar das merdas que você também fez na infância. O pequeno Nicolau foi direto para a minha estante de filmes favoritos e o Clotário para a lista dos meus personagens preferidos.
Le petit Nicolas
Nota AC: 10
Direção: Laurent Tirard
Elenco: Maxime Godard, Valérie Lemercier, Kad Merad, Sandrine Kiberlain.
Duração: 90 min.
Ano: 2010
Especial Quentin Tarantino – Pulp Fiction
ATENÇÃO:
Se você nunca assistiu Pulp Fiction, eu aviso: essa resenha contém spoilers e está mais confusa do que ano eleitoral. Se, ainda assim, você optar por ler, sugiro que siga a ordem numérica estipulada abaixo. Isso também serve pra quem não quiser arriscar ler na ordem estipulada no post. Hoje, às 19h00, ocorrerá o sorteio dos dois ingressos para Death Proof. O resultado sairá no twitter do AC.

5
O plot? A gente pode resumir isso, né? Afinal de contas, somos todos íntimos de Pulp Fiction. Essa, vale comentar, é a primeira resenha que eu faço sem senso nenhum de ridículo e/ou estética. Estou me imaginando em uma mesa de bar, conversando sobre um dos meus filmes favoritos. E o quão sensacional é pensar que a maleta que rende 2/3 das desgraças que acontecem no filme saiu de Cães de Aluguel? E, melhor ainda… Nós não sabemos o que tem nela. Pessoas especulam que é a alma de Marsellus (o band-aid na nuca dele, um dos pontos mais importantes do corpo, poderiam confirmar isso), enquanto outros, mais céticos, dizem ser apenas diamantes (isso explicaria o reflexo que ela causa, quando aberta).O que importa é que você não vê isso em outro filme. Tá, a Marvel Studios ta fazendo crossovers entre os filmes, mas o ano era 1994, cara. É quase a continuação do filme. E vale lembrar que não é só isso que acontece. Paralelamente, temos a história de Butch (Bruce Willis), boxeador que tinha um acordo com Marsellus, ferra tudo e depois tem que tentar consertar a besteira (com uma Hattori Hanzo) pra não perder a vida. E no meio de tiroteios, diálogos ácidos e inteligentíssimos, nós só teremos uma conexão entre tudo isso perto do fim do filme. Que, na verdade, não é o fim e… ah, dane-se. Vocês entenderam.
3
Tarantino tem um talento que poucos diretores tem: ressuscitar atores. John Travolta era o cara do Grease e d’Os Embalos de Sábado à Noite, até aparecer em Pulp Fiction. Samuel L. Jackson não era ninguém. Falem o que falar, pra mim o melhor papel da carreira desses dois é Pulp Fiction. Jackson pode vencer qualquer discussão com aquela barba, e se começar a citar a Bíblia, é porque você perdeu feio. Travolta, então, não precisa fazer muito. Se dançar um pouco e enfiar uma injeção de adrenalina no peito de alguém, já ta de bom tamanho.
2
O que dizer de um filme que não tem começo, nem meio, nem fim? Ele não é dividido cronologicamente, como Bastardos Inglórios. Ele também não é “meio bagunçadinho”, como Reservoir Dogs. Pulp Fiction começa pela mesma cena que vai dar o fim ao filme, tem duzentas reviravoltas que não fazem sentido nenhum, e cenas antológicas o suficiente para quebrarem as pernas de qualquer filme que vocês colocarem na roda. Qualquer um. Sério. Eu conheço uma pessoa que não gosta de Tarantino, e a sorte dela é que ela é bonita, porque é meio complicado manter uma amizade com alguém desse tipo.

8
Por tudo isso que eu disse e por uma infinidade de motivos, Pulp Fiction pode ser considerado o filme de uma geração. O filme que representou os anos 90, e, principalmente, a grande obra-prima de Quentin Tarantino, que – com esse filme – conseguiu consolidar um estilo de filmagem, de diálogos, de roteirização… Seu próprio estilo, que é impossível de se copiar. Nenhum outro diretor teve tanto carinho com suas influências à ponto de homenageá-las em todos os filmes que realiza. Nenhum diretor teve tanta ousadia em misturar ultraviolência com roteiros inteligentes, não ao dosar as duas, mas criando uma overdose de todas as características que seus filmes carregam. Pulp Fiction é uma injeção de adrenalina direto no seu peito, fazendo efeito por 2 horas e 28 minutos. E, até hoje, é um dos melhores filmes já feitos.
4-6
Referências Tarantinescas. Você não tava esperando que isso fosse organizado como foi em Bastardos Inglórios, né? Estávamos na disciplina militar, lá. Aqui é terra de ninguém. Se você já assistiu Cães de Aluguel, deve ter percebido que Vic Vega, é irmão do personagem de John Travolta (Vincent Vega). E se você acha que Tarantino só deixou essa pista, olhe atentamente a cena em que o porta-malas do carro em que Jules e Vincent levantam o capô do carro, com o morto dentro. Ao lado dele, está o mesmo galão de gasolina usado por Blonde para colocar o policial de Reservoir Dogs em chamas. A ligação com Cães de Aluguel vai mais longe: Steve Buscemi é o garçom fantasiado de Buddy Holly que, quando interpretando Mr. Pink, recusava-se à dar gorjetas para garçonetes. Harvey Keitel tem sua participação em Pulp Fiction, como um enviado de Marsellus Wallace (o chefão da parada toda), para tentar dar um jeito no carro que Vega, ahm… Danificou.
Tá faltando referência, né? Vou fazer melhor do que deixar aqui. Nesse link você vai encontrar uma bíblia sobre Tarantino. Todas as referências legais, as curiosidades… Tudo bacana mesmo sobre o diretor e seus filmes encontra-se aí. Então eu não vou encher esse post com informaçõe sque você mesmo pode buscar; to aqui pra falar do que me dá tesão nesse filme.
E venhamos e convenhamos, algumas cenas são psicologicamente afrodisíacas. Sabe quando você tem um orgasmo mental? Foi isso que eu senti com o diálogo entre Travolta e Thurman na lanchonete.
Mia Wallace: Você não odeia isso?
Vincent: Odeio o que?
Mia: Silêncios desconfortáveis. Por que sentimos que é sempre necessário falar sobre qualquer merda para que possamos nos sentir confortáveis?
Vincent: Não sei. É uma boa pergunta.
Mia: É nessa hora que você sabe que encontrou alguém realmente especial: quando você pode simplesmente fechar a droga da boca por um minuto e, confortavelmente, compartilhar do silêncio.
Ou então a participação de Tarantino, como Jimmie, tendo que ajudar Jules e Vincent a darem um jeito no carro todo manchado de sangue e cérebro. Falando nisso, o quão genial é a cena de Travolta simplesmente explodindo os miolos do cara do banco de trás? Não faz sentido algum, e ao mesmo tempo, é de – com o perdão do trocadilho – explodir cabeças. E, se tudo isso ainda não mexeu com você, eu duvido que você não ficou tenso com a agulhada no peito de Thurman quando ela tem uma overdose de pó.

1
Entrar para a história é para poucos. Se você ver um imbecil andando com um capacete do Darth Vader por aí, como se não houvesse amanhã, você reconhecerá o personagem. Saberá, ao menos, de onde ele veio.
E agora eu tomo alguns segundos do caro leitor para perguntar: você sabia que na França, o Quarteirão com Queijo não é chamado assim? Porque lá eles não usam o sistema métrico, e tal. O lanche é entitulado Royale with Cheese. Cara, você pode pedir uma cerveja em um Mc Donalds na França. Já o Big Mac é simplesmente Le Big Mac.
É referência o suficiente pra você? E se eu citar Ezekiel 25:17? Ou, talvez, a música You Never Can Tell, de Chuck Berry? Talvez se eu dançar um pouco de twist?
Eu já discuti com vários de fãs de Tarantino sobre minha preferência por Cães de Aluguel… Mas, quando você assiste com atenção o suficiente, quando você para pra olhar… Pulp Fiction é uma obra prima. Pulp Fiction é o tipo de filme que tem seu próprio gênero. E esse gênero é bad motherfucker.

7
Como eu havia dito alguns posts atrás, aliás, Tarantino é mestre em matar personagens badass da maneira mais caricata possível. E como você já assistiu o filme – se não tivesse assistido, não chegaria até aqui -, você deve se lembrar da morte de Vincent. Pô, cara, o Butch mata o cara porque se assustou com uma torradeira. Ele descarrega uma sub-metralhadora num cara que acabou de sair do banheiro. E quando você pensa que o cara da loja de armas vai ligar pra polícia, o desgraçado é um maníaco sexual que decide estuprar Marsellus.














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