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Archive for the ‘Bombardeio’ Category

Bombardeio XVI – Anti-heróis

Todos nós conhecemos um personagem, seja da literatura ou do cinema, cujas atitudes não são nem um pouco dignas de um herói, mas seus fins o são. É, exatamente isso… Aquela coisa de os fins justificam os meios, sabe? Estamos falando de anti-heróis. Aquele personagem que, mesmo tendo todos os motivos para ser odiado, é idolatrado por muitos. Nesse domingo, os artilheiros convidaram @losersomething para falarem de seus anti-heróis favoritos.

Han Solo (Lucas)

Na saga Star Wars, é meio impossível não querer ser Han Solo. O garoto Skywalker até tem seus méritos, afinal de contas, ele é “o último Jedi” e traz equilíbrio à galáxia (ou não… mas essa é uma longa história), além de – obviamente – portar um sabre de luz. Mas Han Solo, ainda assim, consegue ser mais legal.

Homens, venhamos e convenhamos: nós sabemos que a maioria das garotas tem uma quedinha (pra ser educado) pelo tipo de cara personificado por Harrison Ford no papel. Meio cafajeste, meio sem-vergonha, engraçadinho, charmoso e muito bom no que faz. Esse é Han, que só oferece ajuda à Luke para receber algo em troca. Enquanto a Aliança Rebelde luta contra o Império para a libertação da galáxia perante o regime imposto pelo Imperador Palpatine, Han interessa-se (junto com seu amigo Chewbacca, um Wookie que faz você querer mais ainda ser Solo) apenas em recompensas. Solo tem o “melhor amigo” fodão, e o “carro maneiro”. Porque, falem o que quiser. Falem da Enterprise, ou de qualquer outra nave. Na história da ficção, nada supera a Millenium Falcon.

Se isso tudo não serviu pra te convencer, vou usar o argumento imbatível: ela fica com a mocinha no final. É fodeza demais para um personagem só.

“Princesa Léia: Eu te amo.

Han Solo: Eu sei.”

Lord Henry (Tauil)

O meu anti-herói escolhido só podia ser um dos personagens mais interessantes de toda a literatura ocidental: Lord Henry Wotton, criado por Oscar Wilde para seu livro O retrato de Dorian Gray. Pra quem não leu, fica a indicação. Pra quem já leu, sabe que Lord Henry é n vezes mais profundo que o próprio personagem principal, o ingênuo e jovem Dorian. Henry é o autor das melhores frases do livro (algumas delas bem famosas) e dizem que a pessoa que o inspirou foi seu próprio criador. Porque assim como Oscar, Lord Henry é cínico e hedonista, ou seja, valoriza a beleza e o prazer acima de tudo. E é ele quem alicia Dorian à sua ruína através de sua visão de mundo. Não fosse esse aristocrata pedante, O retrato de Dorian Gray certamente não seria um terço do que é. Sei que recentemente houve uma adaptação cinematográfica da obra. Ainda não vi, mas sempre temi pelo o que poderiam fazer com Lord Henry Wotton: um personagem desse naipe deveria ficar intacto nas páginas que o originaram. Pra fechar, dois dos muitos grifos de Lord Henry que fiz em meu exemplar:

“Certas criaturas têm a mania de dar bons conselhos, precisando tanto deles para si… É o que chamo de o cúmulo da generosidade”.

“Mas os poetas medíocres são encantadores. Quanto piores os versos, tanto mais pitoresco é o poeta. O simples fato de haver publicado um livro de sonetos de segunda ordem torna um homem absolutamente irresistível. Ele vive a poesia que não soube escrever. Os outros escrevem a poesia que não conseguem concretizar”.

Trent Reznor (Marcel)

O cara que para mim representa a fodeza de poder ser mau e adorado se chama Trent Reznor e está na música. Se você não o conhece, saiba que ele é vocalista, produtor musical, multiinstrumentista e líder da maior banda de rock industrial de todos os tempos, o Nine Inch Nails. Reznor tem um ego colossal, e todo mundo sabe de seus modos agressivos e negligentes em suas atitudes, ofendendo as crenças dos ouvintes, maldizendo tudo e a todos. Suas músicas fazem referências fortes e explicitas ao sexo, as drogas, a homossexualidade, ao ateísmo e, segundo a leitura de muitos, até ao satanismo. Mas de pé, no palco, acima daquele mar de fãs sedentos por sua atitude espontânea e incômoda, Trent Reznor é um desses personagens que estão num nível complexo e elevado demais para serem chamados apenas de herói.

O Comediante (Gabs)

“Blake viu a face verdadeira da sociedade. E optou por ser uma paródia dela. Uma piada.”

Fala exatamente o que pensa, mata vietnamitas grávidas, fuzila rebeldes, estupra mocinhas que andam com roupinhas curtas e meia-liga de fora. Edward Blake, para mim, é, sem sombra de dúvidas, um dos maiores anti-heróis da ficção. Além de ser todo bonitão e despertar calores no publico feminino inteligente, carrega em sua essência uma profundidade jamais esperada de um personagem como ele. Espelho de uma sociedade doente – a qual faz parte o seu contexto – O Comediante é um dos poucos que assume quem realmente é, e ainda faz questão de mostrar que toda humanidade carrega consigo a genética impiedosa.

Nessa situação, é extremamente difícil lhe expor em poucas palavras, assim como qualquer personagem de Watchmen. Mas vale lembrar que, mesmo carregando essa personalidade, ele ajudou a sociedade do único modo que conseguiria: matando. Fossem eles inimigos ou cidadãos, Edward Blake aniquilava qualquer imbecil que entrasse em seu caminho, sempre justificando com um afiado – e plausível – discurso: todos estamos corrompidos. E mesmo diante de toda carnificina, ele ainda consegue nos mostrar que a superficialidade não faz parte de sua essência.

“Um homem vai ao médico e diz que está deprimido. Que a vida parece dura e cruel, e que ele se sente sozinho neste mundo ameaçador. O médico diz: ‘O tratamento é simples. O grande palhaço Pagliacci está na cidade. Vá assisti-lo, isso vai alegrá-lo’. O homem começa a chorar copiosamente. Ele diz: “Mas doutor, eu sou o Pagliacci.”

Uma piada boa. Todos dão risadas. Rufem os tambores. Desçam a cortina.”

Bombardeio XIV – Heróis

Você já viu o nosso Bombardeio sobre os vilões. Agora, com a participação especial do artilheiro colaborador @filipekiss, chegou a vez de falar sobre os benfeitores, os mocinhos, aqueles que lutam contra o mal, salvam o dia e ainda têm tempo de estudar, trabalhar ou envolver-se em um relacionamento amoroso complicado: os heróis! Acompanhe a seleção destas figuras que estão no imaginário popular desde os mais remotos tempos da humanidade:

Batman (Filipe Kiss)

Mau-humorado, talvez até revoltado e com um sentimento de vingança e justiça além do comum. Um homem sozinho que, devido a um trauma que sofreu na infância, hoje usa toda sua riqueza pra colocar bandidos atrás das grades. Apesar de algumas vezes contar com a ajuda de seus parceiros, geralmente trabalha sozinho e prefere assim. Não conta com super-poderes propriamente ditos, mas sua capacidade intelectual e a vontade de descer a porrada fazem dele um ótimo justiceiro. É o herói que Gotham merece. Mas não o que ela precisa. Não é um herói. É um guardião. Batman.

Seiya de Pégaso (Marcel)

Eu não sei onde estive enquanto todos os meus amigos liam HQ’s. Tive uma infância meio sem muitas referências fictícias, não via muitos filmes, nem tinha contato com a literatura. Eu soltava é pipa e arrancava as tampas do meu dedão. No fim, ao ver que o Bombardeio falaria de heróis, me vi encurralado a colocar meu pai aqui. É, também acho que não ficaria legal, apesar de ficar bonito e tal. Acabei mudando de idéia. Resolvi pensar: tentei de tudo pra lembrar em que eu me espelho, quem é o  herói destemido que envolve todas aquelas características que admiro para me espelhar; até regressão eu tentei para ver se eu me recordava, mas não rolou muito. No fim das contas, o que esteve mais firme na minha recordação foi o Seiya de Pégaso, dos Caveleiros dos Zodíaco. Aquele cara do cabelo armado que vive gritando, chorando e sendo envenenado. Enfim, se você conhece o Seyia, provavelmente o odeia (opa, rimou). E se odeia, o faz por não suportar sua chatice e teimosia para salvar sua Saiori, sua deusa. Tá certo, que fanatismo, religiosidade e etc. não são lá coisas que eu venero, ou que me valem algum centavo, mas taí um alienado que eu gostaria de ser. Ele está sempre a liderar, a encorajar seus companheiros. Seus dias nunca começam pelo pé esquerdo (ele sempre se fode) e mesmo assim não abaixa a cabeça. Se você ainda não se convenceu saiba que o rapaz luta contra imperadores, deuses míticos, reis e espectros do inferno e tem apenas treze anos. Isso mesmo, treze anos e um puta currículo vitae de cavaleiro de bronze. Pois então, que a coragem, a teimosia e principalmente a capacidade de fazer tudo errado e ainda vencer no final do Seyia, esteja com todos nós!

E um salve ao Masami Kurumada e ao meteóóóóóro de pégasuuus.

Foi mal Goku!

Isaac Newton (Alice)

Ele não tinha super poderes. Ele nunca lutou contra as forças do mal. Ele é odiado por grande parte da classe estudantil que se recusa a decorar suas leis. Ele foi arrogante, sarcástico, antipático, solitário, intolerante e um dos maiores gênios que o mundo já teve.
Além de realizações medianas, como ter formulado as tais leis que regem os movimentos dos corpos e a lei da gravitação universal, ter desenvolvido o que ficou conhecido como “binômio de Newton” e o “cálculo fluxional” e ter feito descobertas importantes sobre óptica, ele definiu uma data para o apocalipse e deixou outros estudiosos da época no chinelo. Sabe aquela frase que você encontra em perfis de redes sociais atribuída a ele, “se vi mais longe foi por estar de pé sobre ombros de gigantes”? O gigante em questão era o cientista Robert Hooke, de quem Newton gentilmente surrupiou dados por ele calculados e que tinha uma estatura bastante abaixo da média. Tem como não amar?
Isaac Newton foi físico, matemático, filósofo, astrônomo, alquimista e teólogo. Duvido que o Lanterna Verde carregue tantos títulos quanto ele. Ou que o raciocínio do Flash mereça as mesmas honras que o desse cara. Certo, ele morreu virgem, com problemas renais e sem um único amigo, mas poucos deixaram um legado tão importante para a humanidade. Ganhe dessa, Super Homem.

Chapolin Colorado (Tauil)

Se você está se perguntando “ué, como assim Chapolin Colorado?”, saiba que sua vida foi até aqui em vão. Não conhecê-lo ou não achá-lo digno de figurar numa lista ao lado do Batman, por exemplo, para mim é quase um crime. Criado e interpretado pelo mestre Roberto Bolaños, o mesmo do Chaves, o Pequeno Polegar, como também era chamado, representa a essência da infância de muita gente. Podê-lo ver ajudar as donzelas e combater os malfeitores todas as tardes no SBT era risada garantida. Munido apenas de sua marreta biônica e suas anteninhas de vinil, Chapolin já enfrentou piratas, discos voadores, bebês gigantes, criaturas sobrenaturais e inclusive já foi a Marte. Superpoderes? Besteira. Chapolin só precisa de sua astúcia (com a qual vocês não contavam) para fazer valer a pena os episódios da série que hoje, infelizmente, não estão mais no ar. Assim os bons não podem mais segui-lo, mas podem torcer para que o SBT tenha mais um surto e mude toda a sua grade de programação, como acontece sempre.

Bombardeio XIII – Sessão da tarde

A Sessão da Tarde é praticamente um ícone cult entre os jovens que viveram nos anos 80 e 90. O programa da TV Globo é exibido, até hoje, após o Vale a Pena Ver de Novo e sempre trazia altas confusões, com uma turminha da pesada. Pois hoje foi a vez dos artilheiros Tauil, Lucas e Marcel mais os nossos convidados Alex e Matt embarcarem num papo do barulho sobre um dos programas mais marcantes de suas vidas. É diversão pra ninguém botar defeito!

Alex (Artilheiro Colaborador)

Olá turminha do barulho, estou aqui para aprontar altas confusões e…
Opa, acho que me empolguei. Mas é uma boa empolgação, porque tenho certeza que frases como essa marcaram cada fase do crescimento de quem aqui lê.

Para nós, cinéfilos, ou até mesmo quem não é, a vida foi bela e doce em frente à TV. As tardes sempre foram recheadas de filmes que nos fizeram, rir, emocionar e sonhar.

Acredito que falo por mim e por uma grande quantidade de gente, quando confesso que após chegar da escola, almoçar uma comidinha deliciosa e assistir a um clássico na telinha da Globo, eu ficava me sentindo o protagonista do filme, e passava o restinho da tarde brincando de sonhar. Já fui o Dragão Branco, já fui um Exterminador, já nadei na Lagoa Azul, já pude voar e dançar, já fui fantasma, fui bandido… bandido legal, aquele que se redime. Já fui um Goonie, já tive mãos de tesoura. Hoje sou adulto, tenho obrigações e compromissos maiores, que não me permitem sentar e apreciar uma bela e antiga obra de arte, mas conheço minhas origens e sei exatamente o que meus filhos vão assistir quando chegarem cansados da aula.

Tauil

Minha infância teve muitos pilares. Um dos mais sólidos, sem sombra de dúvida, foi a Sessão da Tarde. Eu me lembro com saudades do tempo que eu voltava da escola a pé, almoçava e ia fazer a minha árdua tarefa, para depois ficar com a tarde livre. A tarefa geralmente era ligar os pontos de um coelho ou representar as barras de chocolate em fração, o que me tomava muito tempo e energia de raciocínio. Para compensar esse gasto, quase que num ritual, findas as lições eu sempre embalava num filme. E aí não tem Cinema em casa que aguente: é Sessão da Tarde na cabeça. E eu não estava nem aí se a programação era fraca ou repetitiva - aliás, eu até gostava de assistir um mesmo filme várias vezes -, eu só queria ver o meu filme em paz. E se o filme fosse ruim, eu simplesmente tirava um cochilo, de modo que não havia nunca uma possibilidade negativa para as minhas tardes. Dentre os meus clássicos favoritos da Sessão da Tarde estão Um passe de mágica (aquele que a menininha recebe como fada madrinha um atrapalhado inexperiente), Guerreiros da virtude (o dos cangurus lutadores!) e Matilda (bruce!, bruce!, bruce!).

Lucas

Os jovens de hoje reclamam que não tem nada pra fazer, que estão entediados, que a tarde tá um saco. Pois eu concluo: quanto mais opções você tem, mais entediado você fica. Na minha época – puta que pariu, eu sempre quis falar isso -, quando a internet só podia ser usada sábado, depois das 14h00, e domingo até 00h00, a semana pós-aula não exibia muitas opções. Era a TV ou alguns jogos imbecis de computador. Na maioria das vezes, eu escolhi a TV. Não cheguei a pegar a fase gloriosa d’A Lagoa Azul, mas Curtindo a Vida Adoidado e Os Caça Fantasmas com certeza foram filmes que fizeram a minha tarde. Se hoje em dia o espírito nostálgico fosse resgatado pelos responsáveis da Sessão, voltaria a dedicar parte da minha tarde recordando traços da minha infância, sem sombra de dúvida.

Matt Idioteque (Artilheiro Colaborador)

Uma das coisas que mais me incomoda em ter 15 anos é não poder ser nostálgico sem soar idiota, mas é inevitável essa associação da Sessão da Tarde com a infância. E eu falo de filmes que até hoje estão na minha lista de favoritos. Pensar em Sessão da Tarde é pensar em Ferris Bueller, Cameron, McFly, Doc e outros personagens sensacionais. Ok, também é pensar na Brooke Shields sem roupa. Várias vezes. E em meninos reunidos em clubes onde meninas não entram. E no primeiro amor. E em filmes de macacos jogando hóquei. E em uma rainha das trevas que alimenta a imaginação de todo adolescente. E em filmes de bebês inteligentes lutando contra o crime. Tudo com uma narração clichê. Mas sinceramente, tudo isso era MUITO divertido quando se tinha 7 anos e as únicas preocupações com o mundo eram ver um filme legal e fazer a lição de casa, não?

Marcel

Você, com certeza se recorda de “A Lagoa Azul”, “Curtindo a vida adoidado”, “De volta para o futuro”, não é? E “Os Trapalhões”, “Xuxa e…”,“A Lagoa Azul 2 – a volta”, “Menino Maluquinho”, “Os caça fantasmas”, “Esqueceram de mim” (e quase que eu esqueço de novo), “O Máscara”, “Ace Ventura”, “A Família Adams”, “Flinstones”, “Um amigo da pesada”, “Uma turma da Pesada”, “Família Buscapé”, “Os Batutinhas”, “Um doutor Aloprado”, “Querida, encolhi as crianças”, “K-12”,  “Uma babá quase perfeita”, “Duas babás quase perfeitas”, “Junior”, “Edward Mãos de Tesoura”, “O Mentiroso”, “Beethoven”, “Dr. Dolittle”? Pronto, fechamos um mês de nostalgia. E pode apostar que, qualquer palavra que eu escrevesse aqui não daria conta de elucidar tanto a sua juventude ociosa da qual você sente tanta saudade. Então minha missão já foi cumprida.

Bombardeio XII – Sertanejo Universitário

A moda de viola e a música sertaneja sempre estiveram muito presentes no cenário popular brasileiro. A música vinda dos interiores, feita por gente de lá e vestida para montaria já revelou grandes artistas consagrados, como Daniel, Leonardo e Sérgio Reis. No entanto, nos últimos anos aconteceu uma reformulação no gênero sertanejo: é o chamado Sertanejo Universitário que já revelou artistas jovens como Victor e Léo, Cesar Menotti e Fabiano, João Bosco e Vinícius e até o artista popular Luan Santana. Dessa forma, a viola sertaneja – que agora pode ser substituída pela guitarra elétrica, vem soando para fora de alto falantes das principais capitais do país.

Colocamos os artilheiros para ouvir um pouco do Sertanejo Universitário. Nessa edição, contamos com mais uma participação especial dos colaboradores @gabriel_veit e @bielabagacera.

Marcel:

Nem bem vão para o sucesso e muitos artistas do sertanejo universitário simplesmente desaparecem. Aliás, o nome Sertanejo Universitário me é engraçado. Acho que pelo apelo que faz ao público jovem. Mas, na maioria das vezes, as duplas simplesmente não dão em nada. Isso é evidente quando é mais que uma tentativa triste de ter fama. Se eu anotasse os nomes das duplas sertanejas que surgiram nessa nova fase do gênero, teríamos uma lista cheia de nomes e de decepções. O investimento mercadológico de grandes produtoras para aproveitar o majestoso sucesso da popularização da música sertaneja me lembra o fervor que houve nos EUA para com o Rap e Black nos anos 2000. É claro que é preciso considerar o nascimento de excelentes duplas como Victor e Léo e ainda João Bosco e Vinicius. As canções são cada vez mais padronizadas e pouco contundentes: sempre esnobando ou sendo esnobado pela garota que freqüenta as festas de peão. E sejamos realistas em dizer que quem mais perde com essas canções desprovidas de espírito é a própria moda sertaneja que ainda é a maior representante que conservamos da sonoridade do sudeste brasileiro.

Lucas:

Na sexta-feira eu tive uma conversa com um grande amigo, sobre grandes produtoras e as novas modas musicais do cenário nacional. É engraçado como tudo acabou tornando-se um ciclo vicioso: bandas/artistas crescem com algumas influências, produtores moldam o objeto até ele tornar-se superficial e o entregam, como que em caixinhas de plásticos, para as fãs. Tenho certeza que os integrantes do Cine tem influências musicais tão boas quanto eu tive no decorrer da minha vida, considerando que nossa diferença de idade não é tão grande (acredito que eles devem ter entre 20 e 23 anos)… Mas o caminho mais rápido para alcançar o sucesso é fugir do que é bom e partir para o que é fácil. Caras como o Rick Bonadio são craques em fazer isso.

Tratando-se de Sertanejo Universitário, o caminho é esse. Usa-se um sufixo que remete à juventude – assim como usou-se no Forró Universitário – para atrair um determinado nicho, e aproveita-se a segunda fase do sertanejo (composições românticas geralmente sobre amores perdidos) para, nessa coqueluche, criar um ritmo que agrade a juventude. Artistas – e eu coloquei no plural porque acredito que deve existir outro além do Luan Santana, apesar de só conhecer este pela música do meteoro – que não fazem diferença nenhuma e não agregam nada ao ritmo. Ao contrário: acaba prejudicando ainda mais um estilo de música característico de nosso país que é vítima de um preconceito sem sentido algum.

Gabriel (Artilheiro Colaborador):

Alguns anos atrás seria difícil pra mim, falar sobre isso – era do tipo que vivia do famoso rock’n  roll. Mas felizmente resolvi tirar os fones de ouvido e ouvir o que o mundo exterior estava ouvindo e cantando. Com isso, descobri que existe vida além do, hoje em dia, maltratado rock brasileiro e acabei chegando ao mundo dos rodeios. Musica boa pode ser feita por apenas dois homens, pois musica é algo que agrade nossos ouvidos não importando se é lenta, rápida, suave ou pesada. Estas novas duplas que vêm surgindo nos trazem um leque quase que infinito de maneiras de tratar o mesmo assunto, o amor. Muitos reclamam do sertanejo exatamente por este fato, mas a meu ver, a maioria dos estilos tem este mesmo caráter, seja com os rebeldes sem causa, os críticos que ficam sentados em suas cadeiras reclamando de tudo e até aqueles que só querem trazer o terror e a brutalidade. Muitas duplas se perdem ao longo da estrada, mas isto é normal, pois é a lei da selva, a lei do mais forte. Então cá entre nós, essa é a melhor das atuais modinhas, assim sendo vamos sentar, ouvir estes homens cantar e pensar em nossos amores sejam perdidos, futuros, momentâneos ou reais.

Gabriela (Artilheira Colaboradora):

Como todo estilo musical muito popular, pra se gostar de sertanejo universitário você precisa analisá-lo sob um contexto. O novo sertanejo não é o tipo de música que tenha uma boa letra e se fizer algum sentido, já é um grande negócio. As melodias tendem a ser um tanto repetitivas, embora o sucesso recente do estilo musical tenha feito com que as duplas se esforcem mais pra se diferenciar das milhares que existem por aí. Sertanejo universitário não é algo que você ouve em casa ou que te faça pensar. Não é poesia. Sabendo disso, você tem uma chance de começar a gostar.  Falando pelo ambiente que vivo – apesar de ser do interior de Goiás, moro em Goiânia há alguns anos – o sertanejo é principalmente, um meio de interação social. As baladas sertanejas são sempre animadas e as músicas fáceis de decorar colaboram para que todos cantem as músicas juntos. Isso une as pessoas de uma forma assustadora. Todo mundo fica de pé, canta em voz alta, ergue o caneco de cerveja e isso acaba facilitando a conversação entre mesas. Além do mais, a maioria das músicas são dançantes e o melhor de tudo: Dança a dois.

Eu gosto. Não exijo aquilo que esse tipo de música não vai oferecer. O sertanejo universitário foi criado pra isso: ser dançante, animado e fácil. Deve caber em um grupo de amigos, em uma dor de cotovelo, em um momento em que você quer cantar todas as superficialidades do mundo em voz alta. A quem não gosta, peço que dêem uma chance se puderem. Pode não ser tão ruim como pensam.

(P.S.: Conselho de caipira: Se querem escutar algo que faça mais sentido, escutem moda de viola das antigas. São histórias contadas em música, muito mágico.)

Bombardeio XI – Vilões

Incompreendidos, injustiçados, sobrepujados… Há quem defenda os vilões. Há quem torça por eles (e não são poucos!). Independente de como você olha para esses personagens, uma coisa não se pode negar: os heróis não existiriam sem eles. E, vamos combinar: alguns deles são mais divertidos que os próprios heróis.

Neste domingo, o Artilharia Cultural jogou o vilão favorito de cada Artilheiro no ringue, e agora é dever deles mostrar o porquê de seu vilão ser o melhor.

Lucas - Darth Vader

Quem me segue no twitter não se surpreendeu com a minha escolha. Quem me conhece bem, também não. Darth Vader é meu vilão favorito por uma série de motivos que renderiam um post gigantesco aqui (o que ainda acontecerá, um dia). Antes de falar um pouco dele, porém, eu gostaria de frisar que estamos falando de Lord Vader, e não de Anakin-mamãe-sou-revoltado-Skywalker, aquela bicha interpretada por Hayden-acho-que-sei-atuar-Christensen. Estamos falando do cara mau. Aquele que, quando chegar em qualquer lugar, deixa todo mundo com medo. Darth Vader já foi eleito em diversas listas como o melhor vilão de todos os tempos (amargando, de vez em quando, um 2º ou 3º lugar, mas nunca ficando abaixo disso), e não faz por menos: o cara já explodiu um planeta. UM PLANETA, VÉI. O cara cortou o braço do próprio filho! Sorte a dele que a lei da palmatória não é válida em outras galáxias, senão ele teria certos problemas com o governo. Apesar de que, se olharmos bem, ele é o governo. O Palpatine é só o Papa Bento XVI fantasiado de Sith, e nada mais.

Se meus argumentos não te convenceram, eu só digo uma coisa: o cara tem como trilha sonora própria a Marcha Imperial. Vença isso.

Tauil – Scar

Scar, pra mim, é o melhor vilão da história do cinema – sei que isso é um pouco complicado de afirmar, mas eu tô afirmando mesmo assim. Eu, que sempre fui torcedor da turma do mal, tenho o costume de listar sempre os meus vilões favoritos, e até hoje nenhum tirou o Scar da liderança. Primeiro porque, antes de mais nada, ele realmente tem uma voz de vilão, graças à rouquidão do Jeremy Irons. Depois, além de ser tudo o que um cara mau precisa ser, como sarcástico e dissimulado, Scar tem um adendo em sua personalidade: ele é teatral! E sensível! Ele rebola, ele canta e ele toma o poder não com um exército e nem com um superpoder, mas com meia dúzia de hienas! Hienas! É sangue-frio o bastante pra matar seu irmão com uma saudação irônica: “Long live the king!”. E também pra enviar seu único sobrinho à morte, aquele juvenil do Simba.

Scar é sem comparações, assim como a sua música tema. E explicar o paradoxo entre sua imagem de ditador e sua bichona interna talvez dê uma tese de psicologia – afinal, acho que já li por aí que o próprio Hitler tinha seus momentos drags oprimidos. Mas são só especulações, paremos por aqui. O importante é saber que se dessem um exército nazista ao Scar, ele certamente o conduziria com mais êxito que o Adolfinho. E com mais glamour, também.

Marcel – Zidane

Vamos combinar que é a tarefa de escalar seus vilões favoritos é fácil. Então resolvi trazer a memória do leitor um nome um pouco incômodo. Zinedine Zidane, o nosso carrasco careca das copas de 98 e 2006 tem motivos suficientes para participar desse Bombardeio ao lado de todos esses grandes vilões que vocês vêem aqui. Afinal de contas, o cara levou nas costas a seleção francesa para o lado negro da força – o time napoleônico nunca havia disputado um titulo mundial sequer. O francês ainda porta uma careca que qualquer Luthor invejaria além de ensinar o “Cabeça de Martelo” como é que se cabeceia seu adversário. Em linhas gerais, o que o mais interessante é encontrar defeitos em suas atuações em campo, por nós, brasileiros: das construções desconcertantes de suas jogadas e, principalmente de seu patriotismo à bandeira francesa. E como já ouvi dizer: todo anti-herói tem, em sua história uma moral a ser interpretada. Aqui está: que os jogadores brasileiros amem mais vestir uma camisa pra isso de Copa do Mundo possa ter sentido, para nós, novamente.

Alice – Coringa

Sei que é previsível de minha parte, mas me pareceria injusto escolher qualquer outro. Com cabelos verdes, pele branca e um amigável sorriso, o Coringa não é um vilão qualquer. Ele não quer vingança, não quer dinheiro, não quer poder. O que fazer com um criminoso sem objetivos? Nada. É ele quem faz e decide o que acontece. Sua única ambição é a insanidade geral. O Coringa tenta arrastar cada um ao seu nível mais crítico de loucura, pelo simples prazer de admirar o caos. Do Joker com um bigode que a maquiagem não conseguiu esconder direito de Cesar Romero até o palhaço sombrio de Heath Legder, a essência do maníaco homicida é a mesma: genial, imprudente e com um ótimo senso de humor.

Bombardeio X – Dia do Escritor

Hoje, dia 25 de Julho, celebra-se o Dia do Escritor. E, como vocês já devem ter percebido pelos posts gigantes e pelos comentários maiores ainda, o pessoal que frequenta e faz o Artilharia Cultural gosta (muito) de escrever. Tudo isso, porém, não aconteceu de repente. Independente de quando, de que forma ou em quais circunstâncias, todos aqueles que adquiriram o prazer de escrever, ganharam anteriormente o gosto em ler. Seja um gibi, uma história de contos de fadas ou o bilhetinho da primeira série, todo mundo que não aguenta ficar muito tempo sem escrever também não aguenta ficar sem ler. O nosso décimo bombardeio trouxe a equipe oficial do AC + 4 convidados para falar sobre seu autor favorito.

Manoel de Barros (@alicemariel)

De todos os nomes da lista quilométrica de pessoas que me fizeram gostar de ler, Manoel de Barros foi o único que me ensinou verdadeiramente a gostar de poesia. Lá no auge dos meus nove anos, enquanto eu devorava livros de escritores como José de Alencar e Machado de Assis e repudiava qualquer coisa que tivesse métrica e rimas imbecis, encontrei um livro miúdo, meio apagado, meio espremido entre os de literatura estrangeira na prateleira de uma livraria com mais teias de aranhas que clientes: o Livro das Ignorãças. Logo eu aprendi também que o Mato Grosso é dividido entre aqueles que não sabem quem é o cara e aqueles que morrem de orgulho da terra que o gerou. A simplicidade dos versos de Manoel me surpreendeu de tal forma que era impossível não me sentir tentada a dar uma chance àquilo que antes não parecia ser mais do que punhados de palavras vazias arranjadas para soar bonito. Manoel de Barros não só soava bonito pra mim como cada palavra trazia em si uma beleza daquelas que de tão delicadas você tem medo de pegar com a mão sem muito jeito e quebrar. Não precisa ser um gênio da literatura, mas se alguém é capaz de mudar sua maneira de encarar o mundo, sem dúvida é merecedor de respeito.

Do Fazedor de Amanhecer até o Guardador de Águas, Manoel é pra onde eu vou quando preciso de férias. Não é, nem de longe, o meu escritor favorito, mas pouquíssimos deles conseguiram me conquistar assim como o poeta pantaneiro fez.

José Saramago (@omgcaio)

Não lembro de quando li o primeiro livro do Saramago, mas sei que quando li, vi ali um autor que tinha nascido num país errado. Era tudo tão livre e dotado de um jeito pessoal de falar que se não soubesse antes, acharia com facilidade que ele era brasileiro, dada ao jeito tranqüilo de expressar tudo que pensava e sem se ater a nenhuma regra certa, exceto à inexistência de todas elas. E o fato de também não me apegar tanto às regras quando escrevo só me deixou mais próximo dele; e acho ser um sentimento que é compartilhado por todos que escrevem e acham um autor que chega próximo do seu estilo pessoal.

Apesar de não lembrar quando, sei que o primeiro livro que li dele foi o não tão disseminado como “Ensaio sobre a Cegueira”, mas sim o “As intermitências da morte”. Achei bem estranho acompanhar um jeito tão peculiar de escrever, mas depois que o costume te atinge, consegue compreender tudo com facilidade fora do comum. A ironia e o seu jeito de criticar as coisas também me atraiu bastante, principalmente quando retrata um governo completamente despreparado e que não liga muito para o bem estar da população. Saramago escrevia sobre pessoas, era raro tratar um indivíduo como único e especial, tanto que nomes são coisas completamente irrelevantes, e logo no final do livro achei peculiar ele se focar na história de um homem que não conseguia morrer, já que ninguém era tão especial. Demorei bastante tempo para conseguir ver um auto-retrato do autor e do romance com a sua mulher, Pilar, inserido de forma tão genial num livro que buscava tratar dos humanos de forma bastante generalizada e dos seus dilemas e certezas fúteis. É um dos meus autores prediletos e com toda certeza bastante influente tanto no meu modo de pensar quanto no de escrever, afinal “Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara”.

Chuck Palahniuk (@noduro)

Chuck é um maestro. Sob sua regência estão seus personagens indomáveis, indecisos e incomuns. A plateia de seu espetáculo é qualquer mortal sortudo que tenha barrado com um de seus contos; qualquer ser humano que vive o martírio do século 21 onde as incertezas são maiores que a paixão e as verdades cruas são aos olhos brancos do preconceito pura bizarria.

O Clube da Luta, o romance de 1996, é o meu favorito. Mas devo considerar que a decisão foi deveras complicada ao lado de Cantigas de Ninar, Monstros Invisíveis e No Sufoco (todos os títulos já foram traduzidos para nossa língua).

Machado de Assis (@bielabagacera)

O que mais me fascina em Machado de Assis é o quanto ele se expõe em seus livros, antes mesmo dele ingressar de vez em sua fase Realista. Machado deixa muito claro em cada uma de suas narrativas a sua personalidade cética, sarcástica e perspicaz. Gosto de pensar que se hoje um Memórias Póstumas de Brás Cubas impressiona pela sua crueza, imagine só o quanto a obra machadiana não chocava a sociedade do século XIX. E ainda assim, ele era admirado e bem quisto. Um homem que consegue mesclar uma personalidade franca e realista sem se tornar uma pessoa desagradável aos olhos da sociedade que ele mesmo expõe, merece meu respeito.

Machado de Assis é o tipo de autor que eu leio e que fala por mim. Quando leio suas produções, sempre imagino que eu descreveria a situação do mesmo jeito. É uma identificação pessoal com seu jeito prático de ver os problemas e saber se eles podem ou não ser resolvidos. Assim como Machado de Assis, acho que sou uma conservadora. Gosto de ver a essência humana exposta, mas não de todo o seu íntimo. Isso tira a magia e nos transforma em meros animais.

Pra finalizar, recomendo que leiam as obras mais famosas de Machado porque simplesmente há determinadas coisas que não podem passar como desconhecidas por sua vida (e também porque provavelmente seus professores ou alguns vestibulares te obrigarão a ler). E então, leia A Mão e A Luva, uma produção da fase romântica do autor e que deixará bem claro o que quero dizer sobre o que é ter uma visão realista dentro de um romance.

Machadinho… Te dedico.

Luis Fernando Verissimo (@lucasbaranyi)

É complicado pra mim falar de Verissimo, quando ele foi um dos responsáveis pelo meu interesse em leitura. Mesmo quando eu não tinha idade o suficiente para entender as clássicas sacadas do autor, eu lia e me divertia. Executar o exercício hoje, então, é um deleite sem tamanho. E, cá entre nós, vamos deixar as palavras difíceis de lado, porque LFV não é disso. Apesar de inteligentíssimo, nunca foi de complicar suas histórias. Suas crônicas, que já deram títulos e recheio para vários livros (alguns dele que eu ostento com prazer em minha prateleira) se resumem ao cotidiano, à simplicidade. E é por isso que ele é um cronista tão bom. O gaúcho sabe guiar uma história, sabe denotar seu ritmo e sua mística, deixando geralmente uma reviravolta no fim (ou no começo mesmo, só pra variar).

Um traço curioso do autor é sua timidez. Apesar de muito criativo e despojado no papel, na hora de falar Verissimo se mostra um homem muito reservado e de poucas palavras. Uma característica que eu preciso falar aqui (e que fez com que eu também me identificasse muito com ele) é sua paixão pelo futebol. Verissimo é colunista no Estadão e, de vez em sempre, dá um pitaco ou outro sobre o mundo da bola. Como nem tudo é perfeito, porém, Luis é torcedor do Internacional de Porto Alegre. Isso, o vice da Copa do Brasil de 2009, que perdeu pro meu Corinthians. É, Verissimo. Eu lembro… E você também. Pra curar essa derrota, só com o analista de Bagé.

Jorge Amado (@larissagould)

Meu primeiro contato com a literatura adulta foi através de Jorge Amado e “Capitães da Areia”, e pasme, eu tinha nove anos.  Eu sempre me envolvo com os personagens, e não seria diferente com o livro que até hoje está entre meus preferidos, passei alguns meses dormindo com a obra, na minha inocência infantil de que assim os personagens sofreriam menos. Na verdade o que faz com que Jorge Amado seja meu autor preferido, mais do que a qualidade de seus livros e temas abordados, embora esses sejam simplesmente compatíveis com as minhas opiniões, é a linguagem usada por ele. Jorge Amado é a prova viva (ta, não viva) que escrever bem não é escrever difícil, ele põe fim a idéia de cultura erudita, aborda temas populares com mérito único. Jorge Amado escreve para todos, sem detrimento de excelência, mesmo suas obras que não possuem cunho político são densas, de qualidade.

Fernando Sabino (@tauiltter)

Vou ser franco, logo de cara: Fernando Sabino é o meu mestre. Apesar de nunca tê-lo conhecido, o que seria cronologicamente impossível, aprendi o pouco que sei com dois autores, e Fernando é um deles. Devido à felicidade do meu ex-professor de literatura Jura que nos pediu para ler “O grande mentecapto”, tive contato com o escritor mineiro. Não parei mais. Embarquei em suas crônicas, li seus suspenses, li seus romances, li seus contos, seus contos de ainda iniciante, suas cartas trocadas com Mario de Andrade, por exemplo. Vi também alguns de seus documentários, porque Fernando Sabino era também metido no cinema. E na música, porque amava um jazzinho.

Raríssimas vezes li alguma crônica sua empurrado, e mais raras vezes ainda fiquei com cara de “an?, que porra é essa?” no final de algum escrito seu. Por ter sido também jornalista, suas palavras são economizadas, quase exatas mesmo. Sem supérfluos, sem lingüiça enchida. Já que esse espaço é livre, vou indicar alguns de seus livros de minha preferência: O encontro marcado, romance. Deixa o Alfredo falar!, crônicas. A nudez de verdade, conto.

Acho que Sabino tem que ser leitura obrigatória, pra todo mundo aprender: “e isso é que eu acho de trágico, de dramático, no dilema do escritor e no seu destino de artista: é que escrever é um ato solitário. Ou ele fica sozinho, como um demônio, amando apenas a si mesmo, ou ele, como um santo, sai amando a humanidade inteira”.

Stephen King (@muriloandrade)

O escritor que eu indico não é exatamente o meu predileto, mas foi um dos que tive o prazer de ler uma grande quantidade de obras, Stephen King. Stephen King foi um dos muito escritores que marcaram a minha vida. Você pode dizer o que quiser dele, de que é literatura barata, que existe muito escritor é melhor que ele, menos de que ele não cumpre o que promete fazendo grandes obras de suspense, superiores à maioria dos livros do gênero que vemos atualmente nas livrarias. Descobri a obra do Rei do Terror ainda na adolescência a partir do tijolão que é o Apanhador de Sonhos. A partir daí passei meus catorze e quinze anos lendo Iluminado, Carrie, Quatro Estações, A Torre Negra, À Espera de um Milagre, O Talismã, A Hora do Vampiro, A Coisa, entre outros dele. Ao contrário do que a maioria pensa a força das suas histórias não está em seus monstros, hotéis mal assombrados e carros assassinos. Eles são apenas uma válvula para que King possa explorar seus personagens em situações extremas e as atitudes que elas tomam. É como no clássico Drácula, onde o vampirão só aparece em uns 20% do livro e ainda assim a tensão e horror do livro são indizíveis.

Acho que pra qualquer fã do Stephen King não é fácil escolher a melhor obra. Mas um dos meus favoritos é O Talismã, escrito por King e por Peter Straub. O estilo um pouco mais poético de Straub aliado ao aprofundamento psicológico de Stephen King. O Talismã é muito mais que um romance, mas uma aula sobre a perda da infância e nos leva a refletir sobre nós mesmos.

Obrigado Stephen King por dar a nós aficcionados por horror grandes obras do gênero. Um dia eu escrevo um texto mais completo sobre você.

Bombardeio IX – Filmes de terror

O mundo poderia ser muito bem dividido entre dois tipos de gente: os que adoram filmes de terror e os que se apavoram com filmes de terror. Pensando nisso, fizemos esse bombardeio para abordar essa sensação intrínseca ao homem: o medo. E, é claro, a nossa tão querida sétima arte. Como o artilheiro Lucas teve um pobreminha, chamamos um substituto, o Caio, que de prontidão atendeu nosso chamado. Compartilhe suas histórias com a gente nos comentários!

Alice

Ainda estou tentando me decidir se gosto de filmes de terror ou não. Encaro-os exatamente como encaro comédias românticas: sem esperança nenhuma de que vou gostar depois, mas na hora até que parece bonitinho. Ou assustador. Quando o filme é classificado como terror, mais provavelmente engraçado.  Não consigo me lembrar de nenhum que tenha me dado medo, nem no nível mais superficial dele, mas isso não é algo que deva ser levado em conta porque também não consigo me lembrar de nenhum que tenha me feito chorar ou provocado qualquer outra reação emotiva. A teoria sobre isso é que eu tenho certa dificuldade em me entregar a filmes, o oposto do que acontece com livros. Tive medo lendo Drácula, já tive medo até do Lord Voldemort (ah, aquele rosto sem nariz no espelho no final do longo corredor escuro), mas tudo que eu consigo achar de O Exorcista é graça. Sangue me diverte, e se vier com pipocas amanteigadas, pode contar comigo. É sempre bom poder criticar uma produção.

Marcel

Quem é que nunca se instalou frente à televisão, protegido por cobertas e mascando milho e sal para ver um pouco de sangue? Para ver muito sangue, em alguns casos. Além de violência, outro elemento crucial para o gênero são os sustos que junto do mistério entram no cardápio. Mas é fato que ver filmes de terror não é um costume especialmente contemporâneo. E falando na importância do gênero pro cinema, muitos dos melhores filmes aterrorirazam você. O Iluminado, o terror do mestre Stephen King que provou a versatilidade de Kubrick; O exorcista e sua clássica menina mutilada chamando o padre para uma rapidinha; e ainda, para não falar que não fazem coisas perturbadoras ultimamente, o Anticristo de Lars Von Trier. O que eu não concordo é com esse modismo que Hollywood criou ultimamente sobre o gênero. Sim, tem filme demais, qualidade de menos. Filmes para só encher as prateleiras não dá. Vamos ver os clássicos e aprender como se faz.

Tauil

Se você adora filme de terror e não sente medo com eles, vade retro. Esse meu parágrafo é para você que tranca, só assiste quando está acompanhado e ainda assim tapa a visão com a mão, por mais que você abra uma frestinha entre os dedos, morto de curiosidade, mas acaba morto de susto. Pessoalmente, eu até simpatizo com os monstros, mas o que eu não engulo são os espíritos. Porque o que dá medo mesmo são as coisas que podem ser reais. Sei que minha casa jamais será habitada por vampiros ou invadida por zumbis, mas e o palhaço assassino de A coisa? Quantos palhaços você já não viu por aí e pensou “porra, taí um palhaço com vocação pra assassino”? E quantos arrepios repentinos, quantos vultos e quantos borrões você já não viu, mas atribuiu o sinistro a algum problema em sua visão para mascarar a verdade, em uma espécie de dopagem emocional? Pra mim, se for pra ser terror, que seja trash. Trash a ponto de me fazer rir. Do contrário eu evito. Embora eu me considere um corajoso por ter assistido, sozinho, O iluminado de madrugada, e em seguida ter atravessado, sozinho, a sala escura da minha casa, assumidamente eu grito pra quem quiser ouvir: sou, na verdade, um cagão.

Caio (Artilheiro Colaborador)

Minha relação com filmes de terror sempre foi uma coisa bastante estranha. Acho que qualquer um que tenha visto It com apenas três anos de idade, e depois disso, acompanhado o tio em sessões de domingo para ver clássicos como A Hora do Pesadelo acaba se divertindo fácil com o gênero. É o tipo de filme que acabou crescendo junto comigo, e pude acompanhar o desenvolvimento de efeitos melhores, e roteiros cada vez piores, mesmo existindo exceções. Por incrível que pareça, têm um poder sobrenatural de unir as pessoas, já que é quase uma tradição assistir junto com os amigos num sábado à noite, e no final, todos ficarem com medo de ir pra casa e acamparem no sofá mesmo. Um grande “problema” é porque depois que se acostuma com eles, os filmes trash como O Ataque dos Tomates Assassinos acaba te divertindo mais do que qualquer superprodução, e você só se dá conta quando já é algo irreversível. É um dos meus gêneros prediletos de filme para diversão, e meu sonho, é ver uma máfia de zumbis italianos planejando dominar o mundo.

Bombardeio VIII – Desenhos animados

Toda criança que se preze passou alguns anos imersa em desenhos animados. Os mundos fantásticos trazidos para a TV, na realidade, até nos educaram um pouco (ou fizeram o caminho oposto). O que importa, aqui, é que os desenhos animados são parte vital de toda uma geração, e, como não poderia deixar de ser diferente, os artilheiros fazem agora a questão de dissertar sobre as animações mais importantes de cada um. Compartilhe conosco, nos comentários, suas histórias relacionadas aos cartoons!

Luke

Sou o tipo de cara que não acredita em infância sem desenhos animados, Comandos em Ação e amigos imaginários. Considerando que eu sou filho único, minha infância baseou-se nesses três quesitos acima mas, principalmente, nos desenhos animados. Acordar sábado de manhã pra assistir Tom e Jerry, Pica Pau, Corrida Maluca… Isso, claro, quando era bem pequeno. Conforme crescia, os desenhos iam me acompanhando. Acredito que eu comecei assistindo aos desenhos do Cartoon, mesmo. Sempre torcia pro Pink&Cérebro conquistarem o mundo. Não podemos, de modo algum, excluir a TV Gazeta da roda, com os Cavaleiros do Zodíaco. Vou ser bem clichê agora, porém, e revelar: nada, pra mim, supera Dragon Ball. Diz aí, você também levantou a mão pra ajudar o Goku no Genki-Dama, num é? Num é?

Putz… Que infância imbecil.

Marcel

O que seria do meu caráter sem uma boa companhia de animação. Papai e mamãe saiam para trabalhar e a companhia das crianças eram sempre os educativos desenhos animados. Eu sou, e sempre serei um fã incondicional de Dragon Ball do mestre Akira Torayiama e o mais ÉPICO dos ÉPICOS dos animes, Cavaleiros do Zodíaco. Nem as histórias da Marvel ou DC tinha  personagens tão corajosos. Além disso, reservava ainda minhas tardes ao Cartoon Network: O Laboratório de Dexter, Vaca e o Frango e as Meninas Super-poderosas (eu já era macho) embalavam as horas tediosas. Mas o sucesso dos desenhos em minha vida não se dá apenas a monotonia da adolescência ou da infância, existia, nos desenhos uma formação consciente decente que não mantém os adultos concentrados ao mesmo tempo que captam toda atenção de um bebê de 5 meses. Diz muito da nossa geração. Pelo menos não nos coloríamos como Pokémon sem razão para chamar atenção.

Alice

Assistir a desenhos animados é um hábito que não vou perder tão cedo. Guardo álbuns de figurinhas do Pokémon até hoje; O Fantástico Mundo de Bobby e Doug, ainda baixo os episódios. Os Simpsons, Du, Dudu e Edu, A Vaca e o Frango, Pink e Cérebro, Tartarugas Ninjas, e até aqueles clássicos que qualquer criatura que tenha passado pela infância viu, como Tom e Jerry e Popeye. E Caverna do Dragão, Cavalo de Fogo? Os Flintstones? Acabei adquirindo o terrível costume de citar bordões (“Espada Justiceira, dê-me a visão além do alcance!” O quê, você nunca disse isso?) e trechos que quase ninguém lembra, mas é uma consequência inevitável por se passar tanto tempo em frente a uma televisão. Desenho animado é só aquela coisa que te joga no sofá em um sábado de manhã com uma caixa de cereal e não te dá a sensação de tempo perdido depois. Sem enredos mirabolantes, sem lição de moral, sem personagens complexos demais, sem níveis elevados de sacarose nem de pancadaria. Uma fuga rápida da realidade.  Seriados também ocuparam boa parte dos meus finais de semana, mas aí já é outra história.

Tauil

Tenho pena de quem não gosta de desenhos animados. Muita! Posso fazer uma linha da minha infância ponteada pelos desenhos animados que eu acompanhei. Tudo começou com a TV Cultura, é claro, e o seu Pequeno Urso. Depois, com a chegada da TV a cabo, fiquei anos e anos preso ao Cartoon Network. Aquilo, sim, era vida! O Laboratório de Dexter!, Vaca e o frango!, Johnny Bravo!, Pokémon!, Dragon Ball! Pura nostalgia. Depois que a gente começa a adolescer, esse humor tipo Looney Tunes não nos basta mais, e daí, como todos os outros, virei fã de Simpsons e South Park e Family Guy. E tô nessa até hoje. Às vezes ainda dou uns perdidos no Cartoon e, olha, não tenho boas notícias não. Sei que é coisa de velho falar isso, mas não se fazem mais desenhos como antigamente. Hoje é tudo japonês e é tudo violento. Acho sem graça e sem sal. Pra não mentir, de atual eu gosto de As terríveis aventuras de Billy e Mandy e de As trapalhadas de Flap Jack – este último mais pela dublagem do Flap e pelas expressões faciais dos personagens. Não acho que o desenho tem que ser educacional, pra mim uma boa dose de ação e comédia está ótimo. Exatamente por isso é que abomino esses mangás, é um exagero em todos os sentidos. Podem me dar unfollow, mas eu não suporto mangá. Não desce.

Bombardeio VII – Video-games

Em 1947, um sistema precário semelhante a um radar seria patenteado por Thomas T. Goldsmith Jr. e Estle Ray Mann. Nascia o pai (avô, bisavô) daquilo que conhecemos como video-game. A partir daí, essa forma de entretenimento aprimorou-se e tornou-se, passo a passo, uma indústria presente na cultura pop e na vida de cada um. Veja a história de cada artilheiro no mundo dos games.

Marcel

Seria impossível falar da nossa geração sem falar de video-game. Aliás, o termo video-game só me remete aos clássicos. Meu primeiro grande presente, dado por meu pai, no alto de sua sabedoria, foi um Mega-Drive. Sim, eu estava na contramão do mercado – aos meus 6 anos, enquanto todos tinham Super Nintendo. Sempre preferi Sonic ao Mario, mesmo sem saber que  por detrás disso já rolavam rios de dinheiro. E é bem assim que ainda vejo os games. Não consigo vê-los como algo essencialmente mercadológico – refiro-me aos meus favoritos. E nem efêmeros como as outras peças de tecnologia, que evaporam e obsoletam em semanas. Os bons games são sim, como bons filmes. Ou ainda, em outros casos, até mais  emocionantes, pois você se sente ativo na história, participante de tudo. Fiz uma homenagem ao universo dos jogos antes desse bombardeio, tatuando em meu braço direito uma marca única e eterna na minha vida: Final Fantasy X, uma tatuagem que eu sofro para explicar sempre que me perguntam. Então não me pergunte. E jogue muito.

Luke

Como filho único, minha infância resumiu-se, graças a meus pais, em duas vertentes. Os filmes e os jogos. Quem pensa, porém, que meu pai era o responsável pela parte dos jogos, está redondamente enganado. A responsável por terminar Super Mario World comigo foi minha mãe, enquanto meu pai reservava-se a me ensinar o que um bom filme de guerra precisava ter, e como o Episódio IV era o melhor da trilogia clássica. Os papéis se inverteram quando eu adentrei a adolescência e ganhei meu Playstation 2. Partidas épicas de futebol nos, adaptando a pronúncia brasileira, Uíngueleven, em que quase sempre o jogo acabava porque meu pai tinha 4 jogadores expulsos antes que o primeiro tempo chegasse ao fim. O tempo, porém, é irônico… E hoje, um sábado à noite, eu olho para minha esquerda e encontro um PlayStation 3 cuja atual utilidade é me servir como player de DVD, e um pouco mais abaixo, na cômoda, um Super Nintendo que era algo da minha diversão em uma enfuriecida partida de Mortal Kombat 3 (game que me rendeu diversos pesadelos quando criança). No fim das contas, é muito legal jogar games épicos em que você avança por cenários e mais cenários, como God of War 3, mas nada se compara à lançar uma tartaruga verde no seu adversário, jogando Mario Kart, e acertar o desgraçado.

Tauil

Podem falar o que quiser, me chamar de saudosista, mas nada até hoje conseguiu superar o Super Nintendo. E não me refiro somente ao Mario, que é de longe a melhor linha dos games, mas a vários clássicos que habitarão o meu subconsciente videogamístico (?) para sempre. Goof Troop, Megaman, Tartarugas Ninjas, Bombermen, Zombies ate my neighbors, Donkey Kong, Earthworm Jim, Mickey e Donald etc. etc. Essas supertecnologias fodásticas são realmente interessantíssimas, mas sempre que estou jogando algo atual, quando preciso pensar num modo de passar pelo inimigo, automaticamente eu procuro algum vaso para arremessar contra ele. Não passa de imediato pela minha mente que eu vou precisar dar um headshot ou elaborar uma complexa armadilha, eu quero mesmo é pular na cabeça dele, ouvir um ploc e vê-lo diminuir de tamanho. E essa é a minha maior bronca com os games de hoje em dia: não existe mais simplicidade.

Alice

Você tem um Super Nintendo, um Playstation 2 e um irmão mais novo. Não há muito mais a se pedir. Não consegui contar quantas vezes quase nos matamos por causa de um jogo, mas foi um grande feito ter sobrevivido depois de tantos Fatalities. O segredo é dar o sangue por um punhado de píxeis: taí porque, pra mim, poucas coisas têm tanta emoção quanto Super Mario World. Mario cai no abismo, você vai junto. Mas, apesar disso, minha infância não foi tão videogamística assim. Passei a maior parte do tempo caindo de um algum lugar, apostando corridas de bicicleta e lendo gibis. E esse é um dos poucos pontos em que me recuso a trocar a realidade por qualquer outra coisa.

Bombardeio V – Zumbis

Zumbis estão por toda a parte. Têm representantes no campo do cinema, da literatura e dos games. Sempre são alvos de remakes que conseguem, de alguma forma, renovar a velha fórmula de Romero. Em função de algumas novidades, como a série The walking dead e o jogo Call of Duty: World at war (Nazi Zombies), resolvemos fazer um bombardeio voltado aos morto-vivos.

Marcel

Toda vez que eu ouço o termo zumbi lembro de meus 11 anos. O Dreamcast era o videogame da época, desbancava o Playstation (o que não aconteceu) e a série Resident Evil era a nova moda na pacata cidade que eu vivia, em Minas Gerais. O fato é que, por algumas horas aluguei o game e marquei ali meu primeiro contato com a criatura mágica; não deu outra: eu não pude dormir por muitas noites. Tive medo de verdade, como nunca tive sequer no cinema. A pena é que só alguns anos depois conheci a verdadeira fórmula dos zumbis de George Romero e seu Walking Dead (que foi tão copiada, e ainda é). Podia ter ficado mais abismado ainda se cruzasse com tal tipo de zumbi aos meus 11 anos. Contudo, acho que zumbis são criaturas insuperáveis num terror básico. Afinal de contas são monstros que, antes seres humanos,  agora trocam o consumismo por produtos pelo de carne da própria espécie.

Luke

Tá’í um fim do mundo que eu ia gostar: zumbis. Porque morrer assim é morrer do jeito tr00. Os zumbis podem até vencer, mas antes eu vou experimentar todas as armas que sempre quis utilizar. Imagina só que sensacional seria poder descer fogo naquela galera que, afinal de contas, já tá morta mesmo! Eu faria a festa, véi. Imaginaria minha professora de Metodologia, minhas ex-namoradas, meu primeiro chefe… Aliás, eu sou cinéfilo, mas a graça do universo zumbi tá fora dele. Em jogos, e toda a mítica criada em torno deles. Respeito Romero e suas obras (já citadas pelos Artilheiros), mas não poderia deixar de comentar a Zombie Walk, flashmob que reúne milhares de pessoas em todo o mundo com o único intuito de pintarem-se e vestirem-se de zumbis para andar por aí. Bem que eu queria participar de uma zombie walk… Com uma espingarda carregada.

Tauil

Não existe nenhum monstro ou criatura fantástica que consiga superar o zumbi. Talvez de tanto ver filmes sobre, considero os zumbis como um clássico do terror. Aparentemente, as releituras  mais atuais têm optado por uma horda hiperativa. Agora eles correm, pulam e em alguns casos até pensam. Verdade seja dita, esses remakes são até bacanas e divertidos, mas o zumbi que se preza é lerdo. Quem conseguiria correr com o corpo apodrecido? E outra, ele tem que emitir aqueles sons guturais – nada de gritos agudos, senhores produtores de Left4Dead. Se aceitam uma sugestão, procurem o filme Shaun of the Dead (Todo mundo quase morto), uma das melhores comédias britânicas que já vi. Não tem erro. Depois de ler esse bombardeio, eu espero que você concorde comigo: explosões nucleares e cometas é o caramba, a melhor forma de o mundo acabar é com um ataque zumbi.

Alice

Zumbi que é zumbi não tem motivo para ser zumbi. Basicamente, você acorda morto e sai à caça de cérebros frescos. De transformar vivos também, afinal, dar continuação à espécie é preciso, mesmo que morta. Filmes e livros sobre zumbis nunca me atraíram. Assisti clássicos esperando explicações plausíveis pelo massacre que fascinava a tantos e não encontrei nada além corpos putrefeitos vagantes, o que não me animou a continuar a busca. Há a parte divertida, claro, você sempre pode aceitar um joystick para decepar algumas cabeças, mas nada que realmente impressione.