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Archive for the ‘Quadrinhos’ Category

Coringa

Quem me conhece ligeiramente sabe que o Coringa é um dos meus vilões favoritos. Seja nos cinemas (tanto encarnado em Jack Nicholson quanto em Heath Ledger) ou nos quadrinhos, com suas múltiplas facetas e traçados, o palhaço maníaco e inteligentíssimo tem um carisma ímpar: sua loucura e seu cinismo angariam muitos fãs das histórias do Homem Morcego.

Brian Azzarello, indicado ao prêmio Eisner e escolhido pela revista Wizard como um dos melhores roteiristas de todos os tempos, é quem traz a história de Johhny Frost, um capanga qualquer que vê sua vida mudar quando recebe a missão de buscar o Coringa no Asilo Arkham; o palhaço fora libertado, depois de ter convencido os médicos que estava curado. É o estopim para uma história violenta em que o Batman quase não aparece; o grande foco da narrativa (e a grande sacada da história) é mostrar como o Coringa retorna ao submundo do crime, tomando a posição de cabeça, que havia sido dividida por vários outros pequenos gângsteres. Uma participação especial – e que também rende uma das sequências mais tensas da HQ – é a de Harvey Dent/Duas Caras, que não gosta nem um pouco de saber que o Coringa voltou às ruas. Johnny acaba crescendo conforme o Coringa reconquista seu poder. Ganha a confiança do palhaço, mas ao mesmo tempo mantém-se desconfiado (e quem não desconfiaria de um louco?). Concomitantemente, uma trama de mistério e investigação é formada, dando um certo tom policial (quase mafioso) à história.

A arte de Lee Bermejo chega a ser um pouco noir, retratando Gotham City como ela tem que ser: sombria e pútrida.

Coringa é mais uma HQ que o Artilharia Cultural recomenda.

Kick-Ass: O Filme e a HQ

Eu queria fazer três posts sobre Kick-Ass: um a HQ, outra sobre o filme e um terceiro sobre as mudanças que ocorreram na adaptação das mídias. Depois de tentar algumas (várias) vezes, porém, percebi o quão difícil é amarrar as pontas em três posts separados… E isso já me deu uma certa ideia de como deve ser mais difícil ainda conseguir pegar uma história que foi escrita para um tipo de veículo e colocá-la no cinema. Há pouco, conversava com uma amiga que cursa Audiovisual, e confessei algo que arrancou umas boas risadas dela: eu nunca faria um curso assim pois gosto de sentir-me “ignorante” quando o assunto são técnicas para produzir filmes. Sabe aquela coisa de filmar uma cena de 4 ângulos diferentes, repeti-la diversas vezes, usar truques de iluminação, fazer diversos cortes e edições? Eu acho tudo muito interessante, mas tenho certeza que se soubesse como tudo funciona minuciosamente, o cinema perderia um pouco da graça pra mim. Posso resumir esse meu medo em uma criança que não quer descobrir a inexistência do Papai Noel.

Minhas introduções tão ficando cada vez mais poéticas. Daqui a pouco eu viro o artilheiro Marcel. Sem mais delongas, let’s kick some ass!

PS: esse post tem spoiler do começo ao fim. Se você não assistiu ou não leu a HQ, continue por sua própria responsabilidade. Apesar de que eu acho gente que não gosta de spoiler bem fresca. Falo mesmo.

PS2: o post divide-se em 2 partes: na primeira, “A História”, tentarei analisar a história de Kick-Ass como um todo e, para isso, tentarei passar por cima dos momentos em que há diferenciação de mídias. Na segunda parte, tentarei falar da produção do filme, da HQ e de suas diferenças.

PS3: eu tinha um, mas vendi.


A História

Atenção: este artigo contém spoilers

Lembro-me de ficar rindo de algumas cenas do filme horas depois de ter saído do cinema… Não só porque elas eram, de fato, engraçadas, mas por minha identificação com elas. Não, eu nunca me vesti com uma roupa de mergulho, saí por aí combatendo o crime, apanhei e fiquei nu no meio da rua (pelo menos não no mesmo dia). A questão é: que garoto nunca sentiu vontade de ser algo a mais? As pessoas têm uma tendência imbecil de criticar garotos que lêem revistas em quadrinhos sobre a ficcionalidade ali contida… Mas e quanto aos garotos que sonham em serem jogadores de futebol? 90% deles não terão seu sonho concretizado. Pro meu azar, eu sempre quis ser um super-herói OU um jogador de futebol. E tô aqui, fazendo jornalismo.

Kick-Ass conta, basicamente, a história de um garoto que vai mais longe do que eu, meus amigos e você jamais foram: ele alcança seu sonho. Mesmo que através de meios bizarros. Um cara que vai atrás daquilo que quer, simplesmente porque ninguém nunca tentou antes. E, cá entre nós… Por que não? Afinal de contas, se você estivesse na situação de Dave Lizewski, o menino por trás do herói, o que faria? Continuaria sem ser notado pela garota por quem você é apaixonado, sendo ridicularizado no colégio ou partiria para as ruas, combatendo o mal e sendo fucking awesome? Venhamos e convenhamos: são poucas as garotas que te acham legal por, sei lá, ler histórias em quadrinho e/ou saber de cor mais de 10 planetas do Universo Star Wars (Coruscant, Dantooine, Tatooine, Dagobah, Yavin IV (estou esperando o Tauil comentar que Yavin IV é Lua, e não vale), Korriban, Naboo, Hoth, Geonosis, Kamino, Alderaan, Kashyyyk e etc).

Por que diabos Kick-Ass é tão legal?

Venhamos e convenhamos, Mark Millar não é o cara mais polido desse mundo na hora de escrever algo. Se você já leu ou assistiu O Procurado, sabe do que eu estou falando. Então encontrar uma alusão ao uso de cocaína por uma menina de 10 anos, tantas menções de fuck/fucking quanto em Pulp Fiction e diálogos carregados de humor negro não é nada assustador quando trata-se de algo feito pelo escocês.

Kick-Ass é tão awesome porque trata da nossa realidade. Não se passa em um mundo diferente, com pessoas diferentes ou cidades que não existem. Dave pode ser eu, você ou aquele teu amigo que sofre bullying todo dia e gosta da menina popular que só sai com atletas ou com aquele cara que toca baixo e parece o Jim Morrison. Dave é caricato o suficiente para se fingir de gay apenas para aproximar-se da garota. A história é verossímil o suficiente para explicar por que diabos ele apanha tanto e consegue ficar de pé. Dave é tão perdedor e é tão legal que nós sofremos com cada uma das suas derrotas, e ficamos felicíssimos com cada vitória alcançada.

O Filme e a HQ

O universo de Kick-Ass me foi apresentado, pela primeira vez, pelo diretor Matthew Vaughn (que também tem em mãos X-Men: First Class). E foi impossível não gostar desse filme. Sabe quando, antes mesmo de ler a HQ, você já sabe que vai ser épico? Foi assim que eu concebi Kick-Ass, da mesma maneira que concebi Watchmen. Sem preconceitos, sem “esperar muito”. Quando fui assistir a adaptação da história de Alan Moore, aliás (com a mesma amiga que faz Audiovisual), lembro-me de dois amigos dela que simplesmente odiaram o filme. Diziam que não tinha nada a ver com a história, que haviam mudado tudo… E eu não entendi direito. Quer dizer que a HQ era tão melhor assim? Comprei ela um mês depois, a Edição Definitiva. Li assiduamente, e terminei praticamente em 3 dias. Até hoje, é minha graphic novel favorita… Mas não posso dizer que o filme – dirigido por Zack Snyder, que também nos trouxe 300 – é ruim. As poucas adaptações feitas – como o modo com que o mundo é “destruído parcialmente” – foram, ao meu ver, necessárias para enquadrar-se no estilo cinematográfico. Se Watchmen por si só, com todas as mudanças, já cansou e desagradou muita gente que o assistiu, talvez o fracasso fosse maior ainda se a adaptação fosse mais fidedigna ainda. E eu digo mais: mesmo com TODAS as mudanças, ainda acho que foi a melhor adaptação já feita na história do cinema sobre uma graphic novel. Haters gonna hate.

Aí você que viu o filme e não leu a HQ me pergunta: o que tem de diferente? Citarei 3 elementos que, pra mim, são os mais “gritantes”.

  • Dave não fica com a garota. Ele chega até a janela dela e grita que “não é gay”, mas antes que ela possa vê-lo, foge.
  • Acreditamos durante todo o tempo que Big Daddy, de fato, perdeu sua esposa para a Máfia. Ele, na verdade, era só um bancário com uma vida fracassada que, cansado de tudo aquilo, foge com a filha para tentar dar, para os dois, uma vida “agitada”. Ele não é queimado: morre logo depois que Hit Girl é alvejada e cai pela janela. Tinha tantas armas não por ser um ex-policial, mas por ter uma coleção inigualável de HQs valiosas.
  • Só descobrimos que Red Mist é filho do chefe da máfia quando ele e Dave chegam à emboscada preparada para Big Daddy e Hit Girl. Antes disso, a HQ propõe que ele é, de fato, um herói que se inspirou em Kick-Ass.

Um dia desses, conversando com outro amigo – que me emprestou as HQs do Batman e a própria história do Kick-Ass, em inglês -, chegamos à uma óbvia conclusão (que desagrada todo e qualquer fã xiita): essas adaptações são, de certa forma, necessárias. O cinema está acostumado a produzir histórias assim; uma motivação “nobre” para um pai, que deseja vingar sua amada. Algo no estilo de Frank Castle (Punisher/Justiceiro), que chega a ser citado por Dave ao conhecer o passado falso do herói. Se Kick-Ass não ficasse com a garota, não ia parecer tão legal para o público em geral. E o terceiro ponto, sobre Red Mist, traria uma reviravolta complicada ao roteiro: como não mostrar o desenvolvimento do personagem (no caso, interpretado pelo prodígio Christopher Mintz-Plasse, o McLovin de Superbad) que precisa provar algo para o pai? Como não mostrá-lo na cena inicial, na loja de quadrinhos?

Eu tenho um conselho para todos os fãs que odeiam adaptações para o cinema por causa dessas mudanças: parem com isso. Vocês sempre imaginaram como seria maneiro ver seu herói favorito em uma telona. Interpretado por atores de verdade. Deem uma chance para os estúdios, para os diretores, para os atores. Alguns deles – e cito aqui Ryan Reynolds – podem ser tão fãs quanto vocês. E, leiam de novo: adaptações são necessárias.

Guardei o último parágrafo para citar a atuação de Aaron Johnson, que interpreta Dave/Kick-Ass. Acharam estranho eu não tê-lo citado até agora, certo? A questão é simples: o garoto vai longe. Antes mesmo de ver Kick-Ass, eu assisti Nowhere Boy (em breve no AC), filme que conta a adolescência de John Lennon. Ao assisti-lo, você consegue enxergar nitidamente o talento do inglês de olhos azuis que só tem um caminho, tratando-se de cinema: pra cima. Vale o comentário também que Chloe Moretz pode seguir na mesma direção. A intérprete da Hit-Girl já havia roubado a cena interpretando a irmã caçula de Tom em 500 Dias Com Ela. Em Kick-Ass, sempre que aparece, torna-se o centro das atenções… E pode seguir um caminho brilhante em alguns anos. Resta esperar pra ver.

Leia a HQ, assista o filme, compare os dois com seus amigos… Faça disso tudo a mesma coisa que Kick-Ass desejava desde o começo: se divertir. É pra isso que histórias em quadrinhos são escritas e filmes são feitos (sim, estou sendo idealista por um segundo e esquecendo os milhões de dólares).

Meu nome é Lucas Baranyi, e um dia eu ainda vou me vestir de Capitão América. E você?

Batman vs. Lobo – Contágio Letal

Eu sou um tipo estranho de nerd. Sou aquele cara que sabe, de cabeça, 10 planetas do universo Star Wars, mas que ama futebol. O tipo de nerd que pode passar horas discutindo sobre filmes como De Volta para o Futuro e Batman: The Dark Knight mas, no fim das contas, o meu conhecimento acerca de HQ’s é ínfimo. E isso sempre me deixou muito triste. Talvez por não ter a oportunidade de conhecer, quando pequeno, gente que gostava desse universo, meus “quadrinhos” se resumiram, na infância, à Turma da Mônica (que é provavelmente a grande responsável por despertar interesse em leitura na minha geração). Com o passar do tempo eu comecei a me interar mais no universo das HQs e hoje, o pouco conhecimento que tenho resume-se à histórisa clássicas como O Cavaleiro das Trevas, A Piada Mortal e Watchmen. Sim, eu sei que é (bem) pouco, soldados, mas isso está prestes a mudar. Com o auxílio do amigo @DigitalDead (vale o follow), estou mergulhando de cabeça nesse mundo tão sensacional. Dentre as HQs que ele me emprestou, a primeira que comecei a ler (e  não consegui fazer mais nada até acabar) foi Batman vs. Lobo, de Sam Kieth. O motivo para a escolha foi simples: dentre os heróis que conheço, o Batman é um dos meus favoritos, e eu já li algumas coisas sobre o Lobo. Então, por que não ver como é uma história com os dois?

A HQ

Acredito que é desnecessário falar que qualquer história do Batman tem um certo tom sombrio e “seco”. Mesmo não sendo um conhecedor nato de suas histórias em quadrinhos, você consegue perceber pelos traçados que os artistas dão à obra que a intensão, ali, é criar um clima pesado. Batman, cuja única regra é não matar, acaba balanceando isso com muita violência. Ouvi, uma vez, compararem The Dark Knight (o filme) com um filme policial. E, de fato, o é. Batman é um detetive, e não um justiceiro.
Já o Lobo, ao contrário, é o meu tipo favorito de anti-herói: carregado de humor negro, turrão, cínico, Lobo matou todos os habitantes de seu planeta (Czárnia) e saiu por aí como caçador de recompensas. É, sem muita enrolação, sem muita frescura. E o que acontece quando esses dois personagens icônicos se juntam? Uma história fenomenal.

Contágio Letal

Batman e Lobo são convocados por Astrella, uma misteriosa entidade, para uma estação especial a milhões de anos-luz da Terra. Lá, são informados que um possível vírus está contagiando mulheres, mudando completamente sua personalidade. Mulheres pacatas transformam-se em máquinas de matar. Xingam, bebem, fumam e atiram para todos os lados. Apenas esse início de plot me deixou muito empolgado para ir à funda da história, pois aqui não temos um simples vilão: podemos interpretar o “vírus” que se apossa dessas mulheres como um feminismo exacerbado e totalmente incontrolável. Uma simples empregada que recebe Batman na Estação Especial, ao ser contagiada, segundo Lobo, “ficou gostosa do nada”. Gostosa, sim, e com uma arma na mão. Não estou tentando ser um Mau Saldanha aqui, que compara Crepúsculo ao poder da mulher (WTF?), mas essa alusão ao poder feminino chega a ser cínica, já que é tratada como um vírus/espírito… E muito divertida.

A história (que tem 98 páginas em sua edição única) tem plot-twists o suficiente para fazer com que a leitura sempre permaneça empolgante e nunca te canse. Ao estar próximo do fim, comecei a atentar mais aos detalhes e tentar fazer com que a leitura demorasse mais, para que não acabasse logo. Mas acabou, e eu fiz questão de vir aqui tentar escrever meu primeiro artigo sobre quadrinhos. Se ficou bom ou não, não sei… Mas que você deveria ler essa história o mais breve possível, deveria.

Down with the Clown – A verdade por trás do Coringa

Vilões são geralmente tão conhecidos quanto heróis, afinal de contas, eles são a outra parte da história. O outro lado da moeda. O outro gume da faca. Tidos como “ruins”, “malfeitores”, a maioria destes antagonistas destacou traços de sua personalidade que marcaram o público. A presença assustadora de Freddy Krueger, pronto para invadir seus sonhos, a dialética plenamente convincente e sedutora de Al Pacino em O Advogado do Diabo, a onipotência de Darth Vader… até em animações os vilões são lembrados. São poucos aqueles que não se deliciam com o cinismo apresentado por Jeremy Irons para encarnar o Scar, em O Rei Leão.

Todos esses vilões – e a maioria de todos eles – têm algo em comum: uma motivação. Seja por uma série de traumas, por dinheiro, por poder; todas suas ‘maldades’ são feitas em prol de um objetivo que lhes interessa. Como, então, combater um inimigo que não tem objetivo algum, senão a auto-destruição? Depois desta breve introdução, senhoras e senhores, convido-lhes a discorrer sobre aquele que, para mim, caracteriza um dos melhores vilões de todos os tempos – seja nas HQs ou no cinema: o Coringa.

Segure-se, leitor(a), e… Why so serious?

Batman: A Piada Mortal

Atenção: este artigo contém spoilers

Se você ainda não leu A Piada Mortal, recomendo que compre uma edição ou simplesmente baixe da internet; esta não é simplesmente uma história em quadrinhos. É uma obra-prima. Considerem-se avisados.

Nessa, que é considerada uma das melhores histórias em quadrinhos de todos os tempos, o Coringa foge do Asilo Arkham e decide mostrar ao Homem-Morcego que basta um dia ruim para que uma pessoa normal enlouqueça. E ele decide testar essa hipótese justamente no Comissário Gordon. O Coringa vai até a casa dele, e atira em sua filha – Bárbara Gordon, até então a Batgirl. Em seguida, nos é sugerido de maneira subjetiva que ele a violenta sexualmente, documentando o ocorrido em fotografias.

Gordon é levado até um parque de diversões, torturado psicologicamente pelo Coringa que chega a colocá-lo em uma montanha russa, exibindo durante o percurso as fotos que tirou da própria filha de Jim. Quando Batman chega, encontra Gordon miraculosamente são. Ele decide, então, ir atrás do Coringa, para capturá-lo.

A história termina de uma maneira genial: o Coringa conta uma piada sobre dois loucos que desejavam fugir do manicômio; eles sobem no telhado da instituição e vêem outro prédio próximo. Um deles pula, e consegue escapar. O outro, porém, fica com medo de cair. Seu amigo diz: “Ei! Eu tenho uma lanterna aqui. Vamos fazer assim: Eu a ligo, e você vem até aqui caminhando pelo facho de luz”. No que o outro responde, depois de balançar negativamente a cabeça: “Eu não! Acha que eu sou louco? Você vai desligar a lanterna no meio do caminho!”.

O Coringa começa a rir. Batman começa a rir. Os dois se aproximam, rindo muito… e a história acaba. Isto coloca em xeque toda a credibilidade do Homem-Morcego. Esse final genial, criado por Alan Moore, nos faz pensar: Batman é um herói, sim. Ele luta pelo crime. Mas é tão louco quanto o Coringa… afinal de contas, o homem veste uma fantasia de morcego e sai por aí combatendo marginais. Será que ele e o seu arqui-inimigo são tão diferentes assim?

Essa questão é levantada no filme que, para mim, é o melhor de 2008. Numa das melhores adaptações de super-herói para a tela do cinema (na minha opinião, perdendo apenas para Watchmen). O filme imortalizou Heath Ledger e enterrou de vez os videoclipes de Joel Schumacher (que eu me recuso a sequer proferir os títulos). Falaremos, a seguir, de: Batman: O Cavaleiro das Trevas. E o melhor Coringa de todos os tempos.

Batman: O Cavaleiro das Trevas

Atenção: este artigo contém spoilers

Batman sempre esteve acostumado a lidar com bandidos. Mafiosos. Pessoas que, por algum evento ou série de acontecimentos, só deseja – e só quer fazer – o mal a todos. Para eles, basta alguns socos e o Asilo Arkham – ou a cadeia.

No final de Batman Begins, porém, o Comissário Gordon entregou uma carta para Batman que fez todos os fãs ficarem com a sobrancelha erguida e o coração acelerado: a carta do Coringa. Durante anos, ficamos com a eterna dúvida: seria outro fiasco à la Joel Schumacher, ou dessa vez teríamos o filme de ação definitivo? Afinal de contas, se em Begins – que conseguiu, com maestria, contar a história do Batman – já tivemos alguns vilões… seria essa a hora de meter o pé na porta, para cravar a ferro e fogo o “filme definitivo e insuperável do homem-morcego”?

Graças a Deus, para todos os fãs de cinema… sim. E, como fã, não digo que a atuação de Christian Bale foi excepcional. Tiro aqui meu chapéu para Gary Oldman, Morgan Freeman e Michael Caine. Tiro todos os meus valores morais e possibilidades de respeito, porém, para apenas um ator: Heath Ledger. Heath Ledger fez o que, por muito tempo, soou como dúvida para fãs e críticos. Fez algo inimaginável. Indescritível. Insuperável. Heath Ledger nos trouxe o mesmo Coringa maníaco que pudemos observar em A Piada Mortal. Duvidam? Mergulhemos uma vez mais, então.

Pulemos para a cena do interrogatório (o que é uma lástima, pois eu adoraria comentar a mágica do lápis, mas…): o Coringa foi preso. Está na sala de interrogatório. Comissário Gordon entra lá e é recebido com um educado “Boa noite, Comissário” (dito de uma maneira tão macabra que me faria, no lugar do Comissário, dar um “boa noite” de volta e sair dali naquele instante). Apesar das perguntas de Gordon, o Coringa mantém-se irrefutável. Cínico. Medonho. O Comissário sai de cena e, nesse instante, se inicia um dos meus momentos favoritos do filme. Batman e o Coringa, frente a frente.

Bruce está nervoso. Quer respostas. Quer agilidade. O Coringa parece desfrutar, com prazer, de cada instante perto do Batman. O humor frio e real não vai embora. Enquanto Batman mantém-se direto e rápido, o Coringa analisa a situação como um todo. Vejam um pedaço desse diálogo; um dos diálogos que me lembraram muito de A Piada Mortal:

- Por que você quer me matar?

- AhAhAHAHAhA! Eu não quero matá-lo! O que eu faria sem você? Voltar a roubar mafiosos? Não, não… Você… Você me completa.

Batman não passa do criador do Coringa. Se o homem vestido de morcego não existisse, o palhaço não existiria também. Talvez ele não aparecesse em Gotham. Se no filme a única exigência do Coringa é que o Batman revele sua verdadeira identidade… se ele não existisse, em primeiro lugar, nada disso aconteceria. Se este morresse, à essa altura do campeonato, nada mais faria sentido para o palhaço.

A cena que se segue mostra o Coringa denotando sua primeira faceta anarquista: ele deseja que Batman quebre sua única regra, que consiste em não matar. Para encerrar esta cena, irei apenas ressaltar seu grand finale: após revelar que Rachel também foi seqüestrada, Bruce perde a paciência e começa a agredir mais seriamente o Coringa. Ele ri. Ri gostosamente, enquanto tenta explicar que o Homem-Morcego terá que escolher apenas uma vida para salvar. Ao levar outro soco, ele ri de uma maneira que arrepia o espectador. Uma das minhas frases favoritas de todo o filme:

-Você não tem nada… Nada que possa usar para me ameaçar. Nada a fazer com toda sua força.

Batman decide ir buscar Rachel. Gordon vai atrás de Dent. Os lugares, como vocês sabem, foram dados em sua ordem contrária pelo Coringa. Agora, porém, avancemos para o instante primordial do filme: A cena do hospital.

Vestido de enfermeira, o Coringa mata um dos policiais que entra na sala e então vira-se para Dent, que acorda lentamente. O palhaço tenta convencê-lo que a morte de Rachel não fora sua culpa. Que, enquanto tudo acontecia, ele estava preso na sala do interrogatório. Percebemos suas reais intenções no seguinte diálogo:

- Seus homens. Seus planos.

- Eu pareço mesmo um cara com um plano? Sabe o que eu sou? Sou um cachorro perseguindo um carro. Eu não sei o que faria com um, se o pegasse! A máfia tem planos. Os policiais têm planos. Gordon tem planos. Eles são planejadores. Planejadores tentando controlar seus pequenos mundinhos. Eu não sou um planejador. Eu tento mostra-los quão patéticas suas tentativas de controlar as coisas realmente são. Então… Quando eu digo – venha aqui – que você e sua namorada não foram nada pessoal… Você sabe que eu estou falando a verdade. São os planejadores que o colocaram onde você está. Você era um planejador… Você tinha planos… E, bem… Olhe onde isso te levou!

Acham que acaba por aqui? Não… Ele vai mais longe.

- Eu só fiz o que faço de melhor. Eu peguei seu planozinho e o virei contra você! Olha o que eu fiz com essa cidade, apenas com alguns galões de gasolina e umas balas. Hm? Sabe… Ninguém se apavora se tudo acontece como o planejado. Mesmo se o plano for aterrorizante! Se amanhã eu falar à imprensa que um caminhão cheio de soldados explodirá, ninguém se aterroriza. Porque é tudo parte do plano. Se eu disser, porém, que um prefeitozinho velho vai morrer… Todo mundo perde a razão! Introduza um pouquinho de anarquia… Mude a ordem pré-estabelecida, e tudo se torna… Caos. Eu sou um agente do caos. E sabe a coisa boa dele? É justo.

Muitos devem ter se perguntado: qual a ligação do Coringa d’A Piada Mortal com o d’O Cavaleiro das Trevas? E aqui está a minha visão:

N’A Piada Mortal, Coringa tenta mostrar ao Batman que basta um dia ruim para levar um homem aos seus instintos mais primários. Nesse caso, ele usa Gordon, o Comissário de Polícia. No filme, o Coringa leva Dent, o cavaleiro branco de Gotham, para o nível mais baixo: o nível de um vilão. Ao mesmo tempo, tenta utilizar dois grupos de pessoas e colocá-los em confronto, com a premissa que, para sobreviverem, teriam que assassinar muitos outros.

O que somos nós, senão o contrário do Coringa? Metidos em nossas vidas com rotina e planos. Sabemos tudo o que faremos durante a semana, talvez até durante todo o mês. E, se algo sai fora do planejado, enlouquecemos. Ficamos nervosos, ansiosos, quase loucos. Um mundo de regras inventadas por nós mesmos. Regras que aparentam não podem ser quebradas, mas… Fomos nós que as inventamos. Somos nós que podemos destruí-las. Da mesma maneira que todos nós temos um Tyler Durden dentro de nossos corpos (tema para outro post tão extenso quanto este, aliás), todos também carregamos um Coringa, e, no fundo, estamos loucos para libertá-lo.

Não o faça agora. Não o faça do nada. Não o faça completa e inteiramente. Mas saiba que ele está aí. Rindo. Sem poder acreditar em como você consegue fingir que tudo vai ficar bem só porque você acha que amanhã vai fazer o que acha que vai fazer. E, toda vez que você se deita, ele pergunta em voz baixa: Why so serious?

Mark Millar, Kick-Ass e um desabafo

Artilheiro Colaborador: Breno C.

“Olá, meu nome é Breno e estou há 24h sem falar mal do Mark Millar”. Essa poderia ser uma boa introdução para a minha atual postagem, o único problema está no fato de ser uma afirmação mentirosa. Sim, admito que, depois de muito bajular e comentar sobre as qualidades do autor/diretor Mark Millar, hoje em dia faço a maior questão de publicar texto em blogs simplesmente apontando seus erros. Por que desse comportamento subversivo e um tanto quanto infantil? Bom… se você realmente fez essa pergunta, então desconhece o “Mark” ou ainda não leu Kick-Ass.

Entenderam? Dei essa volta toda só para falar sobre Kick-Ass. Não é uma atitude muito nobre, mas o assunto é importante para nós por duas razões básicas: 1) tenho que falar sobre atualidades, visto o interesse dos leitores e editores do blog; 2) uma obrigação como ser humano de não permitir que semelhantes cometam os mesmos erros que eu já cometi. Então me darei essa colher de chá e partirei logo para o que interessa: falar mal no Mark Millar e da sua atual obra em destaque (não exatamente nessa ordem).

Garoto fã de quadrinhos acorda de uma vidinha mais ou menos e decide se tornar um super herói, usando a justificativa de que as pessoas do mundo no mundo real nunca tentaram de fato se tornarem heróis. Esse é o plot inicial da série e não sei dizer se é algo inovador, mas posso confirmar que a idéia tinha tudo para ser perfeita dentro do sentido de originalidade, porque toca em dois motivadores humanistas: altruísmo e auto-sacrifício. Talvez seja redundância, quem vai saber ao certo?

Não era intento contar literalmente o que acontece dentro da HQ, até mesmo porque é uma série de 8 números, mas vamos lá: temos Dave Lizewski, um garoto com uma vida normal para padrões norteamericanos – os mesmos que dizem que ele é um “loser”. Dave é meio frustradinho com a sua situação de ser um pária social e não poder conquistar a garota mais bonita de sua sala, nada mais clichê. Apesar de ter perdido a mãe aos 14 anos, não fica bem claro se ficou afetado, apenas que não se sente confortável de ser a única companhia do pai. Tudo bem, tudo bom, até ele decidir que estava cansado daquela merda toda e resolver virar um super herói.

Bom… já dá para imaginar o restante, né? Teoricamente sim, mas a verdade é que essa é uma história fora do comum. Dave se ferra muito na sua primeira patrulha e acaba com uma chapa de aço na cabeça e, ao contrário do que manda o bom senso, ele volta às ruas. Com o tempo acaba irritando as pessoas erradas, conhecendo outros heróis de verdade, como Big Daddy e Hit Girl (essa é a parte legal que se torna muito ruim) e até um “parceiro” no combate ao crime. O resto da história seria spoiler, mas posso adiantar que ela dá uma completa virada na qual o leitor vai repetir várias vezes as perguntas “que porra é essa?”, “por que isso tá acontecendo?”, ou pior: “eu deveria parar de ler? Ou continuar para ver se melhora?”.

Acho legal tentar pontuar os lados positivo e negativo da história para encontrarmos de forma mais simplificada os erros e explicar o porquê deles serem tão ofensivos. O personagem principal é fortemente marcado pelas suas qualidades deturpadas e sua realidade de opressão, o cenário realista dá vigor e reconhecimento ao leitor, os personagens secundários são sólidos e críveis, as situações são comandadas pela mão do bom senso e a história é envolvente. Essas são as características que poderíamos chamar de pontos “positivos” de Kick-Ass, e por si só já fariam a HQ se tornar uma boa leitura. Porém, o buraco é mais embaixo – e não é sempre? O que seria capaz de tornar uma história com grande potencial numa total perda de tempo?

Acredito que todos saibam a resposta para a pergunta acima, especialmente aqueles que acompanharam Lost até o ultimo episódio, ou seja, o final! Talvez o grande problema do mundo sejam os finais e eu estou aqui dando murro em ponta de faca, mas o fato é que prefiro acreditar na teoria de que a doença é atual. Tenho lembranças de bons filmes e livros, e na realidade, avaliando depois de muito tempo, todos eles eram uma completa merda, sendo que o grande valor estava sempre nos seus finais. Exemplos: Exterminador do Futuro II (filme) e Outsiders (livro), produtos muito ruins com finais memoráveis ou emocionantes, que salvam todo o resto.

O ponto é: o final de Kick-Ass é podre! Não sei quanto ao filme, porque ainda não me desloquei para ver, mas a verdade é que o Mark Millar conseguiu fazer de novo, ele ferrou mais uma vez com uma série de HQs que era boa até a conclusão. E para quem acha que estou falando besteira, tenho um desafio: leia Wanted (Procurado) do início ao fim e disserte sobre. Impossível não se sentir um completo idiota por ter ido tão longe. O que mais me dói é o fato desse mesmo Mark Millar ter escrito Superman: Red Son.

O problema com os finais é o poder dado a eles. Uma conclusão mal desenvolvida tem o poder de abrir seus olhos e lhe fazer perceber que toda aquela história, do número um até o número oito, foi uma completa perda de tempo. Acreditem quando digo que nada se torna ruim de uma hora para outra, as coisas estão fadadas a nascerem destruídas, somos nós que estamos cegos a maior parte do tempo. Pode ser a animação de ver algo novo acalentando o coração, ou uma consciência coletiva nos levando a ter fé, mesmo diante do reconhecido “trabalho imaturo”. Porém, o final tem os poderes necessário para reverter essa condição natural. Se for mal utilizado, ele só serve para piorar a situação.

Um garoto normal que resolve ser super herói e não consegue se declarar para a garota mais bonita da classe? Um perdedor que se vê preso numa vida de merda para depois se transformar numa máquina de matar? Uma história sobre supervilões sem super heróis? Afinal de contas, quem o Mark Millar pensa que é para tratar seu público como idiota? E os questionamentos não são profundos, densos e escuros a ponto de estragar tudo. A situação desconfortável é gerada pelas condições precárias de um leitor que acredita no poder da mudança e vai ávido para os sites de scans baixar o pacote completo com todas as revistadas de Kick-Ass, isso quando não perde uma grana com edições horríveis que são lançadas por aqui.

Não, não estou enganado sobre as coisas que penso quando chego ao final de uma série escrita pelo Mark Millar, porque eu era ignorante, não tinha um senso apurado. Meu cérebro estava programado para aplaudir qualquer coisa tosca que via pela frente, ainda mais se ela fosse escrita pelo mesmo ser humano que deu vida a Superman: Red Son ou algumas das melhores histórias do Wolverine. Depois de uma epifania literária envolvendo o Allan Moore e o Tolkien (explico outro dia), minha mente se iluminou e percebi o quão era errado sacanear o leitor com um final do tipo “novela das oito”, isso sem falar no final “esse seu eu, comendo o seu cu” (leia Wanted e você vai entender sobre o que estou falando).

Para não dizerem que minhas opiniões sobre Kick-Ass são apenas emotivas, tentarei resumir em poucas palavras não tão ofensivas qual o sentimento que fica ao terminar a série, assim vocês podem decidir se querem mesmo ler essa HQ quando chegar em terras tupiniquins, segue:

“Fui iludido. Não que me sinta triste por isso, já que a ilusão cotidiana faz parte da existência pequena. Porém não esperava ser iludido por um pedaço de papel ao qual depositei minutos de alegria. Quando quiser ser iludido novamente, peço ao J. J. Abrans para fazer uma dupla com o Mark Millar e escrever uma HQ baseada em Lost

OBS: Bom moçada, (in)felizmente  ainda não vi como ficou Kick-Ass nas telonas, então essa não é minha opinião final sobre a obra. Muitas coisas podem mudar dentro de uma sala escura com várias cadeiras, mas quanto ao produto original, todas as palavras acima sintetizam meus sentimentos.

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Breno é um ávido leitor de HQs e mantém um blog musical, o C-sides. Você pode segui-lo em seu twitter, o @brenocs

Leões de Bagdá

Artilheiro Colaborador: Breno C.

Apesar de gostar de histórias com fundos emocionais bem desenvolvidos, não sou o tipo de leitor que chora com muita facilidade. Talvez por culpa de traços machistas na minha criação, fique um pouco complicado admitir que uma simples história em quadrinhos me fez ficar emocionado o suficiente para começar a refletir sobre n questões existenciais ao ponto de chorar. Com certeza essa não era a maneira que gostaria de começar mais uma postagem para o Artilharia, mas me sinto na obrigação de compartilhar com outras pessoas um trabalho tão foda (não consegui achar outra palavra) que me fez pensar e chorar: falo sobre a HQ Leões de Bagdá, obra que acaba de entrar na lista de leituras essenciais para todos. Queria poder dar a oportunidade a todos de ler essa HQ, porque realmente acredito que o trabalho feito em cima dela, mesmo que seja cheio de clichês e com uma linguagem emocional afetiva barata, pode fazer um diferencial pessoal. Então nos próximos parágrafos, irei te convencer que comprar Leões de Bagdá é o melhor investimento já feito em termos de quadrinhos.

Leões de Bagdá é uma fábula que se passa dentro de um zoológico na cidade de, oras, Bagdá, em pleno ataque de tropas americanas durante a guerra no Iraque, em 2003. A história se baseia em uma família de leões que consegue fugir do zoo com outros animais e fica perdida por entre os escombros da cidade recém-bombardeada. Mas esse é apenas o plot principal, a HQ em si é muito mais densa e aborda muito mais temas do que pode parecer.


De início, conhecemos cada uma das personagens que compõem a família de leões. Elas são bem marcadas por suas características psicológicas fortes e desenvolvidas: Safa é a leoa mais velha, tem um olho cego (o motivo é contado num flashback de sua vida na selva) e apesar da sabedoria, muitas vezes parece agir pelo impulso de provar sua superioridade; Noor é a leoa mais nova, líder do grupo e mostra de primeira que não quer estar presa numa jaula por maior que ela seja; Zill é o único macho adulto, apenas reclama de ter que ouvir as constantes brigas de Noor e Safa e não é o melhor exemplo de iniciativa voluntariosa; por final temos Ali, um jovem leão, filho de Noor, esperto, curioso e tem o mesmo instinto de liberdade que a mãe.

A trama é cheia de pequenos momentos de reflexão sobre uma condição humana ou ponto filosófico, que no final são unidos para abordar o tema central. Já começamos reavaliando a condição social sobre as variáveis que vida oferece quando Noor está conversando através de suas grandes com um antílope. Ela tenta a todo custo convencer a antiga caça que eles deveriam unir forças para tentar derrotar seus “tratadores” e fugir daquela situação de prisão, mas a antílope afirma que sabe qual será seu destino se estiver fora daquela jaula, sua segurança acabaria no momento em estivesse em “liberdade” junto com os leões. E a cada virada de página, novas questões vão nascendo e sendo solucionadas com rapidez, como se fossem uma reunião de vários contos com morais. O clímax acontece numa incrível luta entre espécies de animais que nunca estariam no mesmo hábitat.

Numa fábula, animais adquirem características humanas para contar a história. Estamos tão acostumados a ver filmes onde cachorros falam, gatos têm uma inteligência quase humana e macacos são jogadores de basquete, que é inevitável não imaginar a situação de uma forma meio “abobalhada”. Em Leões de Bagdá as personagens animais não devem em nada para qualquer ser humano. Os níveis de profundidade que é dado através da fala e das características únicas, criou sólidos protagonistas. Talvez contar a história com humanos no lugar dos leões fosse possível, mas com total certeza não teria a mesma graça.
O roteiro é de Brian K. Vaughan, que tem na bagagem HQs como Y: The Last Man, Ex Machina e alguns episódios da série Lost (e também é um dos produtores). Ele é o homem por trás de todas as metáforas exploradas em Leões de Bagdá. Seus trabalhos anteriores deveriam ter me alertado que essa obra teria sua cota de momentos tocantes, porque essa é a sua maior característica (veja o episódio Dead is dead da 5º temporada de Lost que você vai entender o que digo). Já a arte é assinada por um desconhecido meu, Niko Henrichon e vou até tentar fazer pesquisas para falar sobre a arte dele, que é muito boa. Originalmente ela foi editada pela Vertigo e aqui saiu pela Panini.

Como disse no início, essa HQ entrou para a lista de leituras essenciais para qualquer pessoa, então pesquisei os preços e a credibilidade de umas lojas virtuais e achei uma edição com capa cartonada na Comix por R$ 19,90. Não precisa perguntar se vale apena, porque se eu fosse você correria para ler essa história e entender o porquê do meu choro.

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Por que Sandman é tão importante?

Artilheiro Colaborador: Breno C.

Em Abril os leitores de quadrinhos ganharam um presente da Panini: a editora lançou Sandman Edição Definitiva e já colocou seu primeiro volume no mercado, deixando os fãs do Neil Gaiman loucos. O efeito desse lançamento me fez repensar na importância que a história do “João Pestana” tem sobre o mundo dos quadrinhos. Provavelmente não vou comprar esse relançamento de Sandman, porque a verba está baixa e não permite compras repetidas. E essa postagem também não será uma um review do compensado, até porque outros sites já estão cobrindo essas postagens. Então, numa tentativa pretensiosa, farei dessa postagem uma forma de explicar a importância de Sandman para o mundo dos quadrinhos e para a cultura jovem dos anos 80.

Antes de começarmos a falar da obra, seria legal deixar um pouco mais claro quem é o autor. Neil Gaiman é um escritor inglês que produz um tipo de literatura “fora do comum”. Seus livros e HQs costumam abordar temas “ocultistas” (não consegui achar palavra melhor), onde os personagens podem ser pessoas normais ou entidades cósmicas, etéreas e deuses que estão expostos a problemas que muitas vezes não significam nada isoladamente, mas no final compõem um cenário maior. Gaiman não é como o Moore (o autor de Watchmen), ele matém um contato amigável com outras formas de mídias e com os próprios fãs, dando espaço nítido para colaborações indiretas da opinião crítica de quem está lendo suas obras. O ponto legal é que ele não é marcado pelo comportamento “anormal”, o brilhoestá no que produz e não no seu estilo..

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Sandman, na minha opinião, foi a obra mais importante que Gaiman já fez. Em termos de complexidade, as histórias dentro dos arcos, são exemplos de como um autor pode criar mundos e não ficar perdido em seus próprios labirintos. A HQ fala sobre um dos Perpétuos conhecido como Sonho, que é, oras responsável pelo mundo dos sonhos – território para onde a humanidade e mais outros seres são transportados quando dormem. Mas o que precisamente é um perpetuo? Entidades, mas não simples deuses ou espíritos. Os Perpétuos, assim como o nome já diz, são seres que duram eternamente, sendo que cada um deles representa um elemento comum da psique humana (e de alguns alienígenas). Destino, Morte, Sonho, Destruição, Desejo, Desespero e Delírio são os sete que formam esse panteão e são personagens de importâncias diferentes em cada um dos arcos da revista e com o tempo vão se mostrando mais complicados do que os leitores percebem inicialmente. Morpheus, ou Sonho, é o personagem principal de boa parte das histórias e de certa forma tudo o que é contado tem uma ligação com ele ou se torna parte de sua história com o passar das edições. É um personagem que tem uma forte carga dramática e se aproxima muito da condição autocontestadora que estava se desenvolvendo no final dos anos 80, quando a HQ começou a ser lançada. As situações e formas com que Morpheus tem de lidar com elas, sempre vivenciado uma indagação de seu comportamento e de suas emoções, são o grande diferencial, gerando uma profundidade e densidade ao personagem de forma tão clara que se torna anormal para os quadrinhos da época. E é justamente com esse posicionamento que vamos começar as comparações e validações da qualidade da obra.

Quando Sandman foi lançado, já existiam histórias em quadrinhos que tinham esses aspectos introspectivos. Os X-men, por exemplo, já faziam o trabalho de chocar os leitores com questões como racismo e políticas extremistas, assim como os Novos Titãs estavam presentes para aproximar o mundo “adolescente” e criar elos com a realidade do público alvo. Porém, foi com Sandman que os leitores, independentemente da idade, encontraram um ícone para desabar seus sentimentos emotivos. Morpheus, e quase todos os personagens dos arcos, são dotados de uma complexidade existencialista tão forte que é possível criar uma série para cada um, como aconteceu com sua irmã mais velha (Morte) e uma de suas namoradas (Tessália).

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O grande trunfo de Sandman no que diz respeito a manter seus leitores é a forma como as tramas são construídas. Quem está acompanhando um arco pode se identificar com algum personagem, se ligar a atmosfera de suspense ou estar interessada em todo o “mundo a parte” que é desenvolvido, porque existe um pouco de cada um desses elementos presentes na trama. Sandman é o tipo de leitura que pede um certo nível de dedicação e envolvimento, mas tudo isso é compensando pelo estímulo à mente e a recompensa de no final se emocionar com os desfechos. É literalmente um entretenimento com qualidade. Sandman criou um público fiel quando foi lançado pela primeira vez, então, nada mais natural que esteja sempre nas listas de leituras básicas de grandes nomes. Também está na minha lista, mas não por uma questão de ser o representativo de uma geração, acredito que o mais importante em Sandman é justamente o diferencial que ele ditou nos quadrinhos, exigindo que os posteriores fossem tão profundos e densos quanto. Fica como minha indicação pessoal a todos que querem começar a ler HQs.

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Magneto Testament

Artilheiro Colaborador: Breno C.

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Fico chateado em dizer isso, mas não sou um grande fã da Marvel. Reconheço a contribuição da editora e dos seus selos para com a mitologia pop atual, mas a verdade é que são justamente as características principais das publicações que me fazem não simpatizar com os heróis Marvel. E os marvelmaníacos não podem usar o argumento do preconceito, porque não faço essas afirmações só usando como base a cultura popular. Eu realmente li X-men, Homem Aranha, O Quarteto Fantástico, Hulk, Thor etc. e não gostei. Mas, vez por outra, a editora acerta o passo comigo e lança um arco ou oneshot que bate bem com o tipo de leitura que gosto nas HQs e para não ser injusto com seus fãs, vou dedicar minha primeira postagem a uma das histórias mais fantásticas que já li em quadrinhos: O Testamento Magneto (entenda como uma tradução livre, porque essa HQ não tem no mercado nacional ainda).

Sabe quando lançaram o X-men Origens: Wolverine? Pois é, X-men: Magneto Testament é o equivalente. Sei que muitos fãs vão chiar e dizer que “não é bem a mesma coisa”, porque no Origens do Wolverine existia toda uma idéia de contar a história completa da vida do Logan e blablablá. Porém a verdade é que o titulo “Origens” vale muito mais para essa publicação do Magneto do que qualquer outro já que a intenção é contar a origem do mutante que controla o poder do magnetismo.


E por falar em mutantes, essa é a característica menos explorada na história, que começa contando toda a infância de Max Eisenhardt (nome de registro de Erik Magnus Lehnsherr, vulgo Magneto) na Alemanha pré e pós nazismo. Judeu e filho de um funcionário publico, Max conhece de perto todos os horrores da perseguição iniciada pelo Parido Nazista. Ainda no colégio, é perseguido por não estar dentro dos “padrões” considerados como perfeição, pois só se destacava nas disciplinas intelectuais, o que na verdade é apenas uma máscara para o preconceito por ser judeu. Mas os problemas não paravam nas ruas, dentro de casa sofria ao ver a divisão familiar entre seus pais que não admitiam abandonar seu lar e ao mesmo tempo não queriam ver seus filhos sofrendo num país que os odiava.

Durante as cinco edições, todo o processo de acessão do nazismo é apresentado e confrontado com a situação dos personagens. Max é exposto a toda uma gama de sentimentos e experiências ligada à perda e desilusão. Chega a ser um pouco engraçado, porque os momentos que são apresentados deveriam criar dentro do personagem um sentimento de vingança, não de reconhecimento e adoção que é a postura assumida por Max quando se torna Magneto. A ideologia pregada por Magneto de que os mutantes são o futuro e por isso têm o direito de despojar a raça humana, é muito parecida com a ideologia nazista. E caindo em conjecturas sobre psicologia dentro do mundo da fantasia, é possível ver que esse posicionamento segregador  é a grande sacada no personagem. Podemos até comprar com outros personagens como o Batman que após a morte de seus pais, não se torna um assassino, indo em direção contrária, agindo contra a criminalidade.


Teorias à parte… Sou obrigado a destacar que o roteiro é primoroso e construído de uma forma que leva o leitor a entender que dessa vez o “Magneto” é apenas um moleque que quer sobreviver. O fato de terem colocado pequenos toques mutantes para um personagem que diversas vezes aparece com um poder gigante, também é algo destacável. Não espere ver cenas de filme onde mutantes fazem mil feitos estranhos, os toques de fantasia são tão miúdos que na primeira aparição durante uma competição esportiva de lançamento de “dardo”, é encarado como um momento de sorte.

Quanto à arte e coloração das cinco edições, posso dizer apenas que são satisfatórias. O desenho consegue transmitir de uma forma muito clara as intenções do texto e as sensações dos personagens sem deixar de lado a atmosfera tensa do período. O trabalho encima da ambientação e harmonia das cores é expressivo e só deixa a desejar quando o assunto é níveis de profundidade, mas um leitor “comum” não vai se ligar muito nesses detalhes. As cinco capas também são excelentes.

Magneto Testament é uma forte indicação para quem não quer ficar apenas nos títulos básicos da Marvel. Lembrando sempre que não é uma série para quem procura ação e demonstrações de poderes exageradas. Quem, muito provavelmente, vai curtir bastante essa HQ são os leitores da Vertigo.

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Lista de HQs indicadas ao Eisner 2010

O site Comic-con disponibilizou a lista dos quadrinhos que concorrerão ao Eisner este ano. Para quem não sabe, o Eisner é como se fosse o Oscar das HQs.

Confira os indicados, em inglês, clicando aqui.

Nenhum autor brasileiro figura na lista.

Como o capitalismo afeta a arte

Artilheiro Colaborador: Murilo Andrade

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É dito pela Wikipedia que o Capitalismo é um sistema econômico caracterizado pela propriedade privada dos meios de produção, e pela existência de mercados livres, de trabalho assalariado. Este post não se destina a argumentar se o capitalismo  é melhor ou pior que qualquer sistema econômico. Só quero demonstrar como a necessidade de lucro prejudica certas formas de arte.

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Cinema
O Cinema vive a maior crise de criatividade de seua história. São remakes, adaptações (HQs, games, séries e até brinquedos!), reboots, reimaginações, reaproveitamento de idéias etc. Tudo só porque é muito mais seguro financeiramente falando investir num material conhecido e com uma base larga de fãs do que se arriscar em algo completamente novo. Ou seja, a indústria do cinema está indo para o ralo por causa da preocupação dos executivos em encher os bolsos. Cinema hoje, na maioria das vezes, é só mais uma forma de negócio.
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Literatura
Havia um tempo em que era praticamente impossível viver só de escrever. Era necessária uma carreira paralela para não passar fome. Ainda assim surgiram livros que são admirados até hoje. Já nos tempos atuais é possível ganhar milhões com um romance. Até quem não sabe escrever o próprio nome direito está lançando um, geralmente celebridades vazias e suas autobiografias. Agora eu pergunto: quais dos livros que ficam na lista de mais vendidos têm realmente chances de ser considerados um clássico no futuro? Pois é. Explicarei resumidamente minha teoria sobre isso.

O processo de criação de um livro começa, óbvio, na cabeça do aspirante a escritor. Ele põe a história que imaginou no papel, reescreve trechos, revisa umas 200 vezes até confiar que o seu livro está realmente bom. Acabada esta fase ele começa a mandar cópias do livro que nem um condenado para todas as editoras que conhece. Se por um milagre o livro for lido e alguma editora ver potencial nele, chamarão o escritor para discutir sobre sua obra. Lá ele, todo pimpão por saber que será publicado, descobre que terá que reescrever todo o seu livro conforme as ordens da editora. Elas vão de correções em pontas soltas, frases inteiras retiradas, trechos importantes e que tinham uma mensagem que o autor queria passar são excluídos, personagens modificados, o final alterado. A editora está pouco ligando se o livro ficará bom ou não, ela quer que venda. Dependendo, no final deste processo o romance ficou irreconhecível e ruim. Por isso procuro alternativas às editoras, quase sempre na internet.
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Comics
Os quadrinhos americanos são presos à uma cronologia interminável, que requer um conhecimento enciclopédico por parte dos leitores sobre os personagens, que só os nerds são dispostos a obter. Consequência? Esses gibis ficam presos a um público restrito enquanto os mangás vendem várias vezes mais e já até existe uma lista de mangás mais vendidos no New York Times. Editoras como a DC e a Marvel tentam reverter a situação. Matam e ressuscitam personagens todo santo dia, fazem “reformas” nos heróis para trazer de volta os leitores antigos (voltar com o Wolverine usando o pijaminha amarelo quando até nos filmes ele já usava a roupa de couro é inovação?), criam megassagas que envolvem mais de cinqüenta revistas só para aumentar as vendas, crossovers etc. Sinceramente, acho que eu me sentiria um trouxa se ainda lesse esses quadrinhos. A DC e Marvel na sua competição tola para ver qual é a melhor (para mim estão tudo no mesmo barco atualmente) fazem os comics perderem boa parte da graça. Eles têm que torcer para que seus personagens em versão infantil conquistem as crianças e criem futuros leitores, se não vão cair ainda mais com o tempo.
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Música
Prejudicada pelos downloads feitos ilegalmente, a indústria fonográfica consome mais suas energias em punir os infratores do que em pensar em uma alternativa de negócio eficaz. Mas não é bem sobre isto que eu quero falar. Pense que uma banda envia para uma gravadora um CD com suas músicas. Um produtor curte o som, mas diz que eles precisam fazer “algumas” mudanças. Não só nas músicas, mas na forma de se vestir, falar e de se comportar dos integrantes. O produtor não quer saber de riscos, e quanto mais os integrantes da banda forem permitindo as mudanças, mais as músicas ficam sem ousadia e inovação nenhuma, puro “mais do mesmo”. Vai ver é por esse motivo que eu gosto tanto de bandas independentes.
Na música clássica é bem pior. Praticamente, não são lançadas obras originais, apenas regravações em novas roupagens. “Mozart para bebês“, “Beethoven por tal maestro“, “Bach no violino“, etc. O pior de tudo é que ainda vendem bem.

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Mangás
Na mais concorrida indústria de quadrinhos do mundo, o artista só consegue ser publicado se dominar as técnicas dos mangás, tiver uma história interessante e fácil de ser explicada e traço que permita uma leitura rápida e de fácil entendimento do que acontece nas páginas. Suponhamos então que um mangaká (o artista que faz o mangá) consiga publicar na mais célebre e concorrida antologia do Japão, a Shonen Jump. Ele pode até criar algo original, mas se for rejeitado pelos leitores seu mangá será cancelado da revista. Com medo disso a maioria dos artistas prefere não arriscar, usando um traço comum, entupindo suas histórias de clichês e fórmulas gastas (um protagonista de coração puro e ingênuo, de pouca habilidade, mas com muita disposição para vencer). Se o mangá fizer sucesso, a sede de grana da editora e do autor o empurrará por uns trinta volumes ou mais, mesmo que a qualidade seja prejudicada no percurso. Quem sai perdendo são os leitores, como sempre.
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Animes
Presos a uma crise tão grande que quase não são lançadas animes originais. Geralmente, são adaptações de mangás, games ou de light novels (romances ilustrados e de leitura rápida). Tudo porque os executivos se cagam de medo de ficar no prejuízo e optam por investir em materiais já conhecidos. Custa fazer algo que eu já não tenha lido num mangá?
Eles deviam acrescentar algo às tramas, e não copiar cena por cena, e depois acrescentar dezenas de episódios que não existem na obra original só pra encher lingüiça.

É claro que eu poderia falar sobre outras formas de arte. Mas vamos parar por aqui.

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Sobre o Artilheiro Colaborador

Murilo Andrade estuda biblioteconomia e escreve posts durante o horário do estágio ao invés de trabalhar. Já colaborou em inúmeros blogs, mas hoje “só” escreve em três: Humorragia, Nerds Somos Nozes e Himitsu.